Roberto Landell de
Moura, o inventor
do rádio
O religioso Roberto Landell de Moura (Porto Alegre,
1861-1928) foi um grande comunicador, muito antes que padres se
tornassem fenômenos de comunicacão. De família tradicional,
ordenou-se em Roma, onde foi estudar por influência de um irmão,
Guilherme, que aspirava ao sacerdócio. Teólogo formado, voltou para
desenvolver trabalhos pastorais em várias cidades brasileiras.
Interessava-se também pelas ciências, especialmente por física e
química, que estudou na Universidade Gregoriana. Foi um pioneiro no
estudo e prática da comunicação eletrônica sem fio.
Suas primeiras experiências em
transmissão e recepção sem fio foram feitas com êxito em 1893 e
1894, entre a Avenida Paulista e o alto de Santana, em São Paulo, a
uma distância de cerca de oito quilômetros. Antes, portanto, de
Marconi, que usou apenas radiotelegrafia, enquanto o padre
brasileiro fez contatos em radiotelegrafia e radiotelefonia sem fio.
Mas só mais tarde (entre 1901 e 1904, nos Estados Unidos, tratando
de assuntos como transmissor de ondas, telégrafo sem fio e telefone
sem fio) patenteou seus inventos. Criou as válvulas de três pólos
(tríodo), patenteadas por Lee De Forest em 1906 e que seriam
fundamentais depois para o desenvolvimento do rádio e da televisão.
Já em 1901 recomendava o emprego das ondas curtas para aumentar o
alcance das transmissões. O grande Marconi considerou que era coisa
inútil, mas em 1924 admitiu que estava enganado. Landell de Moura
morreu incompreendido pelas autoridades e cientistas do seu tempo,
mesmo depois de ter descoberto também a utilidade do arco voltaico
para a transmissão de sinais de intensidade variada, o que resultou
no desenvolvimento do laser e da fibra ótica. Seus inventos, depois,
como ele vislumbrava, serviriam até para comunicações
interplanetárias. |
Só que o
cientista Oswaldo Cruz queria salvar o povo, mesmo que à força,
invadindo residências e vacinando seus moradores contra a varíola. O
povo enfrentou a polícia e os bombeiros, pois não queria ser
vacinado. O cientista teve de enfrentar a hostilidade geral e até
revolta militar, no episódio conhecido como a Revolta da Vacina –
terrível sedição ocorrida em 1904 e só debelada pela determinação do
Presidente, o paulista Rodrigues Alves. É evidente que a vacinação
foi apenas o estopim para a eclosão da insatisfação da plebe
excluída de quase todos os benefícios da modernização e vítima do
autoritarismo governamental.
A descoberta da
utilidade do arco voltaico na transmissão de sinais, por Landell,
resultaria no desenvolvimento da fibra ótica
O “despotismo sanitário do
governo”, como se falou na época, queria tirar os pobres de suas
casas e aumentar a repressão policial. Deu-se uma tragédia: 23
pessoas morreram no confronto e, depois, em 1908, milhares de outras
foram dizimadas pela varíola. Esses episódios mostram como a
população não estava a par do significado da vacinação, servindo aos
propósitos de políticos ardilosos ou de pessoas
mal-intencionadas.
Não era o caso de Oswaldo Cruz. De
toda forma, Manguinhos soube aproveitar bem o seu espaço de
pesquisa, comprovado por trabalhos brilhantes de seus integrantes,
como Carlos Chagas, Rocha Lima, Figueiredo Vasconcellos,
Alcides |