SAGRADO E PROFANO AMOR
Vejo em ti, profana criatura,
O que outros homens não vêem
O sagrado manto de tua alma
Que brilha como de ninguém.
É certo que já não tens
O mesmo frescor, das rosas em botão,
Mas ostentas a diabólica expressão,
Que outrora me fez refém.
Tens ainda o mesmo ar dominador e altivo
O mesmo olhar, os mesmos olhos azuis,
Que dominou minha alma por todo infinito
No sagrado leito que ainda reluz.
Tens o mesmo sorriso, o mesmo talhe da boca,
Contornados por dois lindos lábios carmim
Que num sagrado dia colaram aos meus num beijo,
Vibrando a corda que tange o doce, lampejo,
Sinto ao ver-te, criatura profana e mortal
O que sente um mísero proscrito
Que após longos anos de exílio
O divisar a distancia sua terra natal.
Minha vida daria por ti, oh... Santa criatura!!
No entanto me afastas de teu convívio,
Profanaste minh'alma, exilando-me de teus seios
E agora mostras-te arrependida querendo meus beijos.
Neste momento não sei qual decisão tomar,
Se renego o amor que me vai no peito,
Ou entrego-me esquecendo os teus feitos,
Deste sagrado e profano amar.
Marcelo Coelho
Poeta Lunático®