A Imigração Polonesa no Paraná
      1. Índice
1. Índice 

2. Agradecimentos

3. Introdução

4. Lutas Políticas e Sociais na Polônia

5. A Política Migratória no Brasil

5.1. A Viagem

5.2. No Paraná

6. A Arquitetura Polonesa 

6.1. Técnicas de construção

6.2. Pintura

6.3. Práticas propiciatórias

7. Tradições Polonesas

7.1. As mulheres

7.2. Cerimônias e Rituais
 

7.2.1. O Casamento Polaco

7.2.2. O Batizado

7.2.3. O Natal

7.2.4. Funeral

7.2.5. A Igreja

7.2.6. Quaresma e Páscoa

8. Anexos

8.1. Símbolos da Polônia

8.2. Polônia Ocupada 1870

8.3. Mapa do Paraná

8.4. Colônias na Região de Curitiba onde se estabeleceram os imigrante poloneses.

8.5. Interior do Paraná

8.6. Celeiro de tabuado - estrutura de telhados com tesouras de linha alta

8.7. Residência de um pavimento, com sótão e varanda

8.8. Varanda em lambrequins - forro de tabuado com mata-juntas

8.9. Armazém de tabuado - varanda frontal

8.10. Varanda posterior dando para o pátio com poço

8.11. Estábulos

8.12. Celeiro de tabuado sobreposto com fundações de pedra

8.13. Celeiro - jogo de telhados

8.14. Paiol de troncos e encaixados (casa primitiva) e chiqueiro. Notar o beiral de proteção da parede de troncos encaixados sob a enpena de trabalho

8.15. Paiol de troncos. Ao lado da porta aparecem os encaixes das paredes internas

8.16. Trenó, ao estilo europeu, usado para o trabalho na lavoura

8.17. Paiol de troncos. Detalhe de porta dupla

8.18. Tempo de Natal

8.19. "Oplatek" - o pão dividido de Natal

8.20. Limpeza de Raiz forte

8.21. Fotos

9. Conclusão

10. Bibliografia

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
  1. Agradecimentos
  2.  
    Agradecemos a todas as pessoas que nos auxiliaram e incentivaram a realizar este trabalho, como memórias vivas da imigração.
    Como dizem os poloneses,
    "Bardzo Dziekuje",
    que quer dizer: 
    Muito Obrigado.
    Curitiba, julho de 1997
     
     
     
     
  3. Introdução
  4. A importância dos imigrantes no processo de colonização do Paraná impõe a necessidade do estudo de suas diferentes manifestações culturais, bem como suas influências. Segundo dados do estudo realizado por Romário Martins, entraram no Paraná até 1934:

    Poloneses
    47731
    Ucranianos
    19272
    Alemães
    13319
    Italianos
    8798
    Pequenos grupos de Outras Nacionalidades
    9826
    Total
    101331
    *MARTINS, Romário. Quantos somos e quem somos. Curitiba. Ed. Paranaense, 1941, p.61

    Com o objetivo de informar e contribuir para uma maior compreensão da cultura paranaense, este trabalho trata sobre as características de um dos grupos étnicos mais significativos estabelecidos principalmente na região de Curitiba: o polonês.

    O conjunto das características deste grupo é bastante peculiar, e alguns de seus componentes bem características e identificação à partir de determinadas informações descritas neste trabalho.

    Para compreendermos toda a extensão da cultura deste povo, é necessário fazermos um estudo sobre a história, analisarmos as verdadeiras intenções pelas quais este grupo saiu de sua terra, cheio de esperanças, para vir ao Brasil. Também é notória a grande "bagagem" cultural trazida da Europa, como o sentimento de nacionalidade - polonidade -, os hábitos e a grande vontade de trabalhar, para retirar da terra que os acolheu o sustento para a família.

    Não podemos nos esquecer da grande fé que este povo tem: fé católica e fé em si mesmos, pois acreditaram e fizeram o que sonharam: conquistaram terras, a terra prometida, Foram formadas, então colônias, com pequenos agricultores, com suas festas sua religiosidade e sua esperança. Portanto, o estudo a seguir apresentado trata não só dos aspectos históricos relativos à imigração polonesa, mas também dos aspectos ambientais, arquitetônicos e simbólicos.
     
     
     
     

  5. Lutas Políticas e Sociais na Polônia
No século XV, a Polônia - um dos mais antigos Estados europeus - viva o seu "Século de Ouro". Era uma grande nação, de comércio poderoso, de intensa vida cultural e intelectual. Na Universidade de Cracóvia, a segunda mais antiga da Europa, fundada em 1364, consagravam-se a literatura , a música e ciência.

Mas sua prosperidade não era suficiente para assegurar a paz com seus vizinhos mais próximos, interessados em conquistar a invejável posição estratégica que a Polônia mantinha com seu grande território, na Europa Central.

No final do século XVIII o assédio dos países fronteiriços já não pode ser rechaçado e a Polônia foi derrotada, perdendo grande parte de seus territórios para a Áustria, Rússia e Prússia. Eram tempos muito difíceis mas o rei Stanislaw Poniatowski procurou manter a unidade da nação, nos territórios restantes, estimulando a resistência através das manifestações artísticas e culturais. Para isto, chegou a criar uma comissão de educação nacional que deu origem ao primeiro Ministério de Instrução Pública do mundo.

A partilha do território polonês prosseguiu, porém apesar das resistências. Em 1793, Catarina a Grande, da Rússia , juntamente com a Prússia, efetivou a segunda divisão da Polônia e em 1 795 ocorreu a terceira divisão. A Polônia é riscada no mapa europeu enquanto nação independente.

