Titulo: abnegação
Autor: KittyBlue
Capítulos: oneshot
Status: completo
Tipo: angst, lime, yaoi, sap
Rating: R
Pares: Omi + Aya; Yohji + Omi; Yohji x Aya
Sumário: Por vezes os sentimentos que julgamos mais exactos e certos são os mais confusos.
Avisos: este fic é apenas uma coisinha que escrevi para me entreter. Mais um fic de Weiß... ando a tentar esquecer outras coisas mas.... Weiß é mesmo a minha paixão!
C&C: Podes contactar-me através de Email ou pelo ICQ (145672919)
Disclaimer: as personagens não são minhas, mas o fic é meu!

 

 

Abnegação

by KittyBlue

 

Yohji parou na entrada do quarto completamente mortificado. Se por um lado os seus olhos pareciam querer mostrar-lhe finalmente a verdade, o seu coração naquele momento estava destroçado.

No centro do quarto duas pessoas dormiam tranquilamente. O corpo mais pequeno completamente coberto pelo do outro homem. Os cabelos loiros caiam sobre o rosto de Omi, impedindo Yohji de ver se rapazinho estava acordado, mas ele percebeu pelo sua respiração que o mais novo dormia profundamente. Os olhos verdes desviaram-se para o outro indivíduo, o corpo escultural de Aya cobria totalmente o de Omi, os cabelos vermelhos misturavam-se até certo ponto com os loiros de Omi. Os dois pareciam algo como um quadro sensual de um pintor famoso, a perfeição da pose e a harmonia no ar transparecia dos dois.

Yohji deu alguns passos sem perceber, parando ao lado da cama a olhar para o membro mais novo da Weiß, Omi ainda estava a dormir e por isso não reagiu de maneira alguma quando o outro loiro tocou suavemente o rosto perfeito, afastando algumas madeixas loiras da face de Omi.

Omi apenas apertou os braços em redor de Aya, o que fez o ruivo estranhar. Os olhos ametistas abriram-se e ele calmamente fitou Yohji. A sua expressão como sempre não demostrava numa reacção, os dois apenas se encararam durante algum tempo.

Algumas lágrimas escorreram pelo rosto do mais velho, e finalmente ele decidiu-se a sair do quarto.

Quando a porta foi fechada, Aya voltou o seu olhar para a pessoa que dormia nos seus braços. O ruivo ficou algum tempo a olhar para Omi, os seus pensamentos a vaguear, memórias de momentos e situações entre os dois preencheram a cabeça do mais velho. Aya suspirou e tentou soltar-se do loirinho, quando finalmente o conseguiu fazer, levantou-se da cama e dirigiu-se para a casa de banho para tomar um duche.

Minutos depois Aya voltou a entrar no quarto para encontrar Omi sentado há espera dele. O loirinho deu-lhe um pequeno sorriso.

- Vais sair? – perguntou Omi ao ver Aya a vestir-se novamente.

- Vou.

- Hum. Vais onde?

- Dar uma volta. Podes ficar aqui se quiseres.. – Aya vestiu-se por fim, agarrou um casaco que estava em cima de uma cadeira e saiu do quarto.

Omi olhou em redor, era a primeira vez que estava dentro do quarto do líder da Weiß. A sua curiosidade era enorme, queria vasculhar as gavetas da secretaria, o armário, Omi queria procurar naquele local algo que lhe desse uma pista sobre o verdadeiro Aya. O loiro levantou-se da cama e olhou distraidamente pela janela.

A vontade de bisbilhotar era grande, mas ele sabia que Aya nunca o perdoaria se ele mexesse nas suas coisas. E Aya acabaria por saber que ele o tinha feito. Ele vestiu-se devagar e finalmente aproximou-se da porta. Ele abriu-a e ao ver que não estava ninguém no corredor foi directo para o seu quarto.

 

+mais tarde+

 

O ruivo largou a mão que ele acariciava com suavidade e ternura. Ele olhou para a face da rapariga adormecida e pensou se era realmente justo ele ter sobrevivido. Já tinha debatido tantas vezes essa questão. Não era justo para nenhum dos dois ter sobrevivido. Ela certamente preferiria ter morrido a viver adormecida o resto da sua vida, ainda por cima sabendo o que ele era obrigado a fazer por ela.. mas ela nunca saberia, não é?

Ran levantou-se e inclinando-se beijou a testa dela. A coisa que ele mais queria era ter morrido, talvez se ele tivesse tido o mesmo destino dos seus pais.... ele queria tanto poder fazer alguma coisa. Ele tinha se tornado um assassino para que ela continuasse a viver, ele matava para que um dia ela acordasse. Ele deu a sua alma, e ele daria tudo o que lhe resta para que ela apenas abrisse os seus lindos olhos e sorrisse para ele.

