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Fábrica
Daniel
na Cova dos Leões
A
Canção do Senhor da Guerra
O
Teatro dos Vampiros
Ainda
é Cedo
Gimme
Shelter (Mick Jagger / Keith Richards)
Baader-Meinhof
Blues
A
Montanha Mágica
You'
ve Lost That Lovin 'Feelin' (Barry Man / Cynthia Weil / Phil Spector)
Jealous
Guy (John Lennon)
Ticket
To Ride (Lennon / McCartney)
Eu
sei
Índios
A
Dança
Mais
do Mesmo
Soldados
Blues
da Piedade (Frejat / Cazuza)
Faz
Parte do Meu Show (Renato Ladeira / Cazuza)
Nascente
(Flávio Venturini / Murilo Antunes)
Música
Urbana 2
On
the Way Home (Neil Young)
Maurício
Há
Tempos
Pais
e Filhos
Stand
By Me (King / Leiber / Stoller)
Faroeste
Caboclo
Exit
Music: Rhapsody in Blue (George Gershwin)
Nosso dia vai
chegar, teremos nossa vez.
Não
é pedir demais:
Quero justiça,
quero trabalhar em paz.
Não
é muito o que lhe peço
Eu quero trabalho
honesto
Em vez de escravidão.
Deve haver
algum lugar
Onde o mais
forte não consegue escravizar
Quem não
tem chance.
De onde vem
a indiferença
Temperada a
ferro e fogo?
Quem guarda
os portões da fábrica.
O céu
já foi azul, mas agora é cinza
E o que era
verde aqui já não existe mais.
Quem me dera
acreditar
Que não
acontece nada de tanto brincar com fogo.
Que venha o
fogo então.
Esse ar deixou
minha vista cansada,
Nada demais.
Aquele gosto amargo do teu corpo
icou na minha
boca por mais tempo:
De amargo e
então salgado ficou doce,
Assim que o
teu cheiro forte e lento
Fez casas no
meu braço e ainda leve
E forte e cego
e tenso fez saber
Que ainda era
muito e muito pouco.
Faço
nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o
instinto dissonante.
A insegurança
não me ataca quando erro
E o teu momento
passa a ser o meu instante.
E o teu medo
de ter medo de ter medo
Não
faz da minha força confusão:
Teu corpo é
o meu espelho e em ti navego
E sei que a
tua correnteza não tem direção.
Mas, tão
certo quanto o erro de ser barco a motor
E insistir
em usar os remos,
É o
mal que a água faz, quando se afoga
E o salva-vidas
não está lá porque não vemos.
Uma menina me
ensinou
Quase tudo
que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me
tratava como um rei
Ela fazia muitos
planos
Eu só
queria estar ali
Sempre ao lado
dela
Eu não
tinha aonde ir
Mas, egoísta
que eu sou,
Me esqueci
de ajudar
A ela como
ela me ajudou
E não
quis me separar.
Ela também
estava perdida
E por isso
se agarrava a mim também
E eu me agarrava
a ela
Porque eu não
tinha mais ninguém
E eu dizia:
- Ainda é cedo.
Sei que ela
terminou
O que eu não
comecei
E o que ela
descobriu
Eu aprendi
também, eu sei.
Ela falou:
- Você tem medo.
Aí eu
disse: - Quem tem medo é você.
Falamos o que
não devia
Nunca ser dito
por ninguém
Ela me disse:
Eu não
sei mais o que eu sinto por você.
Vamos dar um
tempo, um dia a gente se vê.
E eu dizia
: - Ainda é cedo.
A violência
é tão fascinante
E nossas vidas
são tão normais
E você
passa de noite e sempre vê
Apartamentos
acesos
Tudo parece
ser tão real
Mas você
viu esse filme também.
Andando nas
ruas
Pensei que
podia ouvir
Alguém
me chamando
Dizendo meu
nome.
