Titulo: um novo mundo
Autor: KittyBlue
Capítulos: prólogo + 04 capítulos + epilogo
Status: completo
Tipo: semi-au, yaoi, ooc, a bit of romance, talvez lime ainda não sei
bem!
Rating: R
Pares: Yohji x Aya; Ken x Omi
Sumário: uma nova missão leva Weiß para um mundo completamente diferente
de tudo o que eles conhecessem..
Avisos: este fic é essencialmente R, mas lá para o fim talvez venha a
aumentar o rating, ainda não sei! Devem aparecer algumas personagens minhas
(ainda não me decidi)e existe certamente OOC!
C&C: Podes contactar-me através de Email ou pelo ICQ
(145672919)
Disclaimer: as personagens do anime/manga Weiß Kreuz não são minhas, eu
apenas escrevo para me divertir e distrair. A historia e as outras personagens
(que não sejam do elenco de Weiß) são minhas!! Nada de utilizar sem avisar!
Leiam e digam-me que acharam... ^-^
Um
Novo Mundo
by KittyBlue
PRÓLOGO
Quatro jovens entraram e imediatamente se espalharam pela sala. Uma ruiva no seu fato totalmente vermelho aproximou-se de cada um deles distribuindo uma pasta. Ela parou novamente no centro da sala chamando atenção de todos.
- Esta é a vossa nova missão, Weiß. – ela olhou para cada um deles e continuou em seguida. – Seiki Hirano, anda a utilizar uma das suas propriedades para vender droga. Inicialmente achamos que não seria um grande problema mas depois da Kritiker investigar melhor as suas actividades, chegamos à conclusão de que se tratava de algo mais sério.
- Como o quê? Ele anda a vender droga nas escolas ou anda a fornecer a mafiosos? – perguntou um loirinho, Omi, curioso.
A ruiva ignorou a pergunta continuando aquilo que dizia. – Parece que o senhor Hirano anda a utilizar vários tipos de drogas para fazer experiências. Persia decidiu enviar-vos que deveriam ser vocês a ficar com esta missão, porque precisamos descobrir exactamente o que se anda a passar. Kritiker decidiu a execução de Seiki Hirano, mas vocês devem deixar os restantes empregados e sócios vivos.
- Só isso Manx? – perguntou um moreno que estava sentado no sofá, Ken. – Acho que temos de admitir que esta missão não do tipo que estamos a acostumados a receber. Matar sim, investigar... nem por isso.
- Ele tem razão. – disse um ruivo, Aya, encostado a uma parede. – O nosso objectivo é apenas invadir uma propriedade privada, matar o proprietário, Seiki Hirano... só isso?
- Precisamos que descubram exactamente o que ele anda a fazer com as experiências. – acrescentou Manx finalmente. – Precisamos que vocês saibam também que esta missão será um pouco mais perigosa do que as outras. Primeiro porque não sabemos aquilo que vos espera e depois porque vocês não podem fazer testemunhas, desta vez apenas têm de investigar, matar e sair de lá. Entendido?
- Claro. – respondeu Yohji, o loiro que estava deitado confortavelmente no sofá. – Isto vai ser canja. Quanto tempo temos para completar a nossa missão?
- Na pasta que eu distribui está tudo o que necessitam saber. Se precisarem tiverem mais alguma dúvida, contactem a Birman. – respondeu ela simplesmente, ela esperou alguns minutos enquanto os elementos da Weiß Kreuz leiam os documentos, finalmente ao ver que não haveria perguntas saiu da sala.
Omi foi o primeiro a terminar a sua leitura, ele olhou em redor para os outros e percebeu que o único que parecia ter terminado era Aya. Ele levantou-se aproximando-se do ruivo.
- Aya.. não achas estranho eles não terem nos dado novas identidades? – perguntou de repente o loirinho. – Se vamos estar num sitio onde devemos apenas matar o tal Hirano, talvez devessem ter em conta que podemos acabar suspeitos do crime.
- Nem por isso. Apenas um de nós vai o matar. – respondeu Aya arrumando tudo e saindo da sala sem dizer mais nada.
Ken levantou-se e aproximou-se de Omi.
- Acho que esta missão vai ser lixada. Temos o prazo de um mês para a concluir. Não me lembro de termos tido mais do que uma semana para missões. – disse o moreno preocupado. – Que achas tu, Yohji?
- Eu acho que algo não bate certo aqui. Sou o único? – respondeu Yohji levantando-se e aproximando-se dos outros dois. – Além do tempo, acho que essa historia de não termos novas identidades é estranha..
- Apenas temos de tomar cuidado para ninguém nos descobrir. Por um lado até entendo não nos darem novas identidades.. – Omi pausou e olhou para Ken dando-lhe um sorriso. – Acho que eu não me lembraria metade das vezes de chamar outro nome a qualquer um de vocês. Suponho que seja melhor limitarmo-nos a aceitar as nossas opções, a Manx disse que ia ser uma missão perigosa.
- Desta vez ela nem deu hipótese de algum de nós não querer participar. – disse Yohji algum tempo depois. – Mas ok.. vou preparar-me, pelo que diz aqui. – ele apontou para o monte de papeis na sua mão. – Vamos embora já amanhã.
Yohji saiu da sala deixando Omi e Ken sozinhos.
- Vais preparar tudo agora? – perguntou o moreno.
- Não. Prefiro antes dar uma nova vista de olhos aos documentos que a Manx nos deu. E acho que ainda vou investigar algumas coisas na net. Só mais tarde vou preocupar-me com aquilo que vou levar na missão.
- Ok. Até logo Omi.
Ken saiu e Omi dirigiu-se para o computador. Ao aceder a base de dados da Kritiker o loiro começou a vasculhar todas as informações que eles poderiam ter sobre o alvo. Alguns minutos depois Omi encontrou finalmente algo de útil.
- Acho que esta missão tem algo mais por trás do que eles nos fazem crer.
~*~*~
Capitulo 1
A viagem tinha sido curta apesar de para alguns dos elementos da Weiß Kreuz tivesse sido demasiado comprida. Ken saiu do avião e respirou profundamente. Omi estava atrás dele a rir-se. Yohji e Aya observavam tudo de longe.
- Nunca mais! Eu sabia que eu devia ter tentado convencer-vos a vir de barco, carro, qualquer coisa menos de avião! – disse Ken. – Já não me lembrava porque odiava aviões!!
- Para cá podes vir como quiseres. – disse o ruivo. – Apenas achei que preferias, tal como todos nós, perder duas horas em vez de o mês inteiro na viagem para cá.
Ken apenas ignorou Aya continuando a reclamar que nunca mais entraria num avião. O loirinho estava a tentar confortar Ken, dizendo que para casa os dois iriam como ele queria.
- Tão querido da tua parte, chibi! – disse Yohji rindo. – Talvez até possam os dois fazer um cruzeiro romântico pelo mar.. imagina.. tu e o Ken... – o loiro riu-se ainda mais ao ver Omi e Ken vermelhos como um tomate.
- Parem de brincar e vamos andando. – disse finalmente Aya dirigindo para o aeroporto onde deveriam ter alguém à espera deles.
Depois de esperar mais meia hora pelas malas finalmente os quatro viram-se fora do local. Enquanto Ken, já deixando para trás a horrível viagem de avião, ria-se de algumas coisas que Omi e Yohji diziam, o ruivo apenas parecia amuado por ainda estar ali.
- Relaxa Aya! Não é todos os dias que vamos para outro pais para completar uma missão! – disse Ken sorrindo. O ruivo olhou para ele pronto a dizer qualquer coisa maldosa mas Omi com os seus olhos de cãozinho abandonado fez com que ele se calasse. – Que tinhas também em Tokyo que te fizesse querer ficar lá?
- Exactamente! – disse Yohji. – Estamos na Irlanda, prontos para tudo o que vier. Nunca pensei que viesse aqui por minha livre e espontânea vontade, e olhem que acertei! Mas agora temos de aproveitar todo o tempo que temos!
- Estás a dizer isso porque descobriste que o tal Hirano aceita todos os anos algumas raparigas para o ajudar nas tais secretas experiências. – disse Ken. – Se pensavas que isto ia ser uma seca, ficaste todo contente ao ter pelo menos umas duas ou três raparigas prontas a ser seduzidas por ti.
- Ken! Nem acredito que tu achas isso de mim... pode ser verdade, mas tens de ter cuidado com a maneira com que falas aos mais velhos! Especialmente se eu for a pessoa com quem estás a falar.. imagina se eu me lembrasse de falar de ti e da tua atitude de desajeitado e envergonhado a todas as mulheres que aparecerem à minhas frente? Isso ia deixar-te ainda mais envergonhado do que já és não é?
- Nem penses em fazer isso, Yohji! Nunca te perdoaria! – disse Ken seriamente. – E eu não tenho culpa que não tenhas sentido de humor! Eu estava a brincar contigo!
- Eu tenho sentido de humor, Kenken, tu é que pareces não ter. – respondeu o loiro a rir. – Vá Ken! Não sejas aqui como o nosso líder e relaxa! Estamos num pais desconhecido, mas vamos fazer tudo para aproveitar a nossa estadia, certo?
Omi riu-se. Ken suspirou pensando em como este mês ia ser longo. Aya por sua vez apenas olhou para Yohji, o seu olhar dizia ao mais velho que não tinha gostado do comentário. Yohji apenas se riu.
- Bem-vindos à Irlanda. – disse alguém. Os quatro olharam para dois homens parados à frente deles, um loiro de cabelo curto e olhos dourados, e um mais velho moreno de óculos. O loiro riu-se e o seu olhar parou em Aya, o loiro apresentou-se e em seguida apresentou o seu companheiro.. – Eu sou Yuushi Honjou e este é Reiichi Shirasaki.
Yohji estranhou os olhares que Aya e o tal de Yuushi estavam a dar um ao outro mas decidiu ignorar por agora. Ele deu um passo em frente. - Eu sou Yohji Kudoh, aquele é o Ken Hidaka e Omi Tsukiyono, e este é Aya Fujimiya.
O loiro deu um pequeno sorriso e fez um gesto para que os quatro o seguissem. O grupo aproximou-se de dois jeeps. O loiro parou novamente e voltou-se para os outros.
- Vamos ter que nos dividir. Dois de vocês vem comigo e outros dois vão com o Reiichi. – Yuushi entrou num dos jeeps enquanto o outro moreno se dirigiu para outro. Omi olhou para Ken e depois para Yohji e Aya.
Aya decidiu-se sem dizer nada dirigindo-se para Reiichi. Omi e Ken dirigiram-se para onde estava Yuushi. Yohji sem muita opção foi atrás de Aya. O loiro sentia que havia algo de muito estranho ali mas preferiu por agora ficar calado, talvez mais tarde pudesse perguntar ao ruivo o que raios se passava com ele.
Enquanto Omi sentou-se à frente, Ken foi para trás. Yuushi sorriu para eles e os dois responderam.
- Antes tenho algumas coisas para vos dizer. – disse Yuushi. – Eu e o meu amigo fazemos parte de uma equipa da Kritiker, somos os Crashers. – Yuushi olhou para os seus dois convidados e riu-se ao ver a cara de surpreendidos deles. – A Queen, a nossa representante achou que seriamos uma grande ajuda para vocês.
