RPG - A Arte de Contar Histórias
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Se você não conhece RPG, continue lendo. Mas se já está familiarizado, clique aqui. |
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| Afinal, que raios é RPG? |
Provavelmente, enquanto você estava no cinema, entupindo-se de pipoca e refrigerante enquanto a mocinha andava pé ante pé rumo aquela porta misteriosa, já gritou: "Não faz isso, sua imbecil!" ou pensou em milhões de alternativas diferentes. Pois bem! Chegou sua hora de descer o sarrafo no vilão. O RPG introduz um novo tipo de conceito nos jogos de mesa: o teatro. A explicação mais básica e que provavelmente você já deve ter ouvido é a do "mocinho e bandido". Mas, vamos pular essa parte e e ir direto ao ponto. RPG é uma história interativa. Se destrincharmos a palavra, encontraremos as siglas em inglês: Role Playing Game. A tradução que temos não é literal, já que não existe nada similar no português. Mas o que mais se aproxima é: Jogo de Interpretação de Papéis. Não há nada adaptado a nossa língua, então, contentemo-nos com RPG. E não se espante digitar no Yahoo RPG e aparecerem coisas como Reeducação de Postura Global (sim, isso existe!) nem Rocket Propulsed Grenades, por mais que Duke Nukem lhe agrade. Voltando: no RPG não basta contar uma história. É preciso dar um rumo a ela, e nexo. Imaginemos quatro amigos se reunindo para jogar. Um deles, necessáriamente, deve ser o Mestre de Jogos, ou Narrador. O papel do narrador é contar a história e controlar os "coadjuvantes". Ele, literalmente, brinca de deus. Enquanto ele conta, os jogadores escolhem para onde seus personagens vão, o que fazem, o que dizem, etc. O narrador faz o papel de todos os outros personagens secundários. Tudo isso com algumas regras, para que não vire zona total. Seu personagem tem uma ficha que o mede em força, inteligência, agilidade, e coisas assim, bem como os itens que possui. |
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Contar histórias é uma arte? |
CLARO! Muita gente já abandonou o RPG por mestres de jogos incompetentes. No RPG, como já dito, o narrador se torna um deus. O deus de seu mundo. Lá, acontece o que ele quer, quando ele quer, porque ele quer. Se ele quer acabar com o mundo com uma chuva de meteoros, pouf! Lá se vai nosso mundinho. Mas... cadê a graça nisso? Provavelmente esse narrador ou perdeu uma tarde e jogou fora a paciência de alguns amigos ou apanhou feio. Como um deus, você deve cuidar da sua criação. Deve cuidar para que cresçam, que encontrem pessoas interessantes, tenham desafios, vençam e percam. É como ver TV: você vê, mas se não gosta e não lhe prende a atenção, é muito fácil largar. Uma campanha de RPG tem que ter vida. Você precisa convencer seus jogadores que, em algum lugar, em alguma dimensão, lá estão os personagens, interagindo, comendo, indo ao banheiro, dormindo, enquanto eles não estão jogando com eles. O RPG costuma ser fascinante e empolgante quando bem elaborado. A escolha do tema, o clima, são todos fatores que devem ser estudados um pouquinho se você quer uma campanha que não seja um porre. De nada adianta você reunir um bando de góticos para jogarem "O Desafio dos Bandeirantes". É também uma questão de bom senso. Os personagens que os jogadores encontram devem ser, assim como o mundo, fascinantes. Imagine-os como pessoas de verdade, que tem medos, defeitos, virtudes, dúvidas e certezas. Nada é perfeito. As vezes, um simples mal humor já se torna uma característica. E lembre-se: um personagem é um personagem. Não é você, nem um ser vivo. Nunca leve nada que acontece ao seu personagem a sério. Afinal, ele só existe nessa dimensão imaginaria! Mas não faça isso sempre. Tenha em mente que: o inesperado, muitas vezes pode se tornar banal. Você não precisa surpreender toda vez. É uma questão de bom senso mínimo, e plausividade na história. |
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Criação: a beleza do começo, meio e fim |
Um método constantemente usado pela maioria é o da inspiração. Você vê um filme, lê um livro ou uma história, e se inspira para criar outra. Ótimo! Fontes de inspiração estão constantemente brotando aos montes nos cinemas, nas páginas de livros, até mesmo em jornais cotidianos, porque não? A inspiração, é valida. Mas a cópia, não. Eu SEMPRE (e faço questão de colocar o SEMPRE em letras garrafais) desencoragei meus jogadores a copiarem personagens e histórias. Por mais que o Wolverine seja um personagem maneiro e muito copiado, e que o Gambit tenha estilão, ou que ainda a Sakura arrebente, deixe eles nos seus respectivos mundos, nas mãos de seus respectivos roteiristas. O RPG, antes de mais nada, é um excelente estímulo a criatividade. Com o tempo, jogador ou mestre irão perceber como as idéias surgem. Você pode criar um personagem que tenha um jeito que lembre o Gambit, ou use roupas parecidas com o Squall. Mas não crie, por favor, o Squall. Não, nem o Gambit! Estimule sempre o seu cérebro. Vasculhe, procure, tente. Não se conforme em pensar "não sou bom pra essas coisas". Sempre há uma fagulha de imaginação, esperando ser acordada. O cenário, não precisa ser complexo de início. Crie uma ou duas cidades, e com o tempo, novas vão aparecendo. Quando menos esperar, já tem um continente em mãos. E com a experiência de jogo, logo você vai dar valor a um dos resultados mais interessantes dessa tramóia toda: O improviso. Os jogadores frequentemente aparecerão com situações que você nem sequer sonhou um dia. Os mestres costumam inventar situações que os jogadores se entreolham sem saber o que dizer. Mas, é preciso para isso uma reação rápida e criativa. É ai que entra a magia do improviso. A resposta veloz e boa para um acontecimento inesperado. Logo, ficará tão treinado com isso que simplesmente fluirá naturalmente. |
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Regras - Mal necessário |
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Tudo isso tem uma base. Você não pode exceder limites somente porque acha que deve. É necessário saber o quão forte e hábil é seu personagem, para não estrapolar. Quando é necessário saber se seu personagem sabe nadar, ou se consegue erguer o pesado bloco de concreto, é sempre bom olhar para os números da planilha. Sempre há uma pessoa que vai querer fazer de tudo e ser o rei da cocada preta. A planilha está ai para balancear o jogo. Existem jogos com toneladas de regras, que tornam o jogo o mais realista e detalhado possível. E tamvém existem os mais simples, que, após dez minutos de criação de personagens, você já pode sair jogando. É tudo uma questão de gosto do freguês. |
Resumindo: RPG é uma forma de entretenimento, que, dependendo como usada, pode ser uma reunião de amigos para boas risadas, um momento cultural ou mais um dia de baderna!
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