O século seguinte foi marcado por insurreições sangrentas e frustada para impedir o definitivo desaparecimento da nação. Período de terror e de grande emigração, onde a religião, a cultura e as artes - principalmente a literatura - constituíram a poderosa liga que impediu a desagregação total do povo dominado e envolvido na diáspora.

Nos anos de 1863 e 1864 a "Insurreição de Janeiro" foi esmagada sem que viesse, do Ocidente, a esperada ajuda. Neste contexto começaram a surgir os partidos políticos e os movimentos camponeses ensaiavam os primeiros passos para uma articulação maior.

Mas as grandes potências já haviam traçado para a Polônia um futuro sombrio: é a fronteira oriental do Ocidente deve ser mantida num estado de atraso, submissão e dependência para melhor cumprir seu papel. A Revolução Industrial transformava a Europa; na Polônia, um regime senhorial arcaico e uma economia agrária, entre outros fatores, mantinham sob controle uma população camponesa isolada, conservadora ao extremo, resistente às mudanças.

Os camponeses tinham cada vez menor acesso às terras. Trabalhavam como arrendatários ou empregados temporários em terra alheia, em condições de extrema miséria. Para os pequenos proprietários, as sucessivas divisões da propriedade familiar inviabilizavam a produção. Era preciso emigrar, buscar novos espaços para sobreviver.

*Em 1872, no ano do centenário da primeira divisão da Polônia, Bismark convocou em Berli Em m uma reunião com todas as potências ocupantes para eliminar cultura polonesa e, assim unificar culturalmente o Império Germânico. Passaram a ser tomadas algumas medidas:

    1. uso obrigatório da língua alemã nas escolas normais e secundárias;
    2. a partir de 1876, uso obrigatório do alemão na administração, magistratura, etc.;
    3. exclusividade para os alemães a cuparem cargos públicos;
    4. substituição dos nomes poloneses na toponímia, ruas praças, etc.;
O processo de germanização atingiu a Igreja. Foram proibidos os sermões em polonês, bem como o ensino do catecismo nesta língua.

 

A repressão política e a opressão interna - não era permitido falar polonês nas escolas e nas repartições públicas - contribuíram muito para fortalecer um espírito nacionalista extremado profundo - a polonidade - que se misturou à religiosidade tradicional camponês, marcando definitivamente a história do país. Um país empenhado em afirmar a existência de seu povo enquanto nação e do princípio da independência, permeado por uma profunda desconfiança diante dos estrangeiros.

Configurava-se um conjunto de sentimentos patrióticos e religiosos ligados ao amor próprio de um povo ferido, humilhado e esperançoso.
 
 
 

Faltam terras na velha Polônia, sobram espaços desocupados, no Brasil do século XIX. Desde 1808, o Príncipe Regente tornara possível a propriedade de terra aos estrangeiros, motivado principalmente pela necessidade de ocupar os chamados vazios demográficos, que ameaçavam o domínio português.

Num primeiro momento o Brasil precisava de colonizadores, aos quais oferecia grandes oportunidades. Com argumentos fortes e promessas eloqüentes, o país procurava atrair os europeus. A "Carta à Colônia Polonesa do Paraná", enviada pelo presidente da Província do Paraná, o Visconde de Taunay, em 1885, a dois padres colonizadores de Curitiba, é o exemplo desta eloquência:

"Ainda não cessaram as desventuras e os sofrimentos dos vossos compatriotas na Europa. A Correspondência de Berlim, datada aos 16 de outubro próximo passado, e inserta no Jornal do Comércio de 18 de novembro corrente, relata as dolorosas cenas que estão passando com a expulsão dos polacos das Províncias orientais da Prússia. Mais de mil pessoas, que moravam em Koeningsberg, tiveram de sair às pressas daquela cidade, abandonando quase tudo o que possuíam, porque não lhes foi concendido prorrogação do prazo fatal.

Do mesmo modo em Posen, onde centenas de infelizes velhos, mulheres e crianças foram expulsos de seus lares em virtude de leis e ordens que "Tageblatt" e o "Germania", da própria cidade de Berlim, proclama bárbara e indignas do século.

O Conde Zamoysko e outros grandes proprietários não têm sido poupados e são tratados com maior rigor. Na Galícia, o número de emigrados é tal, que não há como socorrer tantos desgraçados. Os polacos que aqui no Brasil gozam de todas as regalias da segurança e liberdade não podem, por certo, esquecer-se daqueles que, além-mar, suportam tão duros transes. Convém, pois, que escrevam quanto antes aos seus compatriotas e lhes apontam este Império, como a terra da promissão. O governo brasileiro ajudará os que vierem chegando, proporcionando-lhes favores que facilitem a sua localização ao lado dos parentes, amigos e conterrâneos. Narrem os imigrantes daqui o que é o Brasil, as garantias que cercam quantos se acolhem a sua proteção e o futuro que os espera. Instem para que venham, sendo caso de organizarem coletas, a fim de ajudar eficazmente o filantrópico movimento. Escrevam todos aos malaventurados de lá, que aqui há uma Polônia, em que habitam a felicidade e a segurança, contraposto às desgraças e incertezas da Velha Polônia".

TAUNAY, Alfredo D'Escragnolle. Os Sertões. São Paulo, 1923 p. 126.
Com a intensificação do movimento abolicionista misturava-se aos projetos de colonização um outro motivo, conjuntamente mais forte: substituir a mão-de-obra escrava. O Brasil dos um últimos países a abolir a escravidão mas os reflexos das lutas abolicionistas perturbavam o fluxo de negros para os trabalhos na lavoura, reduzindo a produção de alimentos, pressionando os preços e ameaçando a produção destinada ao mercado externo.

