APREMELGO- ASSOCIAÇÃO VIRTUAL DOS PROFESSORES DE LÍNGUAS DAS REDES ESTADUAL E MUNICIPAL DE GOIÁS

Material organizado por:
 Prof: Euripedes Garcia Batista
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS - FACULDADE DE LETRAS DE IPORÁ

LETRAS PORTUGUÊS - INGLÊS

Prof: Euripedes Garcia Batista - (Mr Lypy)

A leitura: Um processo de reconstrução do planejamento do discurso por parte do escritor.

I - Leitor analisador

O leitor idealizado pelo modelo ascendente é aquele que analisa cuidadosamente o input visual e que sintetiza o significado das partes menores para obter o significado do todo, caracterizado como leitor analisador.

II - Leitor construtor

O leitor idealizado pelo modelo descendente é aquele que se apóia principalmente em seus conhecimentos prévios e sua capacidade inferencial para fazer predições sobre o que o texto dirá, utilizando os dados visuais apenas para reduzir incertezas, caracterizado como leitor construtor.

III - Kolers - Maus leitores X Goodman - Bons leitores

Segundo Kolers (1975), os maus leitores são aqueles que, em lugar de fazer uma leitura textual precisa, procuram, com base em seu conhecimento prévio do mundo, fazer adivinhações, quase sempre mal-sucedidas.

Por outro lado, Goodman (1967), verificou que justamente o leitor competente é aquele que faz mais adivinhações acertadas e que o leitor imaturo é aquele que faz uma leitura linear com pouca predição.

Leitor construtor analisador.

IV - O leitor construtor analisador

Esses resultados aparentemente contraditórios só se tornam plausíveis se forem aceita uma concepção de leitura na qual os processos ascendentes e descendentes aparecem como duas possibilidades complementares, isto é, uma interação entre  leitor e texto, sem privilegiar ou depreciar o valor dos dados lingüísticos, que  teriam, entre outras, uma função restritiva em relação ao uso excessivo de predições.

Segundo Kato, o leitor proficiente é aquele que faz uso apropriado desses processos, o que o torna um leitor ao mesmo tempo fluente e preciso. As estratégias usadas na leitura são determinadas por vários fatores tais como:

V - O leitor cooperativo: Interação leitor-escritor

Apesar de muito se falar sobre interação leitor texto, é de extrema importância também falar sobre a interação leitor-escritor. Em situações de comunicação oral, o que é relevante é a interação falante-ouvinte. Na verdade, essa interação entre produtor e entendedor é o objetivo de qualquer comunicação, mas, como sido freqüentemente observado, na comunicação escrita esse objetivo é muito mais dependente do código verbal e muito menos apoiado nas pista contextuais, na linguagem gestual,  no universo semântico partilhado ou nas regras conversacionais.

Contudo, uma vez atingido o equilíbrio dialético do conflito do texto para as intenções do autor. Em sua versão ingênua, a leitura é definida como um ato de adivinhação das intenções do autor, e, na versão mais elaborada, como um ato de comunicação regido por regras conversacionais, isto é, um contrato de cooperativismo. Desse modo, o escritor é regulado para ser:

O leitor por sua vez, deverá compreender o objetivo do autor, acreditar em sua sinceridade, procurar a relevância dos subjetivos ao objetivo central e esperar que os objetivos venham codificados através de recursos lingüísticos mais simples.  

Se alguns dos princípios não são obedecidos pelo escritor, o leitor, guiado ainda pelo principio do cooperativismo, deverá pensar que tal violação é intencional e que indiretamente o escritor esta tentando dizer-lhe alguma coisa. Assim, se a uma carta pedindo informações sobre a competência de um determinado candidato a chefe de setor chega uma resposta do seguinte teor:

Informo que Leon é extremamente gentil, benquisto e agradável e muito atento a detalhes como encapar os prontuários, colocar os objetos em ângulo reto, etc.

O recebedor da carta percebera que a omissão de informação, ou a violação da máxima de informação, significa indiretamente que Leon é incompetente.

