A
primeira equipe missionária chegou em Rondônia disposta
a colaborar com o povo Amondawa nas questões ligadas a educação,
saúde, revitalização da cultura. Atualmente,
somos dois missionários e convivemos com o povo Arara, que
também se autodenomina “Karo rap”, na reserva
indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná.
Sua língua tradicional pertence ao tronco Tupi – Ramarama,
mas o português também é conhecido. São
aproximadamente 350 pessoas divididas em duas aldeias. Na convivência
fraterna somos chamados a ser presença cristã; com
eles lutamos pela garantia de seus direitos constitucionais, sua
permanência na terra, incentivo ao uso da medicina tradicional,
educação diferenciada e saúde. Partilhamos
dos seus desafios e alegrias, pois passamos cerca de 20 dias do
mês na área indígena e outros 10 na cidade.
Quando estamos na cidade, dedicamo-nos á nossa formação
profissional e espiritual e participamos das iniciativas de conscientização
da sociedade não-índia para que, conhecendo os povos
indígenas, os respeitem e lutem para que o Estado seja espaço
de convivência harmoniosa entre as pessoas de culturas diferentes.
Os povos indígenas apresentam uma grande diversidade: somam
235 etnias diferentes. No estado de Rondônia são 54
povos: Arara Karo, Cinta Larga, Pakaa Nova, Gavião, Wari,
Karipuna, Karitiana, Arikapu, Aruá, Kanoe, Jaboti, Makurapi,
Tupari e muitos outros. No território brasileiro existem
67 povos que vivem em situação de isolamento, sem
contato com a sociedade não-índia, correndo o risco
de confronto com os madeireiros, fazendeiros, posseiros, grileiros,
que podem dizimá-los por causa de terras e das riquezas contidas
em suas reservas. Todos os povos somam aproximadamente 700.000 pessoas,
representando 0,2% da população brasileira, segundo
dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Esses povos,
que utilizam conhecimentos milenares, transmitidos por gerações,
são conhecedores das riquezas medicinais da floresta, da
diversidade lingüística, da lavoura de subsistência,
da compreensão de reciprocidade que colabora para que todos
tenham água, comida, utensílios domésticos,
além de se manterem em harmonia com o sagrado, expressa por
mitos que narram a origem da natureza e do povo e ritos que os colocam
em contato com o sagrado, que mantêm a vida em equilíbrio
permanente.
Diante da riqueza e diversidade dos povos indígenas, somos
convidados a tirar as sandálias, desfazer as malas de conceitos
e preconceitos e experimentar o Cristo Bom Pastor, na simplicidade
do dia-a-dia, no silêncio da mata, no trabalho na roça
com os homens e mulheres, nas brincadeiras das crianças,
e acima de tudo, compreender que, em meio dessa imensidão,
somos nada além de presença cristã.