- Aya... o que me tornei? Como poderás alguma vez amar este homem? Como poderás alguma vez reconhecer nele alguém que te ama tanto quanto eu te amo... quando eu só... eu destruo.. eu não sei o que fazer mais. Não sei se consigo continuar sem ti... – os olhos violeta ametistas encheram-se de lágrimas. Ele tocou novamente a mão dela e sorriu docemente para ela. – Eu preciso de ti... acorda, Aya..

O silêncio foi a única coisa que ele recebeu como resposta. Ele acreditava que um dia ela iria acordar, poderia demorar muito tempo ainda, a sua mente até lhe dizia que ela nunca iria novamente olhar para ele e sorrir, mas ele sabia que sim. Ele acreditava do fundo do seu coração que ela ia..

Um dia ela iria abrir finalmente os seus olhos e gozar com ele por ele ainda ser chorão. Ela ia rir-se ao saber que ele nunca a tinha deixado sozinha e iria sorrir para ele e dizer que o amava. Mas isso era apenas um sonho distante...

 

+Mais tarde ainda+

 

Yohji viu finalmente a sua vitima a sair do edifício e em vez de atacar como tinha em mente, ficou parado pensativo. Tudo teria sido mais fácil! A culpa era da sua curiosidade!!

Quando o loiro tinha viu Aya a sair de casa, a raiva que parecia ter se acalmado voltou ao de cima. Decidido a falar com o ruivo, foi atrás dele. Mas quando o ruivo entrou no hospital, Yohji ficou confuso e curioso. Sem saber bem o que fazer, seguiu até o ver a entrar o elevador. Esperou até o elevador marcar o piso em que Aya devia ter saído, já que ele era a única pessoa no elevador, e foi atrás.

Ao falar com uma enfermeira, ficou ainda mais confuso quando ao perguntar se tinha visto um ruivo passar, ela apenas o olhou de cima a baixo e depois de olhar para um quarto com um olhar triste, apontou simplesmente.

Yohji ficou ainda mais confuso ao aproximar-se de um quarto que estava marcado como na porta como de "Aya Fujimiya". O loiro pensou por momentos que talvez o líder da Weiß tivesse doente, ou mesmo ferido depois de uma missão. Mas todos os seus pensamentos se extinguiram quando Yohji ouvido uma voz que ele conhecia bem, e logo em seguida alguns soluços.

Como a porta estava entreaberta, Yohji teve a oportunidade de ver pela primeira vez na vida, o homem conhecido como Aya Fujimiya a chorar. Ele falava algumas coisas para uma rapariga que estava a dormir, as palavras eram baixas e doces, mas o loiro pode perceber cada uma delas.

A confusão instaurou-se ao ouvir o seu líder dizer que amava aquela rapariga e que estava à espera que ela acordasse. Yohji ficou furioso e saiu rapidamente dali. A ideia de que Aya estava com Omi apenas por alivio ou mesmo por estar era superior tudo o que aquilo poderia significar.

Por isso Yohji estava agora ali parado a olhar para o ruivo que saia do hospital. A fúria e raiva passou ao observar aquele homem sair do edifício. Por momentos pensou como seria se a Asuka em vez de morta tivesse sobrevivido para ficar em coma. A ideia surgiu do nada e Yohji nem percebeu o porquê do pensamento. A única coisa que o loiro sabia era que tinha conseguido apaixonar-se novamente, o seu coração tinha se afeiçoado a Omi e agora os seus sentimentos teriam de apenas ser ocultos porque Aya Fujimiya tinha chegado primeiro ao rapaz.

 

+dia seguinte+

 

Ken entrou na loja e o ambiente frio e nada amigável imediatamente fê-lo recuar alguns passos. Os olhares que Yohji estava a direccionar para Aya não eram nada mais do que perigosos, e enquanto isso o ruivo apenas tratava das clientes mal falando e quando dizia uma palavra era para mandar as raparigas embora ou para dizer a Yohji para parar de ser preguiçoso e fazer alguma coisa.

- Oi... Yohji... podes ajudar-me com este arranjo? – perguntou Ken tentando chamar atenção de Yohji que tentava fazer um buraco nas costas de Aya com o seu olhar.

- Não! Não vês que estou ocupado! – respondeu Yohji lançando-lhe um olhar bem mortal e voltando ao que estava a fazer antes, o quer que fosse.