Já estou
cheio de me sentir vazio
Meu corpo é
quente e estou sentindo frio
Todo mundo
sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar
o próximo é tão demodé.
Essa justiça
desafinada
É tão
humana e tão errada
Nós
assistimos televisão também
Qual é
a diferença?
Não
estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado
é independente.
Sou meu próprio
líder: ando em círculos
Me equilibro
entre dias e noites
Minha vida
toda espera algo de mim
Meio-sorriso,
meia-lua, toda tarde.
Minha papoula
da Índia
Minha flor
da Tailândia
És o
que tenho de suave
E me fazes
tão mal.
Ficou logo
o que tinha ido embora
Estou só
um pouco cansado
Não
sei se isto termina logo
Meu joelho
dói
E não
há nada a fazer agora.
Para que servem
os anjos?
A felicidade
mora aqui comigo
Até
segunda ordem
Um outro agora
vive minha vida
Sei o que ele
sonha, pensa e sente
Não
é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia
do que faço
O que temos
é o que nos resta
E estamos querendo
demais.
Minha papoula
da Índia
Minha flor
da Tailândia
És o
que tenho de suave
E me fazes
tão mal.
Existe um descontrole
que corrompe
cresce
Pode até
ser, mas estou pronto
pra mais uma
O que é
que desvirtua e ensina?
O que fizemos
de nossas
próprias
vidas?
O mecanismo
da amizade,
A matemática
dos amantes
Agora só
artesanato:
O resto são
escombros.
Mas é
claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é
por isso que estamos aqui
Cada criança
com seu próprio canivete
Cada líder
com seu próprio .38
Minha papoula
da Índia
Minha flor
da Tailândia
Chega vou
mudar a minha vida.
Deixa o copo
encher até a borda
Que eu quero
um dia de sol n um copo dágua.
Sexo verbal
não faz meu estilo
Palavras são
erros e os erros são seus
Não
quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo
tentar descobrir
Porque é
mais forte quem sabe mentir
Não
quero lembrar que eu minto também
Eu sei
Feche a porta
do seu quarto
Porque se toca
o telefone pode ser alguém
Com quem você
quer falar
Por horas e
horas e horas
A noite acabou,
talvez tenhamos que fugir sem você
Mas não,
não vá agora, quero honras e promessas
Lembranças
e estórias
Somos pássaro
novo longe do ninho
Eu sei
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Ter de volta
todo ouro que entreguei
A quem conseguiu
me convencer
Que era prova
de amizade
Se alguém
levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Esquecer que
acreditei que era por brincadeira
Que se cortava
sempre um pano-de-chão
De linho nobre
e pura seda.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Explicar o
que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu
ainda está por vir
E o futuro
não é mais como era antigamente.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Provar que
quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre
se convence que não tem o bastante
E fala demais,
por não ter nada a dizer.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Que o mais
simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram
espelhos
E vimos um
mundo doente.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Entender como
um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo
Deus foi morto por vocês
Só maldade
então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo
e até sangrei sozinho.
Entenda assim
pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri
que é sempre só você
Que me entende
do início ao fim
E é
só você que tem a cura para o meu vício
De insistir
nessa saudade que eu sinto
De tudo que
eu ainda não vi.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Acreditar por
um instante em tudo que existe
E acreditar
que o mundo é perfeito
E que todas
as pessoas são felizes.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Fazer com que
o mundo saiba que seu nome
Está
em tudo e mesmo assim
Ninguém
lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera,
ao menos uma vez,
Como a mais
bela tribo, dos mais belos índios,
Não
ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo
e até sangrei sozinho.
Entenda assim
pude trazer você de volta para mim,
Quando descobri
que é sempre só você
Que me entende
do início ao fim
E é
só você que tem a cura para o meu vício
De insistir
nessa saudade que eu sinto
De tudo que
eu ainda não vi.
Nos deram espelhos
e vimos um mundo doente
Tentei chorar
e não consegui.
