Carlos
nos escreve de Anchilo – onde encontra-se desde outubro de
2006:
Recordo-me muito bem, quando escrevi pela primeira vez para o
“Batuques da Savana”, me apresentando e relatando
o desejo de partir logo para Moçambique. Hoje estou aqui
ajudando a elaborar o mesmo ...
Já vivenciei muitas coisas desde que cheguei, em Julho
do ano passado, mas gostaria de compartilhar e limitar-me no momento
a duas.
Primeiro o sorriso, beleza e a liberdade da criança Moçambicana
me encantam, motivam e inspiram. Como pode? Me pergunto: São
tão ricos com tão pouco. Confesso, são as
crianças mais lindas que os meus olhos já viram.
Segundo as partidas de futebol da seleção da escola.
Quanta festa!!! No momento do golo!!! È uma explosão
de alegria, toda gente invadindo o campo. Precisam ver! Estou
marcado para sempre com uma enorme cicatriz na canela, herança
das primeiras partidas.
Também não posso esquecer, as andanças, pelo
bairro, de Carapira no inicio me estranharam, agora já
até me oferecem milho assado e capanga (bebida local) muitas
vezes dão tudo o que têm. E nós o que oferecemos??
O leitor deve estar se perguntando o que isso tem a ver com missão?
Missão é renúncia… é sacrifício…
é cruz… Não é errado pensar assim,
também não é certo limitar missão,
só a isso. Fomos formados a associar missão a cruz.
E muitas vezes esquecemos de viver a Páscoa .
Outras vezes acreditamos que a missão acontece, nos grandes
projetos, nas grandes palestras… Isso as pessoas, esquecem
logo!! O que fica é a nossa capacidade de compartilhar
e praticar gestos simples e solidários.
Coragem meus amigos para o futuro mas sobretudo para o presente,
como já dizia o nosso estimado Comboni.