Titulo: chuva obliqua
Autor: KittyBlue
Capítulos: oneshot
Status: completo
Tipo: angst, yaoi, sap, lime talvez
Rating: R
Pares: Aya x Omi; Yohji x Ken
Sumário: por vezes é difícil entregarmo-nos aos nossos próprios sentimentos..
Avisos: apenas que leiam e critiquem depois... desculpem se parecer meio estranho, acho que andei demasiado às voltas!
C&C: Podes contactar-me através de Email ou pelo ICQ (145672919)
Disclaimer: as personagens de Weiß Kreuz não são minhas, mas esta historia é minha e eu não a dou a ninguém!

 

 

Chuva Obliqua

by KittyBlue

 

Tudo indicava que seria mais um dia de trabalho na Koneko no Sumu Ie, a floricultura estava como já era hábito, cheia de raparigas que não deixava nenhum dos rapazes descansar. Aya estava a atender algumas clientes que já frequentavam o sitio, como se aquilo fosse uma esplanada; Ken tentava acabar uns arranjos de flores e ao mesmo tempo conversava animadamente com Omi, este por sua vez estava apenas a fazer companhia a Ken, já que tinha chegado à pouco tempo e ainda não tinha nenhuma tarefa para fazer; Yohji falava com algumas raparigas, dizendo o nome de algumas flores e de certa maneira tentando usar o seu ar de conquistador para engatar.

- Omi!! – uma rapariga entra na loja e atira-se nos braços do loirinho

Todos em redor param o que estavam a fazer e apenas desviam o seu olhar para o casal. Ken ria-se e Omi estava vermelho como um tomate, tentando afastar-se dela, Kail Koyasu, não tinha ainda a certeza se a rapariga era maluca ou apenas uma admiradora, mas todos os dias deparava-se com ela ali e não podia fazer nada para a afastar.

- Que tal ires para o quarto, Omi! Essas coisas não se fazem aqui à frente dos clientes!! – disse Yohji a tentar provocar o jovem rapaz que já estava bem envergonhado

- Deixa-o lá, Yohji! – reclamou Ken

Aya estava ainda parado a olhar para os dois, Omi estava quase da cor dos seus cabelos e não havia maneira da rapariga o largar, teve de repente uma vontade de se aproximar e tirar o loirinho dali. Quando percebeu no que estava a pensar desviou os seus olhos deles e voltou toda a sua atenção para uma rapariga que queria fazer uma encomenda. Ken percebeu imediatamente a mudança do ruivo, tinha ficado levemente corado. Ken voltou a encarar Omi que ainda estava a tentar livrar-se dos braços da admiradora persistente, o moreno ficou algum tempo pensativo até se formar um sorriso discreto nos seus lábios.

- Desculpa Kail, mas eu tenho de ir fazer umas coisas! Cheguei agora da escola e tenho de ir mudar de roupa para os ajudar, até depois ou até amanhã... – Omi com rapidez fugiu dos braços da rapariga e aliviado sorriu para Ken

 

Yohji tinha ido levar algumas encomendas já que Ken tinha se negado até ao fim a faze-lo, quando Aya apanhou a razão da conversa disse para um dos dois ir ou que os matava aos dois, Yohji não teve mesmo outra escolha. Ken olhou para o relógio passava das 5horas da tarde e não estava quase ninguém ali, e isso significava que dentro de poucas horas podia fechar a loja.

Distraidamente olhou em redor e os seus olhos recaíram em Aya, tinha sua oportunidade, Omi tinha acabado de subir para tomar banho, e o ruivo estava ali sozinho, sentado perto do balcão a fazer alguma coisa, ele sorriu...

“Chegou a hora! Posso morrer, mas antes...” pensou Ken aproximando-se do ruivo

Aya percebeu Ken aproximar-se mas também não fez nada, estava demasiado ocupado para lhe ligar agora, ultimamente a única coisa que Ken e Yohji sabiam fazer era refilar e reclamar um do outro. Ken parou atras de Aya e olhou para o papel para que o outro tanto olhava, sabia que aquilo devia ser importante mas a sua curiosidade estava a ponto de o matar.

- Aya...

- .... – este não respondeu

- Aya... – Ken estava a irritar-se, o outro não lhe dizia nada

- Que sentes pelo Omi?

A pergunta caiu como uma bomba... Aya voltou-se para Ken, os seus olhos mostravam toda a fúria que Ken não pensava e não queria encontrar, em poucos segundos percebeu que tinha assinado a sua própria sentença de morte. Ele começou a afastar-se de Aya, o ruivo não se mexia mas o seu olhar era tão mortal como a sua própria katana. Ken parou e sorriu, aquilo tinha acabado de provar que ele tinha razão para desconfiar. Se fosse apenas uma impressão sua Aya nem teria reagido, mas ele pelo contrario....

- Ops! – disse Ken tentando sorrir, estava tão distraído com os seus pensamentos que não percebeu a súbita aproximação de Aya, estavam frente a frente e a situação não parecia nada a seu favor

- Que é que disseste? Pensa bem antes de me responder, percebes?

Aya dava-lhe uma hipótese para voltar atrás, então ele podia apenas sentir-se ofendido pela suposição... Ken fechou os olhos, tinha de conter toda a sua curiosidade, sabia que se passava alguma coisa mas não devia ter perguntado aquilo assim tão directamente ao ruivo.

- Perguntei o que sentias pelo Omi? – a pergunta saiu de novo e Ken apenas teve a ideia de fugir, Aya corria atrás dele e Ken tentava manter-se longe mas sem nunca acabar as perguntas e as acusações

- Eu vi o teu olhar Aya, vais dizer que não há nada!! Mentira!! – gritava ele ainda tentando fugir do ruivo

Estavam agora dentro de casa mais exactamente na cozinha; Aya quase o ia agarrando mas ele conseguiu fugir, subindo para mesa e saltando em direcção à escada que levava para os quartos.

- Responde Aya! Eu não vou dizer nada!!

Mal o rapaz acabou de falar viu o ruivo bem atrás de si, Ken riu-se. Só tinha uma solução que era ir para o quarto de Omi, de certeza que Aya não ia ter coragem para lhe fazer nada lá, ele certamente ia morrer de vergonha antes de o matar ali, Ken podia até conseguir fazer o ruivo ficar embaraçado – e só isso já seria um triunfo.

 

Mesmo entrando no quarto de Omi, Aya não parou avançando para cima dele e pondo as mãos no pescoço de Ken, os dois caíram na cama de Omi, um em cima do outro. E finalmente perceberam que estavam ali duas pessoas a olhar para eles, Ken riu-se com a cena e Aya caiu no chão da vergonha.

- Ken... Aya... – disse Omi envergonhado, já que ele próprio estava apenas de toalha à cintura e Kail estava sentada na cama bem ao lado de Ken

Os quatro olhavam um para o outro, cada qual com os seus próprios pensamentos tirando as suas próprias conclusões.

