Por Lincoln Batista Neves
A cultura da maioria das empresas no Brasil, é retrógrada, nunca destina tempo para planejar, procurando sempre obter dinheiro para o “refazer”. Dentro dessas organizações, deparamos com uma visão equivocada das pessoas, de que se pode “comprar tecnologia”. Na verdade, o que se compra são máquinas e equipamentos. A “Verdadeira Tecnologia” está nos profissionais que a desenvolve. Tecnologia é deter o conhecimento e saber onde e como aplicá-lo.
No lado científico, verificamos que enquanto nos países desenvolvidos, a
ciência é quantitativa (medidas, valores, custo) e os cientistas tentam
revolucionar o mundo com os nanomateriais, vidros metálicos e alumínio
transparente, impera no Brasil a ciência qualitativa (do como?, do porquê?),
os poucos que pensam, não têm recursos e nem condições para provar nada.
É um absurdo, mas hoje em dia, infelizmente, ainda encontramos pessoas que
acham que planejar, significa “adivinhar o futuro”. Outras se assustam, com
empresários que formam fortunas de uma hora para outra, ou empresas que surgem
de repente e passam a liderar o mercado. Enquanto isso, assistem “empresas
tradicionais”, que outrora eram sólidas e lucrativas fecharem as portas, ou
terem o seu controle acionário mudado para as mãos de “jovens empresas
concorrentes”.
É necessário saber que, em plena era da evolução
tecnológica e da globalização, as empresas brasileiras, não estão
competindo apenas com empresas nacionais e do Mercosul, mas com o mundo. Não
existe mais interior e exterior. A competição, agora é Global. O mercado
exige novos produtos e serviços, com prazos de entrega cada vez menores.
Produtos, que antes eram feitos para durar anos e anos, hoje são lançados para
durarem apenas meses ou dias (computadores, celulares, softwares, etc.).
Neste mercado, cada vez mais capitalista, não existe mais o
famoso “dono da empresa”. O conceito de “dono de empresa” está mudando
com o passar dos anos. Na verdade os donos das empresas, são os Fundos de
Pensão e Fundos de Investimentos dos Bancos. Surge então, o “Investidor
Global”, que são milhares de pequenos investidores, que compram ações
destes fundos. Isto força as empresas a se tornarem competitivas e lucrativas,
pois estão sendo constantemente observadas pelos investidores. O que vemos
então, é cada vez mais uma competição acirrada entre empresas, tentando
conquistar o Cliente, em todas as partes do mundo.
Mesmo com os riscos de atentados, guerra e recessão mundial, os prognósticos econômicos internacionais mostram, que se o futuro Presidente do Brasil conseguir manter a estabilidade econômica, o Brasil ainda será um dos melhores “palcos” da competição global.
Em sua palestra “O Brasil e os desafios do Século XXI”, o professor Marins alerta-nos sobre a necessidade de mudança, principalmente os gestores e empresários brasileiros: -“Vivemos numa sociedade espantosamente dinâmica, instável e evolutiva. Correrá sérios riscos, quem ficar esperando para ver o que acontece. A adaptação a essa realidade será, cada vez mais, uma questão de sobrevivência. O maior risco que corremos, é ficarmos esperando para ver o que vai acontecer. Num mundo em extrema mudança, a atitude correta das pessoas é também a atitude de mudar. A adaptação a essa realidade de dinamismo, instabilidade e evolução é fundamental para o sucesso de qualquer pessoa. Num mundo como este, a única certeza estável é a certeza de que tudo vai mudar. A instabilidade, é dada por dois motivos: A Globalização e o Ciclo de vida curto dos produtos”
Com a globalização, o mercado mundial foi obrigado a se adequar as mudanças ocorridas, as indústrias começaram a investir em seus produtos, com uma visão de sobrevivência. Por outro lado o consumidor passou a ser mais exigente, querendo produtos com preços baixos, maior qualidade e maior confiabilidade.
Sabemos, que um dos principais responsáveis pela dinâmica da evolução, sem
dúvida é o advento da internet. Este meio de comunicação trouxe o mundo para
dentro das nossas casas. Graças à praticidade e agilidade na aquisição de
produtos do outro lado do mundo, com rapidez, qualidade e preços, muitas vezes,
mais baixos do que os produzidos aqui perto de nós, somos obrigados a rever o
conceito de “distância”.
“Segundo o Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachussetts, eram mais
de 1 bilhão de usuários de internet em 2001 e de acordo com a Forrester
Research, o Comércio Eletrônico, E-Commerce (que significa comprar e vender
produtos através de computadores), tem previsão de movimentar aproximadamente
US$ 3,0 trilhões no mundo, em 2003”.
A necessidade de mudança, está intrínseca na natureza humana. Quando Albert
Einstein, disse: “O mundo que estamos vivendo, começou a gerar problemas que
não podem ser resolvidos com o tipo e a qualidade de pensamento que este mesmo
mundo vinha empregando até agora”, certamente ele não esperava que está
frase poderia ser usada durante toda eternidade do ser humano.