Ken aproximou-se de Aya e olhou para o arranjo que o ruivo estava a fazer.

- Hey... Aya... o Yohji está bem?

- Achas que eu me importo com isso? – Aya continuou a fazer o arranjo tratando de ignorar completamente Ken e Yohji.

Ken suspirou e foi para o fundo da loja fazer qualquer coisa que fosse preciso. Os últimos clientes saíram e o moreno pode perceber Aya e Yohji a olharem um para o outro. Desta vez o ruivo parecia estar farto da brincadeira e estava a responder com o seu olhar mais frio. Yohji claro que não se sentiu afectado com isso e continuou a encara-lo.

 - vocês podem parar!! – gritou Omi de repente. Ken olhou para a porta. Omi tinha acabado de entrar na loja e pelos vistos estava a ter um mau dia. – Eu não quero saber o que raio de passa com vocês, mas espero que vocês resolvam isso! Fora do tempo de trabalho!!! – gritou ele dirigindo-se para casa.

Yohji e Aya olharam para o rapaz enquanto ele passava por eles, mas mal a porta se fechou os dois voltaram para a patética fase de olhares cruzados, a tentar ver quem ficava cego primeiro ou pelo menos quem desistia primeiro.

Ken suspirou.

- Apenas mais um dia na Koneko... apresento-vos Weiß Kreuz... os palhaços de serviço! – os dois olharam para ele prontos a dizer qualquer coisa. – Já sei! Cala-te Ken! Eu desisto! Fiquem ai e tratem de tudo sozinhos!

Ken saiu da loja para a rua, de certeza que conseguia encontrava ainda alguns miúdos no campo de futebol para treinar com ele.

 

+noite seguinte – depois de uma missao+

(preferi cortar os pormenores da missão! ^^)

 

Aya saiu da casa de banho. Apenas uma toalha cobria a parte mais intima do seu corpo, o que realmente era meio estranho já que o ruivo tinha a mania de levar alguma roupa para se trocar quando tomava banho na casa de banho do corredor.

O ruivo passou por Yohji, sem dizer nada e nem olhar para o mais velho. O loiro não conseguiu resistir a admirar o corpo de Aya e ao sentir o cheiro de lavanda por pouco não se mandou ao ruivo. Havia algo naquele aroma que o fazia querer esquecer tudo e apenas deliciar-se com o cheiro.

Yohji pensou em quando realmente tinha começado a ficar viciado no aroma e não conseguiu lembrar-se sequer quando tinha sentido o cheiro pela primeira vez. Apenas sabia que era algo sempre presente em Aya.

- Yohji. Preciso falar contigo. – o loiro voltou-se e olhou para Omi.

- Comigo? E porquê?

- Podemos... ir para outro sitio?

- Claro. Entra. – Yohji abriu a porta do seu quarto e encaminhou o mais novo para dentro do quarto. – Então? Que se passa?

- Eu... preciso falar contigo sobre uma coisa.... sei que vai ser duro mas... Eu amo o Aya e eu não quero que tu te metas mais nisto.

- Mas.. eu... que queres dizer com meter mais nisto? Fiz o quê?

- Yohji! Eu sei como tu olhas para mim! Não sou estúpido!

- Okay....

- Eu amo-o a sério. Eu adoro-te e não quero deixar de contar contigo por causa de algo assim. Eu preciso de ti.

- Eu... então sabes, Omi?

- Sei. Eu sei que gostas de mim, mas eu acho que tu não percebes bem... eu acho que estás a confundir amor fraternal com algo bem mais forte.

- Algo como o que sentes por ele?!

Omi riu-se. – Sabes que sempre pensei que tu serias quem o ia conseguir domar. – Omi parou de rir e andou até ao centro quarto, sentando-se na cama e dando um sorriso triste a Yohji. – Nunca pensei que eu fosse me apaixonar, mas até tu tens de admitir... ele é lindo, destemido e apesar da atitude... ele preocupa-se connosco.

- Pode ser mas... não entendo o que queres dizer. Sim ele tem as suas qualidades, mas aquela personalidade! E... ele mentiu-te Omi..

- O quê?

- Ele não te ama. Ele.. – Omi interrompeu o outro loiro com uma gargalhada.

- Eu sei que ele não me ama. Ele gosta de se enganar a si próprio. Ele acha que vai conseguir escapar ao que o coração dele sente.. mas ele não vai.

- Eu vi-o no hospital.. com ela... ele -

- No hospital?! Com quem?!

A porta abriu-se e Ken entrou. O moreno fechou a porta e aproximou-se de Yohji.