- Que se passa aqui? – perguntou Aya confuso e ainda mais furioso

- Eu... – Omi olhou para Kail – Não sei... – respondeu o rapaz corando intensamente

- Bem, acho ela deve saber exactamente o que está aqui a fazer. Então Kail? – Ken esperava uma resposta

- Eu estava a falar com o Yohji mas como ele teve de ir fazer umas entregas decidi conversar com o Omi, mas ele para se livrar de mim disse que ia para casa tomar banho e depois estudar. Como nenhum de vocês me dava atenção decidi vir atrás dele.... fiquei aqui à espera dele, até que vocês entraram no quarto...

- Aqui tens as tuas explicações, Aya. – disse Ken rindo-se

Aya levantou-se para ir embora mas aquilo estava a começar a enlouquece-lo.

- Tudo bem mas isso não explica ele estar apenas de toalha e tu ainda aqui! – gritou Aya para Kail

Omi queria esconder-se, arranjar um buraco bem fundo para fugir daquilo e só voltar quando tudo tivesse esquecido. Não entendia toda a fúria de Aya, nunca tinha se importado com nada e agora estava ali a dar uma de irmão ou mesmo de pai protector. O loirinho olhou para Ken, este estava a massajar o pescoço que parecia bem vermelho, ainda não entendia o que se passava entre aqueles dois e preferia nem tentar se meter. Kail levantou-se, pedindo desculpa por ter entrado sem autorização, dizia que estava muito envergonhada e que ia embora imediatamente.

- Tem calma, não foi nada de especial, apenas acho que nos apanhaste a todos de surpresa. Pelos vistos, nenhum de nós esperava encontrar-te aqui... e ao Omi de toalha... – Ken ria-se gozando com a situação

- Ele não tem culpa, se eu não tivesse vindo atrás... – disse Kail triste

Aya estava agora ao lado de Omi e em frente a Kail. A rapariga olhou para o ruivo e baixou a cabeça, percebia bem que ele estava bem chateado com aquilo tudo. Tinha sido uma intrometida... mas também nunca esperaria que aqueles dois a encontrassem ali, pelo menos antes de ter uma chance para falar com Omi.

Ficaram alguns minutos calados, todos no mesmo sitio até que Aya quebrou o silencio, a sua fúria em vez de acalmar parecia que estava a piorar de minuto para minuto.

- Ainda não te foste embora?! Estás à espera do quê? Um convite?! – Aya disse aquilo de uma maneira tão fria que Kail chegou a ter medo de começar a chorar ali à frente deles

A rapariga levantou-se e ia a ir em direcção à porta, mas determinada voltou atrás e rapidamente, sem nenhum dos outros perceber, aproximando-se de Omi deu-lhe um beijo na cara. Omi que estava mais calmo, sentiu-se de novo a ponto de morrer de vergonha.

Quando Kail saiu, Ken desatou a rir às gargalhadas.

- Que lata, está miúda é mesmo descarada! – disse Aya sem pensar

Ken sorriu e aproximou-se de Aya dizendo-lhe quase num sussurro:

- Acalma-te, ou decidiste que está na hora de te confessares?!

Aya olhou para Omi que não estava a perceber nada mas também não estava a gostar nada daquilo que se estava a passar ali. Ken afastou-se despedindo-se deles e seguindo o corredor desceu as escadas para a cozinha.

- Podias sair? – perguntou Omi encarando Aya, deixando o ruivo um pouco surpreendido

- É que preciso me vestir....

Aya percebeu o que ele queria dizer, ficou vermelho para espanto de Omi e sem dizer mais nada saiu do quarto do rapaz. Fechou a porta e ficou algum tempo em frente ao quarto de Omi, tanto tempo que quando a porta se abriu de novo, ficaram os dois ali apenas à espera...

- Aya... estás bem? – perguntou Omi confuso

- Eu?! Bem... – Aya não continuou apenas desceu as escadas e seguiu para a cozinha

 

Ken e Yohji estavam sentados à mesa, o jantar já estava servido, e eles os dois estavam a conversar. Quando viram Aya calaram-se e apenas observaram os movimentos do ruivo, ele sentou em frente a Ken sem dizer nada e depois de se servir começou a comer como se fosse a coisa mais normal do mundo (e por acaso até era!).

Ken olhou para Yohji, o outro riu-se e começou também a comer. Minutos depois desceu Omi, dizendo boa noite, a única pessoa que lhe respondeu foi Ken. Meio envergonhado sentou-se ao lado de Aya.

- Então Omi, aquela rapariga já te deixou em paz? – perguntou Yohji rindo

Todos olharam para ele, não faziam a mínima ideia de como ele sabia do que tinha acontecido já que ele não estava em casa. Omi olhou para Ken, o moreno baixou a cabeça.

- Então Omi?! – Yohji estava a ser insistente demais

- Deixou. Quem fez o jantar? – Omi tentava mudar de conversa mas isso com Yohji não resultava

- Pois... Já soube daquilo que aconteceu...

Ken sorriu, sabia que era melhor esconder o seu medo, dentro de pouco tempo estaria morto, desta vez Aya não ia desistir enquanto não o matasse. Sabia que devia ter ficado calado, mas tudo o que tinha acontecido era demais e Yohji não era burro, percebeu que se tinha passado alguma coisa na sua ausência e tinha obrigado Ken a contar-lhe tudo, detalhe por detalhe.

Omi estava vermelho mas o que o deixava mais incomodado não era as piadas de Yohji ou mesmo o riso patético de Ken em relação a tudo, o pior mesmo era o olhar de Aya, parecia que o condenava pelo que tinha acontecido. Sempre que olhava para o ruivo, ele estava sério a olhar para o prato, não comia, parecia que apesar do seu corpo estar ali, a sua mente estava bem longe.

- Aya... – murmurou Omi baixinho, ninguém ouviu exceptuando o próprio Aya que olhou para ele

Yohji calou-se e Ken ao perceber o silencio de Yohji olhou para os dois, Aya e Omi estavam a olhar um para o outro, sem nunca desviar o olhar, pareciam hipnotizados. Yohji começou a rir à gargalhada, os dois encararam-no.

- Acho que vocês precisam conversar... certo Aya? – disse Ken tentando dar um empurrão

- AU!! – Aya tinha dado um pontapé a Ken por baixo da mesa

- Au?! Au o que? – perguntou Yohji confuso

- Au... que isto está quente!! – gritou Ken referindo-se à comida

Yohji e Omi olhavam para ele sem entender, a comida estava mais fria do que quente. Aya riu-se e todos voltaram a sua atenção para ele.

Omi sorriu, a coisa que mais gostava de ver era Aya a sorrir, talvez por ser algo muito raro de acontecer. Quando percebeu aquilo que estava a pensar o loirinho levantou-se da mesa, pediu desculpa e usando a desculpa que tinha de ir estudar, subiu para o quarto. Ninguém achou muito estranho..

