LANDELL DE MOURA - 130 anos de Indiferen�a

Autor: Hamilton Almeida
Poucas ruas cortam a pen�nsula �s margens do Gua�ba. Lampi�es a g�s iluminam precariamente as casas e as estreitas passagens por onde trafegam pedestres, carro�as e cavalos. os limites do centro urbano n�o v�o al�m da Rua Duque de Caxias. Diversas ch�caras ocupam um ponto pr�ximo, por onde atualmente cruza a rua J�lio de Castilhos. Perto dali, um atracadouro para embarca��es pequenas. A Rua da Praia � a principal art�ria da cidade. Rua de com�rcio varejista e local de encontros. Na esquina com a Rua de Bragan�a, no espa�o geogr�fico agora ocupado pela Casa Masson, h� uma casa de fam�lia de dois pisos. Pelas m�os de uma parteira nasce o quarto filho de uma das tradicionais fam�lias da �poca. O capit�o Ign�cio Jos� Ferreira de Moura, o pai, e Sara Marianna Landell de Moura, a m�e, batizaram o rec�m-nascido de Roberto. Na Porto Alegre de h� 130 anos, os espet�culos teatrais amadores divertiam a popula��o, geralmente nos s�bados, conta o historiador Dante de Laytano. As pra�as do Port�o (hoje Conde de Porto Alegre) e da Matriz eram locais dos mais concorridos, e as festas do Divino Esp�rito Santo e de Navegantes, as mais populares. Roberto Landell de Moura nasceu nesse meio acanhado, de n�o mais de 40 mil habitantes, no dia 2l de janeiro de 1861.No mesmo ano em que Machado de Assis estreou no teatro e na literatura. Anos mais tarde, Landell de Moura se tornaria sacerdote e cientista. Pastor de almas e inventor de um revolucion�rio sistema de comunica��o- Conseguiu de forma pioneira estender uma ponte sobre um grande desafio da �poca, a transmiss�o da voz humana � dist�ncia, sem o aux�lio de fios. O r�dio, tal como o conhecemos nos dias atuais. Ele foi mais longe. Al�m de se antecipar �quele que, oficialmente, � considerado em todo o mundo o inventor do r�dio, o italiano Guglielmo Marc�ni, Landeli de Moura aperfei�oou um sistema de telegrafia sem fio, foi precursor da televis�o, do teletipo e da l�mpada de tr�s eletrodos (pe�a fundamental no desenvolvimento da radiodifus�o). PIONEIRISMO Com suas experi�ncias, o ga�cho Landell de Moura se tornou tamb�m o primeiro cientista a transmitir sons atrav�s de ondas continuas. Estas ondas s�o superiores �s ondas amortecidas, que foram utilizadas nos primeiros tempos das radiocomunica��es por outros cientistas. As ondas cont�nuas seriam adotadas depois por outros mestres da ci�ncia, e S�o empregadas at� agora. Landell de Moura recomendou o emprego das ondas- curtas para aumentar a dist�ncia das transmiss�es numa �poca em que elas n�o eram sequer cogitadas. S� duas d�cadas mais tarde, as ondas-curtas passariam a ser consideradas. Para a transmiss�o de mensagens, Landell de Moura utilizava-se da luz, entre outros sistemas. O mesmo princ�pio � pesquisado atualmente no aperfei�oamento das comunica��es, empregando-se o laser e as fibras �pticas. Em outra �rea da ci�ncia, Landell de Moura descobriu o chamado efeito Kirlian. O raio de que os corpos animados ou inanimados s�o circundados por halos de energia luminosa colorida, invis�veis a olho nu, foi vislumbrado e fotografado por ele cerca de tr�s d�cadas antes dos descobridores oficiais. Quando Porto Alegre experimentou, na interpreta��o de Dante de Laytano, o seu "primeiro grande impulso de desenvolvimento", durante os anos da I Guerra Mundial (1914-1918), Landell de Moura exercia os of�cios de padre na Igreja do Ros�rio, no centro da cidade, cujos limites se estendiam at� as ruas Dem�trio Ribeiro e Jo�o Alfredo. Na d�cada de 20, os primeiros autom�veis e bondes el�tricos circulavam pelas ruas, dividindo espa�o com as carro�as. A ilumina��o era el�trica e os cinemas se localizavam na Rua da Praia. Como o Central, na Pra�a da Alf�ndega (onde hoje est� o pr�dio do banco Ita�, em frente � banca de jornais e revistas) que Padre LandeIl gostava de freq�entar para ouvir as m�sicas da orquestra que acompanhava os filmes mudos. A Confeitaria Rocco na Rua Dr. Flores, era uma marca de requinte. Foi nessa Porto Alegre, com ao redor de 60 mil habitantes, que Dante de Laytano conheceu o Padre Landell "Quando ele passava nas ruas, diziam que era um s�bio, uma figura excepcional. Diziam que ele tinha inventado v�rias coisas". Dante de Laytano recorda-se tamb�m que ele era "um homem simples, modesto e culto". O tempo passou. Em 1928, as emissoras de r�dio se espalhavam pelo Brasil e pelo mundo, e a televis�o e o teletipo logo se tornariam realidade. De forma an�nima, assim como chegou Padre Landell partiu desse mundo. A hist�ria oficial reconhece outros cientistas. At� hoje, a indiferen�a cerca as obras do padre-cientista brasileiro.
Fonte: Caderno D, Jornal Zero Hora, 20/01/91

Hosted by www.Geocities.ws

1