Em 1888 terminou a escravidão no Brasil: 800 mil brasileiros foram lançados ao mercado, como mão-de-obra assalariada. Longe de representar um impulso à novas relações de trabalho, os escravos liberto passaram a ser encarados como amaça às elites.

Ainda no Império, a elite brasileira preocupava-se com a necessidade de promover, no exterior, a imagem do Brasil. Através de solicitações de capital e de homens de negócios. Imigrantes potenciais eram convidados a considerara a terra brasileira, uma vez que "a natureza parece ter destinado o Brasil a ser uma das principais nações agrícolas do mundo", dizia um folheto de propaganda. Na política migratória, em fins de 1880, o estímulo às imigrações somava-se ao liberalismo econômico e político para produzir uma imagem nacional mais definida. Antes da aprovação da primeira Constituição Republicana, o governo provisório havia promulgado um decreto que revelava o esforço na busca de imigrantes. Tal decreto de 28 de junho de 1890, dispunha: "É inteiramente livre a entrada nos Portos da República dos indivíduos válidos e aptos para o trabalho, que não se acharem sujeitos à ação criminal do seu país". A essa provisão liberal acrescenta-se a cláusula: "Excetuando os indígenas da Ásia ou da África, somente autorização do Congresso Nacional poderão ser admitidos, de acordo com as condições estipuladas". Estas restrições refletiam os acordos anti-escravistas ditados pela grandes potências.

Dispunha-se, também, que todo o fazendeiro que quisesse instalar imigrantes europeus em suas terras, gozaria de incentivos especiais garantidos por lei. Em vez de procurar mão-de-obra livre, entre a força de trabalho migrante doméstico de outras regiões (sobretudo do Nordeste, economicamente decadente), os fazendeiros de café tentaram substituir os escravos, depois de 1870, pelos imigrantes europeus. Assim, a imigração subvencionada tinha por objetivo o recrutamento para agricultura comercial.

O governo brasileiro celebrou, então, convênios com companhias de navegação transoceânica, pagando, "per capita", de acordo com o número de imigrantes que chegassem ao Rio de Janeiro, correndo por sua conta a passagem e manutenção dos imigrantes.

A propaganda de estímulo às imigrações era convincente: o Brasil era apresentado como um verdadeiro paraíso. Durante a "febre brasileira", como foi chamado o período das maiores emigrações para o Brasil, chegou a correr na Polônia uma lenda, espalhada pelos agentes de recrutamento nas aldeias camponesas. Isso não tardou em cair em excessos lamentáveis, os quais exploravam a ignorância e a psicologia do camponês polonês. A fertilidade da terra era apresentada como espantosa; folhetos mostravam frutos tropicais gigantescos, como laranjas, abacaxis, bananas, tidos na Europa como frutos exóticos e acessíveis somente às camadas de posse.

Devido à catolicidade arraigada do campesinato e sua mentalidade típica de comunidades isoladas de regiões atrasadas e arcaicas, difundiram-se lendas segundo as quais o Brasil havia sido registrado para o Papa e até mesmo que o Brasil ficava próximo à Terra Santa ou Roma.

Dizia a lenda que havia uma terra, encoberta por névoas, desconhecida de todos. Era uma terra onde corria leite e mel. A Virgem de Czestochowa - padroeira da Polônia - ouvindo, compadecida, os apelos que lhes dirigiam os sofridos camponeses, dispersou o nevoeiro e destinou aos emigrantes poloneses a nova terra.

Esta terra era o Paraná.
 
 
 

  1. A Viagem
Os camponeses temiam a viagem transoceânica, pois não conheciam o mar. Para acalmá-los, os agentes recrutadores espalhavam, então, nas províncias, a notícia de que estava sendo construída uma ponte sobre o oceano e, em breve, a travessia poderia ser feita a pé ou de carroça.   A viagem era penosa, difícil e os imigrantes costumavam escrever aos que desejavam vir, fazendo extensas listas de recomendações para a viagem. Que comprassem produtos como açúcar, chá, conhaque, vinho, álcool, vinagre, limão, fumo e essências, porque custavam muito caro quando adquiridos no navio. Que o navio balançava muito, era preciso cuidado para não cair da cama e não perder os bens. Um imigrante recomendava à esposa que, quando viesse, não escolhesse no navio, para si e para as crianças, as camas de baixo e sim as de cima, porque "quando os de cima começam a vomitar, o fazem diretamente sobre as cabeças daqueles que estão embaixo".

As recomendações continuavam:

"... e leve uns dois cobertores e travesseiros, conserve-os consigo, porque no navio não há nada para se cobrir nem para pôr sob a cabeça. Cada um tem os seus".

Outro imigrante recomendava que se devia procurar um lugar no centro do navio e nos pavimentos inferiores, porque balançava menos e recomendava aos irmãos não brigarem "porque o castigo era pesado".

Uma testemunha desta travessia, partindo do porto de Gênova, por onde embarcavam os poloneses, escreveu o seguinte:

"Com o fito de verificar e experimentar na própria carne toda essa manipulação, deliberei viajar com um navio de transporte de imigrantes para o Brasil. Escolhi a terceira classe, afim de estar ao lado dos mesmos. (...). Em Gênova, deixei que os agentes me levassem de escritório em escritório e depois passei com imigrantes as três semanas de viagem nos porões. Muitas vezes vi-me tomado de desespero neste chiqueiro humano, dentro dessa sujeira, em meio ao ar contaminado e abafado (...) É uma viagem horrível. (...). E é sangrenta como a chamaram os colonos. (...). Muitos me contaram que se viram cercados por desespero no momento em que o navio levantava âncoras. (...). Por momentos o aldeão esquecia sua sorte e suas mágoas, quando rodopiava as danças já um tanto embriagado. (...) O desembarque só é permitido após o cumprimento das formalidades. (...) Aqui os imigrantes são alojados em casas de imigrantes, a fim de passarem a quarentena - antes de seguirem para as localidades escolhidas".
 