- Bons estudos! – disse Yohji rindo

- Que queres dizer com isso? – perguntou Omi, nem percebeu bem porque respondeu, foi algo impulsivo

Yohji olhou para o loirinho, ele não tinha dito aquilo com nenhuma segunda intenção apenas quis desejar bons estudos ao rapaz, mas pelos vistos ele devia mesmo estar a pensar noutra coisa. Yohji sorriu, aquilo estava cada vez mais interessante....

- Que pensas que eu quis dizer?

- Se eu soubesse não te perguntava!

- Mas eu só quis mesmo dizer que tivesses uma boa sessão de estudo. Não é isso que vais fazer... Estudar?!

- Sim! Que mais podia eu ir fazer para o meu quarto? Sem ser estudar?

Omi olhou para Yohji, ele ia dizer qualquer coisa, mas Aya levantou-se sem ninguém esperar e foi para a sala.

- Nem respondas! – disse Omi afastando-se

 

Ken e Yohji ficaram a olhar um para o outro, e começaram a rir como dois malucos. Ultimamente, o ambiente naquela casa estava muito estranho, cada um reagia como não era de se esperar. O centro das atenções era principalmente Aya, que nunca ninguém tinha visto sorrir ou mesmo corar tantas vezes, como na ultima semana. Ken ficou sério de repente, ele baixou a cabeça e ficou a olhar para o seu copo.

- Que foi? – Yohji encarava-o

- Nada... estava apenas a pensar... que achas de tudo isto?

- Bem, vê-se que o ruivo gosta mesmo do Omi... tu próprio me vieste confirmar as minhas suspeitas.

- Sim mas... e o Omi...

- Que tem? Achas que ele não está interessado?

Ken olhou bruscamente para Yohji, sabia que ele estava a tentar provocá-lo mas não percebia porque.

- Achas que está? – perguntou Ken, devolvendo a pergunta

- Eu não sei. Ele mostra que não, mas muitas vezes dá que pensar.

- Ninguém nunca imaginaria que o Aya fosse se apaixonar... logo pelo Omi... – Yohji riu-se chamando atenção Ken

- Que é que aquele mal humorado tem?! Vocês parecem abelhas à volta do mel?!

- Que queres dizer com isso? – Ken levantou-se começando a tirar a loiça do jantar

- Se o carapuz te serviu... – Yohji sabia como chatear Ken, mas acima de tudo conhecia-o muito bem

- Não entendo que queres dizer com isso!! – gritou Ken, que ao perceber que estava a falar alto olhou para a sala para ver se Aya estava a ouvir alguma coisa

Aya estava deitado no sofá de olhos fechados, parecia dormir... mas Ken sabia que não estava, ele estava apenas perdido em pensamentos. Ken olhou novamente para Yohji, que continuava sentado de costas para ele.

Ken começou a lavar uma parte da loiça, olhava às vezes para Yohji mas ele não dizia nada e também não se mexia. Estava bem mais sossegado, não gostava muito que se metessem na sua vida e se ele tinha algum interesse em Aya, isso só a ele lhe dizia respeito.

- Ken... – a voz de Yohji ecoou pela cozinha

Ken olhou para o outro, ele continuava da mesma maneira. Sabia que algo se passava com Yohji, ultimamente não era só Aya que estava estranho. Estavam todos estranhos, cada um com os seus próprios problemas. Sabia que apesar de Yohji fingir estar bem com os seus risos e piadas maliciosas, alguma coisa se passava.

Ken voltou a sentar-se ao lado de Yohji. Olhava para ele à espera de mais alguma coisa mas ele não dizia nada. Então Ken decidiu arriscar... ultimamente andava a arriscar-se de mais...

- Que foi Yohji? Vais-me dizer que também estás apaixonado!! – Ken riu-se da suposição mas quando viu Yohji a olhar para ele sério perdeu o sorriso

- Que foi? Diz de uma vez! Estás a deixar-me preocupado...

Yohji sorriu, infelizmente não era a altura certa para falar sobre o que sentia. Percebeu uma mão no seu ombro, olhou para Ken, ele tentava faze-lo falar. Deveria falar mas o mais certo seria que Ken não acreditasse. Ken soltou-o e voltou para a loiça.

Yohji ficou calado durante algum tempo até levar com um pano na cabeça. Ele levantou-se e ao agarrar o tecido meio sujo ficou a olhar para Ken...

- Tu atiraste-me com isto? – gritou Yohji

- Sim! Estava a falar contigo sei lá à quanto tempo e só quando me resolvi a perguntar-te o que achavas é que percebi que estavas a ignorar-me completamente! – Ken voltou-se de costas para Yohji e continuou o que estava a fazer, que era lavar a loiça, não tinha mesmo nada melhor para fazer

- Podias simplesmente ter chamado o meu nome, não sou surdo!! Estava distraído!!

- E ias olhar para um homem a chamar o teu nome?! Até parece... ultimamente só reparas em mulheres a chamar o teu nome!

- Depende de quem chama... – refilou Yohji

- Que queres dizer com isso?? – Ken olhou para Yohji, estava a começar a irritar-se a sério

Yohji sentou de novo.

- Podias pelo menos ter-me atirado com algo mais limpo. Só isso...

- Pois... como se fosses ligar!

- Que estavas a dizer mesmo?

- Agora já não interessa... da próxima vez mando-te com a esponja da loiça, além de suja e com bocados de comida ainda está cheia de detergente...

- Ai de ti!

Ken aproximou-se por trás de Yohji, não tinha nada na mão queria apenas intimidá-lo. Yohji não percebeu isso e ao sentir que o moreno estava a aproximar-se, levantou com extrema rapidez virando-o de costas e agarrando-lhe os pulsos. Ao perceber que Ken não tinha a tal dita esponja, ficou um pouco confuso.

- Estava a brincar Yohji, mas como já é normal tu só sabes é aleijar-me. Larga-me. – disse Ken chateado

- Para a próxima é melhor jogares pelo seguro e trazeres a arma do crime. – sussurrou Yohji ao ouvido de Ken, ele sentiu o moreno arrepiar-se tudo e achou aquilo tão estranho que decidiu largá-lo

Ken voltou outra vez para a loiça sem dizer mais nada ao outro. Yohji sentou-se na mesa e ficou a pensar naquilo que tinha acabado de acontecer, recentemente andava muito confuso. Nunca tinha percebido que podia ter outras tendências, mas sentia-se cada vez mais atraído por Ken e isso não acabava nem à noite quando ia sair e acabava como já era costume na cama de alguém. O moreno parecia tê-lo enfeitiçado. Os dois ficaram assim o resto da noite, cada um com as suas próprias ideias, queriam falar mas nada saía, apenas um silencio mortífero.

 

Aya acordou a meio da noite, tinha tido um pesadelo. Tinha sido um pesadelo bem estranho mas também muito realista, ele riu-se ao perceber que aquilo até poderia acontecer. Ficou sério quando percebeu que a ideia não lhe agradava de maneira nenhuma. Tinha sonhado que Omi estava a casar-se com Kail, ele tinha decidido declarar-se ao loirinho na igreja no momento em que este ia dizer que sim. Sentiu uma lágrima percorrer seu rosto ao lembrar-se daquilo que Omi tinha respondido.