A Dinâmica da mudança do meio em que vivemos é tão grande, que mesmo com o
aumento da nossa capacidade de absorção, não conseguimos acompanhá-las. “Alterações
tecnológicas, que anteriormente levavam décadas para serem implementadas por
completo, hoje tomam apenas algumas horas em um nível de complexidade
altíssimo”. Por mais que tenhamos evoluído tecnicamente, deparamo-nos com um
ambiente que evoluiu muitas vezes mais. Precisamos, portanto, desenvolver
mecanismos que reduzam essa
diferença entre homem e ambiente.
Dentro da concepção, focada no aprimoramento e eficiência da atividade de
Gerenciamento de Projetos, o PMI (Project Management Institute) seleciona e
divulga as melhores práticas utilizadas no momento. O PMBOK Guide (A Guide to
the Project Management Body of Knowledge) é uma delas.
De acordo com o PMBOK, Gerenciamento de Projetos é a aplicação de
conhecimentos, habilidades, técnicas e ferramentas na coordenação de
atividades que visem atingir, ou mesmo exceder as expectativas e necessidades
das partes envolvidas com os resultados do projeto.
Além do PMBOK, podemos citar vários depoimentos de estudiosos das mudanças e
da Gestão de Projetos. Alguns garantem, que o potencial de uma empresa não é
o que ela produz hoje, mas sim o que ela vai ser no futuro.
Jim Mac Tyre, diz que “o tempo não espera por ninguém, em nenhum outro lugar isso é tão real quando no gerenciamento de projetos”.
Cleland afirma que “no futuro, o gerenciamento de projetos será utilizado para gerenciar as mudanças em todas as infra-estruturas sociais em todos os países, desenvolvidos, ou não”.
Tom Peters, em seu artigo - Você é o seu Projeto - afirma que “nos próximos 20 anos, todo o trabalho dos executivos no planeta será desenvolvido por meio de projetos. Fazer a mesma coisa do mesmo modo, é uma receita para extinguir a economia corporativa”.
Pen Stout, escreve, que “a Gestão de Projetos funciona por ser um modo para os grandes utilizarem a força dos pequenos. Haverá companhias fortes, realmente grandes, haverá companhias fortes, realmente pequenas, mas não haverá muitas no meio termo” - relação de terceirização.
O professor Oren Hararai, da Universidade de São Francisco, em seu livro sobre as mudanças do ambiente dos negócios, diz que “o valor de uma organização será a velocidade com que as pessoas poderão se juntar e se concentrar nos problemas e soluções e depois se dispersarem”.
Um dos principais impulsionadores do Gerenciamento de
Projetos é a competitividade. Quem for mais rápido e competente, certamente
conseguirá melhores resultados. No entanto, a proposta de Gestão de Projetos
é ampla, ou seja, deve-se estabelecer um processo estruturado e lógico, para
lidar com eventos que se caracterizam pela novidade, complexidade e dinâmica
ambiental. “É preciso mais que habilidade para gerenciar aquilo de que se
conhece pouco, ou até mesmo, aquilo de que não se conhece nada”. É um
trabalho duro. Exige persistência, dedicação e resistência.
O Gerenciamento de Projetos não elimina os problemas, mas garante às
organizações a possibilidade de adaptação a este ambiente de mudanças. O
sucesso desta disciplina, não está em seguir “cegamente” as modernas
teorias de administração apresentadas. “Um dos principais riscos que se pode
encontrar, é a convicção que algumas pessoas têm de que, com softwares de
planejamento, elas se tornarão gerentes de projetos”.
É importante saber, que as técnicas de Gestão de Projetos independem da área
de atuação, os Gerentes de Projetos no entanto, precisam ter capacidades
específicas de sua área. O profissional do Gerenciamento de Projetos, tem que
estar preparado tecnicamente (saber planejar, comunicar, controlar escopo e
recursos, dentro do custo e tempo), ter bom relacionamento com todos os níveis
da organização, mas acima de tudo, devem ser abertos ao “novo” e quebrar
paradigmas.
Diz um velho ditado: “Se você sempre faz o que sempre fez, você terá o que
sempre teve”. Portanto, estude, pesquise, adquira conhecimento, se qualifique
e depois inove. Tenha atitude e mude com o mundo. Os profissionais que se
qualificam, se tornam cada vez mais valorizados no mercado.
Fontes de Pesquisa:
A Guide to the Project Management Body of Knowledge – PMBOK 2000
Gerenciamento de Projetos – Ricardo Viana Vargas
MBA Compacto – Gestão de Projetos – Eric Verzuh
Curso de Pós-graduação em Gestão de Projetos – Apostilas do Ietec - BH/MG
8º Seminário Nacional de Gestão de Projetos – Promovido pelo Ietec - BH/MG
Palestra - “O Brasil e os Desafios do Século XXI” - Prof. Luís A. Marins Filho
Lincoln Batista Neves é Engenheiro Industrial Mecânico, Graduado pela Universidade de Itaúna - Itaúna/MG. Mestrando em Projeto Mecânico - UFMG/MG. Pós-graduado em Gestão de Projetos – Ietec/MG. Pós-graduado em Gerência e Tecnologia da Qualidade - Cefet/MG. Participação em projetos nacionais e internacionais. Vivência profissional em todas etapas do gerenciamento de projetos. Trabalhou para várias empresas, destacando os setores siderúrgico, mineral e têxtil.
E-mail: [email protected] - Fone: (31)-9617-5644