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Após uma noite de bate-papo regado à petiscos e bebidas com os Laranjas, na manhã seguinte assisti a um filme de ação que me chamou a atenção. Fazia tempo que queria assisti-lo mas não estava tendo oportunidade de ir ao cinema. Por três razões achei-o interessante, o fato de ser dirigido por Tony Scott (aquele de Top Gun) e por ter uma trama tecnológica que envolve o espectador. Claro que não me esqueci da terceira razão, que por sinal é muito importante, a de que o roteiro discute até onde vão os limites da privacidade do ser humano. As prateleiras das vídeo - locadoras já estão abarrotadas de filmes com o mesmo assunto, afinal rende boas histórias e é algo que deve ser muito bem analisado. Câmera e olhos ocultos A discussão sobre privacidade vem de muito tempo atrás mas irei tomar como marco o livro do famoso escritor inglês George Orwell, que em na década de 40 escreveu 1984 , o qual depois viria a se tornar um clássico da literatura. Naquela época, Orwell imaginou um governo ditatorial que reprimia qualquer forma de revolução através da teletela , uma pequena placa metálica instalada nos diversos cômodos de uma residência que observava os atos e conversas de qualquer cidadão. Transportando a mesma idéia para o cinema temos inúmeras histórias parecidas. A começar por um filme de Phillip Noyce, estrelado por Sharon Stone e William Baldwin que aqui no Brasil foi intitulado de Invasão de Privacidade (Sliver). Uma recente moradora chega a um apartamento no qual ocorreu um assassinato e passa a viver sua vida normalmente sem saber que câmeras estão espalhadas por todo o prédio, desde o elevador até os aposentos do apartamento. A Rede (The Net) se envereda pelos caminhos da Internet e mostra um Cavalo de Tróia (programa para acessar máquinas alheias) disfarçado de programa de segurança que serve para controlar e acobertar atos ilegais. Sandra Bullock no papel de uma analista de sistemas recebe de um colega de profissão um disquete contendo o programa. A partir de então começa a ter sua vida investigada por agentes que infernizam-na, trocando sua identidade, incriminando-a injustamente, e tudo mais o que um computador ligado à uma rede possa fazer. Tudo isso para que o programa não seja descoberto. Se pararmos e pensarmos um pouco, nossa "existência" nada mais é do que números e caracteres gravados em um papel ou uma máquina. Desde de seu RG até seu cartão de crédito. O neozelandês Andrew Niccol (escritor e diretor de Gattaca) escreveu o roteiro de O Show de Truman (The Truman Show) que desmoraliza a indústria da televisão, revelando suas falcatruas para conseguir audiência. Um garoto é pego desde de criança, e têm sua vida televisionada 24 horas por dia, 7 dias por semana. Tudo ao seu redor é criado em estúdio para que pareça uma cidade real. Você já imaginou que sua mulher ou seu melhor amigo são simplesmente atores de um programa ? É esse dilema que vive Truman, que tem sua privacidade quebrada totalmente. No entanto Inimigo do Estado (Enemy of the State) consegue ir mais além. Will Smith interpreta Robert Dean, um advogado com uma família estruturada que recebe sem querer, de um ex-colega de faculdade, um filme contendo um assassinato cometido por um grande oficial da ASN (Agência de Segurança Nacional). Para capturar o filme, a ASN utiliza dos mais modernos métodos tecnológicos. Muitos são inverossímeis porém outros tantos estão próximos da realidade ou já são reais. Especialistas em computadores dentro de uma van comandam, através de coordenadas geradas por um satélite GPS (Global Positional System), agentes federais altamente armados. Entre os aparatos para localizar o advogado estão, transmissores alojados em suas roupas, sapatos e até em seu relógio. Além daquelas que não podem faltar, as câmeras. No filme (apesar de ser impossível na vida real) em uma das cenas, uma única câmera fixa é capaz de rotacionar a imagem 360o. Por outro lado os transmissores que aparecem diversas vezes, já são utilizados por detetives que possuem um maior poder financeiro. No contexto de entretenimento o filme é pura tensão, em especial as cenas de perseguição por satélite, completado por tiroteios e explosões. Depois de assistir a esses filmes talvez você fique paranóico. E realmente está difícil saber se estamos sendo vigiados ou não. Cuidado! O que você tá fazendo aqui na Internet? Algum hacker pode estar vasculhando seu computador à procura de senhas e dados confidenciais. Ah, também pode não ser bem assim. Afinal sorria! Você está sendo filmado. Agradeço quem expressou suas opiniões sobre alguns dos
filmes mencionados, contribuindo para a elaboração da coluna. A partir desta coluna deixarei uma frase dita por alguma personalidade ou uma tagline de filme: "Tudo o que um homem pode imaginar outros homens poderão realizar." - Júlio Verne, escritor francês |
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