“Achas que eu ia gostar de ti? Nunca na minha vida! Tu és frio, não tens sentimentos, como poderia eu apaixonar-me por alguém que não sente?! Tu não sentes, tu apenas nasceste para matar, não sentir!”

Aya olhou em redor e reconhecendo o lugar, deduziu que tinha adormecido na sala. Levantou-se e começou a andar em direcção ao seu quarto, parou antes na porta de Omi. Ficou ali alguns segundos até ouvir o barulho do teclado do computador, então entrou sem sequer pedir autorização.

 

Omi estava tão concentrado que nem tinha percebido a presença de Aya que estava bem atrás dele. Ele continuava à procura de informações sobre a próxima missão, sabia que ainda tinha tempo mas não conseguiria dormir e então aproveitava para se adiantar. Queria saber de tudo o mais rápido possível.

- Não é tarde demais para isso, Omi?

O loirinho apanhou o maior susto da sua vida ao ouvir aquela voz, ele olhou aterrorizado para trás. Aya encarava-o, os dois estavam pertíssimo um do outro, talvez nem existissem centímetros. Omi ia responder mas Aya beijou-o.

Aya não tinha sido capaz de resistir, tudo naquele momento parecia irreal, apenas o mais doce sonho, sentia-se pela primeira vez na sua vida completo, como se Omi fosse aquilo que sempre tinha procurado... e de facto era.

Omi aos poucos ia-se entregando ao beijo, inicialmente tinha tentado fugir mas tinha acabado por ceder, isso até de repente perceber que aquilo que acontecia não tinha razão para acontecer.

“Ele não gosta de mim, porque isto?” pensou o loirinho, tentando agora afastar-se dos lábios do ruivo

Quando Aya percebeu a resistência por parte de Omi afastou-se. Ele queria sair dali sem dizer nada e deixar aquilo assim, mas sabia que Omi nunca o perdoaria se o fizesse.

- Desculpa... – disse Aya meio incerto se era aquilo que devia dizer

- Ok... eu não entendi nada disto mesmo mas... eu desculpo...

Omi decidiu entender aquilo como apenas um equívoco, Aya devia estar com tanto sono que já estava até a sonhar acordado. Então ele começou a pensar, não entendia o porque daquilo. Voltou outra vez a sua atenção para o computador, virando-se de costas para Aya. O ruivo meio desiludido e envergonhado resolveu que o melhor era sair.

“Sei que ele não gosta de mim! Ou será que gosta? Não! Eu tenho de me afastar, eu pelo menos sei que não sinto nada... ou será que sinto? Claro que não!!” Omi deu por si a tocar nos seus próprios lábios, estava a relembrar aquele instante, o sabor dos lábios do ruivo

Omi balançou a cabeça tentando esquecer, teria de esquecer... se nunca tinha pensado no líder da Weiß daquela maneira não ia ser agora que o ia fazer... mesmo depois daquele beijo totalmente inesperado.

 

*Manhã Seguinte*

Ken levantou-se um pouco tarde e foi para a cozinha, estava vazia. Rapidamente comeu qualquer coisa e foi para a floricultura. Ao entrar viu Aya no balcão como já era costume e a fazer os arranjos estava Yohji. Aproximou-se do ruivo devagar e pediu desculpa pelo atraso. Aya olhou para ele e disse-lhe para ir ajudar Yohji.

- Que tem ele? – perguntou Ken ao aproximar-se de Yohji

- Acho que nada, está apenas cansado. Acordou muito cedo hoje.

Yohji acabou o arranjo que estava a fazer, colocou-o sob uma mesinha e ia agarrar algumas flores para começar o seguinte mas Ken teve a mesma ideia e as mãos tocaram-se. Ken olhou para a mão do loiro sem saber exactamente o que fazer a seguir, optou por afastar a sua e tirar outra flor qualquer sem nem sequer olhar, tentaria agir o mais natural possível. Yohji ficou apenas quieto, quando sentiu Ken a retirar a sua mão, olhou para o moreno.

- Que foi?? – perguntou Ken vermelho

- Nada... ele já desistiu de te matar?

- Acho que sim, pelo menos não disse nada que pudesse significar o contrario.

- Isso é bom.

- É?!

- Claro, preferias que ele te odiasse por te meteres na vida dele? Pelo menos assim sempre tens algumas chances...

- Acho que tens razão...

Ken olhou de relance para Aya, o ruivo sentiu-se observado e respondeu ao olhar do moreno sem entender. Yohji percebeu o ar atrapalhado de Ken e riu-se.

- Que foi agora?!

- Qual é o teu problema, não posso estar bem disposto?!

- Divertir-te ontem?

- Que é que isso te interessa?

- Nada na realidade, tou a tentar meter conversa contigo.

- Ah! Foi óptimo como todas as outras vezes!

- Pelo vistos deves ter chegado de manhã... – Ken ficou parado apenas a olhar para o seu arranjo, de repente tinha perdido vontade de falar sobre aquele assunto

- Ya... quando cheguei o Aya já estava aqui...

- fixe... – Ken não estava com muita atenção ao que o loiro dizia,

“Devo estar a ficar maluco... será que o que sinto neste preciso momento é ciúmes... deste conquistador barato... impossível!” enquanto Ken reflectia Yohji olhava para ele atento a cada mudança de expressão do moreno, ele estava calmo depois passou a triste e naquele momento parecia chateado

- Estás bem Ken? – Yohji tocou-lhe na mão para o fazer perceber que estava a falar com ele

Ken olhou para a mão do loiro e engoliu em seco, olhou para o outro e sentiu-se a ferver como se estivesse a ser queimado vivo. Yohji sorriu e afastou-se levando os arranjos que já tinha feito até Aya e dizendo qualquer coisa. Ken seguiu o loiro com os seus olhos, mas quando viu Yohji a voltar para voltar desviou o olhar para outro lado. Yohji achou aquilo estranho.

- Estás mesmo bem? Estás esquisito hoje!

- Eu?! Tou óptimo! Nunca me senti tão bem... – Ken mentiu, não podia dizer que se sentia confuso em relação a ele

- Ok.... tu lá sabes... eu vou fazer umas entregas. Ficas aqui, certo?

- Se quiseres eu vou por ti.

- Não deixa estar, eu tenho de parar também noutro sitio.

- Visitar uma namorada... – Ken sorriu, mas a vontade era cortar Yohji em pedacinhos

- Talvez...

Yohji olhou para Ken achando que o amigo estava cada vez mais estranho. Ele afastou-se em direcção ao balcão pedindo as moradas a Aya e as encomendas, e depois saiu sob o olhar atento de Ken.

 

O telefone tocou e Aya atendeu. Falou algum tempo com a pessoa e ao desligar, aproximou-se de Ken.

- Não te importas de ficar aqui sozinho?

- Eu?! Porque?

- Tenho de fazer uma encomenda urgente e depois vou... só devo vir depois, mas o Yohji deve voltar rápido.

