Amor Profano

 

Tua sedução atravessou as luzes dos vitrais

Invadiu meus olhos na justa medida

Da volúpia do amor e do desejo da carne

Feitas nódoas que orvalham os rituais

Num corpo aberto clamando por ti

Em altares sagrados e cerimoniais

Que serpenteiam orgias amorais

Em cálices indecentes, delinqüentes,

Nos degraus da pureza e na escada do pecado.

Todo nu, claro, aceso, deixando-te escorrer

No conquistado sobre as muralhas

Em quentes fornalhas de dentro de mim

E não me escondo, me atiro no proibido,

Nas palavras, no ativo, no presente,

No teu corpo que viola meu trajeto

Num rompante, sem advertências,

Alojas-te num ímpeto em minhas reentrâncias

E não me amordaço....

 

Sei de onde vem e não sei para onde vai.

Quero-te homem já que não me detém

Pois que aqui estou perdida no profano

Das tuas emboscadas fatais ardendo em labaredas sensuais

Gemendo num verbo, morrendo de tesão,

Ajoelho-me nesse mar pagão.

Contorço-me em tuas mãos, sugo tua boca molhada de paixão

Que arrebatada pela minha seiva lambe todos meus sentidos.

Quero e permito sacrilégios....

Mergulho nas correntezas que me arrepiam,

Envolvo-te em meus braços . Meus seios na tua boca

Minha língua nos teus ouvidos

Encaixo-te entumescido na invasão do meu ventre

Dilatado em gemidos de dor e contração.

Remexo-te na carne imponente que penetras

Fazendo do teu corpo a minha prisão.

Quero-te mais no vai e vem liso

Em que deslizo, no sobe e desce que me esfolheia,

Em vertigens que me despenteiam...

 

Alucino, dou-lhe as costas que imploram a clemência do teu domínio

Em ondas frenéticas de possessão

entre palavras soltas, gemidos ofegantes

Prende-me em tuas mãos, ritma o meu quadril

Avermelham-se os montes que friccionam nesse ir e vir do teu corpo

No prazer do estalo da tua mão que se delicia na minha carne.

Enlouquece-me teu arfar de prazer extasiado

Que explode no grito, na baba, no apetite, no gozo,

No garbo, na reza, nas pontas dos dedos, no fundo dos olhos

Na malícia, na audácia, na verve, na febre,

Vencendo-me extenuada, amada,

No templo dos teus grilhões.

Sou teu ofício no pecado eternizado

Imersa no perfume dos cios

Até que nossos corpos se apaguem no final

E não te acuso de réu

Entrego-me em troféu.

 

Vilma Orzari Piva

 

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