O COMPUTADOR E A ESCOLA

Atualmente muito tem se discutido e questionado sobre o uso dos computadores nas escolas.

A utilização da informática como instrumento de aprendizagem e busca do conhecimento vem aumentando de forma rápida entre nós. Nesse sentido a educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a esse nova tecnologia.

A introdução do computador na educação vem causando uma revolução na concepção de como pensar o ensino e a aprendizagem.

Algumas perguntas são feitas quanto ao seu uso, considerando os aspectos positivos e negativos da sua utilização.

Questiona-se por exemplo:

·         Será que o computador pode ajudar uma criança a compreender melhor a realidade na qual está inserida, ou será um instrumento de fuga, alienação?

·         Poderá o computador ajudar uma criança a se comunicar e expressar melhor, sendo ele uma máquina e não uma pessoa? De que forma?

·         Diante da nossa realidade sócio-econômico, com problemas básicos tão sérios, é possível introduzir um instrumento sofisticado como este nas escolas? Como?

·         Como preparar os professores para usá-los, quebrando as barreiras com o ensino tradicional?

·         Será que o computador pode ser utilizado para ajudar nos problemas de aprendizagem, e com crianças com deficiências especiais?

Estas são algumas das questões dentre tantas que ainda poderão surgir, alguns destes questionamentos aos poucos vão sendo respondidos, à medida que as experiências vão se difundindo e evidenciando a versatilidade da informática, quando utilizada por profissionais competentes, criando condições favoráveis para a criança se desenvolver, por meio da tomada de consciência de si mesma, sem ameaçar o contato com a sua realidade.

O PREPARO DOS PROFESSORES RUMO AS NOVAS TECNOLOGIAS

Diante de tantas transformações pelas quais a escola vem passando com a introdução dos computadores no ensino, o professor também tem que acompanhar esta mudança.

As mudanças estão ocorrendo tanto no relacionamento professor e aluno, quanto nos objetivos e nos métodos de ensino, e nesse processo de transformação cabe ao professor buscar saber qual é o seu papel de forma crítica, consciente e participativa.

Um dos objetivos do uso do computador no ensino é o de ser um agente de transformação da educação, e o professor deve descobrir o lugar didático deste tecnologia; para tanto o professor precisa ser capacitado para assumir o papel de facilitador da construção do conhecimento pelo aluno e não mais um transmissor de informações. Para que isso ocorra o professor deve procurar se capacitar tanto no aspecto computacional, no que diz respeito ao domínio do computador e dos demais diferentes softwares educacionais, quanto no aspecto de fazer interações do computador com os conteúdos a serem trabalhados e nas atividades que envolvem a disciplina.

Com isso podemos afirmar que o computador por si só não melhora o ensino apenas por estar ali presente na sala de aula, a informatização da escola só será eficiente e com bons resultados se for conduzida por professores preparados e que saibam quais objetivos pretendem alcançar.

No estado de São Paulo os professores das redes públicas e privadas tem vários cursos para se capacitarem no uso do computador, entre eles o da Fundação para o Desenvolvimento da Educação que é um dos mais procurados e já capacitou cerca de 3.000 professores de todo o estado.

A nível de graduação em alguns cursos é ofertada a disciplina de Informática na Educação, e a nível de pós-graduação algumas instituições oferecem o curso de Informática na Educação, sendo que este curso tem sido apontado como uma nova e boa proposta de trabalho. O importante é que esses cursos sobre o uso do computador na educação incluam atividades que mostrem aos professores participantes, quais são as reais possibilidades de seu uso nas mais diversas áreas de ensino, durante o seu trabalho do dia-a-dia e também na criação de perspectivas futuras de aplicação.

A ESCOLHA DO SOFTWARE EDUCATIVO

Tão ou mais importante que o equipamento, o software que será utilizado tem grande importância.

Existem programas para praticamente tudo que o professor precisa para trabalhar os seus conteúdos.

Apesar da aparente quantidade de software educativos, a possibilidade de escolha dos professores é limitada, os educadores envolvidos com o uso do computador na escola devem fornecer aos professores uma lista de softwares disponíveis, de forma sistemática, compreensiva e descritiva para que eles possam selecionar quais pretendem fazer uso.

Existem editores de software com alto padrão de profissionalismo, que cuidadosamente depuram seus produtos antes da publicação e que fornecem documentação feita por educadores para a escola e professores. Com isso é importante que os que fazem uso do software educacional desenvolvam estratégias para que possam adquirir software de boa qualidade e promovam o desenvolvimento contínuo do padrão de qualidade.