- Vai lá, eu trato de tudo.

Aya saiu e Ken ficou no mesmo sitio, suspirou e voltou toda a sua atenção para os arranjos que tinha de fazer.

- Pelos vistos este dia vai ser longo e solitário...

 

*1hora da tarde*

Yohji entrou na Koneko e deparou-se com Ken dormindo em cima de algumas flores. Riu-se e aproximou-se do moreno para o acordar. Olhou em redor e percebeu que não estava ninguém.

- Ken... Ken... – ele bem que chamava mas o moreno não acordava

- KEN!! – gritou Yohji acordando Ken imediatamente

- Porra! Que foi? – Ken levantou-se espreguiçando-se

- Tens... – Yohji aproximou-se do moreno tirando-lhe algumas flores do cabelo, deixando o moreno embaraçado

- Adormeci...

- Já percebi. Onde está o Aya?

- Teve de ir fazer uma encomenda urgente e não voltou desde então.

- Estamos sozinhos então?

Ken respondeu que sim com a cabeça sem perceber muito bem o que ele pretendia. Voltou a sentar-se e ficou a olhar para as flores.

- Que se passa contigo, Ken? E não digas que não é nada.

- Porque devia dizer-te? Ontem também não me disseste o que se passava contigo!

- Mas eu tenho motivos para não dizer, é uma assunto meu.

- Também os meus problemas são um assunto meu.

- Que fez o Aya desta vez? Tentou atacar-te ou algo do tipo?! Isso já é normal dele, tu sabes.

- Ele não fez nada, o problema é mesmo esse...

- Já percebi... querias que ele te agarra-se e fizesse muitas mais coisas contigo! – Yohji sorria maliciosamente

- És cá um tarado!!! Até parece que eu penso nisso... ele já nem se zanga comigo... antes pelo menos...

- Eu se fosse tu já tinha esquecido aquele ruivo, que de mel não tem nada!

Ken levantou-se e aproximou-se de Yohji, os dois ficaram algum tempo a encarar-se. O loiro estava de braços cruzados e o seu sorriso desapareceu no momento em que o moreno se aproximou ainda mais dele. Ken não sabia o que fazia, estava a deixar o seu coração comandar todos os seus movimentos.

- Mesmo se eu esquecesse o Aya... a outra pessoa por quem estou a começar... de certeza não me correspondia...

Yohji esqueceu-se de respirar ao ouvir aquilo, Ken estava a tentar dizer-lhe que sentia alguma coisa... por ele... Não! Devia estar a sonhar!! Ele começou a tossir como se tivesse se engasgado com alguma coisa. O moreno ficou a observar a reacção de Yohji durante algum tempo...

- Sabes lá?! Talvez estejas totalmente enganado! – respondeu Yohji aproximando-se de Ken

- Acho que não. Não me parece que eu tenha alguma chance... a não ser que... eu mude de sexo!

Yohji começou a rir e a encarar o outro com um sorriso. Ken sorriu tímido.

- Quem é o parvalhão que ia dispensar alguém como tu... prefiro-te assim...

- Não acho! – Ken baixou o rosto

Yohji aproximou-se de Ken, agarrando-lhe o queixo e beijando-lhe os lábios. Quando acabou de o beijar, viu Ken a sorrir.

Ken impulsivamente abraçou o loiro aproximando-o os corpos, retribuiu o beijo de uma forma bem mais selvagem e aprofundando cada vez mais o beijo. Aos poucos pode perceber as mãos de Yohji a passear pelo seu corpo. Começou a afastar-se de Yohji e ainda que indeciso já sabia muito bem o que queria. Agarrou a mão de Yohji e puxou-o com a intenção de o levar para o seu quarto...

 

*5horas*

Omi chegou à Koneko cansado. Andou um pouco pela floricultura e ao não encontrar ninguém achou estranho. Todos poderiam deixar o local sozinho mas Aya não desaparecia sem deixar nenhum recado, deixando aquilo totalmente abandonado. Foi até ao balcão e percebeu que o ultimo registo era das 11horas.

Entrou dentro da casa e foi para a cozinha não encontrou ninguém e subiu para os quartos. Quando ia a ir para o seu quarto teve a impressão de ouvir algum barulho, entrou no seu quarto devagar e agarrou a sua besta, caminhando atento a todo o tipo de barulhos, ouvindo logo alguns gemidos. Parou em frente ao quarto de Ken, estava com um pressentimento que o afastava dali, de que o melhor era não ligar e não interromper... mas a sua curiosidade era maior e tinha medo que pudesse ser algum ladrão ou mesmo um inimigo.

Abriu a porta devagar sem fazer nenhum barulho e ficou espantado com o que viu...

“Certamente não era o que eu esperava encontrar!” disse Omi mentalmente espreitando pela porta

Podia ver Yohji em cima de Ken, os dois completamente nus e pelos gemidos estavam a adorar a experiência. Omi ficou vermelho ao perceber que estava a seguir os movimentos dos dois atento.

Os dois estavam tão entregues e distraídos que nem perceberam Omi entrar e ficar ali a observá-los. Ken gritou ao sentir-se preenchido por Yohji, e este caiu sob o corpo do outro.

Omi saiu sem fazer barulho, tão silencioso como tinha entrado. Fechou a porta e foi para a Koneko de novo.

 

Algum tempo depois chegou Aya. Entrou na floricultura e dirigiu ao balcão. Viu Omi de longe mas não ligou muito ao aproximar-se percebeu que o loirinho estava estranho, estava intensamente corado e tinha uma expressão de admirado, como se estivesse em choque.

- Omi... estás bem? Que aconteceu??

- Eu... – Omi mexeu-se pela primeira desde que tinha se sentado ali, olhou para Aya e ficou ainda mais nervoso

- Que aconteceu?

- Bem... eu... eu vi... – ele baixou o rosto embaraçado, não sabia se devia dizer ao ruivo o que tinha visto

- Viste o que?

- Eu... esquece...

Omi ainda estava ligeiramente nervoso mas continuava a tentar acalmar-se, o melhor era esquecer o que tinha visto. Não tinha nada de se meter na vida daqueles dois, e fazer de conta que não tinha visto nada... sim era isso que ia fazer...

Aya olhava para Omi com uma certa preocupação, não tinha a mínima ideia do que podia ter acontecido para ele estar assim, mas tinha a certeza que tão cedo aquilo não lhe ia passar. Tinha pena principalmente de Omi não querer falar com ele sobre isso...

- O Ken?

- Porque? O que é que tem?? Eu não sei nada! Já te disse!!

- Certo... – Aya olhou em redor não vendo ninguém – Eu pedi-lhe para ele ficar aqui, mas pelos vistos ele deixou-te aqui sozinho... e o Yohji?

- Também não sei nada dele.

- Muito bom... quando eu puser a minha vista naqueles dois... – Aya olhou para Omi, o loirinho estava sério a olhar pra ele

- O que foi?

