O Destino do Sargento Evaristo
Lampião julgava-se um homem de lei, e a ela todos deviam respeito. E essa noção exacerbada de justiça fazia-o arrogante perante as autoridades pedia água ao juiz e exigia que ele próprio o servisse. Sentia-se um injustiçado não por um policial ou por uns policiais, mas pela polícia em geral. Fosse em Queimadas ou em qualquer lugar, a polícia era culpada por sua vida de bandido, e qualquer policial que lhe caísse nas mãos era morto. Todos, com exceção de um, o Sargento Evaristo. Não por vontade sua.
No
mesmo dia de saque a Queimadas, o dia da Chacina, Lampião voltava da coleta que
fazia na cidade quando houve que um dos seus homens prometera a liberdade a um
policial, o que lhe deixou furioso. Ele, usando de toda boa vontade, foi
explicar ao jagunço que vivia aquela vida por culpa de um policial, e que se
tivesse que pedir a benção de sua mãe e matar um soldado, deixaria sua mãe
pra segundo plano, mas como era um homem justo, se seu jagunço prometera a vida
a um soldado ele respeitaria, como o fez, mas aquilo logo depois custou a vida
do jagunço.
Foi
por intercessão de Dona Santinha, esposa de Amphilophio Teixeira, uma mulher
religiosa e caridosa. Ela usava uma pulseira de ouro muito cara, que herdara da
sua avó. O jagunço ao ver a pulseira, pediu-lhe, mas ela a negou, mas prometeu
dar-lhe em troca da vida dos soldados. O jagunço disse-lhe que oito soldados
era muito, mas poupava o sargento. Como o sargento também, como Dona Santinha
era religioso, o acordo foi feito.
Foi
assim que o sargento Evaristo Carlos da Costa sobreviveu aquela chacina horrível
viu seus sete amigos serem cruelmente abatidos e viveu até os 86 anos na
vizinha cidade de Santa Luz.
Ele
não sabia que seria poupado. Foi obrigado a desfilar pelas ruas de Queimadas
embaixo de sol quente com um fuzil no ouvido.
Vez por outra um jagunço dizia:
“Mais
logo o galo vai cantar em teu ouvido”.
O
jornal A Tarde de 14/12/1977 traz uma reportagem do jornalista Oleone Coelho
Fontes sobre a triste sorte desse pobre sargento.
Foi
culpado por seus superiores de fazer pouco caso do perigo e de expor seus
colegas e leva-los à morte. Houve quem lhe sugerisse o suicídio, enfrentou
longos processos na justiça militar, até que em 1931 foi absolvido por
unanimidade, recebendo elogios de seus superiores.