Eu amo o amor. 

O amor é vermelho.

O ciúme é verde. 

Meus olhos são verdes.

Mas são verdes tão escuros que na

fotografia saem negros.

Meu segredo é ter os olhos verdes

e ninguém saber. 

À extremidade de mim estou eu.

Eu, implorante, eu a que necessita,

a que pede, a que chora, a que se lamenta.

Mas a que canta. A que diz palavras.

Palavras ao vento? que importa, os ventos

as trazem de novo e eu as possuo. 

Eu à beira do vento. O morro dos ventos

uivantes me chama. Vou, bruxa que sou.

E me transmuto. 

Oh, cachorro, cadê tua alma?

está à beira de teu corpo?

Eu estou à beira de meu corpo.

E feneço lentamente. 

Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor.

E à beira do amor estamos nós..." (C.Lispector)



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