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EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO |
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28.03.01 - 28.03.03 |
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| PREDOMÍNIO DO SENTIDO
INTERIOR
Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo" (1910?)
Era eu um poeta estimulado pela filosofia e não um filósofo com faculdades poéticas. Gostava de admirar a beleza das coisas, descobrir no imperceptível, através do diminuto, a alma poética do universo. A poesia da terra nunca morre. (...) A poesia encontra-se em todas as coisas - na terra e no mar, no lago e na margem do rio. Encontra-se também na cidade - não o neguemos - é evidente para mim, aqui, enquanto estou sentado, há poesia nesta mesa, neste papel, neste tinteiro; há poesia no barulho dos carros nas ruas, em cada movimento diminuto, comum, ridículo, de um operário, que do outro lado da rua está pintando a tabuleta de um açougue. Meu senso íntimo predomina de tal maneira sobre meus cinco sentidos que vejo coisas nesta vida - acredito-o - de modo diferente de outros homens. Há para mim - havia - um tesouro de significado numa coisa tão ridícula como uma chave, um prego na parede, os bigodes de um gato. Há para mim uma plenitude de sugestão espiritual em uma galinha com seus pintinhos, atravessando a rua, com ar pomposo. Há para mim um significado mais profundo do que as lágrimas humanas no aroma do sândalo, nas velhas latas num monturo, numa caixa de fósforos caída na sarjeta, em dois papéis sujos que, num dia de ventania, rolarão e se perseguirão rua abaixo. É que a poesia é espanto, admiração, como de um ser tombado dos céus, a tomar plena consciência de sua queda, atônito diante das coisas. Como de alguém que conhecesse a alma das coisas, e lutasse para recordar esse conhecimento, lembrando-se de que não era assim que as conhecia, não sob aquelas formas e aquelas condições, mas de nada mais se recordando. |
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É preciso olhar bem a força da palavra. Vê-la por dentro. Descobrir-lhe a luz e ainda e sempre a outra face que esconde. Maria Rosa Colaço
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"A obra de um verdadeiro poeta é a imagem viva, palpitante, dinâmica e expressiva de seu tempo. Mas é, também, o seu auto-retrato permanente e total." Eugênio Evtuchenko
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A poesia surge do mais inesperado solo...Ele continua a arrebentar rochas e rachar poemas. T.S. Eliot
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O poema é feito de palavras necessárias e insubstituíveis. Octavio Paz
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POESIA J.G. De Araujo Jorge
Flor de insondável mistério que brota do coração, e abre as pétalas de etéreo no céu da imaginação. ( Fonte: J.G. de Araujo Jorge - Amor em Fá Maior - Ed. Bloch, 7º edição, 1973 )
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O POETA Paul Laurence Dunbar (1872-1904) Tradução do Inglês: Jean-Pierre Barakat, 08.03.2003
Cantou sobre a vida, sereno e doce, Com, vez por outra, mais ima nota. De certa crista, rente mas remota, O cativante ritmo do mundo ele trouxe. Cantou o amor pela terra adolescente, E o mesmo Amor, estava ali por perto. Mas o mundo, esse, exaltou desperto Uma rima numa linguagem incoerente. |
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THE POET Paul Laurence Dunbar (1872-1904)
He sang of life, serenely sweet, With, now and then, a deeper note. From some high peak, nigh yet remote, He voiced the world's absorbing beat. He sang of love when earth was young, And Love, itself, was in his lays. But ah, the world, it turned to praise A jingle in a broken tongue ( Fonte: Página "Poetry Archives" http://www.emule.com/poetry/?page=poem&poem=4826)
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Poema Orides Fontela
Saber de cor o silêncio diamante e/ou espelho o silêncio além do branco.
Saber seu peso seu signo - habitar sua estrela impiedosa.
Saber seu centro: vazio esplendor além da vida e da vida além da memória.
Saber de cor o silêncio
- e profaná-lo, dissolvê-lo em palavras.
( Fontes: Página "Refúgio da poesia" http://www.terravista.pt/Guincho/2482/orides.htm e "Poetas Contemporâneos" antologiados por Henrique L. Alves, Roswitha Kempf Editores, 1985 )
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Lílian Maial |
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Folha Negra
A folha negra molhada, presa, isolada no galho, tinha a sua haste envergada e um certo brilho dourado. |
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Ao sol, não evaporava a água que a escurecia, nem por tampouco oscilava com a brisa que lhe varria.
Mas eis que a mãe natureza, em seus encantos comporta revés de olhar amador. |
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Ao invés da folha morta em elegante leveza voou livre um beija-flor.
Lílian Maial |
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Posta tuas letras sobre as minhas |
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Posta tuas letras sobre as minhas compõe comigo o futuro que o tempo e a distância se apagam quando lambes meus versos. Posta tuas letras sobre as minhas e deixa que o vento as espalhe como a música que pulsa em meu peito |
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como o eco impaciente que repete as horas. Lílian Maial |
| THA©KYN | |
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Ensinar Línnnguas... |
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Tenho a competência lingüística para te fazer gozar |
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Sim. (Ensino línguas)... Ensino e necessito da aquisição da segunda língua: a tua ó dama estrangeira que vive à beira de um ataque de neologismo semântico. Vive atrás de um verso romântico. Enquanto soletro em versos arrimados o letramento excitante. Letrando-te na arte mais lasciva que ao mortal permite-se: a doce arte do interagir. Mas de um interagir de corpos e almas. O interagir externo e interno. Na troca de fluídos, letrado fico na arte e no amor... Linguagens: Ensino. E preciso ter O sabor lente das línguas. Vivo a ensinar letras vivas que cantam. Soletro versos rimados letras excitantes, letrando. |
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Gênesis Poética
A poesia vive em mim vadia
brota como semente perdida
Fugidias palavras
Termos e idéias
Faço dos poemas
um veículos sem rodas
engenho e arte
nas pequenas obras
Rabisco no céu como nuvens
no lume do papel
a tinta o estrume
adubando a mente
na ausência de idéia
na obediente ordem da colméia
Escrevo o que penso lágrima e lenço
da ladainha ao contínuo "terço"
Teço a teia da inflamada veia
para degustar na noturna ceia...
Pinto-te, ó musa, em tela branca e
pautada
no amor recitado na transa ensaiada...
Na retórica melosa o beijo e rosa
da imagem em movimento fêmea fogosa...
Canto-te e convido-te para dança
no sussurrar de molhada palavra mansa...
Cubro-te papel objeto em desuso
no vil poema novo recluso
No frio da tela acendo luz e vela
enquanto perdidas almas dançam de fronte
a tela...
Exculpo-te poema em pedra
no pergaminho o mandamento:
Embeleze a vida do nobre ser Poeta,
deste desvie toda dor e seta...
Leis e normas rasgo-as com força
na emocional razão ditada forca.
Se amor falo em versos feito em candura
no deleite da noite sangue quente é cura.
Poeta, seja o céu pequeno e a terra
finita
enquanto livres andar por essa eterna
vida.
THA©KYN - 03/03/2003
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Luiz Delfino |
| As cores da minha rima
Luiz Delfino & Ilze Moreira 17.10.2001 |
As cores da minha memória rimam
num sopro que se evola de meu ser e brilham mais que um maior querer onde pela escuridão não primam
cores que na noite o pranto encanta
cores que no dia faz cair estrelas cores da nostalgia... hei de descrevê-las cores que do meu Sol o som alcança...
cores de cor tingida... amargurada
que se inebria no suscitar de amores ao som do rádio em minha madrugada
E no som da cor da manhã tingida
eu risco meus sonhos na amena brisa que leva o troar da rima perdida |
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Soneto Final Disseram-me que não sei fazer poemas,
que o livro que escrevi não vale nada,
que os versos que tentei são só palavras
da mente que me tem abandonada.
Fiquei entristecido - muito infeliz,
pois tudo o que grafei teve sentido,
do amor, do medo dor e das amadas,
e deste coração sempre partido.
No ato então me ponho em clausura,
e fico com esta escolha, embora brusca,
de versos não fazer com eloqüência.
Mas se me atrever com uma
rasura,
que venha com meu nome subscrito
desculpas já vos peço.. com
anuência
Luiz Delfino
20.11.2001
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