Ao fazer a escolha do software é preciso fazer algumas considerações:

·         quanto ao conteúdo se atende as necessidades de seu objetivo curricular, se tem relevância pedagógica, se os objetivos do programa são claros, qual a natureza do feedback fornecido aos alunos.

·         o software permite modificações a fim de atender às necessidades individuais dos alunos, o software é auto-suficiente ou ele necessita da intervenção do professor, o programa pode ser utilizado em várias situações de sala de aula (individual, pequeno ou grande grupo), o programa passa por várias formas de aprendizagem (visual, auditiva, numérica, verbal).

·         na operação do programa, como é tratado os erros dos usuários, qual o controle que o usuário tem dá operação do programa, se existe um bom manual tanto para o professor e quanto para o aluno, se o programa usa as capacidades gráficas, sonoras e de cor.

·         no resultado com os alunos, se é fácil o uso pelos alunos, se é um programa interessante para os alunos, se os recursos computacionais são utilizados adequadamente.

Todos estes questionamentos se fazem necessários pois ao adquirir um software educacional, ele vai estar norteando o fazer pedagógico do professor e possibilitando novas conquistas por parte dos alunos, desenvolvendo o raciocínio lógico, habilidades, criatividade, que o ajudarão a crescer mental e intelectualmente.

A LINGUAGEM LOGO

A linguagem LOGO teve sua origem no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, na década de 70.

Esta é uma linguagem que foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores que tinham na liderança o professor e pesquisador Seymour Papert.

Através da sua utilização e inúmeras pesquisas Papert conseguiu dar a linguagem LOGO uma estrutura filosófica, sendo ele hoje considerado o pai do LOGO.

A sua principal característica está no fato de ser uma linguagem de fácil assimilação que permite a exploração de atividades espaciais, tem uma fácil terminologia e possibilita a criação de novos termos ou procedimentos.

A linguagem de computação LOGO é formada por uma parte de texto e outra gráfica. A parte gráfica é composta por um conjunto de comandos, entre eles comandos básicos de deslocamento e de giro:

FD - para frente

BK - para trás

LT - esquerda

RT - direita

RG - restaura gráfico

Estes comando se dirigem a um pequeno triângulo luminoso na tela, que Papert (1986) denominou como Tartaruga.

A proposta é utilizar as atividades espaciais no comando da Tartaruga e fazer com que ela se mova no espaço e atividades de desenhar na tela do computador, desenvolvendo assim atividades gráficas.

Através do contato e identificação com a Tartaruga a criança começa a fazer projeções de acordo com a perspectivas do animalzinho. Ao levar a Tartaruga a se movimentar-se a criança vai trabalhando conceitos espaciais, como por exemplo distâncias, ângulo reto, sendo que no processo de comandar a Tartaruga esses conceitos devem ser explicitados, para que a criança possa desenvolver estes conceitos, exercitá-los e utilizá-los nas mais diversas situações.

Através da identificação e associação física entre a criança e a Tartaruga, é criado uma espécie de laço cognitivo, e ensinando a Tartaruga a pensar a criança vai descobrindo como ela mesma pensa.

Ao utilizar uma terminologia simples e fácil para os comandos, a criança vai interagindo com o computador, assimilando estes termos e ao mesmo tempo desenvolvendo atividades computacionais.

A linguagem LOGO possui também comandos que trabalham com as palavras ou conjunto de palavras. Através destes comandos possibilita a criança a criar frases, poemas, usar concordância verbal , e juntamente com a parte gráfica e as palavras e frases ela pode criar estórias, narrativas com personagens animados. Existem ainda comandos que fazem a emissão de sons, através dos quais é possível desenvolver conceitos musicais e a criação de sons.

LOGO é considerada uma linguagem simples e poderosa, é fácil de ser utilizada, pessoas de qualquer idade podem fazer uso dela, ao mesmo tempo tem recursos sofisticados para atender as mais diversas exigências.

Uma outra característica importante da linguagem LOGO é que é acessível as crianças, o que possibilita a criação de novos termos e procedimentos permitindo que a criança crie seus próprios termos e possa expandir a sua capacidade de linguagem, sendo que com o passar do tempo a criança tem uma linguagem de comunicação com o computador que é bem própria, e através dela estará expressando a sua maneira de pensar.

O objetivo do LOGO está na filosofia de seu uso, que é a facilitação e assimilação de conceitos que envolvem as atividades desenvolvidas.