- Acredito que sim. – respondeu Omi. – Então iremos trabalhar com vocês?
- Não é bem isso. Quando vocês saírem para investigar os laboratórios terão de avisar o Reiichi, ele tem um doutorado de médico [1] e será muito útil para aquilo que vocês descobrirem. Eu apenas servirem de guia e caso tenham alguma dúvida sobre a propriedade e tal podem perguntar-me. Eu vim mais para servir de backup ao Reiichi.
- Entendemos. Até acho que a vossa ajuda será bem vinda. – disse Ken sorrindo.
- Não sei, não.. – murmurou Yuushi em voz baixa.
No outro jeep o ambiente era calmo e tranquilo. Reiichi já os tinha informado do que os Crashers estavam ali a fazer, e enquanto Yohji estava mais animado por ter menos trabalho a fazer, Aya continuava calado e quieto.
- Quando pretendem fazer a primeira investigação? – perguntou Reiichi.
- Eu não sei. – disse Yohji. – Que achas Aya?
- Se pretendem investigar à noite teremos de levar também o Yuushi. – disse Reiichi de repente quando o ruivo ia responder. - Se vocês ainda não sabem muito sobre o sitio. Posso dizer-vos que a propriedade de Seiki Hirano é algo como um safari, existem animais ferozes e perigosos à solta, animais selvagens. A primeira vez que eu e o Yuushi tentamos investigar íamos sendo mortos por um tigre.
- Wow! Isso é mau! Eu não quero ser comida para animais selvagens! – disse Yohji olhando para Aya. – Teremos de preparar melhor os nossos planos. Sabíamos claro que teríamos de invadir laboratórios, e a Manx disse que íamos para um parque mas não nos disse que seria um parque selvagem!
- Teremos apenas de ter mais cuidado. – respondeu Aya finalmente. Reiichi olhou para Aya, que tinha se sentado nos bancos de trás do jeep.
- Mas mesmo assim.. animais selvagens! Teremos de arranjar alguns tranquilizantes, já que somos impedidos de matar, lembraste? Isso deve também incluir animais.
- O vosso alvo é o Hirano. – disse Reiichi num tom controlado e calculado. - As investigações serão essencialmente para mim e para o Yuushi. Eu e ele iremos com vocês quando acharem que precisam da nossa ajuda, mas cada um dos nossos grupos têm as suas missões. – Reiichi deu um pequeno sorriso.
- Qual é a vossa missão? – perguntou Yohji. – E falta muito para chegar?
- Mais ou menos dez minutos.. e a nossa missão é destruir os laboratórios onde o Hirano anda a fazer as suas tenebrosas experiências.
- Hum. Que sabem vocês sobre isso? – perguntou o loiro. Yohji começou a ficar um pouco chateado de ser ele apenas a falar, mas ele sabia que se tivesse à espera que Aya dissesse alguma coisa mais valia esperar o resto do dia.
- Apenas sabemos que ele começou por fazer experiências com humanos, mas depois de os resultados só darem na morte dos projectos, Hirano decidiu-se a utilizar animais selvagens, infelizmente ainda não descobrimos o que ele tanto tenta fazer, mas sabemos que parece que está a dar certo.
- Vocês estão aqui há quanto tempo? Fomos informados que ele tinha também alguma ligação com vendas de drogas. Será que ele está a tentar arranjar uma nova droga?
- É uma possibilidade, que infelizmente só descobriremos ao investigar melhor isto.
Yohji assentiu com a cabeça e olhou pelo retrovisor para o calado e quieto líder da Weiß. Aya estava a olhar seriamente para Reiichi, talvez se sentido observado, os olhos ametistas cruzaram-se com os de Yohji, mas ele imediatamente desviou o olhar para a paisagem que passava.
Os dois jeeps pararam finalmente à frente de um enorme portão. Os quatro elementos da Weiß estudavam com atenção aquilo que cercava a propriedade. As cercas eram de arame farpado, impedindo qualquer pessoa de entrar ou sair, sem contar claro pessoas que tivessem uma katana ou coisas afiadas o suficiente para romper a cerca.
Os dois carros entraram para dentro da propriedade. Parando em frente a uma enorme mansão que estava localizada no centro de tudo. Em minutos estavam todos fora dos jeeps e em frente à mansão.
- Algumas informações primeiro. – disse Yuushi chamando atenção para ele. – Esta propriedade está dividida em três zonas. A zona habitacional, que é esta mansão e algumas pequenas casas espalhadas por perto; a zona de investigação, onde estão os laboratórios; e a zona animal. – Yuushi deu um sorriso ao ver que todos olhavam em redor. O loiro aproximou-se de Aya mas quando estava frente a frente com ele, o ruivo olhou para ele. – Acho que estão informados de tudo por isso.. o Reiichi vai leva-los ao sitio onde 'viveram' durante este mês. Eu tenho de ir ter com o Hirano dizer que os seus convidados chegaram. – Yuushi afastou-se.
Reiichi apontou para um casa ao lado da mansão. Não era uma cabana podre ou sequer pobre, mas também não tinha a riqueza de uma mansão. Ao entrarem na residência os quatro ficaram espantados.
- Neste primeiro piso vocês têm a sala de estar, cozinha e uma casa de banho. No segundo encontraram quatro quartos. Acho que deixo-vos para se acomodarem. – Reiichi ia a fechar a porta quando Yohji lembrou-se de perguntar como os podíamos contactar. – Eu e o Yuushi somos convidados na mansão, é só perguntar por nós na recepção, ninguém achará estranho, já que eu sou o médico e o Yuushi o guia.
Reiichi despediu e fechou a porta. Os quatro membros andaram à deriva pela casa, ambientando-se com cada cómodo da casa, depois de alguns minutos os quatro subiram para escolher os quartos.
Yohji abriu a primeira porta enquanto Omi abria a porta do quarto em frente.
- Os quartos são todos iguais. – disse Yohji. – Eu fico já com este.
Ken abriu outro quarto e entrou dizendo que iria ficar com aquele. Aya seguiu o corredor e abriu a porta do quarto ao lado do quarto do Yohji. Entrando olhou em redor, sem achar nada de especial aproximou-se da janela. A vista não era nada de especial, apenas se viam alguns planaltos com árvores e relva, um pequeno lago no meio. No outro lado viam-se alguns edifícios que Aya suponha ser alguns dos laboratórios.
Yohji entrou no quarto do ruivo e ao vê-lo a olhar pela janela aproximou-se. Uma coisa de que por acaso não se tinha lembrado era de ver a vista do seu quarto, mas como era ao lado do de Aya deveria ser a mesma.
- Bonito. – disse Yohji sem pensar. O ruivo olhou para ele e o loiro apenas riu-se. – Agora podemos conversar, oh meu líder?
- Conversar? Sobre o quê?
- Sobre o facto de tu pareceres ter alguma coisa contra os nossos dois novos amigos. Na viagem para aqui, não disseste quase nada, e nem digo nada em relação ao loiro. Parecias estar a dizer só com o teu olhar que o matavas se ele se aproximasse de ti.
- Que engraçado, eu ando a tentar dizer-te isso à meses e tu pareces não entender! Devo estar a perder o meu jeito, não é, Kudoh?
- Acho que eu estou a acostumar-me com os teus olhares fatais. – Yohji riu-se. – Diz-me só uma coisa, existe alguma razão para eu me preocupar, nós nos preocuparmos com eles?
- Não. Eles não são perigosos. Nós sim somos perigosos.
- Hum.. posso parecer indiscreto mas apenas me preocupo.. tal como me preocuparia se acontecesse algo do tipo com o Omi ou o Ken, mas eles diriam se havia algum problema e tu não.. só estou aqui por isso.
- Esquece, Kudoh. E podes sair? Quero mudar de roupa e.. estudar os meus planos melhor. Acho que teremos de mudar de estratégia.
- Isto é muito diferente daquilo que imaginavas.. eu também tenho de admitir isso. – Yohji levantou-se e caminhou até à janela. – Nunca pensei que iria ter de enfrentar animais selvagens.. já percebeste que os tais laboratórios que temos de investigar, são no meio da zona animal, certo?
- Sim. Mas acho que com a ajuda do Shirasaki iremos conseguir.
- Pois.. e com a ajuda do Yuushi? Não contas com a ajuda dele?
- Por agora preciso de ver exactamente com o que estamos a lidar. Melhor prevenir do que remediar.
- Tens razão. Eu vou dar uma volta, reconhecimento e isso tudo. Adeus.
Yohji deu um último sorriso e saiu do quarto. Aya suspirou e desejou talvez pela primeira vez desde que fazia parte da Weiß estar de volta a Tokyo, numa loja cheia de raparigas a chatear, uma vida que ele tinha começado a aprender a amar.
~*~*~
Capitulo 2
O dia seguinte começou normalmente, os quatro elementos da Weiß acordaram numa casa diferente, num pais diferente, mas isso não impediu que a manhã começasse da mesma maneira do que qualquer outra.
- Bom dia, chibi, Kenken, Ayan. – Yohji sentou-se para beber o seu café, completamente indiferente aos olhares furiosos que os restantes lhe lançavam.
- Bom dia! Yotan! – Omi tropeçou e fez com que Yohji entornasse o seu querido café por todo o lado, sem dúvida que nada foi de propósito.
Ken riu-se e lançou um sorriso malicioso a Yohji comendo um bolo, que por acaso era o preferido do loiro e o último. Yohji olhou para ele e depois para Omi e riu-se.
- Vocês acreditam que eu me vou chatear por causa disto? A minha noite foi perfeita, e por isso a minha manhã começou ainda melhor, nada me vai por de mau humor.
Aya levantou-se e depois de colocar para lavar a sua chávena e uns quantos pratos, olhou para Yohji. Dando-lhe um pequeno sorriso apontou para o lava loiça.
- Então não vais importar-te de lavar a loiça e já agora limpar aquilo que o teu café sujou, certo? Eu e o Ken temos coisas para fazer, por isso vais ficar com o Omi. A trabalhar. – Aya chamou Ken e os dois saíram.
Yohji olhou para Omi. Trabalhar com o rapaz era a mesma coisa que não fazer nada, Omi era o especialista com computadores e por Yohji não gostar nada das maquinetas, acaba sempre por ficar com trabalhos mais práticos.
- Não penses que vais ficar sem fazer nada, Yohji. O Aya preparou tudo para ti. Vais ajudar-me a descobrir o que os ditos laboratórios contem daqui e depois talvez, com alguma sorte, talvez eu te deixe ir ter com eles.. afinal não queremos que eles tenham a diversão toda. – o loirinho sorriu e dirigiu-se para a sala onde estava o seu portátil.
+-+-+
Enquanto Omi e Yohji investigavam as contas de Hirano e tentavam arranjar pistas para saberem onde começar a procurar o que tinha de tão secreto o trabalho do homem; Aya e Ken davam algumas voltas pelo parque. Ao contrário do que eles pensavam não era assim tão difícil aproximarem-se dos laboratórios que eles tanto queriam investigar. O único problema eram mesmo os animais, por incrível que parecesse eles pareciam estar de guarda ao local.
Aya e Ken pararam perto de uma porta de ferro, ao atravessar este obstáculo os dois estariam dentro da zona animal. Apesar do ruivo querer tentar encontrar o caminho sozinho, Ken estava completamente contra.
