AS GUERREIRAS SARTORI
As mulheres destacavam-se mais do que os homens nas batalhas e eram divididas entre as Sartori normais e as Sartori fuoriclasse . Estas últimas foram assim chamadas porque nasceram com força sobre-humana e possuíam invulnerabilidade. Suas alturas variavam entre 1,83m e 1,91m e tinham físico mais avantajado do que as Sartori normais . A cada final de século, nascia uma fuoriclasse e o monge beneditino Enzo Manfredini, que viveu de 847 a 904, veio ao mundo com a missão de acompanhar a trajetória das Sartori fuoriclasse através dos séculos e orientá-las. Tendo se tornado um espírito de luz após sua morte, ele era encarregado de treinar as habilidades natas das fuoriclasse, que, além de serem exímias lutadoras, também tinham capacidade especial para praticar todos os esportes, principalmente futebol. Cada Sartori fuoriclasse era responsável pela defesa de Verona tanto contra as dissensões internas quanto contra os ataques externos e eram de origem camponesa. Por terem sempre nascido no final de cada século e ultrapassando o seguinte, as Sartori fuoriclasse foram cognominadas As Guerreiras da Virada . Para elas, tamanho era documento sim senhor!
Abaixo, a lista das dez guerreiras Sartori fuoriclasse e o século em que viveram:
1) CARLA SARTORI (880-904) - A primeira ancestral fuoriclasse da família Sartori. Tinha 1,86m de altura. Namorou o jovem Ugo, amigo de infância com quem mais tarde se casou e teve três filhos. O conde Franco Anelli sempre foi apaixonado por Carla, mas ela recusou o seu amor, desprezando todo o conforto que ele poderia lhe proporcionar. Anelli, enfurecido, alguns momentos antes de morrer (tinha uma rara doença congênita no estômago que lhe causava dores terríveis), fez um pacto com Mireille Fournier, que, na verdade, era um demônio conhecido como Serpente Escarlate , para que esta amaldiçoasse não apenas Carla mas também todas as suas descendentes fuoriclasse . Por isso, elas já nasciam com essa doença que, aos poucos, lhes corroía o estômago, conhecida posteriormente como Mal de Anelli . Manfredini, tendo descoberto o ponto fraco das Sartori fuoriclasse , orientou cada uma delas para que guardassem segredo sobre a sua doença. Isto contrastava com a sua força sobre-humana e invulnerabilidade. Quando o Mal de Anelli se manifestava, as dores de estômago eram tão fortes que acabavam por deixá-las temporariamente sem seus superpoderes natos, tornando-se, assim, mulheres comuns iguais a todas as outras. Mireille, através de sua poderosa magia, criou uma droga chamada Dytrin, que agravava o Mal de Anelli. Posteriormente, o Dytrin foi usado contra todas as Sartori fuoriclasse para as enfraquecer ainda mais, as impedindo, assim, de recuperar facilmente os seus superpoderes e a sua invulnerabilidade natos.
2) LORENA SARTORI (985-1004) - Tinha 1,84m de altura e era física. Casou-se com Enrico e teve duas filhas.
3) ANNA SARTORI (1078-1102) - Cronista e amiga da princesa bizantina Ana Comneno (também cronista), participou da Primeira Cruzada, que, na verdade, foi a única bem-sucedida, tendo os cristãos tomado Jerusalém das mãos dos muçulmanos ou sarracenos em 1099. Os fofoqueiros da época diziam que Anna teve um romance com o jovem Tancredo de Tarento, neto de Robert Guiscard. Como Anna se casou grávida de três meses, se levantou a hipótese de a criança (do sexo masculino) ser de Tancredo. Mais tarde, ela teve outros dois filhos. Tinha 1,86m de altura.
4) MARIANA SARTORI (1179-1206) - Versão italiana da lendária Lady Marion Fitzwalter, foi namorada de Roberto Lochili, que, por sua vez, era a versão italiana de Robin Hood. Teve três filhos com Roberto. Tinha 1,84m de altura e participou da Quarta Cruzada (1202-1204).