Um aspecto fundamental do LOGO é que frente ao computador não é ele quem programa a criança, mais sim ela que está no seu controle e o programa, enquanto que o adulto tem o papel de facilitador.

O LOGO é uma linguagem que propicia à criança as condições para que ela aprenda com seus próprios erros, e o erro não é tido como uma punição, mais sim como uma situação através da qual a criança poderá entender melhor as suas ações e conceitualizações.

A FILOSOFIA DO LOGO

Na filosofia LOGO se procura resgatar, o conhecimento através da interação com objetos do ambiente, o desenvolvimento espontâneo da inteligência, a aquisição de idéias intuitivas sobre um determinado conceito.

No LOGO, a Tartaruga é o objeto manipulável, por exemplo ao deslocar a Tartaruga a um determinado número de passos e girá-la, faz com que a criança tenha idéias intuitivas sobre espaço. Este conjunto de comandos feitos com a Tartaruga mostra qual seria o comportamento da criança nesta situação e ela desenvolve noções e necessidades para soluções de problemas.

No LOGO a criança é quem controla todo o processo da maneira como ela deseja, não com padrões pré-estabelecidos pelo professor. O papel do professor é muito importante, ele pode propor projetos e ajustá-lo ao nível de cada um, fornecendo novas informações, trabalhando os conteúdos de acordo com as atividades, mas contudo o interesse e a motivação da criança devem prevalecer.

Um aspecto importante é o fato de no LOGO a criança aprender com o erro, o que dá a oportunidade para a criança entender porque errou e buscar uma nova resolução para o problema. Então podemos dizer que a aprendizagem no ambiente LOGO é feita através da interação da criança com o computador, da busca da solução para os problemas, do trabalho em conjunto do professor e do aluno, e da estimulação da criatividade e do pensamento.

O LOGO E A CRIANÇA ESPECIAL

Na nossa sociedade existe uma parcela de pessoas que por apresentarem problemas de deficiências auditivas, visuais, físicas e mentais, necessitam de uma educação diferenciada, uma educação especial que atenda as necessidades individuais de cada uma, de acordo com o seu problema e grau de deficiência. Essas pessoas com deficiências tem dificuldades que limitam sua capacidade de interagir com o mundo. As deficiências apresentadas impede que elas desenvolvam certas habilidades que formam a base do processo de aprendizagem.

Isso requer um trabalho desenvolvido por profissionais especializados que atendam em locais adequados, com materiais pedagógicos próprios, com um currículo específico para que se possa entender e avaliar a capacidade individual de cada um, possibilitando uma evolução gradativa do desenvolvimento destas pessoas e com isso alcançar bons resultados.

Existem diversas metodologias de ensino que são usadas na educação especial e também várias maneiras de se usar o computador nesta educação, Papert propõe o ambiente LOGO que é uma linguagem de computador que permite o desenvolvimento de uma metodologia de ensino-aprendizagem e que segue a abordagem construcionista, onde o computador tem uma função específica no processo de construção do pensamento.

No Brasil, José Armando Valente, coordenador do Núcleo de Informática Aplicada a Educação, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), vem desenvolvendo um projeto que tem como objetivo principal o uso intensivo da metodologia do LOGO na educação de crianças com deficiências físicas, auditivas e paralíticos celebrais. Este trabalho recebe o nome de "Uso da Informática na Educação Especial" e teve início em 1985.

Existe ainda um outro projeto que é o EDUCOM cujo o objetivo é o desenvolvimento de pesquisas e metodologias sobre o uso da Informática na Educação. O EDUCOM teve início em 1983, visando o desenvolvimento dos seus trabalhos em escolas públicas, com atividades de elaboração e avaliação de software educativos, ensino de informática, atividades LOGO e também a formação de profissionais para atuarem na área de informática e educação.

Um dos métodos de educação especial está baseado na abordagem construcionista, onde aluno é quem constrói o seu próprio aprendizado, a partir de ações físicas ou mentais que ele exerce no ambiente onde vive. O aluno não deve ser ensinado mas deve-se oferecer a ele condições para que ele aprenda. O elemento importante desse processo é ação física e mental que o aluno faz em busca da construção do seu conhecimento.

O ambiente do aprendizado deve ser motivador, interessante, rico em atividades, conceitos e cabe ao professor a tarefa para que este ambiente seja e permaneça dessa maneira, as atividades devem ser trabalhadas de forma que levem o aluno a desafiar a sua capacidade intelectual e emocional.

Mais do que qualquer outro indivíduo o portador de deficiência precisa de apoio, atividades, recursos, ferramentas especiais que o ajudem a ter uma vida normal.

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