Como morreu Lampião?

Conversei com os Sr. Álvaro natural de Itiuba, muito conhecido em Queimadas, que por muito tempo foi responsável pelo motor que gerava energia da cidade. Ele me contou como Lampião mandou o próprio Juiz ir à cozinha pegar-lhe um copo de água. Desconfiado, fê-lo beber o primeiro gole. Depois de ouvir todo o seu depoimento, fortíssimo, perguntei-lhe se elel acreditava na versão oficial da morte de Lampião. Com um riso nos lábios ele disse que não. Naquela época, disse que ao saberem  que Lampião foi morto e sua cabeça estava exposta em um museu em Salvador, muitos queimadenses foram conferir de perto. Todos reconheceram os cangaceiros que estiveram em Queimadas, mas nem um reconheceu a cabeça que diziam ser a de Lampião.

   O próprio Sargento Evaristo teria visto Lampião em Santa Luz bem depois de correr a notícia de sua morte. E não só o viu, mas o atendeu em uma pequena bodega que abriu após sair da polícia.

   Uma certa senhora, já falecida, que morava no Alto da Jacobina, bairro de Queimadas, pessoa humilde, contou que certa vez, viajando de trem com destino a São Paulo, teve como companheiro um senhor de idade já avançada que lhe fez várias perguntas sobre Queimadas, sobre pontos da cidade que só quem já esteve lá conheceria. Chegando em certa cidade de Minas Gerais, ele se despediu e se apresentou como “Bandido Lampião”, como havia se apresentado em Queimadas.

   Em Queimadas há um senhor chamado Luiz do Ouro de também Luiz Curador – Por muito tempo trabalhou em Jacobina, comprando e vendendo ouro. Lá ele conheceu um jovem chamado Lampiãozinho. Alguns pensavam ser esse apelido devido à valentia do rapaz, mas era verdade ele era sobrinho de Lampião. Um dia Lampiãozinho convidou Luiz do Ouro pra ir com ele a uma viagem para Minas Gerais, pois precisava ver seu tio. Chegando lá, Luiz viu o próprio Lampião, já velho e doente, mas na casa, muito grande, sede de uma fazenda, pode identificar armas e idumentárias do cangaço. O Lampião também lhe faz muitas perguntas sobre Queimadas.

   Jackson Rubem é escritor residente em Irecê, interior da Bahia,  e entre obras, publicou Irecê: História, casos e Lendas e por último, Irecê: Um pedaço Histórico da Bahia. Neste último conta uma outra versão sobre o reside na zona rural do município de São Gabriel, na Bahia. Ele contou a Jackson Rubem uma história fascinante, aliás bem parecidas em alguns detalhes com alguns depoimentos já citados. Segundo ele, quando o banco de Lampião foi atacado na Fazenda Angicos, este teria apenas se ferido no pé. Seu pai, o cangaceiro Manoel Pereira de Souza o teria transportado até Petrolina, e de lá o despacharia para Minas Gerais, onde foi fazendeiro bem sucedido e viveu até os anos 70.
Hosted by www.Geocities.ws

1