ão sei
o que é direito
Só vejo
preconceito
E a sua roupa
nova
É só
uma roupa nova
Você
não tem idéias
Pra acompanhar
a moda
Tratando as
meninas
Como se fossem
lixos
Ou então
espécie rara
Só a
você pertence
Ou então
espécie rara
Que você
não respeita
Ou então
espécie rara
Que é
só um objeto
Pra usar e
jogar fora
Depois de ter
prazer.
Você
é tão moderno
Se acha tão
moderno
Mas é
igual a seus pais
É só
questão de idade
Passando dessa
fase
Tanto fez e
tanto faz.
Você
com suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus
excessos
Mas não
tem mais dinheiro
Pra comprar
outra fuga
Sair de casa
então.
Então
é outra festa
É outra
Sexta-Feira
Que se dane
o futuro
Você
tem a vida inteira
Você
é tão esperto
Você
está tão certo
Mas você
nunca dançou
Com ódio
de verdade.
Você
é tão esperto
Você
está tão certo
Que você
nunca vai errar
Mas a vida
deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você
dançar.
Nós
somos tão modernos
Só não
somos sinceros
Nos escondemos
mais e mais
É só
questão de idade
Passando dessa
fase
Tanto fez e
tanto faz.
Você
é tão esperto
Você
está tão certo
Que você
nunca vai errar
Mas a vida
deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você
dançar.
Ei menino branco
o que é que você faz aqui
Subindo o morro
pra tentar se divertir
Mas já
disse que não tem
E você
ainda quer mais
Por que você
não me deixa em paz?
Desses vinte
anos nenhum foi feito pra mim
E agora você
quer que eu fique assim igual a você
É mesmo,
como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar
conta dos doentes?
E quando tem
chacina de adolescentes
Como é
que você se sente?
Em vez de luz
tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais
do mesmo
Não
era isso que você queria ouvir?
Bondade sua
me explicar com tanta determinação
Exatamente
o que eu sinto, como eu penso e como sou
Eu realmente
não sabia que eu pensava assim
E agora você
quer um retrato do país
Mas queimaram
o filme
E enquanto
isso, na enfermaria
Todos os doentes
estão cantando sucessos populares
(e todos os
índios foram mortos).
Em cima dos
telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os
mendigos com esparadrapos podres cantam música urbana,
Motocicletas
querendo atenção às três da manhã
É só
música urbana.
Os PMs armados
e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas
as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os
viciados sempre tentam conseguir a música urbana.
O vento forte
seco e sujo em cantos de concreto
Parece música
urbana.
E nos pontos
de ônibus estão todos ali: música urbana.
Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos
os lugares.
E mais uma
criança nasceu.
Não
há mentiras nem verdades aqui.
Só há
música urbana.
Já não sei dizer se
ainda sei sentir.
O meu coração já
não me pertence.
Já não quer mais
me obedecer.
Parece agora estar tão cansado
quanto eu.
Até pensei que era mais
por não saber que ainda sou capaz de acreditar.
Me sinto tão só e
dizem que a solidão até que me cai bem.
Às vezes faço planos.
Às vezes quero ir para algum país distante
e voltar a ser feliz.
Já não sei dizer
o que aconteceu.
Se tudo que sonhei foi mesmo um
sonho meu.
Se meu desejo então já
se realizou.
O que fazer depois, pra onde é
que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim.
Parece cocaína, mas é
só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço
e da solidão.
E o descompasso e o desperdício
herdeiros são agora da virtude
que perdemos.
Há tempos tive um sonho
não me lembro não me lembro.
Tua tristeza é tão
exata e hoje o dia é tão bonito.
Já estamos acostumados a
não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos
vão. O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse
força igual
à imensa dor que sentes
teu grito acordaria não só a tua casa
mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos
têm ao certo a medida da maldade.
Há tempos são os
jovens que adoecem.