- Nem penses que eu vou ser isca para um leão ou uma pantera ou sei lá o que esteja para ai para me apanhar!!
- Não sejas estúpido Ken! Mais tarde ou mais cedo vamos ter de entrar no laboratório. Se não formos agora a este vamos a outro e qualquer um deles está vedado por causa dos animais.
-
Mas Aya...!
- Aya nada! Vens ou não?
- Vamos pedir ajuda ao Yuushi. Pelo menos quero saber para onde tenho de ir!
- Ken-
- Não! Se queres ir, ok! Mas não entro ali sem saber como chegar ao tal laboratório! É melhor falarmos com um dos Crashers, eles já sabem como chegar lá em segurança!
- Tudo bem. – Aya começou a andar para a mansão. Ele parou em frente ao edifício. Ken deu alguns passos até estar lado a lado com o ruivo. – Vais lá tu, eu espero aqui. – disse Aya olhando para Ken, a sua expressão desafiava o moreno a contestar, mas Ken preferido calar-se e fazer o que o outro dizia.
Minutos depois Ken e Yuushi saíram da mansão. O loiro sorriu para Aya mas o ruivo não disse nem fez nenhum tipo de expressão. Ken olhou de um para outro e finalmente achando que não ia haver mais nenhum tipo de conversa entre os três, todos seguiram para o sitio onde estavam antes.
Yuushi tirou uma chave do casaco e abriu a porta. Depois de estarem todos dentro do terreno, o loiro fechou novamente a porta. Ele olhou em redor e ao verificar que não havia ninguém por perto retirou de dentro do casaco uma arma.
- Que raios é isso? – perguntou Ken assustado.
- Uma arma, mas com tranquilizantes, caso algum animal apareça no nosso caminho. Tenho 6 dardos, espero que cheguem. – Yuushi preparou a arma e começou a andar. – Temos sorte da zona animal não ser vigiada, as outras duas são por isso teremos de ter cuidado ao entrar nos laboratórios. Para onde vamos então?
Aya olhou para Yuushi durante alguns instantes. – No mapa que nos deram, existe um laboratório marcado a vermelho, estava classificado como ZA15. – disse o ruivo, retirando do bolso o seu telemóvel.
Yuushi pensou durante alguns segundos. Ken olhava para os dois esperando alguma resposta. O loiro finalmente apontou para a esquerda, na direcção de uma parte que estava cheia de rochedos.
- É a parte onde estão os leões, a esta hora eles costumam estar a dormir, as fêmeas por vezes procuram comida, mas é só duas ou três. Vamos.
Os membros da Weiß seguiram Yuushi. Finalmente Ken percebeu que Aya estava a falar ao telemóvel. Ele esperou até Aya os alcançar e perguntou o que se passava.
- O Omi vai desligar as câmaras dentro do laboratório e vai tentar apagar aquelas que nos captaram lá fora, quando estávamos a investigar a cerca.
- Quanto tempo, Yuushi? – perguntou Ken.
- Mais uns cinco. Estamos lá quase. Eu por mim nunca tinha me aproximado deste laboratório, o Reiichi esteve cá no primeiro dia, disse que de todos era o que tinha mais segurança, o estranho era que era em termos de alarmes, ele disse que não viu muitos guardas. Ali está ele.
Os três pararam em frente ao edifício. Aya atendeu o telemóvel, e ao desligar apenas disse que as câmaras já estavam desligadas. Ken tinha acabado de decidir que não ia gostar nada desta missão. Agora sim entendia o perigo da missão, cada vez que tivessem de ir verificar um laboratório se acontecesse alguma coisa não haveria forma de pedir backup.
Yuushi introduziu um código e a porta abriu-se. Aya foi o primeiro a entrar seguido por Ken e logo em seguida Yuushi. O loiro disse para esperarem e ao introduzir um segundo código os alarmes foram desligados e as luzes apagadas.
- Seria impossível fazermos isto sem ter um deles. – disse Ken baixinho para apenas Aya ouvir. O ruivo olhou para Yuushi de relance e voltou o seu olhar para Ken.
Os três continuaram até estarem no centro da sala. Haviam uma data de escadas, mas as principais eram quatro que seguiam para cada polo da sala. Decididos a continuar juntos seguiram para a escada do norte. Ao chegar ao segundo andar cada um dos homens verificou uma sala.
Uma meia hora depois os três encontraram-se novamente. Yuushi sorriu ao ver a cara de desgosto de Ken, o moreno parecia ter encontrado alguma coisa que não estava à espera. Aya aproximou-se deles e apontou para uma sala.
- É a única que falta deste piso, alguma coisa a relatar? – perguntou o ruivo aos outros dois.
- Eu entrei em duas salas que sem dúvida receberam alguma coisa para morrer. – disse Ken. – Uma delas ainda tinha algumas manchas de sangue no chão, a outra estava completamente limpa mas o cheiro do sangue ainda estava no ar.
- Encontraste alguma coisa de importante lá? – perguntou Aya.
- Nem por isso, apenas havia umas arcas tipo frigorifico mas estavam ambas vazias. Os quartos estavam desertos e apenas sei que aconteceu ali alguma coisa por saber o que procurar.
- Hum. Bem, vamos para última. – disse Yuushi.
Os três entraram na sala. Tal como a maioria das outras estava vazia, esta tinha apenas algumas marcas de sangue no chão e nas paredes, mas além disso estava deserta. Yuushi apontou para uma arca.
Aya aproximou-se com Ken. A arca estava vazia com a excepção de um tubo com alguma coisa verde. Yuushi aproximou-se também.
- Levamos? – perguntou o loiro. Ken tirou um tubo de dentro do casaco e depois pegou no que estava na arca. Por causa das luvas não sentiu o frio. Com cuidado passou um bocado do liquido para o outro tubo e voltou a colocar tudo como estava.
- Podemos ir. – disse Ken, dando o tubo a Yuushi. – Pede ao Reiichi para analisar a substancia, infelizmente não temos como o fazer. – o loiro aceitou o tubo, colocando-o no casaco.
Em alguns minutos estavam novamente a fazer o mesmo caminho para a zona habitacional. O sol tinha desaparecido e estava escuro, Yuushi retirou uma lanterna do bolso para os guiar. A arma estava na sua outra mão.
Instintivamente o loiro agarrou Aya puxando-o para si. O ruivo preparava-se para reclamar, até que Ken apontou para a frente. Os três olharam espantados e até certo ponto com medo para uma pantera, que parecia quere-los como jantar.
Yuushi continuou a agarrar Aya. Ken aproximou-se devagar dos outros dois.
- Que fazemos?.. – perguntou Ken.
- Está quieto. – disse Yuushi. – Eu vou desligar a lanterna, Ran agarra-a logo em seguida e aponta para a pantera. Assim eu vou saber onde ela esta e disparo. Ken, nem penses em mexer-te.
Tudo correu como planeado, até que a pantera percebeu os movimentos e lançou-se a Aya. O loiro apenas teve tempo de puxar o ruivo e disparar contra a pantera.
- Aya! Estás bem? – perguntou Ken agarrando o ruivo quando ele parecia que ia cair.
O ruivo apenas acenou com a cabeça e olhou para Yuushi.
- Temos de sair daqui depressa. Estamos em desvantagem, onde está a lanterna? – Aya deu a lanterna novamente a Yuushi. O loiro retirou do casaco dois dardos e deu um a cada um dos outros homens. – Se virem algo a aproximar-se, homem ou animal, atirem e de preferencia para acertar.
Os três continuaram a andar até estarem perto da grade que os ia levar para segurança. Ken foi o primeiro a passar. Aya parou e olhou para trás.
- Ran? – perguntou Yuushi agarrando um braço do ruivo e puxando-o. – Que foi?
- Estava ali alguém. – disse o ruivo continuando com o olhar fixo no horizonte.
- Esquece isso e vamos sair daqui! – disse Ken. – Obrigado. – disse Ken para Yuushi. O moreno tocou ligeiramente o ombro do ruivo. – Vamos?
- Sim. – o ruivo desviou o olhar para o loiro. – Obrigado Yuushi.
Os dois afastaram-se. Yuushi continuou ali algum tempo até decidir que tinha tido excitação para durar o dia inteiro, a única coisa que precisava para completar aquela noite, era mesmo uma cama para dormir.
+---dois--dias--depois---+
Yohji acordou para se encontrar sozinho em casa. O loiro olhou para o relógio e viu que passava um pouco do meio dia. Depois de dar uma volta pela casa para ter a certeza que estava sozinho, Yohji decidiu que antes de mais vinha a calhar um longo e satisfatório banho.
Ao entrar na casa de banho o loiro ficou pasmado a olhar. Aya estava a tomar um duche, a água a correr pelo corpo esbelto e bem definido, os cabelos vermelhos estavam mais escuros por causa da água. Yohji deu por si a dar um passo para trás.
A ideia de ver Aya a tomar banho era algo que realmente nunca lhe tinha passado pela cabeça, e agora frente a frente com a situação Yohji perguntava-se porquê. O loiro parou na entrada da casa de banho de novo, sabia que se o ruivo o visse ali era capaz de o matar. E ia ser de uma forma tão rápida que Yohji nem ia saber o que o atingiu, mas o loiro não conseguia afastar-se.
O som de duas pessoas a rir fez Yohji olhar para a entrada da casa, mesmo que não pudesse ver nada dali, o loiro sabia que devia ser Ken e Omi. Yohji saiu da casa de banho silenciosamente tal como tinha entrada, tendo um cuidado extra ao fechar a porta.
Durante o resto do dia, Yohji permaneceu com aquela imagem na cabeça. Mesmo depois quando viu Aya vestido e com a sua atitude de mal disposto, o loiro continuou a olhar para o ruivo como se ele tivesse nu. O seu olhar acabou por se tornar tão indiscreto que o próprio Aya perguntou a Yohji se ele tinha se esquecido de vestir alguma coisa para o loiro não deixar de olhar para ele durante um segundo.
+-+-+
O sol finalmente desapareceu do horizonte. O céu escureceu e a lua apareceu imponente como todas as noites. Os quatro membros da Weiß estavam na sala, os mais novos a ver televisão para se distrair, Aya estava a ler um livro e Yohji estava a fingir que estava a ler o jornal.
Ken foi o primeiro a notar que Yohji estava a ler o mesmo artigo à mais de meia hora. O moreno ia dizer qualquer coisa quando alguém bateu à porta. Omi correu para a abrir.
Yuushi e Reiichi entraram e depois de compartimentar os quatro, ficaram sérios. Yuushi retirou um tubo, que Aya e Ken reconheceram imediatamente. Reiichi agarrou num papel e entregou ao ruivo.
- A minha análise está completa. – disse Reiichi com um pequeno sorriso. [2]
– Foi interessante tentar perceber o que raio era esta coisa, sabem? – revelou Yuushi a rir. – O Reiichi passou quase uma noite inteira a tentar analisar cada partícula que a substancia continha e finalmente ele pediu-me para lhe trazer um livro.
Reiichi fez um sinal para o loiro se calar, ou melhor para o deixar falar. - No inicio achei que fosse apenas bolor com alguma coisa, mas depois de muitas misturas e soluções que não resultavam em nada, cheguei à conclusão que isto era uma apenas duas coisas juntas, uma planta alucinatória com um pouco de água.
