Estação Espacial Internacional
International Space Station(ISS)

A nova morada do homem no espaço
Nosso primeiro barraco cósmico foi a Salyut. Um desajeitado cilindro metálico onde a
humanidade acostumou-se a passar temporadas fora da Terra. Em 1986, foi colocada em
órbita a estação espacial russa Mir. Naquele tempo era considerada morada da humanidade
no espaço. O orgulho da "mãe russa". Hoje, em órbita há 14 anos e sem os
investimentos necessários, a estação moscovita se arrasta em órbita, cheia de
gambiarras para se manter lá em cima.
Agora a humanidade está de mudança no espaço para a ISS (sigla em inglês de Estação
Espacial Internacional). A inauguração deve ser no dia 30 de outubro, quando o foguete
russo Soyus decola da base russa Baikonur, no Cazaquistão, levando a Expedition One: uma
equipe composta por dois russos e um americano que será a primeira a habitar a estação.
Em órbita, os cosmonautas terão de conviver em um cubículo abarrotado de equipamentos
eletrônicos, sob luz artificial, tendo como paisagem a vastidão do espaço e sendo
cobaias de experimentos científicos por seis meses. Quase nada para quem passou 376 dias
em órbita - na Mir - como o russo Yury Usachev, que integrará a equipe número dois da
ISS.
Fruto de um descomunal esforço de vários países, a ISS é um trambolho de dimensões
siderais. Tem o tamanho de dois campos de futebol e dará uma volta em torno da Terra a
cada 90 minutos. Completa, poderá ser vista da Terra a olho nu, sendo menos brilhante que
Vênus e a Lua. Terá 10 módulos, incluindo laboratórios japoneses e europeus, módulos
de sobrevivência, de serviço, braços mecânicos e bases de acoplagem para os ônibus
espaciais - e capacidade para 7 tripulantes
Filha da estação Freedom (um projeto que foi alardeado pelos EUA, mas na prática nunca
saiu do papel) e da caquética Mir, a ISS nasceu em um período de profunda crise
econômica. Enquanto os americanos e russos enfrentavam-se numa guerra muito mais
psicológica, pelo seus feitos, que de fato real, a verba destinada aos projetos da
corrida espacial mantinham-se em alta. O desenvolvimento da missão Apollo - que levou o
homem à lua - consumiu dos cofres americanos cerca de 5% do orçamento. Mas, com a queda
da União Soviética, a Rússia mergulhou em uma grave crise econômica, o que comprometeu
substancialmente os projetos. Sem os velhos inimigos bélicos como desculpa para gastar em
tentativas de conquistar o espaço, o Congresso americano promoveu cortes graduais nos
orçamentos para projetos espaciais do país. Hoje, a verba destinada à Nasa representa
menos de 1% do orçamento.
A saída para continuar a exploração do espaço e a pesquisa científica espacial foi
rachar a conta. Na ISS, os americanos arcaram com cerca de 50% do valor total. Os russos
terão que desembolsar algo como 30%. Países da Europa, Canadá e Japão pagaram cada um
6% do bolo. Até o Brasil vai entrar na vaquinha e se arriscar no espaço. Ficarão a
cargo do País seis componentes da ISS. Em troca, os países donos do condomínio serão
generosos: poderemos usar as instalações da Estação para desenvolver algumas
experiências científicas.

Fonte: Nasa