Há tempos o encanto está
ausente
e há ferrugem nos sorrisos
e só o acaso estende os braços
a quem procura abrigo e proteção
Meu amor, disciplina é liberdade.
Compaixão é fortaleza.
ter bondade é ter coragem.
E ela disse: - Lá em casa
tem um poço mas a água é muito limpa.
Estátuas e cofres e paredes
pintadas ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto
andar.
Nada é fácil de entender.
Dorme agora: É só o vento lá fora.
Quero colo. Vou fugir de casa.
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo. Tive um pesadelo.
Só vou voltar depois das três.
Meu filho vai ter nome de santo.
Quero o nome mais bonito.
É preciso amar as pessoas
como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra
pensar, na verdade não há.
Me diz porque é que o céu
é azul?
Me explica a grande fúria
do mundo.
São meus filhos que tomam
conta de mim.
Eu moro com a minha mãe,
mas meu pai vem me visitar.
Eu moro na rua, não tenho
ninguém.
Eu moro em qualquer lugar.
Já morei em tanta casa que
nem me lembro mais.
Eu moro com meus pais.
É preciso amar as pessoas
como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra
pensar, na verdade não há.
Sou uma gota dágua. Sou
um grão de areia.
Você me diz que seus pais
não entendem,
Mas você não entende
seus pais.
Você culpa seus pais por
tudo
E isso é absurdo: São
crianças como você.
O que você vai ser quando
você crescer?
Não tinha
medo, o tal João de Santo Cristo,
Era o que todos
diziam quando ele se perdeu.
Deixou pra
trás todo o marasmo da fazenda
Só pra
sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu.
Quando criança
só pensava em ser bandido,
Ainda mais
quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror
da cercania onde morava
E na escola
até o professor com ele aprendeu.
Ia pra igreja
só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas
colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo
que era mesmo diferente
E sentia que
aquilo ali não era o seu lugar.
Ele queria
sair para ver o mar
E as coisas
que ele via na televisão
Juntou dinheiro
para poder viajar
E de escolha
própria escolheu a solidão.
Comia todas
as menininhas da cidade
De tanto brincar
de médico, aos doze era professor.
Aos quinze,
foi mandado pro reformatório
Onde aumentou
seu ódio diante de tanto terror.
Não
entendia como a vida funcionava
Discriminação
por causa da sua classe ou sua cor
Ficou cansado
de tentar achar resposta
E comprou uma
passagem, foi direto a Salvador
E lá
chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou
um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro
tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João
foi lhe salvar.
Dizia ele:
- Estou indo pra Brasília,
Neste país
lugar melhor não há.
Estou precisando
visitar a minha filha
Eu fico aqui
e você vai no meu lugar.
E João
aceitou sua proposta e num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado
com a cidade
Saindo da rodoviária,
viu as luzes da Natal.
Meu Deus, mas
que cidade linda,
No ano-novo
eu começo a trabalhar.
Cortar madeira,
aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem
mil por mês em Taguatinga.
Na Sexta-feira
ia pra zona da cidade
Gastar todo
o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia
muita gente interessante
Até
um neto bastardo do seu bisavô:
Um peruano
que vivia na Bolívia
E muitas coisas
trazia de lá
Seu nome era
Pablo e ele dizia
Que um negócio
ele ia começar.
E o Santo Cristo
até a morte trabalhava
Mas o dinheiro
não dava pra ele se alimentar
E ouvia às
sete horas o noticiário
Que sempre
dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não
queria mais conversa e decidiu que,
Como Pablo,
ele ia se virar
Elaborou mais
uma vez seu plano santo
E, sem ser
crucificado, a plantação foi começar.
Logo logo os
malucos da cidade souberam da novidade:
Tem bagulho
bom aí!
E João
de Santo Cristo ficou rico
E acabou com
todos os traficantes dali.