5) CLAUDIA SARTORI (1275-1304) - Cognominada Claudia, La Rossa, por causa de seus longos cabelos cor de fogo. Seus tios eram frades franciscanos que viajavam com frequência para o Extremo Oriente e, um dia, resolveram levar a jovem Claudia com eles para Cathay. Tinha 1,85m de altura. Em Khanbalik, então capital do Império Mongol (o Imperador que reinava era Kublai Khan), Claudia Sartori participou de vários torneios de guerra, tendo vencido diversos homens, sendo que alguns estavam literalmente à sua altura. A jovem Shalankut era uma das melhores guerreiras de Kublai Khan e possuía 1,84m de altura. Enfurecida porque supôs que uma ocidental estivesse humilhando seu povo, a tártara, que também era uma superatleta nata, desafiou Claudia a um duelo até à morte. A fuoriclasse acabou vencendo a guerreira de Kublai, para desespero do Imperador. Shalankut usava uma veste mágica que a tornava invulnerável. Manfredini, como aparecia para as Sartori fuoriclasse em espírito, podia estar em qualquer lugar a qualquer hora e revelou a Claudia que somente a Adaga de Dorgon seria capaz de destruir a roupa mágica da concubina de Kublai Khan. Dorgon (uma cidade há muitos séculos abandonada e que possuía diversas cavernas) ficava às margens do rio Orkhon e a ruiva partiu para lá. Ela descobriu que a Adaga de Dorgon estava numa antiga caverna pré-histórica e era protegida pelo semideus Dolugen contra o ataque dos salteadores. Claudia disse a ele que não tinha a intenção de roubar a Adaga de Dorgon (que era de ouro puro cravejada de pedras preciosas), mas que precisava dela porque foi desafiada por Shalankut a um duelo até à morte e era a única arma capaz de penetrar na roupa mágica de sua oponente Dolugen disse-lhe que várias pessoas antes dela haviam inventado diversos motivos para se apoderar da Adaga por ser uma jóia rara com poderes mágicos e, além disso, era benta. Para saber se elas estavam sendo realmente puras de coração, ele as desafiava a um duelo até à morte. Todos fracassaram e pereceram. Dolugen então desafiou a jovem Claudia, tendo ficado impressionado com a sua força sobre-humana e percebeu que ela era invulnerável. Quando a ruiva derrubou Dolugen e o desarmou, este lhe perguntou:
- O que está esperando, Claudia La Rossa ? Você me venceu! Por que não me mata?
A fuoriclasse respondeu:
- As Sartori fuoriclasse vieram ao mundo para fazer justiça e não para espalhar o terror! Só usamos a nossa força sobre-humana como meio de defesa pessoal e para ajudar os oprimidos! Não matamos por prazer!
Dolugen percebeu que as palavras de Claudia eram sinceras e que ela não estava falando apenas da boca para fora. Pelo fato de a ruiva ter vencido o semideus numa luta justa, poupando, inclusive, a sua vida, este lhe disse:
- Claudia La Rossa , você foi a única pessoa que veio atrás da Adaga de Dorgon para usá-la como um meio de defesa pessoal e não pelo simples fato de se tratar de um tesouro raro e valioso bento e com poderes mágicos! Por isso, eu a darei de presente a você justamente para usá-la como arma nas situações de maior perigo e não para guardá-la como uma jóia valiosa! Minha missão aqui na Terra terminou! Adeus, fuoriclasse!
Tendo se despedido de Claudia, Dolugen repentinamente deixou o mundo terreno e ascendeu ao céu. A Adaga de Dorgon passou, a partir de então, a ser uma poderosa arma para todas as Sartori, tanto as normais quanto as fuoriclasse. Mais tarde, de volta a Verona, se casou com Stefano e teve uma filha.
6) LAURA SARTORI (1393-1416) - Tinha 1,89m de altura e gostava de jogar calcio nas ruas de Verona. Por causa de seu tamanho e por ser pouco feminina, nos jogos de calcio era tratada como homem. Muitos pensavam que Laura era homossexual, mas, posteriormente, ela teve um romance com o último descendente de Marco Polo, também chamado Marco, que faleceu em Verona no ano de 1418. Casou-se com Giulio e teve três filhas.
7) FRANCESCA SARTORI (1487-1516) - Tinha 1,87m de altura e era compositora e poetisa. Casou-se com o também poeta e compositor Giovanni Battista, que fez uma música em homenagem a Francesca chamada Fuoriclasse. Tendo descoberto que Giovanni sempre foi mulherengo e que estava namorando em segredo a francesa Charlotte Dubois, de apenas quinze anos e bem menos avantajada (Francesca, na ocasião, tinha dez anos a mais), a compositora decide se separar definitivamente dele, o que, para a época, representava um escândalo. No fim de sua vida, Francesca, aos 28 anos, se apaixonou por um rapaz dez anos mais novo do que ela: Piercarlo D'Assisi. Ele compôs uma música em sua homenagem chamada La Veronese . Além da diferença de idade, que, na época, representava um escândalo, o jovem de Assis era vinte centímetros mais baixo do que Francesca e franzino. Ela teve quatro filhos, sendo três com Giovanni e um com Piercarlo.
8) IRENE SARTORI (1688-1714) - Manfredini, tendo um dia aparecido em sonho para Irene (quando esta tinha apenas 13 anos), disse-lhe que ela veio ao mundo com a missão de exterminar todas as criaturas do mal (principalmente vampiros). Ele lhe falou sobre a ameaça dos vampiros na América e, assim, Irene se tornou com o tempo uma temida caça-vampiros, partindo para o Novo Mundo. A italianinha (Opa! O certo seria chamá-la de italianona, não?) apaixonou-se pelo argentino Pablo Calderón, que, na verdade, é um vampiro de 70 anos com a aparência de 30. Irene conheceu a jovem norte-americana Angela Samson, também uma temida caça-vampiros. Inicialmente aliada de Irene, que, inocentemente lhe contou toda a história de suas ancestrais fuoriclasse e a sua maior fraqueza, Angela, que em segredo também era apaixonada por Pablo Calderón, acaba traindo a jovem italianona, adiantando a sua morte. Calderón foi criado pelo espanhol Gabriel Fuentes, contra quem se revoltou posteriormente, tornando-se um vampiro do Bem . Pablo Calderón, junto com Fuentes e seu exército de vampiros, aterrorizaram a maior parte da América. A revolta do argentino contra seu criador espanhol simboliza a tentativa da Colônia de se libertar da sua Metrópole. Irene tinha 1,85m de altura. Casou-se com Luigi e teve um casal de filhos.
9) ALDA SARTORI (1787-1815) – Tornou-se uma exímia nadadora e tinha 1,88m de altura. Casou-se com Marcello e teve três filhos.
10) PIETRA SARTORI (1887-1915) – O futebol estava surgindo na Inglaterra e a jovem Pietra, a mais masculinizada das Sartori, embora não homossexual, foi rejeitada pelos próprios pais e familiares por se parecer mais com um homem. Abalada, ela deixou Verona e partiu para Londres, onde passou a trabalhar como operária e lá conheceu o brasileiro Arthur Nunes Caminha e o argentino Diego Cortez que, nas horas vagas, jogavam futebol como atacantes e eram ótimos cobradores de falta. Pietra tinha 1,91m de altura, enquanto que Caminha e Cortez eram baixinhos. Inicialmente se apresentando como Pietro , ela acabou revelando mais tarde aos dois amigos que era, na verdade, uma mulher, para o espanto deles (principalmente de Diego), pois ela jogava duro como macho e era uma marcadora implacável. A italiana apelidou-os de A Dupla CaCo. Pietra, negando qualquer possibilidade de reconhecer algum traço de feminilidade devido à sua altura e físico avantajado, passou quase toda a vida vestindo roupas masculinas. Por essa razão, Pietra foi a mais problemática das Sartori fuoriclasse. Casou-se com Carlo Goretti, operário que também jogava futebol nas horas vagas junto com Caminha e Cortez e era vinte anos mais velho do que ela. Ela teve um filho. Pietra, na verdade, o via mais como pai do que como homem e, por achar que não tinha nenhuma feminilidade, embora seu marido discordasse dela, se recusava a ter relações sexuais com ele. Ela acabou se considerando uma homossexual enrustida. Ativa militante comunista, para o desespero de seus pais, que apoiavam os social-democratas, Pietra era, na verdade, a versão italiana da alemã Olga Benario. A filha de Pietra, Lidia, uma Sartori normal nascida em 1912, também era uma ativa comunista como a mãe. O ditador Benito Mussolini mandou fuzilar Lidia em 1937, tendo-a acusado de subversão. Para ele, o sobrenome Sartori era sinônimo de luta dos oprimidos contra os seus opressores, o que sempre correspondeu à verdade. Além de ter proibido o povo de pronunciar o sobrenome Sartori, a história das fuoriclasse, passada oralmente de geração em geração através dos séculos (à exceção do monge beneditino Enzo Manfredini, que sempre foi um atento observador das fuoriclasse, nenhum historiador, cronista ou literato se interessou em deixar qualquer documentação escrita sobre as Sartori) e desconhecida pela maioria das pessoas, acabou caindo no esquecimento por se tratar de mulheres oriundas do campesinato e não de uma camada mais privilegiada da população. Lidia teve dois filhos: Mario, que nasceu em 1934 e Rafaela, nascida em 1932. Rafaela, também uma ardorosa comunista, deu à luz Emilia e é a avó de Petra Holger.