Biografia
Pseudônimo de Eugène Émile
Paul Grindel, nasceu em Saint-Denis em 1895, filho de uma família
de classe média alta. Foi obrigado a interromper os estudos, para
se tratar de uma tuberculose, no sanatório de Clavadel, na Suiça,
em 1914. Pelo mesmo motivo lá estava Manuel Bandeira, que tornou-se
seu amigo e admirador, e posteriormente, traduziu alguns dos seus poemas.
Falando dele, Bandeira diz que "era um rapaz bonito, alto, louro e tinha
olhos azuis".Também no sanatório estava uma jovem russa,
Gala, que foi a primeira grande paixão da sua vida e com quem se
casaria em 1917. O primeiro livro de Éluard sai enquanto ele está
se tratando. Tempos depois, Éluard apresenta Gala a Salvador Dalí,
e desse encontro surge entre os dois uma grande paixão.Gala deixa
Paul e vai viver com Dali. Terminada a primeira guerra mundial, Éluard
une-se a André Breton, Luis Aragon e outros, e torna-se um dos poetas
mais marcantes e produtivos do surrealismo. Em 1926, sai publicado O capital
da dor. Casa-se com Nunsch, sua segunda grande paixão, em1934. Durante
a guerra civil espanhola, Éluard se desliga do grupo surrealista
e se engaja no partido comunista. Na segunda guerra mundial, ele se torna
o Poeta da Resistência: "Paris a faim/ Paris a froid/ Paris ne
mange plus des marrons dans la rue." E com Paris ocupada pela Wermacht,
um dos seus poemas é distribuído clandestinamente: Um Só
Pensamento. Que torna-se seu poema mais conhecido. Quando termina a Segunda
Guerra, Paris e o mundo respiram melhor. Mas a morte
de Nunsch, em 1946, leva Éluard ao desespero. Se ele foi o poeta
da resistência, foi também o poeta do amor. Dizia que não
pode existir revolução sem amor e nem o amor sem revolução.
Morreu em 18 de novembro de 1952 em Charenton-le-Pont.
Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom
Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom
Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom
Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les gênets
Sur l'echo de mon enfance
J'écris ton nom
Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur le saisons fiancées
J'écris ton nom
Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom
Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom
Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom
Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sue la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom
Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom
Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom
Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunies
J'écris ton nom
Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom
Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom
Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom
Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom
Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom
Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom
Sur l'absence san désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom
Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom
Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
UM SÓ PENSAMENTO
Nos meus cadernos de escola
Minha carteira e nas árvores
Nas areias e na neve
Gravo o teu nome
Em cada página lida
Em cada página em branco
Papel pedra sangue ou cinza
Gravo o teu nome
E nas imagens douradas
E nas armas dos guerreiros
Ou na coroa dos reis
Gravo o teu nome
Na floresta e no deserto
E nos ninhos e nas giestas
Nos ecos da minha infância
Gravo o teu nome
Nas maravilhas das noites
Ou no pão branco dos dias
Nas estações em noivado
Gravo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
No charco que é sol mofado
No lago que é lua viva
Gravo o teu nome
Nos campos e no horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Gravo o teu nome
Em cada sopro de aurora
No mar em cada navio
Na montanha desvairada
Gravo o teu nome
No fofo musgo das nuvens
Nos suores das tempestades
Na chuva grossa e enfadonha
Gravo o teu nome
Nas formas resplandecentes
Ou no carrilhão das cores
Na simples verdade física
Gravo o teu nome
Nos atalhos acordados
Nas estradas desdobradas
Ou nas praças transbordantes
Gravo o teu nome
Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
No casario apinhado
Gravo o teu nome
No pomo cortado ao meio
De meu espelho e meu quarto
No leito concha vazia
Gravo o teu nome
No meu cão guloso e terno
Na sua orelha espetada
Na sua pata sem jeito
Gravo o teu nome
No limiar da minha porta
Nos objetos familiares
Nas ondas do fogo bento
Gravo o teu nome
Em toda carne cedida
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão estendida
Gravo o teu nome
Nas vidraças das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Gravo o teu nome
Nos meus refúgios destruídos
Nos meus faróis destroçados
Nas paredes do meu tédio
Gravo o teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão toda nua
Em cada degrau da morte
Gravo o teu nome
Na saúde que voltou
No perigo que passou
Na esperança sem saudade
Gravo o teu nome
Graças a uma só palavra
Reconheço a minha vida
Nasci para conhecer-te
E chamar-te
Liberdade.
EM SEU LUGAR
Raio de sol entre dois límpidos diamantes
E a lua a se fundir nos trigais obstinados
Uma imóvel mulher tomou lugar na terra
No calor ela se ilumina lentamente
Profundamente como um broto e como um fruto
Nele a noite floresce e o dia amadurece