DESCENDO AO INFERNO

 Numa esquina de Milão, Petra viu Amanda com alguns amigos e tentou se aproximar dela quando esta se distanciava mais da turma. Ela chamou bem alto pelo nome da rival duas vezes:

- Amanda! Amanda!

- Vá embora daqui, Lady Verona! Não quero sua ajuda!

Amanda foi a primeira pessoa a chamar Petra Holger de Lady Verona. Ela havia usado um uniforme gialloblù e adotado esse pseudônimo não apenas para desmascarar Marcella Lisi mas, principalmente, porque sempre terá um caso eterno de amor com a cidade em que escolheu viver para sempre. Petra foi atrás de Amanda, não desistindo de ajudá-la, mas percebeu algo estranho. Ela segurou seus braços carinhosamente.

- Ei! Há quanto tempo você saiu da clínica? Você se drogou de novo! Posso ver isso em seu olhar!

- É! Eu cheirei mesmo e o que você tem a ver com isso, grandalhona?

- Você é a melhor jogadora do futebol feminino, Amanda! E eu sou a sua maior torcedora! Queria vê-la brilhar cada vez mais em vez de caminhar para o fundo do poço! Olhe para você mesma! Olhe para a sua aparência largada! – disse Petra chorando.

- Suas lágrimas não me comovem nem um pouco, mulher blindada! Quem você pensa que é? A Virgem Maria para tentar salvar os pecadores? Ora, vá para o inferno, Petra Holger!

Para a sorte de Petra, esta não tinha tendência a engordar. Muito ansiosa, foi logo a um restaurante e devorou dois pratos de spaghetti como um tubarão tigre. Entre os tubarões, o tubarão tigre é aquele capaz de comer qualquer coisa. Petra estava muito fragilizada por ter visto seu maior ídolo tão largado e descuidado.

Algumas horas depois de ter saído do restaurante, Petra viu uma gangue assaltar um carro e Amanda fazia parte da quadrilha. A jovem alemã procurou poupar as vidas das vítimas e levou Amanda para a delegacia mais próxima algemada.

- Amanda Cerrone estava completamente drogada, senhor! – disse Petra.

- Levem-na agora mesmo para a cela principal!

Na verdade, a cela principal era a mais fortemente vigiada e estava reservada a bandidos perigosos.

De madrugada, com os policiais dormindo, alguém disfarçado pegou a chave da cela e tentou soltar Amanda, dando um poderoso sonífero ao guarda responsável pela chave. Esse alguém a leva nos ombros sem que os guardas percebessem nada. Ao amanhecer, o delegado diz a um guarda:

- Sargento Fontenelle, veja se os presos querem algo para comer na cela principal.

Assustado, ele diz:

- Gozado, chefe. A presa Amanda Cerrone escapou. Mas como?

- Seus idiotas! Como vocês deixaram Amanda fugir como um passarinho? Ela sempre foi uma bandida perigosa! – esbravejou o delegado.

Na verdade, não é preciso ter uma inteligência de escol para descobrirmos quem tirou Amanda da prisão. Ela levou a colombiana para sua casa e estava muito insegura com a sua atitude. Talvez Amanda tivesse que ficar mais tempo presa.

- Você acha que tomei a atitude certa?

- Na vida, aprendi que, na verdade, o lugar da razão é o coração!

- Não entendi nada, Manfredini!

- Explicar-lhe-ei melhor. Infelizmente, a maioria das pessoas separa fé e razão. Herdamos isso do Iluminismo.

Petra interrompe o monge beneditino.

- Ah, sim! Aquele movimento artístico, literário e filosófico que surgiu na Inglaterra no século XVIII e, posteriormente, se espalhou por toda a Europa, principalmente França.

- Exatamente, Petra Holger! Fico cada vez mais impressionado com o seu nível cultural! É inteligente demais para uma simples jogadora de futebol! Fé e razão caminham juntos e não separados como prega a maioria, ou seja, para se ter fé, é necessário antes que demos as razões de sua fé, entendeu?

- Agora sim, Manfredini! Agora sim! – exclamou Petra entusiasmada. Queria fazer algo maior por Amanda. Ela não mudou ao sair da clínica para dependentes químicos.

- Amanda tem razão ao dizer que você não pode fazer o papel da Virgem Maria! Pois o destino de cada um, só Deus sabe!

- Será que Amanda Cerrone vai deixar, um dia, as drogas de lado? Na verdade, até parece que ela é parte de mim! Quando ela sofre, eu sofro também!

Após Petra ter dito que Amanda é uma parte sua, Manfredini inicialmente se calou, mas depois continuou o diálogo com a jovem.

- Você sabe que existe a questão do livre arbítrio, Petra e, quando se quer deixar algo de lado, por mais difícil que seja, basta ter força de vontade. – afirmou Manfredini.

Ao entardecer, Petra e as meninas do Verona tiveram de partir para Napoli a fim de disputar uma partida contra o Napoli. Este era um time fraco e o Verona venceu o jogo por 5 X 1, sendo que o gol de honra das napolitanas foi marcado através de um pênalti desnecessário da zagueira veronesa Daniela no final do segundo tempo. Finalmente, o Verona voltava a vencer novamente e esta vitória serviu bastante para aumentar o ânimo das gialloblù .

Para comemorar a goleada do Verona sobre o Napoli, Petra, no hotel, telefonou para Aldo (que ainda estava em Milão) e estes foram a um romântico restaurante. O amor entre ambos aumentava cada vez mais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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