Fez amigos,
frequentava a Asa Norte
E ia pra festa
de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má
influência dos boyzinhos da cidade
Começou
a roubar
Já no
primeiro roubo ele dançou
E pro inferno
ele foi pela primeira vez
Violência
e estupro do seu corpo
Vocês
vão ver, eu vou pegar vocês.
Agora o Santo
Cristo era bandido
Destemido e
temido no Distrito Federal.
Não
tinha nenhum medo de polícia
Capitão
ou traficante, playboy ou general.
Foi quando
conheceu uma menina
E de todos
os pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia
era uma menina linda
E o coração
dele
Pra ela o Santo
Cristo prometeu
Ele dizia que
queria se casar
E carpinteiro
ele voltou a ser
Maria Lúcia
pra sempre vou te amar
E um filho
com você eu quero ter.
O tempo passa
e um dia vem a porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma
proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.
Uma resposta
de João:
Não
boto bomba em banca de jornal, nem em colégio de criança
Isso eu não
faço não
E não
protejo general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cú
na mão.
E é
melhor o senhor sair da minha casa
Nunca brinque
com um Peixes de ascendente Escorpião.
Mas antes de
sair, com um ódio no olhar, o velho disse:
Você
perdeu sua vida, meu irmão.
Você
perdeu a sua vida meu irmão. Você perdeu a sua vida meu irmão.
Essas palavras
vão entrar no coração
E eu vou sofrer
as consequências como um cão.
Não
é que o Santo Cristo estava certo
E seu futuro
era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou
e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar.
Falou com Pablo
que queria um parceiro
E também
tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia
o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina.
Mas acontece
que um tal de Jeremias, traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo
dos planos de Santo Cristo
E decidiu que,
com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe
uma Winchester-22
E Santo Cristo
já sabia atirar
E decidiu usar
a arma só depois que Jeremias começasse a brigar.
(O Jeremias,
maconheiro sem-vergonha,
organizou a
Rockonha
E fez todo
mundo dançar.)
Desvirginava
mocinhas inocentes
E dizia que
era crente mas não sabia rezar.
E Santo Cristo
há muito não ia pra casa
E a saudade
começou a apertar
Eu vou embora,
eu vou ver Maria Lúcia
Já está
em tempo de a gente se casar.
Chegando em
casa então ele chorou
E pro inferno
ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia,
Jeremias se casou
E um filho
nela ele fez.
Santo Cristo
era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo
ele chamou
Amanhã
às duas horas na Ceilândia, em frente ao lote 14, é
pra lá que eu vou
E você
pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco
traidor
E mato também
Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
Santo Cristo
não sabia o que fazer
Quando viu
o repórter na televisão
Que deu notícia
do duelo na TV
Dizendo a hora
e o local e a razão
No Sábado
então, às duas horas, todo o povo
Sem demora
foi lá só pra assistir
Um homem que
atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
E começou
a sorrir.
Sentindo o
sangue na garganta,
João
olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro
sorveteiro e pras câmeras e
A gente da
TV que filmava tudo ali.
E se lembrou
de quando era uma criança e de tudo que vivera até ali
E decidiu entrar
de vez naquela dança
Se a via-crucis
virou circo, estou aqui.
E nisso o sol
cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu.
Ela trazia
a Winchester-22
A arma que
seu primo Pablo lhe deu.
Jeremias, eu
sou homem, coisa que você não é.
E não
atiro pelas costas não.
Olha pra cá
filha da puta, sem-vergonha,
Dá uma
olhada no meu sangue
E vem sentir
o seu perdão.
E Santo Cristo
com a Winchester-22
Deu cinco tiros
no bandido traidor
Maria Lúcia
se arrependeu depois
E morreu junto
com João, seu protetor.
E o povo declarava
que João Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia
da cidade não acreditou na estória que eles viram na TV
E João
não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com
o Diabo ter
Ele queria
era falar pro presidente,
Pra ajudar
toda essa gente
Que só
faz sofrer.