- E isso estava lá a fazer o quê? – perguntou Ken.
- Esta substancia usada com muita água faz com que o efeito seja mais duradouro e mais extenso. – explicou Reiichi. - Talvez por isso as salas sejam tão bem protegidas. E talvez seja por isso que estava armazenada numa arca frigorifica, a água estava a fazer com que o efeito fosse mais forte.
- É possível utilizar isso como uma nova droga? – perguntou Yohji.
Yuushi riu-se. – Se é possível?! Nós decidimos experimentar isto nalguma coisa e por acaso o nosso alvo acabou por ser um leão.. o raio do animal ficou quieto por mais de uma hora, quando finalmente se mexeu foi para cair para o lado.
- Morreu? – perguntou Omi.
- Eu achei que tinha morrido, mas o Reiichi disse para verificar e engraçado.. o bicho estava vivo ainda que por pouco. Chamei um veterinário que além de ter ficado admirado pelos sintomas do animal, achou que alguém lhe tinha dado.. adivinhem?! Ecstasy. O homem disse que se voltasse a encontrar um animal com aqueles sintomas que ele próprio ia chamar as autoridades. – Yuushi entregou o tubo de ensaio a Omi.
- A nossa missão está completa. – disse Reiichi. – Temos provas e só falta acabar com os laboratórios. Agora só temos de esperar que vocês assassinem o Hirano.
- Isso mesmo. Quanto mais depressa vocês façam isso mais depressa estamos de volta a casa.. voltamos para as nossas missões normais.. – continuou Yuushi.
- Também queremos isso. – disse Omi olhando para Aya. – Quando completamos a missão e quem o vai fazer? – perguntou o mais novo. - O Ken e eu ainda temos de verificar um dos laboratórios, o ultimo. Se calhar era melhor ser vocês os dois.
Aya olhou para Yohji. O loiro apenas assentiu com a cabeça.
- Acho que não temos mais nada a fazer. – disse Reiichi. – O Hirano continua estar na mansão, com algumas excepções está nalgum laboratório mas basta perguntar na recepção. Boa sorte, vamos Yuushi.
Reiichi seguiu até à porta parando para esperar o seu companheiro. Yuushi estava ainda parado na sala. Ele olhou para cada um dos elementos da Weiß, mas o seu olhar parou e fixou-se finalmente no ruivo, o líder daquele grupo.
- Se precisarem de ajuda para o encontrar, podem contar comigo. Boa sorte.. – Yuushi desviou o olhar de Aya para Reiichi e aproximou-se dele.
- Boa sorte e.. adeus... Ran.. – murmurou Yuushi.
A porta foi fechada. Omi olhou de Ken para Aya. O loirinho queria perguntar o que tinha acabado de acontecer ali, mas as palavras não saiam. Ken depois de dias de curiosidade tinha acabado por perguntar ao ruivo se Yuushi e ele se conheciam.. o maior erro da sua vida, só faltou mesmo Aya mata-lo por causa da pergunta.
Yohji fixou o seu olhar no ruivo, mas ele sabia muito bem que ele não ia dizer nada. O loiro olhou para os outros dois e viu que ambos estavam tão curiosos como ele, mas que nenhum deles ia ter coragem de perguntar alguma coisa. Yohji queria perguntar, mesmo muito mas sabia que não lhe cabia a ele desvendar aquele mistério, o loiro sabia que se Aya quisesse contar ele contava.
O loiro levantou-se e dirigiu-se para as escadas, qualquer sitio era melhor do que aquele naquele momento, até a tranquilidade do seu quarto iria servir para que o seu coração acalma-se.
Omi e Ken seguiram Yohji com o olhar. Quando ouviram a porta do quarto de Yohji fechar-se e ser trancada, os dois decidiram apenas fazer aquilo que faziam de melhor, ignorar.
- Nós vamos ver o último laboratório, ele é na zona de investigação por isso não é preciso que se preocupem. Até logo, Aya. – disse Omi agarrando a mão de Ken.
O ruivo olhou em redor. Agora sozinho Aya precisava pensar naquilo que tinha a fazer. Tinha de concentrar-se na missão, sentimentos nunca o tinham feito desistir de nada e muito menos o tinham feito errar, especialmente coisas tão insignificantes como saudade e desejo.
~*~*~
Capitulo 3
Ken e Omi pararam à saída do laboratório. Inicialmente a ideia seria sair dali o mais rápido possível, mas agora ambos ouviam sons. Ken puxou Omi para o lado oposto da saída. Os dois correram até encontrar um porta que dizia 'saída de emergência'.
Alguns minutos se passaram e o barulho passou. Omi espreitou em redor para verificar se havia alguém ali, ao verificar que o caminho estava livre os dois começaram a andar para longe do edifício. Quando estavam finalmente a aproximar-se da mansão, foram rodeados de guardas.
- Que se passa aqui? – perguntou Ken colocando-se à frente de Omi para o proteger.
- Quem diria que os meus convidados seriam tão curiosos.. – um homem fez caminho entre os guardas até parar frente a Ken. O cabelo preto era comprido preso num rabo de cavalo e os olhos castanhos escuros pareciam prometer pesadelos. – Isto é maneira de agradecer a hospitalidade que vos dei?
- Senhor Hirano. – sussurrou um dos guardas. – Temos a certeza que foram eles que estavam dentro do laboratório. – disse o guarda com mais firmeza.
- Certeza absoluta? – perguntou o homem de cabelos pretos.
- Sim senhor.
Os olhos castanho escuros fixaram Ken e em seguida desviaram-se para Omi.
- Façam o mesmo da última vez. – disse ele desaparecendo em seguida.
Os guardas riram-se e agarrando os dois prisioneiros levaram-nos até a zona animal. Ken viu um dos guardas a abrir a porta e olhou para o seu companheiro. Um dos guardas olhou para o moreno e sorriu maliciosamente.
- Não tens curiosidade sobre o que vamos fazer? – perguntou um dos guardas dando um pontapé para Ken se mexer. – Vamos vos deixar para morrer..
Ken e Omi deixaram-se empurrar para dentro da zona vedada e finalmente perceberam onde estavam. Um dos guardas riu-se.
- .. ou melhor.. vamos deixa-los para serem jantar de um dos nossos queridos felinos. – o guarda riu-se e seguiu os outros que estava a ir embora.
Ken olhou para Omi. O loirinho estava a olhar em redor a tentar encontrar alguma forma deles se safarem, Ken apenas agarrou a mão de Omi e apertou gentilmente, tentando dar-lhe força.
- Tens alguns dardos contigo, Omi?
- Sim porquê?
- Acho que devem ser úteis... telemóvel?
- Bem.. acho que sim.... – Omi procurava dentro de todos os bolsos até encontrar o telemóvel dentro de um dos bolsos do casaco. O loiro retirou alguns dardos dando-os a Ken. – Vou tentar ligar aos outros.
Minutos se passaram e ninguém atendia.
- Acho que estamos por nossa conta Ken. – disse Omi de repente. Um rugido fez com que ambos olhassem um para o outro e depois para a frente. Um leão aproximava-se deles, o animal parecia tentar perceber se eles eram perigosos ou não.
- Adorei conhecer-te Omi, apenas quero que saibas isso. – disse Ken de repente. Omi riu-se. Um dardo lançado pelo loiro acertou o leão, este por terem veneno fizeram o animal morrer imediatamente. – Omi... que fazemos?
- Acho que vamos tentar fugir.. tem de haver aqui um daqueles tais laboratórios.. qualquer sitio é melhor do que estar prestes a ser comido... – Omi puxou Ken e os dois começaram a correr numa direcção qualquer.
- Nem penses, Kudoh! Ou o matamos agora ou esperamos para amanhã! – disse Aya continuando a andar.
- Eu estou apenas curioso.. os Crashers vão incendiar isto tudo não é? Eles terão de avisar as pessoas, isso seria uma óptima maneira de o matarmos sem ninguém perceber! Pensa nisso, Aya!
- Seria óptima! Mas e se ele tem um avião ou algo do tipo pronto a partir! Ou melhor imagina que ele tem um esconderijo qualquer no meio desta propriedade que nos impede de chegar a ele?! Não quero correr riscos!
- Eu também não! Qualquer coisa é melhor do que ser suspeito de matar alguém!
- Então cala-te e vamos completar a nossa missão! – Aya pára em frente à mansão. – Sabes alguma coisa dos outros?
- De quem? Do Ken e do Omi, ou do Yuushi e do outro? – o ruivo olhou para Yohji durante alguns segundos. – Que foi? Tens de ser mais explicito.
- O Ken e o Omi ficaram de estar de volta antes de matarmos o Hirano. É estranho nenhum deles ter dito nada. Achas que aconteceu alguma coisa?
- Preocupado Aya! Nem pensei que tinhas em ti esse sentimento.
- Cala-te Kudoh. – o ruivo agarrou o telemóvel e finalmente quando pensava ir ouvir a voz de algum dos outros o telemóvel terminou a chamada. Aya tentou novamente e o mesmo aconteceu. – Acho que devemos esperar, mas não sei se devemos.
- Estás à espera da minha opinião? – perguntou Yohji.
- Que se passa contigo Kudoh?! Pareces que de repente todo o mundo te deve e ninguém te paga! Pára de ser infantil e diz-me que achas!
- Ok.. ok.. vamos esperar. Mata-lo agora ou logo é igual.
Os dois concordaram e voltaram para casa. Ao entrar na residência encontraram Seiki Hirano sentado no sofá. Ele sorriu ao vê-los entrar. Yohji olhou para Aya, mas o ruivo apenas continuava a olhar para o homem.
- Finalmente, pensei que ia ficar o resto do dia à vossa espera. – disse Hirano levantando-se e aproximando-se deles. – Agora respondam às minhas perguntas e nada de mal vai acontecer. Compreenderam?
- Porquê esta aqui? – perguntou Yohji.
- Primeira pergunta: quem são vocês?
- O quê? Que raios está para ai a dizer?! – Yohji olhou em redor e só nesse momento percebeu que estavam cercados. – Que é isto? A sua escolta pessoal?
- Não, apenas uma questão de segurança. Respondem às minhas perguntas ou vou ter de tomar medidas drásticas? – perguntou o homem de novo, o seu sorriso transformou-se de divertido para perverso.
- Não somos ninguém de importante e não sabemos o que raio o senhor querer, mas sei que quando eu puder faço com que se arrependa de viver! – gritou Yohji dando um passo em frente. Um dos guardas aproximou-se e deu um suco ao loiro.
Aya abaixou-se para verificar que o loiro estava bem e voltou a olhar para Hirano.
- Que pretende com isto? – perguntou o ruivo com calma.
- Hum.. bem eu quero saber porquê estão aqui. – respondeu o homem olhando os dois homens no chão.
- E se eu disser que não tenho nada a dizer?! – um dos guardas aproximou-se mas Hirano fez um gesto para parar.
- Vocês têm muita insolência e eu sei como cuidar disso.. não vou deixar-vos para morrer como fiz com os vossos amigos, com vocês... vou transformar-vos numa das minhas experiências.. levem-nos para a gruta.
Os guardas agarraram Aya e Yohji e levaram-nos. Hirano observou os grupo desaparecer e ai começou a rir.
