Budismo

O termo "Budismo" refere-se a um conjunto de doutrinas e métodos de desenvolvimento espiritual da escola criada por Sidarta Gautama, príncipe hindu que ficou conhecido pelo nome de "Buda", palavra que significa "iluminado" ou "aquele que está desperto".

As raízes desta escola de pensamento divergem do hinduismo tradicional, pode-se crer que sua origem remonta à escola de pensamento criada por antigos iluminados, muito anterior ao hinduismo.

Impressionante semelhança foi constatada entre a doutrina de Buda e o antigo Lamaismo tibetano por parte dos próprios lamas do Tibete, que acolheram o budismo e o fundiram à sua ancestral religião como se fosse um filho que retorna ao lar.

As bases do pensamento budista se assentam em muitas constatações como de que o ser humano cria seu próprio destino pelas suas ações e pensamentos. Tudo é mutável neste universo, a única constante é a própria mudança. O ser humano comum vive em um estado de ilusão por acreditar que pode possuir e criar coisas de existência duradoura. Todos possuem porém, em si mesmos a potencialidade para despertar de seus mundos de ilusão. E esta potencialidade é a única coisa em nós que não foi criada ou condicionada. O mais importante para nós é atermo-nos ao momento presente e à realidade de nossa existência, o "aqui e agora".

Budismo possui uma conotação bastante psicológica, não se importando muito com o sobrenatural, ou com deuses que estão além de nossa percepção, mas com aquilo que somos e o que nós produzimos. Se devemos cultivar bondade e outros tantos valores, não é por que algum mandamento nos obriga ou pela esperança em algum céu futuro, mas porque seremos os beneficiados diretos desta conduta no momento presente.

No pensamento original de Gautama Buda, devemos manter nossa mente livre de condicionamentos e recusar toda e qualquer verdade que não possa ser comprovada por nosso pensamento lógico, evitando qualquer dogmatismo. É necessário, comprovar a veracidade dos ensinamentos que nos são passados, por meio de sua comprovação na prática. Devemos evitar o simples acumulo de doutrinas e teorias que não possuam aplicação efetiva na nossa vida. Conhecimento sem uso é inútil. Nossos valores devem ser vividos e não apenas acumulados na forma de erudição estúpida. Devemos ainda, corrigir e aperfeiçoar a nós mesmos, antes de querer reformar o modo de ser dos outros. Finalmente, buscar nosso caminho pelos próprios meios, e não cair sobre a influência do charlatanismo de certos "lideres" religiosos.

 

AS QUATRO NOBRES VERDADES

1 - A verdade do sofrimento: O sofrimento é inevitável para todos os seres.

2 - A verdade da causa do sofrimento: Criamos nossa insatisfação pelo nosso apego e pela nossa ilusão (ignorância ou hipocrisia-Cristo).

3 - A verdade da cessação do sofrimento: Todo sofrimento pode (e deve) cessar.

4 - A verdade do caminho para o despertar: Livrar-se da ilusão, do sofrimento e atingir um grau de consciência maior, é possível, através de um correto modo de agir e conscientizar-se.

A SENDA ÓCTUPLA

O caminho para a libertação de nossa insatisfação passa, não pela satisfação de todos os nossos desejos (o que criaria maior dor e insatisfação), mas pela conscientização de que precisamos buscar a felicidade em nós mesmos, antes de nos mover-mos em direção ao que está fora ou além de nós. Antes de satisfazer todos os nossos desejos podemos compreender a nós mesmos e nos livrar-nos de nossas ilusões.

O caminho ou senda para a liberdade possui oito aspectos a serem aplicados a nossa vida:

1 - Cultivar pensamentos corretos: "Manter pensamentos equilibrados e positivos. Nossos pensamentos criam nossa vida. O pensar correto transforma-se em viver correto."

2 - Acalentar aspirações corretas: "Desejar o bem a todos, lutar por igualdade e justiça social"

3 - Expressar linguagem correta: "Evitar as palavras vãs, egoísticas ou caluniosas".

4 - Manifestar conduta correta: "Não agredir outros seres vivos. Não se entregar aos prazeres nem à mortificação, buscar o meio-termo".

5 - Buscar o modo de vida correto: "Não ganhar a vida de modo indigno ou prejudicial a outros seres".

6 - Realizar o esforço correto: "Esforçar-se por eliminar pensamentos e conduta negativos. Esforçar-se por evitar a criação de novos pensamentos e conduta negativos. Esforçar-se por criar e manter pensamentos e conduta positivos.".

7 - Manter a atenção correta: "Estar alerta, observar e compreender a si mesmo, manter a mente aberta".

8 - Praticar a conscientização (meditação) correta: "Eliminar a auto-ilusão. Ponderar sobre a validade dos métodos que utilizamos para alcançar nossos objetivos.".

 Através de tudo o que pensamos e fazemos, construímos nossa vida. A compreensão da natureza real do universo como algo mutável, nos serve de exemplo para limpar nossa mente e nos dar uma existência consciente e tranqüila. Vendo tanto nossos problemas como nossas conquistas como nuvens que se vão, passamos a dar maior importância ao que possuímos de forma mais duradoura que é nossa consciência e nossos valores. Devemos buscar nossa força interior, que é a única coisa com a qual podemos realmente contar. Essa força é a expressão de uma realidade maior, que permeia todo o universo. Uma vez conscientes dessa força, compreenderemos inclusive um conceito mais universal da idéia de Deus; e estaremos no caminho para verdadeira paz.

"Iluminação é o estado onde preenchemos nossa vida com o simples fato de existirmos".

"...A pessoa verdadeiramente religiosa, não é aquela coberta por uma crosta de crenças, dogmas, rituais. A pessoa religiosa não tem crenças; vive de momento a momento, descobrindo o novo...

...Falar de Deus sem ter uma mente de todo livre, é o mesmo que pessoas adultas se entreterem com brinquedos; e quando nos entretemos com brinquedos e chamamos a isso de religião, estamos criando mais confusão, causando mais sofrimento...

...Vivemos dentro dessa esfera, daquilo que é "conhecido". A esfera do prazer e dor. E com essa mente procuramos convencer a nós mesmos de que não há morte, inventando teorias, a crença na reencarnação, ressureição e outras inumeráveis idéias criadas pela mente para fugir de si própria....

...Tendes lido a respeito de todas essas coisas, ou tendes ouvido freqüentemente; e, entretanto, a mente continua sempre a buscar uma resposta, a perguntar o que existe além da morte. Todas as sociedades e seitas estúpidas prosperam à custa do vosso apetite de saber o que existe além; e quando vo-lo dizem, sentis-vos satisfeito, pelo menos temporariamente.

...Mas quando reconhecemos as limitações da mente, do conhecido; quando percebemos que somos limitados, e ficamos totalmente cônscios disso, isto é, tanto conscientemente como nas camadas mais profundas de nosso ser, - há uma completa cessação da atividade condicionada da mente; a mente deixa de existir na forma de: "eu sou, eu sei".

Há então a possibilidade de manifestar-se o desconhecido, a realidade." - J. Krishnamurti  

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