- Nada. – Omi voltou a baixar a cabeça escondendo o rosto

- Certo...

Aya afastou-se em direcção à casa. Omi levantou-se e ia a pegar num papel qualquer, quando se lembrou que Aya podia ir à procura dos dois nos quartos. O loirinho correu atrás dele, colocando-se em frente à porta, impedindo-o de passar.

- Tudo bem? Que foi? – Aya estava cada vez mais perplexo com o rapaz, não percebia mais nada

- Vais onde?

- Onde vou?! Vou para o meu quarto, tive um dia cansativo, preciso tomar um banho.

- Pois... e não fechas a loja?

- Pensei que estivesse explicito que deixava isso contigo...

- Claro... que achas de tomares banho no meu quarto... “Assim pelo menos não vês nada do que eu vi...” – Omi de repente percebe o que tinha acabado de propor ao ruivo, ficando vermelho

- Tu não estás mesmo bem... se quiseres falar comigo, óptimo... se não, xau.

Aya afastou Omi e andou em direcção às escadas que levavam para os quartos.

O ruivo parou na porta do seu quarto e pensar naquilo que se passava, Omi devia estar mesmo com algum problema, ele ia a abrir a porta mas parou pondo a mão na maçaneta mas sem a mover.

- Que foi?

A voz assuntou Aya, Omi estava bem ao lado dele a olhar para ele. Ele deu um salto e olhou para o rapaz curioso. Pensando no que podia ter acontecido para ele estar assim...

- Eu estava a pensar, não posso?

- Claro que podes, mas que achas de pensar no teu quarto enquanto tomas o teu longo banho?! – Omi abriu a porta do quarto de Aya e empurrou Aya para que entrasse

Em seguida entrou também e fechou a porta, ficando os dois a sós. Parou e olhou em volta, moravam juntos à muito tempo mas Omi nunca tinha realmente entrado no quarto do líder da Weiß. Aya olhava para ele, cada vez mais surpreendido.

- Podes dizer-me o que se passa contigo?! Que raio viste para estar assim?!

- EU?! Eu não vi nada.

Omi afastou-se da porta e caminhou para uma secretaria, onde estava a katana de Aya, ficou a olhar para ela fascinado. Era uma arma magnifica e na mão do ruivo ainda parecia mais magnifica, sem duvida que tinha sido feita para ele, eram ambos mortíferos e lindos... o loirinho balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos.

- Viste alguma coisa e eu quero saber o que!

Aya aproximou-se dele e colocou-o contra a mesa, desviando a katana para o lado e prendendo Omi ali.

- Mas eu já disse... eu não vi nada... de especial... – Omi baixou a cabeça embaraçado

Aya agarrou-lhe o rosto obrigando-o a olhar para ele. Os dois encararam-se por alguns minutos e Aya começou a aproximar-se o seu rosto do loirinho.

“Ele vai beijar-me...” pensou Omi fechando os olhos, à sua mente vieram-lhe as imagens de Ken e Yohji naquela cama, começou a ficar assustado ao se lembrar do grito de Ken

Quando Aya viu Omi fechar os olhos sorriu, e ia aproximar-se, mas no momento em que o devia beijar, o loirinho empurrou o ruivo de cima dele. Aya caiu no chão e ficou ali apenas a olhar para o outro.

Omi ofegava como se tivesse corrido quilómetros, ele ainda estava de olhos fechados. Quando abriu os olhos percebeu o que tinha acabado de fazer, olhou para o ruivo no chão a observa-lo. Era estranho sentir-se do nada assim. Sentia alguma coisa por Aya, mas era algo estranho... nunca tinha se sentido assim e cada vez custava mais ficar longe do ruivo. Omi deixou que o seu olhar percorresse o corpo de Aya, imaginando coisa que nunca lhe tinham passado pela cabeça, nem nos seus sonhos mais arrojados... não entendia como podia sentir-se assim de repente, como aquela atracção podia ter surgido do nada, e tomado grande parte da sua mente e corpo.

- Que raio se passa contigo? – perguntou Aya levantando-se e sentando-se na cama de frente para o rapaz

- Não sei. – respondeu Omi sem tirar os olhos se Aya, sentou-se na mesa colocando sem querer a mão sobre a katana do ruivo, cortando-se levemente

- Bem feito. – disse Aya sorrindo, levantou-se e foi até o loirinho

- Mau, és mesmo mau... – disse Omi levantado o dedo até à boca, impulsivamente

- Eu?! Tu é que estás para ai em pânico e não dizes porque...

Aya aproximou-se retirando o dedo de Omi da boca e passando os seus dedos sobre o corte. Abriu uma das gavetas da secretaria e tirou um lenço, colocando-o em seguida sobre o corte.

Omi olhou para a gaveta e viu uma fotografia de uma rapariga. Ficou curioso, já tinha ouvido uma história qualquer sobre a irmã de Aya, seria aquela?! Aya percebeu o olhar do loiro para a fotografia e fechou a gaveta. Omi olhou para ele.

- Desculpa...

Aya não disse nada. Tocou de leve o rosto do loirinho, numa caricia suave.

- Podes dizer-me agora o que se passa?

- Não.

- Porque?

- Não consigo. Tenho vergonha.

- Está bem. Se preferes ficar a remoer isso na tua cabeça, tu é que sabes.

Aya sabia que se era algo sério, Omi acabaria por contar.

- Eu vi... – o loirinho calou-se de novo

- Viste... – Aya tentava faze-lo contar

- Vi no quarto de Ken... – ele ficou vermelho de novo

- Que viste no quarto do Ken?! – Aya estava a entender cada vez menos

- Eu vi...

- Viste...

- Ele e o Yohji...

- Ok... viste-os a fazer o que?

- Bem... – ele baixou o rosto, então Aya começou a rir à gargalhada

- Estás a gozar comigo?! – Omi tentou afastar-se, mas Aya prendeu inclinando-se sobre ele, Omi ficou nervoso com a posição em que se encontravam

- Se estás eu não estou a gostar... não tem graça... – Aya continuava a rir

- Não tem graça, pára de rir!! – gritou Omi sério

- Se viste o que eu estou a pensar é engraçado... quer dizer ficares assim por causa deles estarem a...

Omi olhava para ele sério, e Aya sorria.

- Gosto de te ver a sorrir, mas não quando eu sou o parvalhão... – disse Omi, ficando vermelho ao perceber o que tinha acabado de dizer, estava a começar a falar demais

- Que viste eles a fazer?

- COMO O QUE EU VI ELES A FAZEREM??!! Pensei que já tivesses percebido...

- Quero ter a certeza que estamos a falar da mesma coisa.

- Se calhar não estamos.

Omi tentou soltar-se, mas Aya ainda o prendeu mais, aproximando os dois corpos. Omi gemeu quando sentiu o corpo do outro assim tão próximo. Ele estava sentado na mesa e Aya estava entre as sua pernas, ele não o prendia muito pelo contrario, era Aya com os braços em redor do seu corpo que o impedia de se mexer. Sempre que o loiro tentava soltar-se acabava ainda mais próximo do ruivo.

