O inseto cuja aparência é de maior devoto do mundo, tem que ser o Louva-a-Deus. Com as patas dianteiras, costumeiramente posicionadas de forma a sugerir as mãos juntas de um devoto, ele se tornou o inseto mais referido em todas as artes marciais. Este inseto se tornou tão venerado, não por causa da sua aparente aura de religiosidade, mas, por causa de sua reconhecida ferocidade , combatividade e tenacidade de vida. Há trezentos e cinqüenta anos atrás um mestre de luta, Wang Lang, exaltava a pequena mas ativa criatura, criando o estilo Louva-a-Deus de auto defesa. De qualquer forma, se não fosse por uma série de derrotas humilhantes sofridas por Wang, o Louva-a-Deus ( Mantis : do grego palavra para divino ou profeta ) poderia ter sido esquecido ou ignorado. O Mestre de Louva-a-Deus Chao Tsu Tse nos conta que Wang Lang foi um lutador de espada de superior qualidade, que aprendeu a ser invencível, mesmo ouvindo os outros clamarem que os monges Shaolin eram inconquistáveis nas artes marciais. Determinado a tirar este estigma da crença popular, Wang foi ao Templo Shaolin e publicou um desafio aos monges para testar suas habilidades contra ele, em duelo amigável. Devido a sua insistência repetitiva, o monge mestre permitiu a Wang ter o seu desejo realizado. Um monge novato foi enviado para lutar contra ele. Para a surpresa e vexame de Wang, ele foi decisivamente derrotado por um noviço. Se resguardando isoladamente nas montanhas, Wang estava determinado a provar suas habilidades aos monges. Ele treinou diligentemente seu estilo "Caminho da Espada"( Tsien Tao ) enquanto ao mesmo tempo, constantemente se exercitava e fortalecia seu corpo. Ele voltou ao monastério convencido que estava pronto a mostrar aos monges sua superioridade, agora obtida. Os monges aceitaram mais uma vez o convite para contestar suas habilidades. Novamente ele enfrentou o monge mais novo. Com um sentimento de entusiasmo ele venceu o jovem monge principiante. Derrotou ainda outro monge, de baixa graduação, e outro de categoria mais elevada. Wang estava começando a sentir confiança em sua invencibilidade até que enfrentou o monge mestre. Com a ordem Shaolin observando, Wang não foi capaz de tocar o mestre. Foi totalmente derrotado. Novamente, para tratar de seu corpo e do seu orgulho ferido, Wang desapareceu na floresta para contemplação. Um dia, enquanto descansava debaixo de uma árvore, Wang ouviu a longa nota aguda de uma cigarra em um galho baixo no arbusto acima dele. Olhando silenciosamente para o alto, Wang reparou em um frágil, com aparência quase quebradiça, Louva-a-Deus engajado em uma luta de vida ou morte com a grande cigarra. A cigarra estava fazendo o máximo, sua cabeça contra o Louva-a-Deus quase o imobilizava com sua tenacidade . Foi quando o Louva-a-Deus reagiu com ferocidade usando sua forte virada de patas e mordendo a boca para agarrar a robusta cigarra e desfazer-se da posição em que estava. O carnívoro Louva-a-Deus consumiu a sua vítima. Altamente impressionado com o que vira, Wang decidiu capturar o inseto vitorioso e então observar os seus movimentos defensivos e ofensivos. Usando um graveto de pequeno comprimento, ele cutucava e provocava o Louva-a-Deus em todas as direções. Invariavelmente, o Louva-a-Deus, com sua cabeça capaz de virar para qualquer direção, se defendia efetivamente quando provocado de frente ou de costas. O perseverante inseto tornou-se a nova inspiração de Wang para o seu novo sistema de combate. Com cuidado meticuloso, ele ordenava os movimentos defensivos e ofensivos do inseto em uma arte de luta humana. Ele a dividiu em três principais categorias : Peng Pu, método importante de bater ou tirar o antagonista de seu balanço, Lan T'seh, usado para restringir ou reduzir a força do oponente, e Pa Tsou, a defesa "oito cotovelos". Depois de sua preparação pessoal concentrada e fixa, ele finalmente acreditou que estava preparado para testar seu novo estilo de luta contra o mestre dos monges. Armado com seus movimentos inspirados no Louva-a-Deus, Wang extraordinariamente derrotou o mestre dos monges com suas táticas de inseto selvagem nunca antes usadas por um homem. Os monges, respeitosamente, aceitaram a sua derrota mesmo com surpresa e procuraram aprender o novo e estranho sistema. A palavra de sua vitória se espalhou pelas províncias. Wang Lang era o novo herói das artes marciais. Ele logo foi rodeado por discípulos. O sonho