+-+-+
A porta do quarto foi aberta de repente assustando o homem que estava a preparar tudo para partir. Yuushi agarrou Reiichi pelos ombros e voltou-o.
- Eles estão em perigo.
- Calma, Yuushi. Que se passa? E fala devagar para eu perceber.
- O Hirano apanhou a Weiß!
- O quê? Todos?!
- Sim! O Ken e o Omi estão numa das zonas animais, nem consegui ainda descobrir onde! E o Yohji e o Ran estão a ser levados para uma das grutas! Ele vai mata-los!! Que fazemos Reiichi??
- Tem calma! Primeiro temos de descobrir onde está o Bombay e o Siberian. Tens o teu laptop ai? Contacta o Naru, ele tem as zonas tomas controladas, ele que te diga onde estão. Em relação aos outros... tens de controlar-te Yuushi.
- Eu não posso deixa-lo morrer, Reiichi! Não outra vez!! – uma lágrima escorreu pelo rosto do loiro. Reiichi apenas abanou a cabeça. – Eu sei que sou irresponsável e sentimentalista, mas neste momento ele é a minha prioridade.
- Eu sei. Vai tratar de encontrar o Ran, eu trato dos outros dois... uma coisa apenas, Yuushi. Tens três horas. Isto vai tudo explodir em três horas.. não te esqueças.
O loiro apenas soltou o outro e correr. Ele tinha três horas e iria aproveita-las o melhor possível.
+-+-+
Ken e Omi tinham já dado a volta inteira àquele local e parecia que só havia rochas e nem um único laboratório. Alguns leões e tigres tinham aparecido mas eles tinham utilizado os dardos para os afastar, a maioria dos animais com que se cruzavam tinham de ser mortos, mas outros pareciam perceber o perigo e fugiam por si.
Finalmente Ken parou para olhar em volta. Estavam no meio de uma autentica selva. Uma pantera tinha acabado de os atacar e Ken tinha quase sido comido, mas Omi tinha a acertado com um dardo. O problema era que ao fugirem não tinham percebido dois tigres, um tinha conseguido agarrar Ken e por pouco o moreno não tinha morrido.
Mais dois dardos tinham sido utilizados, mas agora Omi estava a chorar por quase ter perdido Ken e o moreno estava demasiado ferido e com dores para sequer pensar em consolar o loiro. Ken abraçou Omi.
- Tem calma. Eu estou bem e temos de sair daqui. Ok, Omi?
- Sim.. – o rapaz limpou os olhos e deu um sorriso a Ken.
Os dois continuaram o seu caminho.
- Ken! Um edifício! Não parece um laboratório, mas é algo onde poderemos ficar algum tempo! – o moreno seguiu o olhar do loiro e mesmo ao fundo do prado viu um estranho edifício branco. – Está longe, mas vamos conseguir... não é, Ken?
- Vai Omi. Eu só estou a atrasar-te.. – disse o moreno deixando-se cair no chão. Omi aproximou-se abraçando. – Não! Omi, tens de continuar, eu só estou a atrair mais atenção, o sangue da minha ferida está a chamar os outros animais, daqui a pouco estaremos cercados.
- Ken! Não vou deixar-te para trás! Nem pensar! Se morres, eu morro contigo! E se não querer a minha morte na tua consciência, começa a andar.
Alguns minutos depois Ken parou novamente. Um rugido fez o moreno olhar para trás. Numa distancia menos do que ambos queriam estava um lince. O animal estava a cheirar o chão, mais exactamente estava a cheirar o sangue de Ken.
- Eu vou mata-lo, Ken, mas quero que corras imediatamente. Entendes, Ken?
- Sim, mas eu ainda-
- Tu nada! Vai!
O dardo acertou o lince e Ken começou a correr, Omi veio ajudar Ken algum tempo depois e quando os dois estavam a mais ou menos metade do caminho apareceu outro leão. Desta vez ambos sabiam que este não seria o único.
- Ken, eu só já tenho oito dardos.. quantos tens?
- Cinco. Omi.. devias ter-me deixado para trás!
Um dardo acertou o leão. Omi sorriu e imediatamente outro foi lançado por Ken para uma chita que vinha a correr para eles. Os dois começaram a correr mas o moreno teve de parar novamente por causa das dores.
Omi aproximou-se de Ken e beijou-o. O moreno ficou alguns segundos a tentar perceber o que se passava, a razão por estar a sentir os lábios de Omi nos seus. O beijo acabou e Ken olhou curioso e ao mesmo tempo envergonhado para o loiro.
- Omi? Para que...
- Inspiração! Trata de correr, Ken! Eu não quero morrer e como eu já te disse não vais deixar-me sozinho! Por isso se nenhum de nós quer ser comida para felinos.. vamos continuar...
- Mas... Omi.. o beijo..
- Apenas quero que penses em mim e que estás a esforçar-te para me salvar. Talvez mais tarde eu te explique algumas razoes mais para eu ter feito o que fiz.. neste momento apenas quero que percebas que eu não posso viver sem ti.
+-+-+
Yuushi observou os guardas empurrarem Aya e Yohji para dentro de uma gruta. Enquanto alguns foram-se embora, outros ficaram a tomar conta do sitio. O loiro sabia pouco sobre as grutas, apenas sabia que na maioria da zona algumas grutas forneciam uma erva que provocava alucinações.
Só por si a planta era inofensiva, mas se alguém fosse sujeito à planta durante muito tempo os efeitos passavam a ser mais poderosos e muitas pessoas tinham chegado a matar-se. Parece que a planta trazia à superfície os maiores medos das pessoas expostas.
Yuushi aproximou-se devagar, com um sorriso cumprimentou um dos guardas.
- Então, Yuushi, que fazes por aqui? – perguntou um moreno de olhos verdes.
- Tudo bem, Kase. Estava a tentar encontrar o Seiki para me dar alguma coisa para fazer, um dos guardas disse que ele tinha mandado algumas pessoas aqui a esta gruta e eu vim ver se ele estava por aqui. Que se passa, amigo?
- Ele não está aqui. Acho que se não me engano voltou para a mansão.
- Oh. Terei de fazer este caminho todo outra vez... mas que se passa ai dentro?
- Assuntos confidencias, entendes não é?
- Claro! – um dos guardas aproximou-se.
- Vou tomar um café com o Kim, ficas aqui bem apenas com Eiko?
- Não te preocupes! Leva aqui o Yuushi com vocês. – o homem voltou-se para o Yuushi. – Assim já não vais sozinho. Adeus!
- Sempre a pensar nos outros.. até depois... – Yuushi deixou quase literalmente arrastar. Teria de arranjar outro plano para entrar na gruta.
~*~*~
Capitulo 4
A gruta era escura, essa foi a primeira coisa que passou pela cabeça de ambos os membros da Weiß. Enquanto Aya tentava acalmar-se e pensar numa maneira de sair dali, Yohji apenas permanecia atrás do ruivo.
- Kudoh.. não tens por acaso o teu isqueiro?
- Por acaso. – o loiro deu o isqueiro a Aya e em minutos os dois tinham uma tocha acesa. Algo que realmente fez com que ambos acreditassem que havia esperança de saírem dali vivos, afinal sempre tinham controle sobre alguma coisa.
- Posso acender um cigarro? – perguntou o loiro, a única coisa que o acalmaria era mesmo um pouco de nicotina.
- Até mesmo preso numa gruta tu pensas na porcaria do tabaco!!
- Sim penso.. isso é um sim?
- Quero lá saber o que fazes! Apenas quero sair daqui.
- Achas que eu estou contente por estar aqui preso contigo, não?
Aya olhou para Yohji. O loiro sorriu.
- Alguma vez pensaste que ias encontrar isto tudo na Irlanda, Aya? Eu sempre pensei que os irlandeses eram todos calmos e tal... com excepção ao Farfarello claro!
- Esta deve ser uma das poucas vezes que eu preferia estar numa luta contra a Schwarz.. eles não nos punham de certeza numa gruta..
- Concordo. Porque raios achas que ele nos pôs aqui?
Aya aproximou-se de uma parede e Yohji suspirou.
- Eu ainda pensei que ia morrer por falta de ar ou algo do tipo, nunca pensei que ia ser de uma droga parecia com ecstasy.. pode ser pelo menos que morra quando estiver a-
- Obrigado, Kudoh, mas não quero que partilhes as tuas fantasias comigo.
- Hum.. nem se elas forem contigo nu e comigo a dominar-te.
Aya olhou seriamente para Yohji. O loiro aproximou-se do ruivo e levou uma mão ao rosto do outro. Os dedos tocaram gentilmente os olhos, o nariz, até as bochechas, mas a mão parou ao tocar os lábios. Alguns segundos depois os dedos foram substituídos pelos seus lábios.
O beijo foi lento e terno, algo como nunca Aya esperaria e certamente Yohji esperava que acabasse por ser. Mas naquele momento a única coisa que passava na cabeça do loiro era que estava a beijar Aya, os lábios suaves, a boca ansiosa e o corpo firme.. tudo era Aya. Uma mão foi para a nuca do ruivo aprofundando ainda mais o beijo.
- Isto é a droga, Aya?
- Tem de ser.. – respondeu Aya abrindo os olhos que nem se tinha apercebido de ter fechado.
Os olhares cruzaram-se e um novo beijo se iniciou, desta vez mais ardente e apaixonado. A gentileza substituída por paixão, a ternura por desejo. Yohji empurrou Aya contra uma das paredes da gruta, as suas mãos imediatamente invadiram a camisola, tocando a pele quente e macia do ruivo. Aya em vez de protestar, apenas se perdeu no beijo e nas sensações que Yohji lhe provocava.
As mãos do loiro abriam efectivamente as calças do ruivo. Em instantes o ruivo estava sem camisola e as calças na altura dos joelhos. Yohji desceu dos lábios de Aya para o pescoço, a boca do loiro fazia o ruivo gemer e pedir por mais. Yohji ficou algum tempo a lamber e a sugar os mamilos de Aya até continuar para baixo.
Yohji finalmente alcançou o membro do ruivo. deixando algumas marcas pelo corpo de Aya, o ruivo apenas percebeu quando a boca de Yohji envolveu o seu membro. Completamente perdido nas sensações, o ruivo deixou que Yohji fizesse o que quisesse com ele. As mãos de Aya soltaram-se da parede para encontrarem-se o seu caminho para os cabelos de Yohji. O loiro continuou aquilo que fazia sem deixar um segundo de provocar Aya com as suas mãos, até o ruivo atingir o seu orgasmo.
O loiro lambeu o membro de Aya até o ruivo estar completamente limpo e ergueu-se. Num gesto sensual a sua língua lambeu os seus lábios, fazendo o ruivo levar uma mão até as costas de Yohji puxando o loiro contra ele. Lábios encontraram-se novamente.
- Ran! – o grito foi de longe mas assustou os dois homens.
Aya acabou de se arranjar e olhou brevemente uma vez mais para Yohji. Agarrar a tocha que tinha se apagado, acendeu-a novamente com o isqueiro do loiro e começou a caminhar em direcção à voz que chamava o seu nome. A meio do caminho as mãos de Yohji envolveram a sua cintura. Aya queria dizer ao loiro para o largar, mas a sensação era incrível, com um gesto tão simples Yohji tinha-o feito sentir completo.
