PÉ DE MILHO

Dia após dia, Roberto defecava após o almoço numa pequena parcela de terreno, localizada bem abaixo de uma palmeira. Seus dois pés já haviam sido emoldurados fielmente naquela terra dura. Roberto não falhava. Dia algum.

Bastou uma semana longe de casa para que, o mesmo solo onde fielmente defecava, parisse uma semente. Quando a viu, não soube definir qual planta era. Optou por despejar seu coco um pouco mais à frente. Depositando a merda a uma distância segura para que a planta podesse sobreviver. Sabe-se lá qual planta era. Provavelmente, foi a curiosidade que motivou Roberto a manter a planta a salvo de sua merda.

Três semanas após, já era possível notar que a semente despejada ali, era de milho. Achou estranho, primordialmente havia pensado que se tratava de uma flor, não um vegetal.

Naquele instante, pasmo, lembrou-se que havia comido milho com uma freqüência apavorante no último mês. Safra boa igual a alimento em abundância. Parece essa, ser uma das maiores leis do campo.

Três meses depois, dispensava boa parcela do seu dia regando, conversando, e despejando a sua frente o velho coco de sempre. O pé de milho era tratado como se fosse um filho. Roberto esqueceu-se por completo de seus dois garnizés, a cadorna Jacira e o seu idoso galo de briga. Só queria saber dele, o pé de milho.

Por considerar-se o principal culpado pelo milho haver brotado ali, tratou de buscar em sua memória às inúmeras vezes em que, após cagar, encontrava perdido em meio à merda, um ou outro grão amarelo. Pois não é que um desses grãos dispensados por seu intestino havia sido aproveitado pela terra?

O fato de o pé ter nascido de uma suposta cagada de Roberto, fazia dele um objeto único na vida do estranho rapaz. Desde criança, Roberto não gostava de dialogar seja lá com quem fosse. Na escola, não possuía amigo algum, pelo contrário, seu comportamento fechado e por vezes agressivo não era tolerado pela grande maioria dos colegas. Ao longo de sua vida, já havia sido surrado quase uma dezena de vezes.

Mesmo após crescido, e já contando com inúmeras espigas, o pé de milho continuava recebendo entusiasmadas visitas por parte de Roberto. Dias sucessivos de sol, motivavam-no a regar o vegetal de hora em hora, com a água proveniente do poço de seu pai. Não raro, Roberto sentava ao lado do pé e contava a ele suas felicidades, suas frustrações, suas infindáveis histórias. O pé de milho era como um conselheiro, porém, não possuía a faculdade de aconselhar nada.

A exatos seis dias do término do ano, na véspera do dia de Natal, Roberto e seus pais foram à casa dos avós para a sempre comemorada celebração do nascimento do enviado. Avesso a todo e qualquer parente, Roberto adquiriu um comportamento arredio logo de sua chegada. Dispensou cumprimentos e afastou-se dali rapidamente. Estava disposto a cagar no mato, como de costume.

Próximo a uma imensa araucária, pôs-se de cócoras e, com as calças encostando no capim seco, cagou. Após ter se aliviado, levantou-se. Ao longe, avistava em meio a imensa parreira de uva de seus avós, Anilda, sua prima por parte de pai. De imediato, lembrou-se do dia em que a observou tomar banho. Ele, aproveitando-se de um descuido dela, que deixou a porta do banheiro, além de destrancada, entreaberta, deleitou-se com a visão do exuberante corpo de sua prima por minutos a fio.

A lembrança daquela visão; a bundinha empinada, os seios fartos e aquele triangulo negro localizado bem abaixo do umbigo, fizeram com que Roberto torna-se a abaixar suas calças, agora, não com o propósito de cagar. Roberto tratou de se masturbar por longos minutos. Anilda, sequer poderia imaginar que, mesmo tão distante, estava sendo alvo de fantasias sexuais provenientes da mente do mais jovem de seus primos. Ela, por sua vez, também se masturbou, à noite, após a ceia. Curiosamente, não foi à figura de Roberto que ela utilizou durante sua pratica onanista. Marcos, torneiro mecânico, vizinho seu, foi o agraciado.

Na noite do dia vinte e cinco, Roberto e sua família retornaram. Logo que chegou em casa, ele se deitou e dormiu por ininterruptas dez horas. Após o almoço, dirigiu-se para o local onde costumeiramente cagava. Firmou ambos os pés no chão e com as duas mãos agarrou o pé de milho. Foram necessários dois fortes puxões para que a raiz se soltasse do solo. Roberto julgou que estava mais do que na hora de voltar a cagar onde originalmente cagava. Que se foda esse pé, pensou.

Hosted by www.Geocities.ws

1