- Tu viste-os na cama, certo?

- Sim. – Omi olhou para Aya

- Então estamos a falar da mesma coisa... – Aya riu-se e aproximou-se de Omi beijando-lhe o pescoço

- Mas... ahh – Omi gemeu ao sentir a respiração quente de Aya na sua pele

- Estás assim porque? Porque não esperavas vê-los? Ou porque tiveste pena de nunca ter estado assim com ninguém? – Aya tentava provocar Omi, sabia que acabaria por o perder, mas ia aproveitar enquanto o tinha nos seus braços

- Não é nada disso. Apenas nunca imaginei que o Ken e o Yohji... fossem... amantes...

- Nem eu... mas sempre percebi que o Ken tinha essas tendências.

- Porque? Já o viste com alguém?

- Mais ou menos...

Aya lembrava-se de uma noite. Ken tinha o visto só de roupa interior e o moreno por pouco não morria ali mesmo, só não se aproximou de Aya nesse dia porque o ruivo fez de tudo para sair dali. E depois houve também aquele dia em que Ken apanhou Aya apenas de toalha e tentou beijar o ruivo, nesse instante Aya percebeu que Ken tinha uma tremenda paixão por ele.

Omi olhou para Aya, percebendo que havia ali qualquer coisa.

- Como mais ou menos?

- Esquece.. – Aya beijou o loirinho, sempre era uma maneira de o calar

Os beijos começaram a tornar-se uma tortura e os dois já estavam suficientemente excitados.

Aya amava Omi acima de tudo, nunca tinha entendido muito bem o porque de ter-se apaixonado por ele, mas quando o via não conseguia disfarçar imaginar como seria estar com ele. Sempre tinha sonhado com aquele instante em que o loirinho ia entregar-se sem reservas, sem temer nada. O ruivo fez com que Omi se agarra-se a ele e levou-o para a cama, deitando-o delicadamente sobre ela e depois inclinando-se sobre ele.

Omi percebeu naquele instante o que estava para acontecer. Teve medo, mas não queria se afastar, se bem que não achava que Aya ia permitir que ele se afastasse. Aya tirou a camisola de Omi e começou a descer beijando e mordiscando o peito do loirinho, parando algum tempo nos mamilos, ouvia os gemidos dele e ia fazia com que se excitasse ainda mais. Continuou a descer até aos calções de Omi, abrindo o fecho e percebendo ai que o loirinho estava a tremer.

- Que se passa, Omi? - Aya inclinou-se beijando o loirinho e ficando ao lado dele o encarando

- Tenho medo. – respondeu Omi abraçando Aya e escondendo o rosto no seu pescoço, ele não sabia era que aquela proximidade ainda excitava mais o ruivo

- Pois... – Aya afastou o loirinho, deixando o outro desanimado

- Desculpa... eu não queria... desculpa... – Omi olhava para o ruivo, os olhos azuis a brilharem e as lágrimas a começarem a cair

- Omi... se não quiseres tudo bem... eu não vou te obrigar a nada...

- Não é isso. Eu quero, mas tenho medo..

Omi saltou da cama saindo do quarto e correndo para o seu quarto.

 

*4hora da manhã*

Omi foi acordado pelo som da chuva a bater contra a janela. Parecia uma tempestade das grandes. Devagar levantou-se da cama e foi até à janela espreitando, observando a chuva cair. Aquele momento lhe trazia de volta toda a sua melancolia. Já lhe tinha passado o choque de ver Ken e Yohji juntos, especialmente porque agora entendia que o que sentia por Aya podia levar à mesma coisa. Abriu a janela e colocou a mão de fora, sentindo as gotas de chuva molharem-no. Alguns segundos se passaram para que sentisse uma brisa gelada , fechou a janela e voltou para a sua cama, tapou-se e tentou adormecer de novo, mas desta vez o sono não vinha.

Resolveu ir beber alguma coisa, talvez um pouco de leite morno fizesse com que o sono voltasse.

Desceu as escadas, mas não sem antes olhar para a porta do quarto de Aya. Tinha sido um idiota queria estar com ele, nos braços dele, mas o seu medo e insegurança tinha feito com que em vez disso estivesse, agora, ali sozinho e gelado. Em minutos preparou o seu copo de leite quentinho e bebeu-o, mas isso não tinha ajudado em nada. Continuava tão desperto como antes.

Andou até à sala, talvez o sono viesse se ficasse algum tempo a observar os anúncios que davam sempre àquelas horas da manhã.

- Que preciso fazer para dormir?! – murmurou ele, olhou para um relógio que estava sob a mesa e viu que não tinha passado muito tempo mas que o sono continuava a não vir

Decidiu voltar para o seu quarto. Parou na porta e ainda que indeciso foi até à porta de Aya. Ia bater à porta quando achou que aquilo seria estranho, tanto para ele como para Ken e Yohji. Abriu a porta e entrou. Olhou para a cama e viu apenas o cabelo ruivo, devia estar a dormir à horas. Fechou a porta e começou a aproximar-se da cama, pisou qualquer coisa e olhou para o chão, era a sua camisola, tinha se esquecido completamente dela. Ia pega-la quando percebeu um movimento na cama e ao voltar o seu olhar para o ruivo, viu-o sentado na cama a olhar para ele.

- Que queres? – perguntou Aya num tom frio, completamente indiferente sem nenhum tipo de emoção

- Posso dormir contigo? – a pergunta surgiu de uma forma inocente e Aya riu-se

- Se é isso que queres...

- Sim...

Omi deixou a camisola onde estava e caminhou até à cama, sem pensar duas vezes levantou as cobertas e aproximou-se do ruivo. Aya estava com um sorriso nos lábios, Omi sorriu ao perceber isso. O loirinho deitou-se ao lado dele e beijou-lhe o rosto. Aya impediu que ele se afastasse muito beijando-lhe os lábios.

- Quero só dormir... entendes... – disse Omi ainda muito inseguro

- Sim.

Os dois abraçaram-se e Omi sorriu ao perceber que mal se aconchegara junto de Aya, o sono parecia querer o levar de volta para os seus lindos sonhos, que ultimamente eram sempre povoados por um certo ruivo.

Os dois acabaram por adormecer rapidamente, cada um aproveitando o calor do outro.

 

Horas depois o despertador de Aya tocava, ele ergueu-se um pouco contrariado e desligou o objecto. Olhou para Omi que dormia com a cabeça no seu peito. Deveria acorda-lo mas em vez disso apenas ficou a admirar a beleza daquele rapaz. Sempre que Aya sentia algo mais do que devia repetia mil uma vezes que ele era apenas uma criança... mas seria ele apenas uma criança?! Omi mexeu-se um pouco e os olhos azuis abriram-se fixando os violetas de Aya. Ficaram abraçados e a olhar cada um nos olhos dos outros. Omi finalmente desviou os olhos quando percebeu ainda o som da chuva. Aya seguiu o olhar dele para a janela.