- Ran! Onde estás?
Os dois continuaram a andar até chegar à entrada da gruta. Yuushi viu os dois a aproximar-se e correu a abraçar o ruivo. Yohji parou a olhar para os dois, por instantes os ciúmes foram tão fortes que ele queria cortar o loiro em pedaços, mas em seguida a única coisa que restou foi confusão e curiosidade.
Yohji pensou em tudo aquilo que sabia sobre Aya. Nada na realidade.. o ruivo era para todos os membros da Weiß o mesmo mistério do dia em que tinha chegado para fazer parte da equipa. Yohji nunca se tinha interessado minimamente em conhecer Aya e agora sentia-se triste por isso.
- Eu pensava que estavas morto! Tive de criar uma diversão para entrar na gruta! – disse Yuushi. – Temos de sair daqui. O Reiichi já está a tratar dos teus amigos! Temos menos de uma hora para sair daqui antes que isto expluda tudo!
- Vamos então. – disse Aya finalmente.
Yohji não precisava de mais nada, imediatamente saiu da gruta. Yuushi observou Yohji passar mas não disse nada, a sua preocupação estava completamente fixada no ruivo, apenas queria ter a certeza que estava tudo bem com o outro.
- Vamos, Yuushi?
- Sim! Sim!
Em uma meia hora os quatro membros da Weiß estavam juntos na entrada da propriedade de Hirano. Os últimos a chegar tinham sido Omi e Ken, mas eles pareciam bem. Reiichi perguntou se estavam todos prontos, ao não receber nenhuma negativa carregou num botão que accionou todas as bombas espalhadas pela zona.
Chamas invadiram o local, em minutos nada restava, apenas o fogo a propagar-se pela zona florestal. Omi foi o primeiro a pronunciar-se para informar os outros que ele tinha acabado com o alvo, ninguém comentou e ninguém quis saber de pormenores.
- Acho que está tudo terminado. Voltamos para Tokyo ainda hoje? – perguntou Ken. O moreno tinha sido assistido por um médico, agora estava acompanhado por muletas, e claro com Omi ao seu lado a ajuda-lo a permanecer em pé.
- Nada nos prende aqui, certo? – disse Yohji num misto de tristeza e alivio.
- Vamos voltar também.. – disse Yuushi. O seu olhar fixou-se em Aya como das outras vezes todas. – Achas que podias desperdiçar algum tempo comigo, Ran? Para falarmos?
Aya apenas assentiu com a cabeça. Os dois caminharam para o jeep de Yuushi.
Reiichi ficou algum tempo a olhar para eles os dois. O seu olhar foi desviado dos dois quando Ken começou a rir. Omi tentava ajudar Ken a ficar em pé, mas tinha o segurado de uma maneira que lhe fazia cócegas.
O único que continuava calado era Yohji. Reiichi olhou para o mais velho daquele grupo curioso, até perceber que os olhos verdes de Yohji não se afastavam de Yuushi e Ran. Os dois continuavam a falar, muitas vezes Yuushi ria-se por alguma coisa e Reiichi podia ver um sorriso nos lábios do outro. O líder dos Crashers olhou novamente para Yohji para ver o loiro a fumar um cigarro. Os olhos verdes continham algumas lágrimas que certamente o próprio Yohji não entendia porque teimavam em cair.
- Não te preocupes.. – disse Reiichi aproximando-se de Yohji. – Aquilo que vês é passado.. – os olhos esmeralda fitaram Reiichi durante alguns segundos até se desviarem novamente para o par um pouco mais à frente.
Yuushi sabia que era parvoíce tentar convencer o outro a ficar com ele. Seria uma infantilidade depois deste tempo todo confessar o seu amor por Ran, mas sabia que era ainda mais infantil e irresponsável tentar fingir que não significava nada se Ran aceitasse ficar com ele..
- Sempre fomos amigos, não Ran? Sempre discutimos, sempre gritamos, mas sempre ficamos juntos e sempre dependemos um do outro.. custaria muito ficar novamente comigo, Ran?
- Sim.
- Ran?
- Eu não posso ficar contigo.. eu.. desculpa Yuushi.. é tão difícil para mim dizer-te isto como é para ti ouvir-me, mas eu não posso ficar contigo.
- Não podes ou não queres?
- Não posso. Eu preciso esperar que a minha irmã acorde, mas acima de tudo eu quero a minha vingança.. e isso é algo que tu não podes me ajudar a conseguir. Desculpa.. devo parecer egoísta, mas...
- Eu entendo.
- Entendes?
- Sim. – Yuushi aproximou-se e abraçou Ran. Na verdade o loiro queria beijar Ran, sentir novamente o ruivo como sempre o tinha sentido, voltar a provar os lábios de Ran seria alcançar novamente o paraíso, mas Ran nunca o perdoaria..
- Vamos embora? – perguntou Yohji desviando os olhos do par abraçado.
- Mas e o- Ken calou-se ao olhar para os outros dois.
- Eu vou com o Yuushi e o Aya. Vão vocês dois com o Reiichi. – disse Omi surpreendido mas controlando a sua expressão.
- Tu é que sabes. – disse Yohji caminhando para o Jeep de Reiichi.
Os olhos de Aya caíram em Yohji. As lágrimas soltaram-se e o ruivo só percebeu isso quando Yuushi levou uma mão ao seu rosto para as limpar. O toque do loiro era tão suave e terno como o de Yohji, mas só Yohji o fazia querer reagir.
- Desculpa-me, Yuushi.
- Tu gostas dele.. amas-o?
- Não sei.. talvez..
- É por ele que ficas?
- Também.
Yuushi sorriu e deu-lhe um beijo na testa.
- Então vamos lá embora! – disse Yuushi com um sorriso.
Os dois entraram no jeep para encontrar Omi. O loirinho olhou para eles os dois e sorriu, o rosto de Omi estava corado.
- Sabes Ran, esta é a primeira vez que não discutimos! – disse Yuushi de repente.
Omi olhou para Aya e tentou sorrir mas o ruivo apenas olhava para o outro loiro. O seu olhar sendo um dos que ele conhecia bem, um que poderia fazer alguém fugir de medo ou congelar paralisado. Yuushi apenas se riu ainda mais.
- Vejo que praticaste! Eu infelizmente continua a preferir ofender por palavras, olhares só mesmo de amor.. claro que contigo é sempre diferente.
- Continuas a gostar de rosas com espinhos, Yuushi?
Yuushi olhou para Ran curioso sobre a direcção da conversa, o ruivo sorriu maliciosamente e desviou o olhar para a janela.
- Não sei.. continuo..? Só tinhas a mania de me dar rosas e não me avisar que tinham espinhos.... Acho que o tempo fez com que as feridas cicatrizassem todas..
- Eu posso sempre começar a mandar-te todos os dias umas quantas. Apenas para te lembrares de mim.. do teu mau e teimoso companheiro.
- Hum. Não é preciso Ran, é impossível esquecer-te.
Ran voltou a olhar para Yuushi. – Desculpa, Yuushi.
- Não faz mal. Apenas lembra-te de mim e eu dou-me por contente! – Yuushi riu-se.
Em poucos minutos estavam no aeroporto. Omi lembrou-se nesse momento que tinha prometido ao Ken que ia com ele se ele quisesse. Yuushi olhou para o loirinho e riu-se.
- Não te preocupes, desta vez o teu amigo vai a dormir. Aqui o nosso amigo Ran, teve a ideia de lhe oferecer uns quantos calmantes..
Omi olhou para o ruivo.
- Esquece Omi! Tudo para não o ouvir a reclamar!
+-+-+
A viagem de volta a casa foi calma para todos os membros da Weiß. Ao entrar, cada um dos quatro foi para o seu canto. Ken subiu para descansar numa cama a sério, Yohji decidiu que ainda era cedo para estar acordado e foi também dormir e Omi por fim apenas disse que tinha de ir verificar o seu email antes de desaparecer.
Aya deixou um pequeno sorriso escapar ao se sentir de volta a casa. A Koneko podia ser muito barulhento na maioria dos dias, mas com o passar do tempo todos se tinham acostumado ao local e o próprio Aya via aquela casa como o seu lar.
É bom estar de volta. – pensou ele contente antes de subir para o seu quarto também.
~*~*~
Capitulo 5
Yohji acordou ao ouvir risos do andar de baixo. Ele tentou ainda afundar a cabeça na almofada mas o barulho continuava a incomoda-lo. Meio hesitante, o loiro vestiu umas calças de ganga e uma camisa, e desceu para ver o que se passava.
Ao entrar na cozinho Yohji encontrou Ken e Omi completamente cobertos de farinha e ainda a tentarem lutar por alguma coisa que parecia estar na mão do moreno. Omi viu Yohji e depois de olhar em redor apenas olhou com ar zangado para Ken.
- Que foi? Não fui só eu que gerei esta confusão toda!! – disse Ken defendendo-se. O moreno agarrou as cerejas que estavam na sua mão e levou uma à boca. Omi olhou para ele e sem Ken ou Yohji esperar saltou para cima do moreno.
- Que raios se passa aqui?! – perguntou Aya ao entrar na cozinha. Ele arregalou os olhos ao perceber de repente a confusão em que estava a cozinha. – Vocês vão limpar isto tudo! Nem pensem em sair da cozinha sem estar tudo a brincar! – o ruivo deu costas aos restantes membros e dirigiu-se para a sala de estar.
Ken e Omi olharam em redor e suspiraram ao perceber o trabalho que tinham pela frente. Yohji riu-se e desapareceu atrás de Aya. Ao entrar na sala encontrou o ruivo deitado descontraído no sofá a ler um livro.
- Então Aya? Estavas com saudades da nossa boa e velha casa?
O ruivo continuou escondido atrás do livro, evitando assim que Yohji visse o quanto ele estava embaraçado. Os dois não tinham voltando a falar desde aquele momento da gruta, enquanto para o mais velho aquilo parecia não ter sido nada de especial, era bem diferente para o líder do grupo.
Aya tinha deixado para trás coisas como impulsos sexuais ao se entregar à Kritiker para realizar a sua vingança. Claro que tinha tido alguns amantes durante o seu caminho até à Weiß mas nunca nada particularmente importante que o fizesse ficar como Yohji o fazia ficar. O loiro sem se aperceber tinha conseguido quebrar uma das barreiras de Aya, uma que Aya tinha fortificado mais do que tudo.. o seu coração.
Yohji sentou-se na sua habitual poltrona e olhou na direcção do ruivo. Ele queria tirar aquele livro a Aya e tentar abordar um assunto que o andava a incomodar há muito tempo, mas Aya estava pouco se importando para ele..
- Não tens nada a dizer.. Ran?
- Hn.
- Pelo menos isso já é alguma coisa... agora estou confuso sabes? Devo chamar-te Aya ou Ran? Sei que o teu nome é Ran, afinal o Yuushi chamava-te isso com tanta intimidade, mas... tu foste apresentado a nós.. a mim como Aya..
- É fácil esquece-me e chama-me Abyssinian.
- Achas que isso é prudente? Imagina eu chamar-te isso na Koneko?
- Melhor ainda, se o fizesses tinha uma chance de te matar sem nem me preocupar com o facto de seres meu aliado.
