1- Histórico do Processamento de Dados
Por volta do ano 1000 a.C. surge um instrumento de cálculo, usado pelos povos babilônios e talvez até pelos romanos, denominado ÁBACO. Este instrumento é hoje muito utilizado pelos povos orientais. Executa as quatro operações e é considerado o primeiro computador digital.
Computador digital é aquele que apresenta os resultados em forma numérica.
Em 1622, o matemático inglês Willian Outhred, inventou a régua de cálculo que executa as quatro operações, um exemplo de computador analógico. Computador analógico é aquele que apresenta os resultados em escalas ou intervalos.
Um outro exemplo de dispositivo analógico é o termômetro comum, que tem escalas mostrando todas as temperaturas possíveis dentro de um certo intervalo.
Em 1623, Francis Bacon é o primeiro a usar aritmética de base 2, ou seja, números binários.
Em 1642, o matemático Blaise Pascal projetou e construiu a Pascaline, o primeiro computador digital mecânico (somadora mecânica que usava engrenagens).
No ano de 1671, o alemão Gottfried Von Leibniz inventou uma máquina de calcular que efetuava multiplicações e divisões.
Em 1802, o francês Joseph Marie Jacquard automatizou um tear com cartões perfurados, que passou a ser utilizado por outros inventores.
Em 1833, Charles Babbage, um matemático inglês, projetou a Máquina analítica, que foi precursora do computador de nossos dias. A máquina seria acionada a vapor e deveria usar cartões perfurados (como no tear de Jacquard). Esta máquina nunca chegou a funcionar. A sua auxiliar neste projeto foi a filha de Lord Byron, Lady Ada Lovelace, que é considerada a primeira programadora do mundo. Apesar do fracasso de Babbage, ele é considerado o "Pai do Computador". Suas idéias são os fundamentos sobre os quais, se baseiam os computadores de hoje.
O processamento de dados toma vulto, quando em 1880, o Dr. Herman Hollerith inventou uma máquina para acumular e classificar informações referentes ao Censo Americano. Nesta época o Dr. H. Hollerith trabalhava no United States Bureau of the Census. Após criar a máquina ele fundou a Tabulating Machine Company, que mais tarde passou a chamar-se International Business Machines Corporation, mundialmente conhecida como IBM.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a IBM financia a construção do equipamento MARK I; esta máquina era controlada por meio de programas, executando três adições por segundo.
O grande passo, entretanto, foi dado com a criação em 1946 na Universidade da Pennsylvania (EUA), do ENIAC (Eletronic Numetic Integrator and Calculator). Era uma versão a válvula do MARK I, que utilizava o sistema binário para a realização de cálculos, possuindo 18.000 válvulas. Foi construído para efetuar cálculos de balística, o que não ocorreu, pois a guerra terminou antes da conclusão do projeto. Nasce a primeira geração de computadores.
De 1939 até o início de 1950. Os computadores dessa geração eram muito grandes, de difícil manutenção e consumiam uma grande quantidade de energia. As válvulas eram ligadas entre si por quilômetros de fios colocados manualmente. Nesta época possuíam apenas programação interna e as operações que executavam não mereciam confiança.
Final de 1950 até o início de 1960. Nesta fase as válvulas foram substituídas por transistores de silício, que provocaram uma redução no tamanho dos computadores. A linguagem de programação foi simplificada; era usado o ASSEMBLER.
Meados de 1960 até 1973. Nesta geração a IBM contribui sensivelmente. Microcircuitos, com dimensões comparáveis a um grão de sal, possibilitaram um grande aumento da capacidade de trabalho dos computadores. As linguagens mais importantes desta geração foram FORTRAN e COBOL. Esta tecnologia ficou conhecida como SLT (Solid Logic Technology).
Desde 1973 até o momento. O novo padrão de Microcircuitos (VLSI - Very Large Scale Integration) possibilita à IBM dar mais um passo. Devido a está tecnologia foi possível a construção de computadores pequenos rápidos e com grande capacidade de memória.
3- História do Microcomputador
O surgimento dos micros não está desvinculado da história geral dos computadores, mas certamente compõe um importantíssimo capítulo à parte.
De fato, o evento dos micros tem dado origem a uma verdadeira revolução na organização do trabalho humano, trazendo aumento da produtividade, liberação de tempo, eliminação de tarefas cansativas, o trabalho à distância etc.