Um outro exemplo que poder ilustrar o cooperativismo poder ser visto no texto a seguir:

Um avião americano que voava de Boston para Vancouver caiu exatamente na fronteira entre os estados Unidos e o Canadá. Em que pais os sobreviventes deverão ser enterrados

Para muitos leitores, o ermo sobrevivente passará despercebido. Esse fato corrobora a tese da leitura como processo descendente, pois pode ter acontecido de o leitor simplesmente não ler e apenas adivinhar o termo que ocorre nessa posição. Por outro lado, outros leitores terão percebido a palavra e reagirão achando graça. Isso mostra que o leitor entendeu a intenção indireta do escritor de fazer uma brincadeira e que o uso do termo não foi acidental, mas proposital. A violação aqui foi do postulado da sinceridade. Portanto, vê se  que, mesmo nessa abordagem, o texto é de fundamental importância pois é na sua leitura literal que o leitor encontrara os indícios para significados não literais. Nesse sentido ela vem parcialmente sana o impasse criado pela abordagem estritamente descendente que desenfatiza o papel do texto na leitura.

Poder-se ia, neste momento, levar a seguinte questão: supondo que tanto o escritor quanto o leitor são comunicadores cooperativos e que partilham essencialmente do mesmo universo cognitivo e do mesmo sistema de valores, seria verdadeiro dizer que uma leitura eficiente recuperará só, e somente, as intenções efetivamente pretendidas pelo  escritor?

A experiência nos diz que há significados textuais que surpreendem os próprios autores por não terem sido pretendidos, mas que são reconhecidos como autorizados pelo texto. Isso se explica pelo fato de não haver uma correspondência biunívoca entre forma e função e pelo fato de nem sempre o autor ter ciência da ambigüidade da forma produzida, ou dos significados por ela acarretáveis. Alem disso, nem toda ambigüidade pose ser desfeita contextualmente.

Portanto, vê se  que  enquanto a leitura não possa ser vista como eu  um processo que extrai o sentido final do texto, este é o elemento que delimita a gama de interpretações possíveis, algumas das quis podem não ter sido planejadas pelo próprio autor.

VI - O leitor reconstrutor

As diversas concepções observadas conferem um papel maior ou menor ao texto na extração de significados, mas mantêm - no como unidade formal, com significado próprio. Uma visão diferente delas é aquela que considera o texto não como unidade formal, sobretudo como uma unidade funcional, isto é, uma unidade de comunicação. Consistente com essa visão de texto  é o modelo de leitura que a define como um ato de reconstrução dos processos de sua produção.

É fácil dizer que ler é captar os objetivos do autor ou suas intenções e idéias, sem se posicionar quanto ao modo como isso se dá. A concepção de Levy, que vê a leitura como um ato de reconstrução dos processos de produção, parece nos dar conta dessa interação leitor-autor, dado ela não se centrar no texto já estruturado, mas na simulação de sua construção.  A visão de Levy (1979) parece vir ao encontro das nossas intuições no que diz respeito ao que ocorre na língua oral. Com efeito, freqüentemente observamos-nos fornecendo palavras ou expressões para quem está falando conosco, repetindo como um eco partes de seu discurso ou completando-o a nível frasal ou textual. Isso mostra que a recepção é um comportamento ativo de simulação da produção, o que nos leva a supor que na leitura também façamos a mesma coisa. Quando dizemos que, ao ler, acompanhamos o pensamento do autor, na verdade o que estamos dizendo é que entendemos o texto imaginando-nos como seus produtores. O texto-produto é visto como um conjunto de pegadas a serem utilizadas para recapitular as estratégias do autor e através delas chegar aos seus objetivos. Levy propõe, usando um corpus a produção lingüística espontânea, um modelo em que a produção é vista como um processo de planejamento, através do qual o autor da mensagem codifica seus objetivos usando estratégias comunicativas. Planejamento, no sentido usado pelo autor, é o processo por meio do qual o produtor arma um curso de ação para satisfazer um ou mais objetivos. Por estratégia comunicativa, o autor entende o modo como o produtor realiza seu objetivo comunicativo. Os objetivos de um produtor são suas intenções e podem ter sub-objetivos que com aqueles formam uma rede de relações dentro da qual estes se definem. O planejamento, além disso, pode ser tanto a nível macroestrutural como microestrutural.

KATO, Mary: O aprendizado da leitura.

          Martins fontes, São Paulo sp –1987

PINTO, Abuênia Padilha, Interação leitor-texto: Considerações teóricas e práticas

           Cepril, the Especialist. V. 10 nº 1 puc-sp -1989


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