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Produzido por
Douglas Mazeika Paulek
Este testemunho foi escrito para a Revista Misiones da Colômbia e relata um pouco da experiência pessoal de André Machado junto a Causa Indígena de Rondônia

Em 1997, inspirados pelo carisma de São Daniel Comboni, iniciou-se em Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais, Brasil a primeira comunidade de Leigos Missionários Combonianos, um grupo composto por homens e mulheres, solteiros ou casados, vindos de diversos Estados brasileiro que ouvindo o clamor de Jesus que diz: “Eu vim para que todos tenham vida’...., e vida com dignidade”, abriram-se para viver uma missão de fronteira valorizando sua vocação leiga.


A missão com os povos indígenas iniciou-se em 1999. Eu fui enviado à Causa Indígena no Estado de Rondônia, Estado vizinho da Bolívia no início de 2006. O Povo que convivo de forma solidária, evangélica, de denúncia das injustiças, da partilha da vida e reciprocidade das coisas mais elementares se chamam Arara, e se auto-denominam em sua língua indígena Karo rap.


Quando falo de uma presença solidária, traduzo isto na convivência com o povo, onde tento me aproximar da comunidade como “irmão” que deseja partilhar o amor que conheci do “encontro pessoal com Jesus” que ia de comunidade em comunidade e proclamava que um mundo melhor existe e é possível, embora diferentes etnicamente, temos necessidades parecidas no que tange o espiritual, o ambiente, a saúde, a educação e a certeza de uma “Terra sem males” como entende os povos indígenas da América Latina.


Quando ainda no ônibus à caminho de Rondônia, pensava como seria “estar com os indígenas”, povos tão diferentes da cultura não-indígena, como eles chamam “branca”, imaginava o que eu poderia colaborar. Talvez ensinar-lhes o domínio da língua Portuguesa, ajuda-los a entender nossa política de educação e saúde, anunciar-lhes o Deus único. Havia muita expectativa !


Lembrei-me de uma das mensagens de São Daniel Comboni que diz; “o missonário deve reconhecer sempre que 12 apóstolos saídos de uma obscura aldeia da Judéia, após terem contemplado a sublimidade do Gólgota, se espalharam pelo mundo e, confirmados na fé do Divino Salvador e seguros da vitória, experimentaram grande alegria nas suas dores e sofrimentos1”.


Meu primeiro contato foi uma alegria, a chegada na área indígena foi marcada pela curiosidade das crianças que logo chegaram gritando “pign”, ou seja, estrangeiro, depois mais timidamente chegaram os homens, mulheres e com mais cautela os jovens. Hoje, com mais de um ano de presença percebi que eu fiz muito pouco de concreto, que a Causa Indígena é complexa e necessita pessoas dispostas a dar muitos anos de vida para mesmo assim fazer o mínimo, mas compreendi que alegra-os muito estar ao lado deles nas coisas simples do dia a dia, como ir a roça, levar os acontecimentos de nossa sociedade, estar ao lado deles nos momentos de dor e alegria, rir e chorar com eles. Viver o Evangelho inculturado! Isto marca uma verdadeira presença cristã.


Alguns dias atrás vivi junto com a Rose missionária com quem faço equipe algo que levarei comigo para toda vida, a mensagem de São Daniel Comboni que eu lembrara durante a viagem tornara-se experiência em área. Uma das nossas “ações” no cotidiano daquele povo é estar presente nos momentos de dor e alegria, e este foi um de muita dor. Estávamos na aldeia, quando uma indígena no oitavo mês de gravidez sentiu-se mal, foi levada ao hospital da cidade mais próxima por uma agente de saúde e por inoperância do sistema de saúde que põe em risco a vida de indígenas e não-indígenas, aconteceu a morte do bebê que nasceu de forma natural. Senti-me desolado por não haver nada que eu pudesse fazer, a não ser, estar do lado da família e chorar com eles naquele momento. Aprendi com esta situação que o missionário não veio somente para fazer, para resolver, dar soluções imediatas, mas sobretudo para aprender que a vida está nas mãos de Deus e como missionário ser presença solidária de amor e compreensão. Após esta situação me veio à mente e ao coração que o missionário que Comboni desejaria que fossemos seria aquele que percebe na cotidianidade do povo com o qual partilha sua própria vida que a ação, o seu saber técnico é importante, mas nada substitui o “estar ao lado” nos momentos de dor e angústia.


“A nossa vida, a vida do missionário, é um misto de dores e alegrias, de preocupações e de esperanças, de sofrimentos e de consolações, trabalha-se com as mãos e com a cabeça, viaja-se a pé e de canoa, estuda-se, sofre-se, folga-se, eis o que a Providência quer de nós”. (Carta ao primo Eustáquio Comboni, Santa Cruz, 5/3/1858).



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