 
 No Paraná
A população do Paraná no século XVIII, originalmente constituída por faiscadores e mineradores de ouro estabelecidos no litoral e posteriormente no planalto curitibano, configurava um contingente populacional diminuto e disperso.

Adolpho Lamenha Lins, presidente da Província do Paraná (criada em 1853), governou com uma política de fixar os imigrante como proprietários de pequenas porções de terra, uma vez que o decreto real abria este precedente. Os núcleos coloniais deveriam situar-se no litoral paranaense e nos arredores de Curitiba. A época, a economia paranaense caracterizava-se predominantemente pela extração de erva-mate e pelo comércio de gado com o Rio Grande do Sul, e a produção de alimentos era considerada atividade de pouco "status". Com a abolição da escravatura no Brasil a questão da mão-de-obra para a agricultura agrava-se sobremaneira. A Província do Paraná no último quartel do século XIX sofria, assim, falta de braços na lavoura, o que ocasionava uma absurda alta nos preços dos gêneros alimentícios; logo, era necessário contar com uma população nova para o trabalho na terra.

Os imigrantes que tinham o Paraná como destino, vinham por mar, desde o Rio de Janeiro, desembarcando em Paranaguá e Antonina, de onde eram transportados por carroças pela estrada da Graciosa até Curitiba. Os homens eram levados para as respectivas colônias, sendo empregados, inicialmente, nos serviços de abertura de estradas.

Em Curitiba, os primeiros colonos fixaram-se nos arredores da cidade, formando um cinturão verde, o que representou um maior progresso para a região. Formaram-se, ali, diversas colônias de população predominantemente polonesa: Santa Cândida, Órleans, Antônio Prado, São Venâncio, Abranches, Santa Gabriela, São Pedro, Pilarzinho, Dom Augusto, Tomás Coelho, Zacarias, Inspetor Carvalho, Murici.

* Os primeiros imigrantes do Grupo polonês entraram no Paraná transmigrados de Brusque , Santa Catarina, em 1871, em número de 164 e foram localizados no Pilarzinho, colônia fundada a 3 Km do centro de Curitiba.

 

O sistema utilizado pelo governo republicano de fixação do imigrante à sua propriedade era o mesmo utilizado no tempo do Império. A área escolhida para a criação de uma colônia era medida e subdividida em pequenas propriedades que continuam cinco, seis ou até oito alqueires, de acordo com a localização da colônia e a quantidade de suas terras.

O imigrante recebia auxílio financeiro para a construção de sua primeira morada, que invariavelmente era feita de madeira, e ao mesmo tempo recebia alguns utensílios agrícolas. A dívida colonial era paga em prestações. Somente após a liquidação, que ocorria vários anos depois, é que o imigrante recebia o título definitivo de posse da propriedade. A grande maioria dos imigrantes veio com esposa e filhos, para receber uma propriedade agrícola e estabelecer-se como lavradores e privações para a família, pois faltavam-lhes alimentos devido ás grandes distâncias que isolavam as localidades. Para a construção de nova casa, empreendiam tarefas que iam desde o corte da madeira até o fabrico de móveis.

s "Recebi 4 'Wlocas' de terra, só mato, bem como mil réis para a construção da casa própria, 32 libras de pregos uma fechadura, quatro dobradiças e ganhamos também implementos para a lavoura. Recebemos igualmente um machado, duas enchadas, uma picareta, uma pá cortadeira, um facão, uma foice para desbastar os galhos e uma serra que deverá servir para 7 famílias. Por tudo isso pagar-se-á apenas 200 mil réis no prazo de 10 anos. Se alguém não tiver recursos ficará pagando até a morte. As árvores são de diferentes espécies. Sua grossura varia de 1, 2, 3 e 4 metros e a altura de 20 a 30 metros. Nós não a conhecemos, a não ser uma 'mahon'. Os pinheiros são menos grossos e altos, mas são diferentes do que na Polônia, porque não possuem nós na parte baixa, somente na parte em cima. Fornecem muita madeira. Nós não os serramos, porém, partimos com cunhas de ferro, lascando tabuinhas, e tábuas de diversos tipos são rachadas como cartas de baralho. (...). Minha casa já está pronta. Agora construímos casas para os outros. Pagam-nos 80 mil réis por casa o que equivalerá a dois mil réis por dia para mim. A minha chácara constitui-se de 2 cabras, 5 galinhas e já ajeitei todos os utensílios domésticos que são idênticos aos da Polônia, somente custam muito mais."

"- Tenho duas residências. Uma em cima e outra em baixo . A minha casa tem 8 metros de comprimento, 4 de largura e 3 de altura. Eu mesmo fabriquei os móveis com machado, porque aqui não há outro costume. Cada um tem que fazer sozinho. (...). Nós mesmos assamos a broa como na Polônia."

"(...) Em nosso mato não há muitos animais encontram-se tigres, veados e porcos do mato. Há muitos macacos, cobras, gado selvagem, crocodilos, lagartos grandes como gatos, insetos das mais diversa espécie e jamais imagináveis. Existem moscas tais que à noite têm os olhos com eletricidade, tal é a luz que emitem."

A mata brasileira impressionava o colono que, para preparar a terra para a lavoura, a derrubava preparar a terra para a lavoura, a derrubava utilizando-a como material de construção e matéria prima para móveis ou utensílios domésticos.
 
 
 
 A Arquitetura Polonesa
Técnicas de construção

As três técnicas empregadas na construção da casa de morada e paióis - taipa de mão, chamada pelos imigrantes de estuque, troncos encaixados, ou alvenaria de tijolos - são utilizadas contemporaneamente e a preferência por uma delas é em função da procedência por uma delas é em função da procedência dos imigrantes. Os que vêm das regiões de ocupação alemã, utilizam taipa de mão e/ou alvenaria de tijolo. Aqueles que procedem da Galícias (ocupação austríaca) constróem com troncos.

O clima local também o influenciou, embora no início tenha prevalecido o modelo ancestral de morada feita de troncos de pinheiros falquejados a machado encaixados nas extremidades, com pequenas aberturas (nas portas e janelas), adequada aos invernos rigorosos da região de origem, coberta com facas de madeira. Se num primeiro momento o isolamento e a falta de ferramentas trouxeram dificuldades, por outro lado , a matéria prima em abundância e a técnica construtiva tradicional possibilitaram a recriação desse modelo milenar de habitação. Pouco depois, porém, com a instalação de serrarias e o auge do ciclo econômico da madeira no Paraná, as construções mudam. Mudam as técnicas construtivas: o pinheiro passa a ser desdobrado em tábuas, em bitolas padronizadas. com o advento da madeira serrada, as habitações passam a ser em tabuado vedado com matajuntas, disposto verticalmente, pregado em estrutura autônoma.

Nestas casas de madeira encontramos importante sinal de mudança e de adaptação ao novo ambiente: a varanda. O programa residencial anterior (casa de troncos encaixados), que compreendia quartos e sala no térreo mais quartos no sótão, ainda influencia a nova moradia. A novidade consiste na varanda, elemento presente na arquitetura luso-brasileira que se acopla à residência de tabuado os imigrante polonês, guarnecendo-a geralmente em dois lados. Por aí se dá o acesso à sala e à cozinha em paredes opostas (nas mais antigas) ou contíguas (conforme alguns exemplos recentes). Esta varanda , generosamente espraiada à volta da casa , na residência primitiva de troncos não era senão um beiral ligeiramente prolongado através do contracaibro - peça de madeira que vai da metade da perna da tesoura até ao apoio do beiral. Na sua verão seguinte adota , inclusive, os ornamentos que entraram em voga no final do século do século XIX e seguiram adornando os chalés de inspiração eclética: os lambrequins, de execução industrializada, servindo, inicialmente como pingadeira e se transformam na marca característica de seu proprietário. Os modelos raramente se repetem.
 
 Pintura

As casas de tronco, em sua maioria não apresentam quaisquer indício de que tenham sido pintadas. As poucas que foram receberam pintura branca de cal.

Já as casas de taipa e as de tijolos são sempre rebocadas e pintadas. As cores mais somente utilizadas são o rosa e o verde claros, tanto nas paredes internas quanto externas. As partes de madeira - janelas, portas, forros, vigas e apoios de alpendre - são sempre de cores diferentes e mais escura que as paredes. As mais utilizadas são o verde-escuro, o azul-escuro e o amarelo.
 
 Práticas propiciatórias

Fazem parte da cultura polonesa uma série de costumes e crendices vinculados à habilitação com o objetivo de trazer felicidade e sucesso aos proprietários, protegê-los dos maus-espíritos, das doenças, de raios e incêndios, e de ladrões e malfeitores. Alguns elementos decorativos também tinham um significado especial. Um deles, o fato de enfeitara fachada principal da casa em torno da porta e das janelas com manchas de argila e cal, imitando flores, indicava que na casa residia uma jovem com idade de se casar e as flores poderiam ser colhidas por eventuais namorados. Se este costume não existe mais, outros - principalmente os ligados com a proteção dos moradores - subsistem, como a cruz de madeira e as inscrições nas vigas para garantir e trazer felicidade, e a ferradura, de preferência encontrada na estrada, que é colocada na soleira da porta principal com o objetivo de afastar os malefícios provenientes da ação das cioty ou czarownice - feitiçarias.
 
 
 Tradições Polonesas

- "Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo !"

- "Assim seja. Amém".

Como se fosse uma senha, esta saudação em polonês, abre as portas das casa de poloneses com seus jardins floridos, suas varandas com lambrequins e suas salas repletas de santos e fotos, um universo que curiosamente mistura no dia-a-dia de cada família, os ritos antigos e a prática cotidiana. Assim, a primeira fatia da broa feita em casa é abençoada com sinal da cruz, sinal de reverência e agradecimento pelo pão que vai ser consumido.

Os símbolos religiosos estão sempre presentes, na oração da família em volta da mesa, pedindo força para o corpo suportar os duros trabalhos da roça e para revigorar o espírito em sua permanente devoção. Práticas que começam a conviver com as mudanças: o rádio, a TV, a fotografia, o trabalho na fábrica, o trator, o automóvel, etc..
 
 As mulheres

Levantar por volta das cinco ou seis horas da manhã, fazer café e cuidar da criação. Depois ir para a roça e volta a tempo de preparar o almoço. À tarde, novamente o trabalho na roça em seguida, preparar o jantara e a reza do terço em família, antes de dormir. Este é em linhas gerais o dia-a-dia das mulheres, cuja rotina se completa com o preparo de broas e conservas, lavagem de roupa e faxina da casa no sábado, a ida à missa aos domingos e, eventualmente, com alguns baile na Sociedade local e as festas familiares.

A freqüência das meninas à escola, na maioria das vezes é interrompida por volta do terceiro ou quarto ano do curso primário. A justificativa para necessidade de cuidar de algum irmão menor ou auxiliar nas tarefas domésticas enquanto a mãe está na roça.

A divisão do trabalho familiar não é muito rígida, mantendo-se, porém, tarefas específicas de acordo com o sexo. A derrubada da mata e o trabalho com o arado, considerados pesados, são realizados exclusivamente pelos homens. Já o plantio, a capina da roça e a colheita são realizadas também por mulheres e crianças. As tarefas domésticas, por sua vez, são consideradas como trabalho exclusivamente femininos.

O trabalho com os tratores e transportes da produção, e mesmo a negociação direta com o intermediário ou consumidor são de responsabilidade dos homens, assim como a escolha do mercado. como se vê , as mulheres não costumam tomar parte, nas transações comerciais.

Muitas vezes as moças deixam o povos do para na cidade como empregadas domésticas, em geral pelo tempo necessário para garantir poupança suficiente para a compra do enxoval:

"- Eu estive na cidade por oito ou nove meses. Trabalhei em casa de família. Eu era noiva, meus pais não tinham dinheiro para comprar o que eu precisava. Depois casei e agora estou aqui na roça de novo."

Os alimentos básicos são de produção própria. Esses alimentos são geralmente a batata inglesa, milho, feijão, cebola, batata-doce, frutas e verduras. Na culinária, uma mostra do processo de transformação dos hábito: ao lado de pratos tradicionais de origem polonesa, figuram outros feitos à base de receitas aprendidas no Brasil.

Os alimentos típicos mais simples e comuns são preparados diariamente, e os mais elaborados, em ocasiões específicas (Natal, Páscoa, etc.). A mesa do colono podemos encontrar: geléias de frutas e de gordura animal; broa de centeio, feita no forno a lenha, sem fôrma; "cuque polaco" - bolo feito com fermento de pão, passas e coberto por farofa doce; "pierogui", pastel de requeijão; "kapusta", repolho azedo, "botcha", sopa de bucho; "borscht", sopa azeda de beterraba, "kloski", nhóque de batatinha; "krem", uma raiz forte, para dar mais sabor aos alimentos. Não há casa que não tenha sua prateleira repleta se potes de legumes e frutas em conservas; consome-se, diariamente, leite em forma de coalhada, queijo ou manteiga, preparados pelas próprias donas de casa; o torresmo de porco ou sua banha é comumente passado sobre a fatia quentinha da broa de centeio; também preparam lingüiça e cerveja caseira. Nas frias noites de inverno, costuma-se esquentar o corpo consumindo uma sopa doce, preparada com várias frutas e engrossada com aveia.

As mulheres costumam aprender desde cedo a preparar estes pratos, e também outras tantas tarefas: além de pintura dos ovos para presentear as crianças na Páscoa e das flores e arranjos de papel colorido para os casamentos, a maioria das moças sabe costurar e confeccionar trabalhos em poucos simples de "bróia" (macramê), confecção típica em que uma peça de linho é desfiada nas pontas e o entrecruzamento dos fio soltos forma desenhos geométricos e decorativos. As peças são utilizados como toalhas de rosto de mão, ou ainda como toalha de mesa, pois além das beiradas trabalhadas, ostentam lindos bordados coloridos.

*Costuma-se ferver os ovos em água de cenoura ou beterraba, para ficarem amarelos ou vermelhos, respectivamente. Sobre esta casca colorida pintam-se com tinta à base de cera de abelha, os mais diversos motivos coloridos cada um representando felicidade, alegria, boa sorte, longa vida, etc. Esta tradição é influência das famílias ucranianas que se estabeleceram como colonos no Brasil.
 

 

O Casamento Polaco

O casamento polaco é uma cerimônia bastante elaborada. Há 50 anos a festa costumava durar, aproximadamente, três dias: atualmente não chega a um dia. Contudo, a maioria dos rituais permanece, com algumas especificidades.

O local da festa é enfeitado com galhos de bambu ornamentados com fitas de papel colorido e colocados em forma de arco nas principais entradas, sala e portão. Antigamente os convidados eram recebidos com porções de sal e uma broa preta, significando fartura. A carroça e os cavalos eram enfeitado com flores coloridas de papel. Os pais e padrinhos costumavam colocar fitas de cetim de todas as cores, com exceção do vermelho; a noiva não deve confeccionar suas próprias flores o que trazia azar. O noivo leva consigo um pequeno pedaço de pão para dar sorte, e a noiva, um raminho de alecrim e uma nota de dinheiro, o que simboliza fartura na nova vida. Na festa há música, fogos de artifício, danças, abundância de alimentos. No dia seguinte ao casamento, um almoço é oferecido para os padrinhos e parentes mais próximos.

O "druzba" (mestre de cerimônia) organiza e preside todo o casamento: entre outros encargos cabe-lhe a cerimônia do "zrekowiny" (despedida e benção dos pais) que ocorre antes do casamento religioso, na casa da noiva. O "drurzba" dá conselhos e lê uma mensagem em polonês sobre as responsabilidades do casal. Os pais abençoam os filhos, são entoadas canções típicas e, então, a "druzbina" (esposa do "drurzba") atira balas coloridas para os convidados presentes, o que representa alegria e felicidade. A noiva distribui cuque polaco e cerveja feita em casa. Só então partem para a igreja, em caravana, enquanto a "drurzbina" abençoa os carros com água benta. Muitas vezes os pais ficam em casa para fazer os últimos preparativos para a festa que se segue.

Os "condes" - jovens casais solteiros que ajudam durante toda a festa de casamento, recebendo os convidados, preparando os alimentos e servindo-os, enfim, providenciando tudo para que nada falte aos convidados - fazem parte da caravana recolher dinheiro em determinados pontos de encontro.

Antigamente, os convidados eram recebidos pela cozinheira principal que simulava um tombo e a destruição da louca já quebrada que trazia embrulhada no avental; pedia-lhes, então, dinheiro para comprar louça nova.

Servidos os alimentos, segue a cerimônia do "Czepowiny" em que os noivos e os pais sentam-se em torna de uma mesa sobre a qual são colocadas doces, bolachas, cigarros, balas , licores, flores e um crucifixo. Os presentes são convidados pelos "condes" a dançar e as prendas são trocadas, durante a dança, por dinheiro.

Observa-se que o casamento polaco, constitui uma cerimônia em que todos participam e colaboram de uma maneira ou de outra; os vizinhos e amigos encarregam-se de trazer ovos e galinhas, e ajudam no preparo dos alimentos e arranjos no local dos alimento e arranjos no local da festa, em que os paióis são transformados em salões para o acontecimento. Os colonos têm noção da importância desta prática e do que acontecerá se deixarem a região:

"- Na cidade não há espaço para se ser polaco Onde organizar casamento? Não terá paiol. Os polacos na cidade já são modernos e não praticam mais as tradições que nós temos aqui".
 
 O Batizado

Alguns depoimentos lembraram um antigo costume de vestir a criança com uma longa camisola enfeitada com galhos de alecrim, mas hoje a festa não tem características próprias. Algumas famílias costumam levar uma porção de broa preta e de sal, que a madrinha segurará sob a criança no momento da benção do padre, para assegurar ao pequeno fartura quando crescer. Em seguida há uma festa na casa dos pais para os convidados mais chegados.
 
 O Natal

As famílias costumam realizar a cerimônia do "Oplatek", de tradição cristã polonesa. É a divisão do pão ázimo, com finalidade de renovar o espírito de fraternidade entre as pessoas, num momento de perdão das culpas mútuas. Segue-se uma ceia de alimentos típicos, servida depois da Missa do Galo, em uma mesa enfeitada com ramos de cedro. Na festa de Natal são relembradas e entoadas canções natalinas em polonês. O espírito de fraternidade estende-se aos animais - "criaturas abençoadas por Deus" - que recebem também sua porção de "Oplatek" rosado, diferente daquele que é repartido entre familiares e amigos mais íntimos, que é branco.
 
 Funeral

O velório - onde são servidos café e alimentos - é acompanhado por orações e cantos em polonês. No momento da saída do enterro é costume bater três vezes com o caixão no chão da soleira da porta, como sinal de despedida da casa em que o morto habitava em vida, para que seu espírito não fique tentado a voltar. Mesmo quando o velório não é feito em casa, realiza-se o ritual de despedida. Quase sempre é celebrada missa de corpo presente e o padre costuma acompanhar o féretro até a cova, onde recomenda a alma do morto a Deus, entre orações e canções de despedida.
 
 A Igreja

 As famílias da região freqüentam regularmente as missas dominicais, com diferentes graus de participação nas atividades paroquiais. Nos domingos, a Igreja começa a receber as primeiras pessoas para a missa das dez horas. Há os que vêm a pé, pela estrada, enquanto outros chegam de garro trazendo amigos e parentes que recolheram ao longo do caminho. Nos vestido floridos das mulheres de mais idade e nos ternos escuros dos homens, o ar solene de domingo. Em frente à igreja vão se formando, aos poucos, pequenos grupos, para um bate-papo, organizados espontaneamente de acordo com sexo e idade. Os sinos do campanário anunciam a missa; os grupos se desfazem e todos se encaminham para o interior da igreja. Lá, sem que haja uma norma explícita, volta a se repetir a separação por sexo: As mulheres ocupam a totalidade de uma das alas dos bancos, deixando a outra reservada ao predomínio quase que exclusivo dos homens.
 
 Quaresma e Páscoa

A Quaresma é um tempo especial de preces e atividades religiosas, precedendo a grande festa da comemoração da Páscoa. Durante a Quaresma, até o Sábado de Aleluia, no final das missas dominicais são entoados os cantos da "Gorkie Zale" que, segundo um dos informantes, pode ser traduzida como "Os Amargos Sofrimentos de Jesus". Os cantos são divididos em três parte, entoados uma de cada vez, a cada domingo, narrando as passagens mais significativas da Via Crucis.

Entre os moradores da localidade, a Páscoa é considerada a maior festa religiosa do ano. Ao ser interrogada sobre deste fato, uma senhora responder:

"- No Natal Jesus nasceu, mas na Páscoa ele ressuscitou !"

Além do acontecimento religioso, a festa guarda, ainda, um sentido de demarcação do tempo, estabelecendo um ciclo periódico que é apropriado para a execução de determinadas tarefas, não necessariamente associadas à religião. Costuma-se, por exemplo, pintar as casas durante a quaresma:

"- A gente tem que pintar a casa todo ano, para conservar para a limpeza. Então a gente aproveita que vem a Páscoa para isso. Só que ultimamente com a construção da represa e sabendo que vamos nos mudar, alguns deixaram de fazer isto".

O ato de pintar a casa traduz, de certa forma, um desejo igual de renovação, em cuja prática a iminência de um transformação causada pela construção da barragem e o conseqüente deslocamento de algumas famílias interferem diretamente.

O domingo de Páscoa, por sua vez, é precedido por uma série de rituais, sendo que os mais expressivos têm lugar no Sábado de Aleluia. Neste dia, as família trazem para a igreja, afim de serem abençoados, objetos variados e os alimentos que serão consumidos no dia seguinte:

"Aqui a gente traz a carne, a broa, os ovos, doces, sal, tudo o que vai comer no domingo de Páscoa. E então o padre abençoa tudo".

"- É bom também levar os fósforos. Ajuda para que a casa não se queime, ninguém se machuque. Levamos velas também, pois quanto as crianças estão com dor de ouvido é bom aproximar a chama. Os ramos de palma bentos são queimado quando tem tempestade forte".