- Está a chover... – disse Omi quebrando o silencio

- Pois está... uma chuva obliqua... como tu...

- Desde quando a chuva é torta? E eu sou torto?!!?!

- O que?! Quando digo isso quero dizer que parece hesitante e insegura, ora pára e ora recomeça...

- Ah... achas-me inseguro?

Aya olhou para ele desafiando-o a contrariá-lo. Omi não tinha como se defender daquilo, ele sabia que era inseguro e muito medroso. Mas só com Aya... era isso que não entendia...

- Mas eu só sou em relação a ti... por isso ela é mais obliqua do que eu...

- Desde quando?

- Desde que me apaixonei por ti... – Omi ficou vermelho e voltou a deitar a cabeça no peito de Aya

- A sério?!

- Posso ser tão obliquo quanto ela... mas a minha insegurança só transparece quando estou contigo... porque?

- Tens medo de mim...

- Não. Pelo contrario, admiro-te. Mas tenho medo que tudo o que mostras sentir por mim seja apenas um sonho... acho eu...

- Acredita que não é.

Omi levantou o rosto para fixar os seus olhos no rosto do ruivo.

- Acho que acredito... – ele voltou a baixar o rosto – ... por agora...

Aya abraçou Omi com força e inverteu a posição ficando por cima do loirinho.

- Queres que te prove? – os olhos de Aya brilhavam, ele inclinou-se sobre Omi beijando-o carinhosamente

- Não preciso, acredito em ti.

- Não precisas ou não queres?

Omi ficou calado, estava de novo inseguro, o medo parecia engoli-lo, queria tanto conseguir mostrar a Aya o quanto o amava mas não conseguia. Tinha medo de não saber como reagir durante e depois de tudo.

- Eu... – Aya calou Omi com um beijo

- Deixa-me mostrar-te o quanto te amo.

Omi soltou um sorriso inseguro. Tinha medo mas não ia continuar a esconder-se atrás desses sentimentos negativos, ia deixar tudo acontecer como se fosse destinado a passar por aquilo. Se no fim se arrependesse... teria ainda milhares de oportunidades para o virar a seu favor... afinal ainda tinha toda uma vida pela frente...

- Não quero ser obliquo...

- E isso quer dizer... – Aya esperava uma resposta, queria um sim dele, mas também do seu corpo, mas também da sua alma

 

Omi levou as mãos até à camisola do seu pijama e tirou-a, em seguida fez o mesmo com a de Aya. Aproximou-se do ruivo e beijou-o aprofundando beijo com toda a força que sentia ter e não ter. Queria aquilo mais do que tudo.

Aya não se mexeu imediatamente, deixou que Omi continuasse o beijo e quando o sentiu calmo o suficiente, começou as caricias, descendo até aos mamilos do loirinho, os sugando e continuando sempre descendo, parou algum tempo na barriga a beijando e lambendo. Queria faze-lo ver que não havia motivo para ter medo, mesmo que isso significasse seduzi-lo e o fazer sentir bem, mesmo se tivesse de prescindir daquilo que queria desde o inicio, possuir o loirinho. Queria que ele se entregasse e faria tudo para o fazer perder o medo de o fazer.

Omi gemia adorando cada caricia de Aya e mesmo quando sentiu as suas calças sendo retiradas não se mostrou com medo, tentou abstrair-se de tudo deixando-se apenas sentir.

O ruivo beijava todo o corpo do loirinho adorando cada pedaço do corpo com que tinha sonhado durante tanto tempo, nunca na vida pensou que conseguisse conquistar Omi, mas agora que o tinha ali era ele que tinha medo.

- Se calhar também estou um pouco obliquo...

Omi estava de olhos fechados e ao ouvir aquilo sorriu... ainda de olhos fechados desceu um pouco ficando ao mesmo nível do ruivo. Abriu os lindos olhos azuis e fitou Aya.

- Quem precisa de ser obliquo, se a chuva é por nós todos... – Omi beijou Aya e levou as mãos à cintura do seu amor tentando remover-lhe as calças, fazendo entender ao ruivo que estava um bocado difícil ele mesmo o fez

O beijo não cessava, continuaram se beijando, até Omi esfregar o seu corpo no de Aya, o ruivo gemeu entre o beijo mas não o largou, aprofundando-o cada vez mais, explorando aquela boca ao máximo, adorando o doce saber dos lábios do loirinho. Omi afastou-se um pouco beijando o rosto de Aya.

- Podemos ser oblíquos, ou simplesmente maliciosos.... – Aya riu-se com o comentário do loirinho

- Estás a sair melhor que a encomenda...

- Mas acho que ainda nem chegamos à melhor parte...

- E como sabes isso?

Omi ficou vermelho, tinha sem saber bem porque lembrado-se do que tinha visto no quarto de Ken, dos gemidos e mesmo do grito, mas naquele momento já não o assustava, sabia que queria estar com Aya e se pudesse faria tudo para o satisfazer.

- Apenas sei... aproveita porque amanhã posso estar obliquo outra vez! – Omi riu-se

- Cala-te lá com o obliquo, nunca ouvi tantas vezes essa palavra na minha vida...

- Já somos dois!!

Omi voltou a beijar Aya e os dois continuaram a sua maravilhosa manhã de paixão, deixando os medos e a insegurança de lado, tinham algo mais importante para viver e aceitar... que se amavam um ao outro...

 

- AYA! NÃO DESCES HOJE?! – perguntou Yohji da porta

- DESAPARECE!! – gritou Aya voltando-se para a porta

- Está trancada... – disse Omi como que lendo os pensamentos do outro

- Pelos vistos já tinhas a ideia de fazer mais do que dormir... – Aya sorriu malicioso

- Eu dormi e agora estou a aproveitar o calor... – Omi deu um beijo a Aya - ... que vem se ti...

 

Os dois voltaram ao que estavam a fazer antes, sem suspeitarem dos risos do outro lado da porta, que tinham percebido o que se passava dentro do quarto.

Aya estava diferente, tinha mudado devido ao amor, um sentimento indefinido, muitas vezes facilmente superado mas que outras vezes acaba por ter uma dimensão sem medida. Como numa viagem sem destino, os dois amantes entregaram-se um ao outro, sem lamentos ou arrependimentos, ambos estavam bem com a decisão que tinham tomado principalmente porque nunca cairiam no erro de se magoarem um ao outro. Desde que houvesse amor, nada mais importava... nem mesmo a chuva obliqua podia os afastar...

 

Fim

 

Espero não decepcionar ninguém... sei que o titulo apela um pouco à leitura e por isso o escolhi, mas a história acabou por tomar um rumo completamente diferente... definitivamente isto era para ser um fic em que as personagens principais eram apenas AyaxOmi, mas acabei por colocar também YohjixKen.

Desculpem lá pelo fim, está um pouco sem sal ... eu sei! Mas não sabia como o terminar e acabou mesmo por ficar assim...

 

Espero receber as vossas criticas boas e até más!! Aqui está o meu mail... [email protected]

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