Mês de Maio

As Congadas

De 07 a 13 de maio acontece em Lambari(MG) a Congada

Texto pesquisado e escrito por Clarice Franco, lambariense e admiradora do folclore de Lambari, revisado por Laura Della Mônica autora do livro “Turismo e Folclore” (Editora Global).

A Congada é uma manifestação folclórica que acontece de norte a sul do País desde os tempos dos vice-reis. 

O padroeiro da Congada é São Benedito, o santo negro que traz nos braços o menino Jesus e é venerado por grande parte da população brasileira. Por Ter sido cozinheiro no convento Franciscano de Santa Maria, em Palermo (Itália) é considerado o patrono da arte culinária. As donas de casa a ele recorrem para que não falte comida em casa, os que sofrem de males de estômago para que a comida não lhes faça mal e outros. 

A Congada é pois o ritmo afro-brasileiro em que cada um dá o melhor de si  para homenagear o milagroso São Benedito. 

É talvez o folguedo folclórico mais significativo e popular do Brasil. 

Seu inicio, no século XVIII era uma  manifestação épica sabiamente introduzida pelos Padres Jesuítas, destacando as tradições de Angola e do Congo. Uma adaptação da “Canção de Rolando”, epopéia francesa, que retrata a luta entre os mouros e os cristãos. Com a Congada a igreja conseguiu conciliar o instinto guerreiro do negro, suas tradições e a verdadeira cruzada religiosa. 

A Congada é composta de várias partes, como exemplo, o cortejo e a embaixada. No cortejo os participantes saem pelas ruas em fileiras, ao som e ritmos das caixas, pandeiros, reco-recos, cuícas, triângulos, apitos, chocalhos, sanfonas e violas , divididos em grupos, tendo cada um deles um Rei, com indumentária mais esmerada. Uns representam os cristãos e são comandados por Carlos Magno, Rei de Alexandria, outros representam os mouros ou turcos, tendo como chefe o rei da Turquia. O cortejo tem inicio com as “Bandeireiras”, mocas vestidas de branco, carregando os estandartes do Divino Espírito Santo, do Anjo da Guarda, de Nossa Senhora do Rosário, e de São Benedito. 

A Congada em Lambari  possui características que diferem de outros Grupos, notadamente a figura da Princesa Isabel.

A embaixada é o momento mais emocionante da Congada, pois se trata de um teatro popular representado diante da igreja do Santo. A representação teatral possui parte falada e outra cantada (em solo e coro), entremeadas de coreografia, imitando luta de espadas que sempre termina com o batizado de todos, tornando-se cristãos. Finalizam a parte dramática cantando versos como este: 

“Com o favor de Deus esta batalha acabou”. 

A batalha está vencida, rei do Congo que ganhou.”

 



Matéria e Fotos publicadas na Revista Geográfica Universal em 1979


Em Lambari, as congadas adquirem um aspecto puramente regional devido à concepção de cada chefe de terno, no que diz respeito à interpretação da estrutura dos festejos.

Aí, ao contrário do que acontece nas congadas do Nordeste, a Rainha Ginga surge, não como inimiga de Saba, que seria Henrique, rei do Congo, mas sim como sua esposa, ao qual ela acompanha, sendo ambos seguidos por todos os ternos.

 

 
Além dessa interpretação a respeito dos reis negros, as congadas de Lambari apresentam ainda Imperadores - duas figuras inusitadas, se não em todas as congadas que se realizam no país, pelo menos na maioria delas.
 
Além dessa interpretação a respeito dos reis negros, as congadas de Lambari apresentam ainda Imperadores - duas figuras inusitadas, se não em todas as congadas que se realizam no país, pelo menos na maioria delas.
 
Os Imperadores, representados por duas crianças brancas, são D. Pedro I e a Princesa Isabel - dois símbolos da liberdade: aquele, porque libertou o Brasil; esta, porque aboliu a escravidão.

 

 

 
 
 
 
 
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