- É só isso que sou.. Aya?
O livro foi baixado e o loiro fixou os seus olhos esmeralda nos violetas de Aya.
- Porquê não cortas a conversa e vais direito ao ponto?
- Se é assim que queres. Quero saber o que existe entre nós! Quero saber se eu estou aqui apenas como um parceiro, que te vai ajudar na tua vingança pessoal ou se me vês como mais, como um amigo, um possível amigo especial.
- Queres saber se vamos dormir juntos? É isso, Yohji?
- Não! Não ponhas palavras na minha boca! Aquilo que aconteceu na gruta, aconteceu! Não posso fazer nada para voltar atrás e mesmo se pudesse eu voltaria a fazer o mesmo, com ou sem erva estranha!
- A sério? Então e se eu te disser que as propriedades da tal erva estranha apenas afectam mentalmente, que causa alucinações mas que não muda nada além disso.
- Que queres dizer com isso?
- Que aquilo que sentiste foi algo que sentiras sempre e que aquilo que eu senti continuara aqui dentro. Não foi nada alterado. Se sentiste desejo por mim continuaras a senti-lo mesmo sem cheirares o raio da planta. O que quero dizer é apenas que a única coisa que a erva fez foi desinibir-nos.
- Eis uma coisa que eu nunca fui.. inibido. – disse Yohji rindo-se.
- Tu é que deves saber isso.
- Acredita que sei. Mas isso não me respondeu ao que eu sou para ti.
- Bem.. acho que podes considerar-te meu amigo.
- A sério? Desde quando?! Se bem me lembro a Aya-chan teve de ser raptada pelas Schrient para te lembrares que a Weiß existia...
- Eu queria deixar isto tudo para trás sim, e vocês como parte da Weiß seriam sempre algo que teria de ficar para trás. E não venhas dizer que quando nos separamos alguma vez pensaste em voltar..!
- Talvez não mas eu pelo menos não desapareci sem deixar rasto. [3]
- Queres falar sobre isso? Sobre elas? Sobre a Neu?
- O meu problema nunca foi falar dela! Estamos aqui a discutir o facto de tu não nos dares importância, não venhas falar de mim quando estamos é a falar de ti! Queres que eu seja teu amigo?! Eu serei, mas para isso tens de falar comigo.
- Queres falar sobre o quê, Yohji? Sobre o facto de a minha família ter sido toda assassinada e a única pessoa que sobreviveu fui eu e a minha irmã em coma?! – Aya levantou-se e aproximou-se de Yohji. – Queres que eu te fale de como me senti sozinho sem ter a quem recorrer? Queres que eu te diga como fiquei em pânico ao matar pela primeira vez?! Queres que eu te explique o que eu senti ao saber que a minha irmã tinha sido novamente raptada e que desta vez a culpa era toda minha!
O loiro aproximou-se e abraçou Aya. O ruivo não se tinha apercebido das lágrimas que tinham começado a rolar sem parar pelo seu rosto. Yohji limpou uma a uma, beijando o rosto de Aya, dizendo palavras para o acalmar.
- Queres que eu te diga que desde que a minha irmã foi atropelada eu só chorei 3 vezes e está é uma delas... – Aya abraçou Yohji com força escondendo o rosto no pescoço do loiro.
- Apenas quero que fales comigo.. – revelou Yohji finalmente. – Tanto me faz se me fazes chorar contigo ou rir às gargalhadas, apenas quero fazer parte da tua vida. Quero que quando falares com ela lhe fales de mim e um dia nos apresentes e ela me diga que já ouviu falar de mim. Quero apenas sentir que precisas de mim.. só isso. [4]
- Acho que acabamos de finalmente! – disse Omi com um sorriso.
- Já não era sem tempo... achas que devemos ir ver o que se passa lá na sala? Talvez eles estejam a matar-se ou enlouqueceram de vez e estão a destruir a casa..
- Hum.. vamos só espreitar. – os dois espreitaram pela porta entre aberta para a sala.
Ken afastou-se rapidamente ao ver que Yohji e Aya estavam abraçados. Omi, por sua vez, achou aquilo tão estranho que ficou a observar durante mais algum tempo, até ver Yohji a levantar a cabeça ao ruivo e beija-lo nos lábios. O loirinho fechou a porta devagar e com cuidado para eles não ouvirem e voltou-se para o moreno.
- Que foi, Omi?
- Eles.. estavam...
- Aos abraços, só faltam começar a dar beijos e lá está! São namorados! – Ken riu-se ao tentar imaginar os outros dois a beijar-se. Ele parou de rir ao ver que o loiro olhava para o chão e estava um pouco vermelho nas faces. – Omi.. que foi?
- Eles estavam.
- Estavam o quê?
- Aos beijos!
- A sério?! Deixa ver! – Ken tentou aproximar-se da porta de novo mas Omi agarrou-o fazendo quase cair. Ken tentou agarrar-se à mesa mas como estava desequilibrado acabou por cair levando Omi consigo para o chão.
Ken levou uma mão à cabeça sentando-se direito e foi ai que percebeu Omi sentado em frente a ele calado e quieto. O loirinho estava com o olhar fixo no chão, apenas desviando o olhar para olhar para ele mas sempre a desviar novamente.
- Que foi?
- Ken.. eu queria.. desculpa por ter-te deixado vir sozinho.
- Não faz mal! Deram-me uns comprimidos que me fizeram dormir a viajem inteira! Estás ainda preocupado com isso?! Esquece isso!
- Ken.. tu ficaste chateado.. por causa.. bem....
- Eu não! Já te disse para esqueceres isso!
- Não é isso! Está calado para eu falar! – quase gritou Omi. O moreno calou-se imediatamente.
- Naquele dia no parque.. quando eu.. te beijei...
- Ah! Isso.. não te preocupes... – Ken sorriu. – Tu apenas me beijaste porquê pensaste que íamos morrer não era?
- Bem...
- Claro que foi isso! Tu queria.... - Ken calou-se pensando melhor no assunto..
porquê raios ia o Omi querer beijar-me sabendo que
íamos morrer?!
- Sabes que eu não levo nada a mal, ainda por cima de for alguma coisa que foste tu que fizeste, sendo partida ou não.. sendo um beijo... quer dizer...... porquê me beijaste Omi? Não entendo.
Omi sorriu ao ver a expressão confusa de Ken. O moreno era simplesmente tão engraçado quando ficava confuso, os olhos brilhavam parecendo um miúdo perdido e então se ele se fixasse nele....
- Apenas acho que quis saber que o tinha feito uma vez na vida...
- Feito? Feito o quê? Beijar?! Fui a primeira pessoa que beijaste??
- Mais ou menos.. eu gosto de ti Ken.. mesmo muito..
- Gostas?
- Sim, eu queria dizer-te já há algum tempo e quando de repente vi que podíamos morrer e eu nunca te deixaria para trás.. eu tive de pelo menos o fazer..
- Acho que percebo.
- Estás chateado Ken?
- Claro que não! Apenas me apanhaste de surpresa agora!
- Ficavas chateado se eu o fizesse de novo? – Omi ficou vermelho de novo.
- Fazer o quê?..... ah! Beijar-me? Não sei.. acho que não...
- A sério?
- Sim, não me importo.
Omi deu um grande sorriso e inclinou-se até estar a meros centímetros de Ken. O beijo foi bastante mais suave e terno do que o primeiro, talvez por não haver desta vez a hipótese de um leão aparecer do nada para os fazer de jantar.. mas a adrenalina continuava a existir e quando os dois repararam já estavam a os dois completamente um em cima do outro.
Ken afastou-se bruscamente ao ouvir a porta a abrir-se mas os dois não se afastaram muito. Apenas continuaram sentados no chão em frente um ao outro. Omi deu um pequeno sorriso a Ken e olhou na direcção da porta. Manx entrou e olhou para eles tentando perceber porquê estavam os dois sentados no chão.
- Perderam alguma coisa?
- Sim, uma peça do.. meu... do nosso.. comando da televisão!
- Do comando a televisão? – perguntou ela a Omi.
- Vieste nos dar os parabéns pela missão? – perguntou Ken tentando distrai-la da conversa. – Foi difícil mas sobrevivemos.. quase fomos comidos por leões e panteras... e linces... e acho que vi uma ou duas hienas..
- Já percebemos, Ken. – disse Omi rindo.
- Onde estão os outros tenho algumas coisas para dizer a todos. – ela dirigiu-se para a porta que dava para a sala de estar, os dois entraram em pânico ao lembrar-se do que tinham visto há pouco tempo.
- Eu vou à procura deles! – disse Omi de repente. – Fica aqui e prova o nosso bolo de cereja! Foi feito por mim e o Ken! Está óptimo!
O loirinho saiu da cozinha antes que Manx pudesse recusar. Omi fechou a porta atrás de si e encostou-se a ela suspirando de alivio, isso até olhar para o sofá e ver Yohji e Aya aos beijou, as mãos do loiro estavam a tocar sítios que certamente Omi queria que Ken o tocasse. Omi aproximou-se tossiu. Yohji desviou o olhar de Aya para Omi e Aya abriu os olhos para olhar para o mais novo.
- Espero que tenhas uma boa razão. – disse Yohji num tom ameaçador. Aya mesmo sem palavras dizia com o olhar a mesma coisa.
- Acho que tenho, mas acho que vocês podem decidir.. que acham de uma Manx na cozinha a querer entrar aqui?
- Oh! Boa razão sem dúvida! – disse Yohji levantando-se e apertando alguns botões assim como a braguilha das calças que só agora Omi via que estava aberta. O rapaz voltou costas aos dois, embaraçado, andando de novo para a cozinha.
Alguns minutos depois os restantes membros da Weiß entraram na cozinha. Yohji sentou-se num banco que estava ao lado de Ken, Aya colocou-se ao lado dele encostando-se à mesa. Manx observou os dois durante alguns instantes.
- Então? – perguntou Yohji farto de a ver a olhar para eles.
Ela desviou os olhos deles para Omi e começou a falar. - Parece que vocês executaram a vossa missão, como sempre, esplendidamente. Depois de examinar-mos melhor aquilo que vocês e os Crashers juntaram.. acabamos por descobrir que o Nakano era um dos sócios de Masafumi Takatori. Parece que quando o cientista morreu, Hirano decidiu erguer o seu próprio império. – ela pausou e de um para outro, observando as expressões dos quatro rapazes.
- Então ele usou os conhecimentos e cobaias do Takatori maluco, certo? – perguntou Ken. – Bem me parecia que aquilo tudo não vinha da cabeça do outro, ele deixou-se apanhar facilmente.
- Deves esquecer-te que quase ias morrendo no meio de felinos selvagens. – murmurou Omi, Ken olhou para Omi corando. Yohji e Aya estavam a olhar para eles os dois. Ken ia responder quando viu que todos os olhos estavam centrados nele, ele calou-se e baixou a cabeça.
Manx tossiu chamando a atenção de novo para ela. – Depois de analisar a planta que vocês trouxeram percebemos que é uma erva alucinatória. Depois de cruzar algumas plantas chegamos a um possível antídoto. Graças a vocês aqueles que formam afectados indeterminável, poderão em tempos voltar à sua vida.