No mesmo sábado, próximo à igreja, é feita uma grande fogueira, na qual é aceso o círio pascal. Após a missa das seis horas da tarde cada paroquiano recolhe algumas brasas e leva-as para casa, acendendo com elas o primeiro fogo do domingo de Páscoa.

"- O padre benze também um pouco d'água. Num dia de tempestade, daí a gente usa a água para fazer sinal da cruz. Para o doente também é bom".

No domingo, após a missa, os parentes se reúnem para um almoço de confraternização, no qual são encontrados pratos típicos e ovos coloridos são oferecidos às crianças.

Tanto a segunda-feira, quanto o primeiro domingo da Páscoa, são dias igualmente importantes. Na segunda-feira, que é considerada como meio-dia santo, muitos colonos costumam, pela manhã, regar as roças com um pouco de água que foi abençoada no sábado. A respeito dos três domingos, um dos informantes explica:

"- Hoje encheu a igreja porque era domingo de Ramos: o domingo de Páscoa e o primeiro domingo depois dele são também importantes. Domingo depois da Páscoa é domingo que nem da Páscoa, Jesus foi pregado três vezes - as mãos e os pés. O primeiro domingo é o da mão direita; Ramos, o Segundo a mão esquerda e depois os pés."
 
 
 Anexos

Símbolos da Polônia

Nome oficial: República da Polônia

Área: 312685 Quilômetros Quadrados

População: 38180000 habitantes

Capital: Varsóvia

Moeda: Zloti

Religião: 90% catolicismo
 

(Desculpem, mas as figuras ainda não foram scaneadas, pois como já disse em minha página inicial, esta home ainda está sendo montada...)
Polônia Ocupada 1870
Mapa do Paraná
 
Ano de Chegada
Município
Colônia
Distância da sede municipal (em Km)
Número de imigrantes
1871
Curitiba
Pilarzinho
03
164
1873
Curitiba
Abranches
06
258
1875
Curitiba
Sta. Cândida
08
179
1876/78
Curitiba
Sto. Inácio
03
334
1876/78
Curitiba
Órleans
10
245
1876/78
Curitiba
D. Augusto
12
140
1876/78
Curitiba
D. Pedro
15
115
1876/78
Curitiba
Riviere
16
327
1876/78
Curitiba
Lamenha
12
746
1876/78
Araucária
Tomás Coelho
17
643
1876/78
São José dos Pinhais
Murici
32
310
1876/78
São José dos Pinhais
Zacarias
6
103
1876/78
São José dos Pinhais
Inspetor Carvalho
10
138
1886
Curitiba
Antônio Prado
18
112
1886
Curitiba
S. Venâncio
12
76
1886
Curitiba
Sta. Gabriela
8
212
 

  Colônias na Região de Curitiba onde se estabeleceram os imigrantes poloneses.
Interior do Paraná
Celeiro de tabuado - estrutura de telhados com tesouras de linha alta
Residência de um pavimento, com sótão e varanda
Varanda em lambrequins - forro de tabuado com mata-juntas
Armazém de tabuado - varanda frontal
Varanda posterior dando para o pátio com poço
Estábulos
Celeiro de tabuado sobreposto com fundações de pedra
Celeiro - jogo de telhados
Paiol de troncos e encaixados (casa primitiva) e chiqueiro. Notar o beiral de proteção da parede de troncos encaixados sob a enpena de trabalho
Paiol de troncos. Ao lado da porta aparecem os encaixes das paredes internas
Trenó, ao estilo europeu, usado para o trabalho na lavoura
Paiol de troncos. Detalhe de porta dupla
Tempo de Natal
"Oplatek" - o pão dividido de Natal
Limpeza de Raiz forte
Fotos
 

Conclusão

A imigração polonesa no Brasil caracterizou-se por ser constituída de agricultores , retirados de condições semi feudais de vida, muitos deles com lembranças muitos fortes do sistema no qual viveram. Portadores de pensamento antigos, chegaram ao Brasil, naturalmente, se caracterizaram diante às inovações acentuadas, como a concorrência comercial e a indústria, conseqüências do capitalismo e da Revolução Industrial ocorrida na Europa quando a Polônia foi dividida, resultando em um relativo atraso da mentalidade dos camponeses poloneses. É devido a isso que os imigrantes poloneses preferiram permanecer como camponeses no Brasil.

Aqui chegando, voltavam as costas às oportunidades que surgiam para urbanizar-se e seguiam cada vez mais para o interior, satisfazendo sua extraordinária sede de terras, cobertas de matas à sua disposição, para plantar, como era seu objetivo e seu sonho quando embarcavam rumo ao Brasil.

Recebiam do Governo brasileiro rodo o material necessário para se estabelecerem e iniciarem o trabalho da terra. Entretanto, eram recebidos com hostilidade pelo povo nacional, devido à própria mentalidade arcaica, da qual o camponês polonês era possuidor.

Segundo o professor Bento Munhoz da Rocha Neto, o colono polono-paranaense, merece figurar entre os tipos regionais brasileiros. Identifica-se o mesmo por sua expressão humana característica, por seus atos e costumes, pelo comportamento que às vezes contrasta com os grupos que compõem a comunidade. Nessas atitudes, identificam-se muitos traços de sua origem, porém não é mais o camponês que veio. Adaptou-se, adquirindo novos hábitos, constituindo assim um tipo único da nossa região, caracterizando a imigração européia, não portuguesa.
 
 
 Bibliografia

 
(Trabalho executado por Aline Kornatzki e Rafael Pires Machado sob a orientação do professor Paulo Roberto Bühler, em 1997.)

 
 

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