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Produzido por
Douglas Mazeika Paulek
Presença na Causa Indígena
A primeira equipe missionária chegou em Rondônia disposta a colaborar com o povo Amondawa nas questões ligadas a educação, saúde, revitalização da cultura. Atualmente, somos dois missionários e convivemos com o povo Arara, que também se autodenomina “Karo rap”, na reserva indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná. Sua língua tradicional pertence ao tronco Tupi – Ramarama, mas o português também é conhecido. São aproximadamente 350 pessoas divididas em duas aldeias. Na convivência fraterna somos chamados a ser presença cristã; com eles lutamos pela garantia de seus direitos constitucionais, sua permanência na terra, incentivo ao uso da medicina tradicional, educação diferenciada e saúde. Partilhamos dos seus desafios e alegrias, pois passamos cerca de 20 dias do mês na área indígena e outros 10 na cidade. Quando estamos na cidade, dedicamo-nos á nossa formação profissional e espiritual e participamos das iniciativas de conscientização da sociedade não-índia para que, conhecendo os povos indígenas, os respeitem e lutem para que o Estado seja espaço de convivência harmoniosa entre as pessoas de culturas diferentes.
Os povos indígenas apresentam uma grande diversidade: somam 235 etnias diferentes. No estado de Rondônia são 54 povos: Arara Karo, Cinta Larga, Pakaa Nova, Gavião, Wari, Karipuna, Karitiana, Arikapu, Aruá, Kanoe, Jaboti, Makurapi, Tupari e muitos outros. No território brasileiro existem 67 povos que vivem em situação de isolamento, sem contato com a sociedade não-índia, correndo o risco de confronto com os madeireiros, fazendeiros, posseiros, grileiros, que podem dizimá-los por causa de terras e das riquezas contidas em suas reservas. Todos os povos somam aproximadamente 700.000 pessoas, representando 0,2% da população brasileira, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Esses povos, que utilizam conhecimentos milenares, transmitidos por gerações, são conhecedores das riquezas medicinais da floresta, da diversidade lingüística, da lavoura de subsistência, da compreensão de reciprocidade que colabora para que todos tenham água, comida, utensílios domésticos, além de se manterem em harmonia com o sagrado, expressa por mitos que narram a origem da natureza e do povo e ritos que os colocam em contato com o sagrado, que mantêm a vida em equilíbrio permanente.
Diante da riqueza e diversidade dos povos indígenas, somos convidados a tirar as sandálias, desfazer as malas de conceitos e preconceitos e experimentar o Cristo Bom Pastor, na simplicidade do dia-a-dia, no silêncio da mata, no trabalho na roça com os homens e mulheres, nas brincadeiras das crianças, e acima de tudo, compreender que, em meio dessa imensidão, somos nada além de presença cristã.

Rose Mary Candido[email protected]
André Machado [email protected]



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