Isto se tornou possível graças à perseverança, entre outros, de nomes pioneiros como Sir Clive Sinclair, empresas como Tandy Radio Shack, visionários como Steve Wozniak e Steve Jobs, Bill Gates e a própria IBM.
Particularmente interessante foi a contribuição dos dois Steve.
Por volta de 1976, ambos funcionários da Hewlett Packard, Wozniak (ainda não engenheiro) teve a idéia de tentar desenvolver, a partir de componentes disponíveis no mercado, um pequeno computador que reproduzisse em escala doméstica trabalhos realizados nas máquinas de grande porte da HP. Seria basicamente uma máquina barata, rápida (esse era o nó górdio) e acessível a pequenas empresas e muitas pessoas.
Com a ajuda de Jobs, criou um pequeno e rudimentar computador, que utilizava um televisor como vídeo e um gravador comum para a gravação e leitura de dados. O "teclado" era composto por chaves para a programação e digitação e Wozniak nele começou a desenvolver pequenos trabalhos.
Satisfeitos com os resultados, procuram a direção da HP e ofereceram o projeto. Numa atitude que deve provocar até hoje porfundos arrependimentos, a HP desprezou-o, alegando que era inviável, coisa de lunáticos (quem iria querer um computador em casa?).
Wozniak e Jobs, acreditando nas possibilidades, melhoraram o projeto e procuraram um conhecimento que possuía uma loja (a Byte Shop), obtendo dele o entusiasmo e a encomenda de 50 unidades.
Como não tinham financiamento, venderam tudo que puderam (até mesmo uma Kombi e uma calculadora de HP usadas) e obtiveram um pequeno empréstimo baseado na encomenda recebida (aí o talento de Jobs), comprando então os componentes para as principais máquinas, montadas a duras penas em uma garagem. Estava lançado o Apple I, a tentadora maçã. Com as primeiras vendas, conseguiram o retorno para a montagem restante (e começaram a pensar no Apple II).
Fundava-se a Apple Computers.
Inicialmente restrito a hobbistas (já demandava bom tempo de treinamento para a programação, feita em linguagem de máquina), o Apple II recebeu impulso definitivo quando um grupo desenvolveu um programa para cálculos cujo processamento demandava poucas horas de treinamento: o Visicalc, primeira planilha eletrônica para micros.
O ano de 1978 marcou o início do sucesso estrondoso do Apple, abrindo caminho para os microcomputadores. Estabeleceu-se daí em diante a regra de que o software que vende o hradware, não o contrário.
Poucos anos depois a Apple Computers entrava para o rol das 500 maiores empresas do mundo.
Coube a Bill Gates, fundador da casa do software Microsoft, escrever a primeira linguagem BASCI (já criada em 1965) para micros.
O sucesso dos microcomputadores despertou o interesse da gigantesca IBM. Em 1980, convencida da viabilidade, ela iniciou silenciosamente o desenvolvimento de uma máquina nos moldes do Apple, baseada em componentes de mercado. Ciente da necessidade de software para o êxito de seu micro, contactou a Microsoft de Bill Gates e, em meados de 1981, surgiu o IBM PC, o computador pessoal (Personal Computer) da IBM.
A acirrada competição entre os fabricantes de micros tem originado, nestes anos recentes, verdadeira avalanche sobre o mercado, deixando permanentemente atordoados os usuários e fabricantes de software. Pelo lado bom, vemos os preços caírem continuamente, o poder e opções de processamento e a velocidade aumentarem; pelo aspecto preocupante, vemos crescer a rapidez da obsolescência das "gerações" de micros, com o software nunca esgotando as potencialidades das máquinas. Pode-se dizer que, do ponto de vista prático, o hardware está sempre muito à frente do software.
Os micros, verdadeiramente começaram a nascer no início da década de 70 e, até que surgisse o Apple, levaram uma vida discretíssima, contando apenas com a boa vontade de alguns e o entusiasmo dos pioneiros.
Lentamente surgiram as máquinas que viram compor as principais famílias de microcomputadores: na Inglaterra, os Sinclair (que no Brasil puderam ser gradativamente vistos nos modelos ZX-Spectrum, TK-80, TK-82, TK-83, TK-85, TK-90 e TK-95 (vistos no Brasil como CP-200, CP-300, CP-400, CP-500, S-600 e S700) e finalmente os Apple (no Brasil, Polymax, Dismac 800, Unitron, Elppa e outros).