- Não tens de nos elogiar tanto, diz de uma vez aquilo que queres. – reclamou Aya, a sua expressão não dizia nada a Manx mas os sues olhos pareciam prometer-lhe o inferno e algo mais se ela não dissesse mais nada.
- Concordo. – disse Yohji com um sorriso.
- Muito bem, a Kritiker vai dar-vos uma pequena missão para amanhã... – todos esperaram ela continuar. – Vocês estão oficialmente instruídos a umas ferias, por tempo indeterminado.
O olhar dela foi imediatamente para Aya. O ruivo arregalou os seus olhos, talvez uma das poucas vezes que Manx viu alguma expressão naquele rapaz. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Omi bateu-o nisso.
- Mas e a Aya-chan?
Todos os olhos voltaram-se para ele. – Que foi? Não posso estar preocupado com ela? Por ela não ser minha irmã não quer dizer que eu não me preocupe com ela!
- Omi.. – sussurrou Aya baixando a cabeça pensativo.
- Não saiu daqui em quanto não nos disserem o paradeiro dela. – declarou Yohji. – Pelo que parece todos estamos de acordo nisto. Não é, Ken?
- Eu.. eu queria umas ferias.. mas não à custa da vida de uma rapariga que significa tanto para o Aya. Acho que todos queremos saber onde ela está, saber que ela está bem, não é malta?
Manx deu um passo em frente, colocando as mãos em cima da mesa. Ela olhou seriamente para Aya. O ruivo esperou algum tipo de resposta, mas ela apenas baixou a cabeça.
- Lamento Ran, não sabemos dela ainda.
- Entendo- começou ele.
- Não entendes nada! – gritou Yohji levantando-se. – Eu não entendo é como podes mandar-nos embora tranquilos, sem saber sequer onde está a Aya-chan! Nenhum de nós vai a lado nenhum até sabermos dela!
- Mas Yohji- tentou Aya de novo.
- Nada! Eu sei que tu como sempre deves estar a pensar em nós em vez de ti! Eu sei que o quanto ela significa para ti e eu sei que por isso ela significa muito para mim também. – Yohji sentou-se novamente, apertando a mão de Aya de baixo da mesa para evitar que Manx visse o gesto.
- A Kritiker está a tentar tudo por tudo! – revelou Manx. – As nossas melhores equipas estavam a tentar encontra-la, mas é difícil quando não temos nem uma pista..
- Está assim tão mau? – perguntou Aya baixinho.
- Ela será encontrada, eu prometi-te a sua segurança e vou cumprir. Apenas quero que saibas que pode demorar algum tempo, mas vamos encontra-la.
Aya deu um pequeno sorriso. – Eu acredito, Erika. – ela sorriu para ele. Omi foi o primeiro a perceber que Manx e Aya estavam a olhar seriamente um para o outro. Ken olhou para Omi, mas o loirinho apenas disse silenciosamente que não sabia que se passava.
- Bem Weiß! – disse Yohji do nada. – Vamos então prepararmo-nos para umas ferias malucas? – ele sorriu.
Omi riu-se. – Mas Yohji, para onde achas que vamos?
- A isso posso responder eu. – disse Manx retirando um folheto de dentro da mala e entregando a Aya. O ruivo leu-o durante alguns segundos e passou-o para Omi.
Momentos depois estavam todos em redor do loiro, a tentar saber de que se tratava.
- Vamos para o Hawai?? – perguntou Ken entusiasmado.
- Tu não sei, mas eu vou! – disse Yohji sorrindo.
Ken perdeu o sorriso e ao perceber que o outro estava a gozar com ele deu um murro sem força ao loiro. Yohji queixou-se dizendo que Ken o tinha maltratado mas ninguém parecia importar-se muito com isso.
Yohji olhou para o outro lado da mesa, e viu Manx e Aya sentados um ao lado do outro. A ruiva tinha ocupado o lugar que era antes de Yohji. E estava inclinada na direcção dele dizendo alguma coisa. Aya apenas dizia que sim.
O loiro ficou fixo a olhar para Aya durante algum tempo. Ele desviou o olhar para os outros dois membros da Weiß e encontrou-os perto de si a ler o papel novamente atentos a todos os pormenores, completamente indiferente ao que se passava em redor. Yohji suspirou e sem ninguém perceber rumou para o seu quarto.
+-+-+
Tal como Manx tinha dito, Birman passou mais tarde pela Koneko dando uma nova missão à Weiß. A missão era simples na verdade, apenas entrar, eliminar e sair. Tudo correu sem percalços. A missão acabou e os assassinos voltaram a casa.
Aya bateu à porta, ao não obter respostas acabou por desistir e entrar. O ruivo girou a maçaneta da porta e abriu a porta. A pessoa que procurava estava deitado na cama, os olhos fixados no tecto. Se Aya não soubesse que Yohji era um assassino, o ruivo diria que ele estava tão pensativo que nem o tinha ouvido a entrar.
Andando devagar até à cama, Aya sentou-se perto do loiro.
- Que se passa, Yohji?
O loiro não mexeu nem um músculo.
- Vais dizer-me ou terei de te forçar?
- E como planeias fazer-me falar?! – perguntou o loiro num tom irónico.
- Não sei, mas acho que consigo arranjar uma maneira.
Aya movimentou-se e em instantes estava em cima de Yohji. O corpo do loiro pressionado à cama devido ao seu peso e à força que Aya ainda estava a utilizar. Yohji relaxou durante alguns instantes. Os olhos verdes fixaram-se nos ametistas de Aya, parecendo procurar alguma coisa.
- Que foi, Yohji?
- Nada. – respondeu Yohji simplesmente. Aya baixou-se e beijou os lábios de Yohji ternamente. Yohji respondeu imediatamente ao beijo.
Alguns minutos depois o ruivo quebrou o contacto entre eles, erguendo a cabeça.
- Terei de perguntar muitas mais vezes? Que se passa, Yohji?
- Já disse que nada. – Yohji mexeu-se e quando o ruivo percebeu as posições estavam invertidas. Num movimento rápido e cuidado Yohji tinha feito Aya ficar pressionado na cama e o loiro deu um sorriso sedutor para o ruivo ao o ver ligeiramente assustado. – Continuas interessado em saber o que se passa comigo?
- Bem..... sim. – respondeu Aya finalmente.
Yohji baixou-se e beijou Aya, o beijo bem diferente do anterior, bem carregado de paixão, desejo e anseio. Yohji devorou a boca do ruivo, deixando-o completamente perdido nas sensações que Yohji lhe causava.
Uma batida na porta fez com que Yohji se afasta-se. Omi entrou alguns segundos depois. Ele corou imensamente vermelho ao ver os dois em cima da cama a olhar para ele.
- Desculpem... outra vez..... mas...
- Diz de uma vez Omi. – exclamou Yohji com um sorriso bem malicioso.
Deve estar a pensar em como me matar durante a noite sem acordar os outros.. – pensou Omi amedrontado.
- Apenas quero dizer que temos de estar no aeroporto daqui a duas horas. Eu vou com o Ken agora embora, vocês vem connosco ou encontramo-nos lá?
- Vamos daqui a pouco. – disse Aya.
- Ouviste o que ele disse. – respondeu Yohji ao ver que Omi continuava ali plantado a olhar para eles.
- Têm a certeza, é qu- Ai!! Yohji!!! – Yohji tinha mandado uma data de almofadas na direcção do loirinho juntamente com revistas e tudo o mais que estava na mesa de cabeceira. Omi fugiu a correr fechando a porta imediatamente.
- Enfim sós. – disse Yohji com um sorriso.
- Enfim nada, Yohji. Toca a arrumar toda a tralha que queres levar.. eu tenho de ir fazer a minha mala também. – resmungou Aya tentando sair de baixo de Yohji.
- E quem disse que eu te vou deixar ir?
- Se me deixares ir.. eu s tarde eu retribuo-te o favor que me fizeste na gruta. – Yohji ia tentar regatear, até que ele se lembrou do que tinha acontecido na grupo...
- Ok! – Yohji saltou, correndo imediatamente para o armário para escolher a roupa que ia levar.
Aya sentou-se na cama a olhar para o loiro. Ele riu-se e levantou-se. O ruivo deu alguns passos na direcção de Yohji, abraçando o loiro por trás ele deu um beijo quente e bem molhado no pescoço de Yohji.
- Até depois, então. – Aya afastou-se e saiu do quarto.
A sorte dele é eu ter de fazer a minha mala! – pensou Yohji enquanto colocava de parte tudo o que queria levar para o Hawai.
~*~*~
EPILOGO
Enquanto os mais novos corriam de um lado para o outro na praia, insultando-se um ao outro, mais concretamente Ken e Omi, os mais velhos permaneciam deitados a apanhar banhos de sol. Aya levantou-se e olhou para Yohji. O loiro tinha adormecido.
O ruivo olhou na direcção do mar. Quem diria que estaria agora no Hawai. Andando na direcção do mar, Aya sentou-se à beira e ficou apenas a observar as ondas que se aproximavam dele, as pessoas que nadavam, as crianças que brincavam. O seu olhar fixou-se em duas crianças que estavam perto dele.
Uma rapariga de uns sete ou oito anos loira com o cabelo em duas tranças andava atrás de um rapaz loirinho talvez uns anos mais novo. Os dois andavam às voltas, ela tentando apanha-lo. Ele caiu e ela parou ao lado dele. Ele começou a chorar enquanto tirava areia da boca, ela sorriu e abraçou-o, instantes depois eles estavam novamente a correr um atrás do outro. Aya sorriu.
- Estás a pensar trair-me? Ou será que finalmente percebeste que uma rapariga é o que te convém? Ainda que ela tenha tão pouca idade! – Yohji sentou-se ao lado de Aya sorrindo para ele.
- Por acaso estava a pensar no que farias se alguém te obrigasse a comer areia.
- Acho que nunca vais descobrir, então, suponho. – o loiro sorriu desafiadoramente. Aya agarrou um montinho de areia e lançou-o para o ar, mais precisamente para cima de Yohji. O ruivo levantou-se e correu para a água. – Aya!!
Em minutos os dois estavam a tentar ver quem conseguia afogar quem. Ken e Omi tinham parado de correr atrás um do outro e estavam a olhar para os mais velhos. O moreno envolveu Omi num abraço dando-lhe um beijo na face, completamente indiferente às pessoas que olhavam para eles. Afinal estavam de ferias, preparados para a diversão e prontos para esquecer os problemas, pois eles sabiam que quando voltassem tudo estaria à sua espera, um mundo cheio de malvados a ser eliminados e uma doce rapariga à espera do seu querido irmão.
Fim
Aqui estou eu com o meu novo fic de Weiß Kreuz! Espero que vos agrade!! Queria fazer algo fora do normal, na realidade queria tentar escrever uma acção mas acho que falhei tremendamente, não? Eu devo ficar-me pelo romance, certo?
Digam-me o que
acharam!! A minha caixa de correio está à espera das vossas opiniões!! [email protected]
Deviam estar à espera de um lemon não? Eu pensei em escreve-lo mas quando acabei é que me lembrei desse pormenor, depois não quis voltar atrás e inserir numa parte qualquer, acho que vocês têm imaginação suficiente para tentarem pensar em como o Aya tratou de retornar o favor do Yohji e tal!
Bjinhos!!!
~~ KittyBlue
Vocabulário: