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Cinema

Thriller
Número 13 - 15/06/2000 Por Guga

 

Diretor com Sexto Sentido
por Guga

Pode parecer difícil de imaginar mas O Sexto Sentido, que chegou recentemente às locadoras, é um suspense sobrenatural, sem grandes efeitos especiais ou cenas de ação. Suas grandes qualidades se encontram no roteiro enxuto e bem estruturado, na direção do "novato" M. Night Shyamalan, além das excelentes interpretações. A simples abertura, um fundo de tela preta no qual os créditos iniciais aparecem e desaparecem como fantasmas, já demonstra a tensão que será dali pra diante.

Depois de anos um jovem paciente do psicanalista infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis), invade sua casa dizendo não estar curado de seu medo. E depois de discutir muito atira no psicanalista, e suicida-se. Passado um ano, Malcolm procura Cole (Hale Joey Osment), um garoto com o problema semelhante ao de do outro paciente, acreditando que se solucioná-lo poderá curar seu trauma. Trauma este que arruinou sua vida.

Cole Sear, um garoto perturbado pelo divórcio de seus pais, que vive apenas com a mãe. E Shyamalan sabe como montar um quebra-cabeças fundamentado em peças do cotidiano perturbador de Cole, demonstrando até parecer um verdadeiro psicanalista. Desde a ida de Cole à igreja para roubar os santos para protegê-los, passando pela saudade no fato de usar as meias, luvas e casaco do pai, até a inocência na hora de pedir para dormir com a mãe.

E a câmera de Shyamalan consegue transportar os medos e conflitos dos diálogos dos personagens para o espectador. Prova disso são as tomadas altas de câmera sobre Bruce Willis, como se alguém o observasse, e cenas ótimas como a do banheiro e a da sala de aula, quando o professor briga com Cole, parecendo se direcionar ao garoto e a platéia ao mesmo tempo. Duas cenas em especial revelam o talento dos atores, a primeira quando Cole conversa no carro com sua mãe e a segunda quando revela seu segredo a Crowe.

Apesar de beber na fonte de Alucinações do Passado, o final irá surpreender a muitos. E olhe, com certeza o espectador irá querer rebobinar a fita, pois Shyamalan é ousado e o tempo inteiro deixa pistas com a porta escancarada, mas que só conseguimos notar na última cena.

"A fotografia nunca se revela por inteiro quando você se desmancha por alguém. Essas relações lembram uma foto polaroid: a imagem vai aparecendo aos poucos. Algumas coisas se distanciam do sentimento original, mas isso é a vida."
Mia Farrow, de "O bebê de Rosemary"

Críticas, dúvidas ou alguma premonição sobrenatural pode mandar para [email protected]

Vai pela sombra, até a próxima!


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