das artes marciais de Wang Lang foi finalmente realizado. Sua escola de auto defesa do Louva-a-Deus se tornou extremamente proeminente no Nordeste da China, considerada por alguns como sendo a maior durante seu tempo de vida. O venerável Wang morreu anos mais tarde, feliz e famoso mestre de luta. De qualquer forma, sua cuidadosa herança do estilo Louva-a-Deus se dividiu na dinastia Ch'ing quando quatro discípulos, cada um desejando inovações e procuraram se desligar da escola fundadora. O Mestre Louva-a-Deus disse então que, seus desejos poderiam ser satisfeitos com uma condição, que cada discípulo nomeasse seu sistema individualmente, de acordo com as marcas das costas de um Louva-a-Deus capturado por cada um. Um tinha a aparência do símbolo Yin-Yang ( Tai T'si ), outro parecia com uma flor de ameixa ( Mei Hua ) e no outro, um conjunto de marcas que tinham a aparência de sete estrelas ( Tsi T'sing ) . Houve um Louva-a-Deus que não tinha marca aparente. Este estilo ficou conhecido como estilo despido ( estilo sem marca - Kwong P'an ). Após ter sido desenvolvida e difundida como uma variação de diferentes ramificações do estilo do Louva-a-Deus, foi interpretado que o Estilo Sete Estrelas do Louva-a-Deus (Bak Fan Sil Lum Chut Hi-Sing Tong Long Pai) é nome dado a um fenômeno celestial de brilho intenso de onde se traduz que discípulos do Estilo Sete Estrelas do Louva-a-Deus se espalhem por todo o mundo. O básico deste estilo compreende as sete estrelas clássicas na astrologia chinesa. Enquanto todas as ramificações cansam ao emitir a força do tórax, esta escola é de estilo suave, e utiliza mais evasivas ao invés de ataques e confrontos diretos. Engloba estratégias de uso dos punhos, assim como três ou cinco socos em seqüência; usando punhos fechados ao invés de mãos abertas. Combina três princípios Yin e três Yang para absorver ou evadir suavemente de um ataque e atacar de uma maneira dura. O mais predominante estilo da família do Louva-a-Deus, trabalha em distâncias curtas e utiliza amplamente o impacto dos cotovelos. Transições são mais complexas que outros estilos, utilizando truques para conseguir distâncias curtas para posicionamento de ataques. Se utiliza de técnicas de segurar agarrar, técnica utilizada no Aikido. Golpes com as costas do punho são comuns, e este estilo tem como característica quebrar ao invés de atingir ( Ch'in Na) A ênfase aqui é na aderência das mãos, colocando o oponente num ponto mais vulnerável. Detectar os movimentos do inimigo em uma posição de ataque. Chutes são rápidos e baixos, raramente acima dos joelhos. Adeptos são ensinados a utilizar mais os chutes ao invés das mãos. Todos os ataques são dotados de grande força interior, utilizando um ataque penetrante ao invés de impacto de superfície. Evasivas são mais utilizadas do que os bloqueios (guardas) e a força é gerada do solo ao invés do desperdício de técnica. Comuns a todos os estilos do Louva-a-Deus, está a utilização da pinça, as mão são dobradas para baixo imitando as duas pinças do inseto Louva-a-Deus. É normalmente utilizada para atingir, bloquear e evadir. Os adeptos mais avançados aprendem a trancar (travar) o oponente para assim se valer das principais técnicas, mas nunca mantendo um poder de aderência (contato) muito grande. Deste modo, o adepto pode tomar o caminho do ataque enquanto o oponente recua, ou a pinça do Louva-a-Deus solta o oponente permitindo-lhe a queda e o desequilíbrio. O estilo Louva-a-Deus ainda pode causar a fratura de juntas, particularmente na altura dos cotovelos. Ironicamente, a maioria das técnicas onde se pode fraturar, são aplicadas com os cotovelos, mas a "estrela da palmeira" é também utilizado. Devido a este estilo ter sido inventado para sobrepor os estilos convencionais do Norte, era ensinado aos adeptos mais avançados no Templo. Esta consideração ao estilo do Louva-a-Deus só serviu para aumentar o respeito ao novo estilo radical , e por esta razão ser mestre neste estilo requer muito empenho.
O Louva-a-Deus é um estilo que tem como característica a utilização da pinça de Louva-a-Deus em ataques curtos e rápidos visando atingir pontos vitais de seu oponente sem que ele possa se defender. A luta do inseto (por ser pequeno) é baseado na teoria de ir atingindo o adversário em vários pontos até que ele caia. Utilizam-se menos chutes, porém é rápido em dar rasteiras e desiquilibrar o oponente através das pernas.
