Lampião
(1897
– 1938)
Virgulino Ferreira da Silva, como se apresentava, o vulgo Lampião, ou o bandido Lampião, como se apresentou em Queimadas, nasceu em Serra Talhada, sertão pernambucano, uma região não diferente no nordeste, dominada pela violência e dizimada pela seca. La homens e mulheres humildes, encurralados pela violência e pela fome desenvolveram o chamado codigo de honra do sertão , que confunde bandido com herói ., Que coloca o amor ao nome acima do amor à vida.
Durante sua infância Virgulino trabalhou em uma pequena propriedade rural de sua família, onde aprendeu a caçar, atirar e a se defender, algo básico para se viver, na época. Também foi tropeiro, conhecendo os mais íntimos segredos da caatinga, e o contato com pessoas importantes veio a lhe ser útil mais tarde. Nessa vida poderia ter morrido, não fosse uma mazela que ainda hoje ainda sangra na nossa historia: a preferencia mal disfarçada da justiça pelos ricos e poderosos.
Um desentendimento com um poderoso da época pós a policia no rastro da pacata família , chegando a prender Virgulino com dois irmãos, e culminando no assassinato de seu pai, em 1920. Conforme me contou Jose Moura de Oliveira, o Noza, testemunha do ataque a Queimadas em 1929, o próprio Lampião narrou ao juiz de Queimadas, na época, que pretendia continuar, como de fato continuou trabalhando em suas terras, mas o objetivo do inimigo era também mata-lo. Então suas terras foram alvo de saques e incêndios criminosos, que lhe causaram tremenda revolta, que lhe fez ingressar no bando de Sinhô Pereira, tornando-se seu chefe, logo depois. Conforme narrado por Noza, o objetivo de Virgulino era apenas vingar a morte de seu pai, o que fez, matando o mandante e o executor do crime. Mas como passou a ser perseguido onde que se encontrasse, em suas fugas matava, estuprava, saqueava, e acabou tomando gosto pelo crime.
Em 1927, no auge da Coluna Prestes, foi convocado para combate-la, com a promessa de anistia de seus crimes, quando também recebeu, de um funcionário do Ministério da Agricultura, a patente de Capitão das Forcas Patrióticas. Não trema ao saber que tudo isso foi intermediado pelo Padre Cícero, outro personagem polemico do sertão. Seu engajamento no combate à Coluna Prestes não durou, haja vista não ser Virgulino um mercenário. O que lhe agradou mesmo foi o titulo de Capitão, que ostentou enquanto viveu. Na verdade sentia-se uma autoridade. Em Queimadas, em uma carta rascunhada na parede de um clube, dirige-se ao Governador do estado, como << seu superior, Capitão Virgulino, Governador do sertão>>
Tanto aprontou que em 1930 ofereciam 50 contos de reis por sua cabeça, algo suficiente para comprar uns cinco carros de luxo. Nessa época seu bando aumentou consideravelmente, recebendo jovens em idade de serviço militar, que se recusavam a se alistar na volante, policia que agia nas caatingas, certamente atraídos pelo mito do herói do sertão, alias mito feito à toa, visto quem 1931 ate o jornal New York Times já o comparava com o Robin Wood do Sertão.
Essa fama de herói correu ate os dias atuais, tanto que duas cidades nordestinas já aprovaram a criação de estatuas em sua homenagem.
Como o mito morreu? Teria ele sucumbido na Fazenda Angicos, em Sergipe, junto com seu bando? Não menos fascinante que sua vida e o que esta por trás de sua morte, que agora passa a ter uma certa importância histórica e cientifica, como se pode ver adiante.