Wilson Gonçalves da Cruz
Aqui se busca um favorecimento à uma reflexão sobre alguns aspectos da tecnologia que podem auxiliar a percepção do nosso papel no mundo atual, tão rico em mudanças bruscas, num dinamismo de movimentos e tendências sociais e políticas com realidades que, em nossa cabeça, podem seguir três caminhos: o da verdade, o da falsidade ou o da incerteza.
Depois da globalização, a tecnologia adquiriu maior importância, não só para os indivíduos mas, também, para todos os países e a sociedade em geral. A palavra tecnologia está presente nos meios de comunicação e também na conversa das pessoas em todos os níveis de escolarização. Pode-se dizer que esse termo está na moda, no entanto, apenas uma pequena parte dos seus usuários sabe realmente o que ele significa. A palavra, em si, refere-se à técnica e técnicos, como recursos que as ciências possuem para solucionar problemas para o progresso do Homem.
Nessa abordagem, é fundamental considerar que o nível de desenvolvimento tecnológico alcançado nos últimos cinqüenta anos ultrapassa aquele alcançado pela Humanidade até então.
Do mesmo modo que para se falar em formação de rochas deve-se mencionar a existência dos vulcões, para se falar em tecnologia deve-se falar nas estruturas que a originaram e sustentam sua existência, isto é, o desenvolvimento das ciências.
Toda competência da tecnologia alcançada nos dias de hoje, estão sustentadas por alguns pilares que representam a fundamentação das aplicações tecnológicas.
Mas, que pilares são esses que sustentam toda tecnologia?
Pare um instante. Observe o mundo à sua volta. Perceba e imagine esses pilares. Nossa tecnologia e por que não dizer, a própria natureza, não se pode negar, ela é biológica, física, matemática e química, todas banhadas pela comunicação que permite o desenvolvimento e sobrevivência do Homem, como também, o crescimento de uns entre os outros pilares sustentadores da tecnologia.
Na verdade, também não se pode negar que existe um desses pilares que permitiu o avanço e o crescimento dos outros, de modo mais ostensivo, por se mostrar mais competente quanto à importância e eficiência transformadora de suas aplicações práticas: é a física. Pode-se afirmar com certeza que a vida e a sobrevivência da tecnologia atual são parasitas dos nutrientes que a física oferece. Imagine, por exemplo, o mundo sem os computadores. Como viveríamos sem essas máquinas maravilhosas e sem os recursos que elas proporcionam? Pois, eles existem porque existe a física. Mas, se os benefícios trazidos com o desenvolvimento da informática não são suficientes para comprovar a importância dessa ciência; imagine o mundo sem a eletricidade. Não é possível conceber nenhuma tecnologia sem ela. É impraticável se pensar em tecnologia quando se exclui essa fonte de energia. Pois, lembre-se que, também a eletricidade existe, porque existe a física. Além disso, não se pode deixar de mencionar todas as construções e obras de engenharia que são fundamentadas nessa ciência espetacular, bem como todos os meios de transporte terrestres, marítimos e aéreos, sem contar todos os equipamentos elétricos e eletrônicos que buscam salvar, prolongar, facilitar e dinamizar a vida do Homem. Todos eles existem porque existe a física. É indubitável que se a física fosse excluída da vida e do conhecimento do Homem, provavelmente voltaríamos a morar em cavernas e usaríamos animais como meios de transporte.
É claro que deve ser mencionado que a física e seu desenvolvimento também se beneficiam, e muito, dos avanços alcançados pelos outros pilares que também ajudam a sustentar a tecnologia, principalmente a química e a matemática. Numa interação de ajuda recíproca, todos esses gigantes sustentadores da competência tecnológica estão tão emaranhados que é impossível representar essa inter-relação numa figura plana, em duas dimensões.
Uma das ciências que mais tem contribuído para a vida e o equilíbrio da edificação da tecnologia, é sem dúvida a química. Todos os pilares são importantes mas, de uma maneira simplificada, pode-se imaginar que a física a sustenta de um lado enquanto a química sustenta no outro. Estes, são os pilares que estão mais diretamente relacionados com o nosso dia-a-dia. Eles permeiam de forma fascinante e central a nossa vida cotidiana. A química e a física contribuem decisivamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, de tal forma que, tudo em nosso redor pode ser considerado um produto dessas ciências. Pode dizer-se que o mundo gira devido à física e a química pois, são muito vastos os domínios de aplicação destas ciências, na medicina, na indústria e na agricultura.
Talvez a influência e o desenrolar dos avanços da física tenham se mostrado mais fortes devido à própria condição de sobrevivência do Homem, que está condenado a sobreviver num meio essencialmente físico: um mundo esférico onde tudo está submetido a ação de forças. Afinal, o papel primordial da física é descrever e explicar os fenômenos da natureza: movimentos, forças, energia, matéria, campos e, as origens dessa ciência são provenientes desses fatores naturais que envolvem a vida humana.
Sob o ponto de vista educacional, no que se refere à importância que se dá a base de sustentação que deve fazer parte do conhecimento do estudante – um futuro participante social e político, atuante nesse novo mundo imprevisível e dinâmico dos dias de hoje – deve-se acreditar que deva conter fortes doses dos ingredientes de sabedoria que compõem a essência desses pilares. Acredita-se que é por isso mesmo que se estuda matemática, ciências químicas, físicas e biológicas no ensino básico, mas, infelizmente, no que se refere à valorização dessas ciências; não é isso que se vê! Se a física e a química têm um papel tão importante e fundamental na vida do Homem, porque não são mais valorizadas, a ponto de possuir, na maioria das escolas públicas em todo país, apenas uma ou duas aulas por semana enquanto que na matemática e no estudo da língua esse número pode chegar a seis aulas por semana? Será que um conhecimento mais detalhado com aplicabilidade mais freqüente dos conceitos fundamentais dessas ciências - o que não se constata na maioria dos concluintes do ensino médio no Brasil - não poderia proporcionar maior solidez, interação e posicionamento do ser como cidadão integrado, capacitando-o a compreender seu meio e favorecendo sua experiência e entendimento das coisas que o cercam, permitindo mais criatividade, habilidades e criticidade, já que o mundo, os recursos e ferramentas artificiais que são conseqüências da tecnologia, a natureza e a própria estrutura tecnológica são essencialmente provenientes do desenvolvimento dessas fontes de conhecimento?
Tanto a solidez da edificação como a própria sobrevivência e desenvolvimento da tecnologia estão construídas sobre uma base tão importante como técnicos e técnicas, que são dependentes remanescentes dessa base: é a Educação. O que se pode esperar de uma construção erguida sobre um terreno arenoso e inadequado? Todos sabem o quanto a Educação é frágil e despreparada em nosso país. Falta competência, adequação, qualidade e atualização conveniente e, o que é pior, falta capacitação à potencialidade e à formação da autonomia na maioria dos formandos de todas as áreas profissionais dependentes da formação acadêmica. Neste contexto, pode-se duvidar da longevidade da preservação e do desenvolvimento da tecnologia no Brasil. A própria acomodação quanto a ausência de um mecanismo eficiente de reforma educacional, demonstrada pelos líderes do nosso país é um fator comprobatório da nossa carência cultural e intelectual e da visão da necessidade de uma formação profissional e acadêmica que é exigida no mundo globalizado.
O que se pode esperar quanto à ética e valores morais de homens que usam a competência da tecnologia sem estrutura educacional compatível com os poderes que ela permite?