Zean Bravo
Na peça, Bárbara vive Cecília, uma moça órfã e ingênua seduzida pelo ‘bon vivant’ interpretado por Dalton Vigh, namorado da atriz na vida real.
Para a maioria do público carioca, Bárbara Paz ainda é aquela lourinha figuraça revelada na primeira Casa dos Artistas, que virou protagonista da mexicanizada Marisol, no SBT, logo na seqüência. Essa impressão está prestes a mudar. Sexta-feira ela estréia no Teatro Villa-Lobos a peça
"A Importância de Ser Fiel", de Oscar Wilde, dirigida por Eduardo Tolentino, do conceituado grupo Tapa.
"Minha essência é o teatro e gostaria muito que as pessoas me vissem lá. Muita gente assiste ao espetáculo e fala: ‘Não sabia que você era atriz’. Sei que me julgam por eu ter participado de um reality show e ter feito novela mexicana", reconhece a atriz, de 29 anos.
Mesmo depois de ter estreado em São Paulo e viajado por várias cidades brasileiras com o Tapa.
Também estão no elenco outros atores convidados, como Dalton Vigh, namorado da atriz.
Bárbara não esconde a ansiedade para subir num palco carioca. "Estou morrendo de curiosidade para saber como será essa temporada", diz ela, que se apresentou na cidade pela última vez em 2001, com a peça Suburbia, antes do estouro com a Casa dos Artistas, no fim daquele ano.
Sobre a personagem na montagem atual, a ingênua Cecília; "Eduardo disse que era mais uma órfã no meu currículo", diverte-se.
Bárbara conta que o mais difícil foi incorporar os gestos. "Vi muitos filmes, é uma peça de época. O modo de pensar e até de sentar é diferente", enfatiza a atriz. Ela destaca ainda a qualidade do texto. "O pessoal está acostumado a ir ao teatro para rir de palavrões e textos chulos. Nós tiramos risadas com o trocadilho das palavras", explica.
O texto de Oscar Wilde critica as aparências. "Engraçado ver que nada mudou com o passar do tempo, só as roupas. Muita gente aparenta ser o que não é e ter o que não tem", reclama a atriz. Em cena, sua personagem é seduzida pelo bon vivant Algernon (Dalton Vigh). Fora de cena, Bárbara e Dalton estão juntos há um ano. "A gente se conhecia, mas se reencontrou nessa peça. Quer coisa melhor que fazer teatro, viajar e namorar?", indaga.
Além do namorado, Bárbara, que entra em cena no segundo ato, divide o palco com as veteranas Nathália Timberg e Etty Fraser. "Elas são exemplos profissionais e me ensinaram muita coisa", derrama-se Bárbara. De cara, recebeu um conselho de Nathália. "Ela disse: ‘Espero que sua ambição seja maior que sua vaidade’. Essa frase ficou", revela a atriz, que também recebeu elogios.
“Nathália disse que era bom ter novos atores que não estão no palco só para desfilar.”
Sem pressa de voltar à TV, Bárbara garante que novela é um grande exercício. "Quero fazer outras produções, agora me sinto mais preparada. Numa novela mexicana como Marisol, a protagonista está em quase todas as cenas", destaca. No cinema, este ano ela apareceu numa ponta em "Seja o Que Deus Quiser" e viveu a vilã do infantil Martelo de Vulcano. "Também quero dirigir documentários", avisa.
fonte: Jornal O DIA, 29 de dezembro de 2003.
|