Como a idéia básica era barateá-la ao máximo, estás máquinas eram oferecidas em geral com apenas unidade central de processamento (CPU) e o teclado. O vídeo poderia ser um televisor ligeiramente adaptado, o meio de armazenamento e leitura de dados ou programas poderia ser um simples gravador, equipamentos que, esperava-se, o usuário possuísse.
Para que os potenciais usuários não dispendessem tempo e dinheiro adicionais, estas máquinas proviam, geralmente, os meios para sua rápida utilização: embutidos, gravados permanentemente em sua memória (CPU, memórias ROM e RAM serão vistas mais adiante), vinham alguns programas.
Uma das principais características originais destes micros era, então, a ocupação de grande parte da memória com programas embutidos, restando comparativamente pouca memória como área de trabalho.
Somente a extrema aceitação destas máquinas permitiu que aos poucos fossem desenvolvidos módulos especializados, complementares.
Quando estes surgiram, aqueles tornaram-se computadores revolucionários e festejados, incorporando-se rapidamente ao cotidiano de muitas empresas. Com o passar do tempo e o contínuo desenvolvimento de mais e melhores micros, foram gradualmente inseridos no ambiente chamado "doméstico" (residências, profissionais liberais e escolas).
A evolução dos Cls de 8 bits (que processam informações segundo o tamanho do byte) levou aos Cls de 16 e depois aos de 32 bits (processando, respectivamente, informações do tamanho de dois e quatro bits).
Nesse caminho, os micros ganharam muito a velocidade, capacidade de processamento e memória, alcançando ampla utilização, principalmente nas empresas. Com esse público alvo em geral possui poder aquisitivo suficiente, os micros puderam modificar-se, assando a ter poucas instruções embutidas e agora uma grande área de memória para trabalho. Também novos e mais versáteis módulos complementares puderam ser desenvolvidos.
Este micros mais poderosos compõem o grupo dos chamados micros profissionais. Entre eles destacam-se os da IBM (a família PC e agora PS) e os da Apple (a linha Macintosh)
O primeiro IBM PC lançado em agosto de 1981, quase foi um computador de 8 bits. Diz-se que Bill Gates foi responsável pela mudança de planos da IBM, convencendo-a de que o padrão vigente logo apresentaria sinais de esgotamento.
Baseado no microprocessador Intel 8088 de 16 bits, o primeiro PC tinha memória de 128 Kbytes, o dobro do comum para máquinas de 8 bits, e permitia a conexão de dois acionadores de discos flexíveis, cada um admitindo um disquete com capacidade para 360 Kbytes. Sua velocidade de processamento era de aproximadamente 0,25 mips.
O segundo membro da família , o IMB PC-XT (eXTended), lançado em 1983, era semelhante ao anterior; mas incluía uma grande novidade: um disco rígido, de alta capacidade de armazenamento (cerca de 10 milhões de bytes, ou 10 Mbytes), que podia ser colocado internamente na máquina e acessava as informações cinco vezes mais rapidamente que os drives de disquetes. A esta altura já haviam saído modelos com 256 Kbytes de memória (embora o limite fosse 1.024 Kbytes, ou 1 Mbyte).
O terceiro lançamento, baseado no microprocessador Intel 80286, de 16 bits, conhecido como IBM AT (Advanced Technology), além de naturalmente mais rápido, incorporou um disco rígido de 20 Mbytes. O AT, surgido em meados de 1984, com 512 Kbytes de memória, mas podendo a chegar a 3 Mbytes, possuía o poder de computação equivalente a 5 PCs, aproximadamente 1,25 mips.
Em 1986, baseado no microprocessador Intel 80386, de 32 bits, surge o quarto membro, com memória alcançando até 16 Mbytes e poder de processamento semelhante ao de um minicomputador de há alguns anos, atingindo a faixa de 2,5 a 5 mips.
A família PC alcançou sucesso mundial, sendo profusamente copiada por inúmeros outros fabricantes (uma política deliberada da IBM, tendo em vista tornar sua máquina padrão).
A partir de 1987, a IBM descontinuou toda esta família, optando pelo lançamento de uma variação evoluída, baseada ainda em microprocessadores Intel 8086, 80286 e 80386, denominada Personal System ou, simplesmente, PS.
A família desde então continua aumentando nos dias atuais temos vários tipos de processador, sendo o último lançamento o Pentium II 400 Mhz.