- Boa Ken! Sempre pensei que tivesses maneiras! Acabaste de me mostrar que não tens! – disse Yohji com um sorriso maldoso.

- Eu estava a passar quando vi o Omi entrar e... depois ouvi o que disseste e agora... o hospital... achei que devia também presenciar a conversa... já que... – Ken pausou olhando para Omi. – Eu menti-vos.

- Hm? Que estás para ai a dizer? – perguntou Omi levantando-se da cama e aproximando-se.

- Ele estava a ouvir atrás da porta e agora quer participar na conversa. – informou Yohji.

- Yohji! Eu estou a falar a sério.

- Esquece isso! – disse Omi de repente. – Mentiste? No quê?

Ken baixou a cabeça. – Quando me perguntaste se eu sabia alguma coisa sobre o Aya... o Yohji viu-me a falar com ele há algumas semanas e também me perguntou o que tínhamos falado e eu apenas disse que nada... eu menti-vos.

- Bom momento para querer o nosso perdão. – disse Yohji a brincar. – Kenken! Esquece lá isso e diz o que fizeste de uma vez.

- Eu... eu percebi que se passava alguma coisa com ele e tentei falar com ele. Normalmente ele teria me mandado para o inferno ou algo do tipo, mas ele estava tão mal que ele falou comigo... eu realmente senti-me bem por ele falar comigo e não tive de coragem de vos contar.. o que falamos foi... bem.. pessoal.

- Entendo Ken. – disse Omi de repente. – Ele nem nisso confiou em mim.. – o rapaz começou a chorar. – Ele podia ter falado comigo e não falou..

- Tem calma Omi, ele... – Ken calou-se ao ouvir novamente a porta a abrir-se.

Aya parou na entrada a olhar para os três restantes membros da Weiß. O seu olhar era frio e cruel. Ken foi o primeiro a desviar o olhar de Aya para Omi. O loirinho apenas correu para a cama de Yohji e agarrando uma almofada começou a chorar compulsivamente. Yohji foi o único que permaneceu sério a olhar para o ruivo.

- Se querem falar de mim de certeza que não se importam que eu oiça, certo? – disse Aya finalmente aproximando-se de Omi. – Pára de chorar, Omi. Não tens motivo para isso e sabes tão bem como eu isso.

Yohji preparava-se para dizer alguma coisa, mas Omi limpou os olhos e sorriu para Aya. Ken aproximou-se dos outros dois.

- Desculpa, mas... eu tinha de explicar-lhes.

- Não faz mal, Ken. – respondeu Aya, o seu olhar desviou-se dele para Yohji.

- Não penses que vou pedir desculpa! – reclamou o mais velho aproximando-se.

- Nem eu pensaria tal coisa, Yohji.

Ken e Omi começaram a rir. Os outros dois olharam para eles sem entender, mas Ken e Omi apenas continuaram a rir.

- Podes dizer-lhes. – disse Ken de repente. – Mais tarde ou mais cedo, eles vão saber.

- Talvez. – Aya baixou a cabeça. O chão do quarto de Yohji de repente tinha se tornado muito interessante. – Eu... não sei por onde começar.

- Podes começar pela rapariga do hospital. – disse Yohji colocando-se em frente ao ruivo. Ele sorriu ainda que o seu olhar fosse desafiador.

- A rapariga do hospital... ela é minha irmã.

- Irma?! A sério? – Yohji sentou-se ao lado de Aya, fazendo Ken quase cair da cama. – Não sabia que tinhas uma irmã? Como se chama... – Yohji pausou.. – Aya Fujimiya... ela é a Aya..

- Sim. – Aya voltou o seu olhar para Omi. – No dia em que falei com o Ken... tinha ido ao hospital e os médicos encarregados dela disseram-me que ela nunca iria acordar.

- Aya.. – sussurrou Omi. Ele tocou ternamente o rosto do ruivo. – Podias ter falado comigo. Eu apenas queria ajudar-te.

- Eu não consegui... Acho que o Ken apanhou-me apenas num momento em eu estava destroçado, eu não consegui ficar calado e ele ajudou-me... de certa forma, eu precisava apenas de falar e ele ouviu-me.

- Entendo.

- Porque está ela em coma? – perguntou Yohji curioso.

- Os meus pais morreram numa explosão há alguns anos atrás. Eu e ela conseguimos sobreviver, mas ao fugir... ela foi atropelada por um carro.. Reiji Takatori guiava aquele carro.. nunca me heide esquecer.. como eu fiquei... eu fiquei paralisado sem conseguir fazer nada. A explosão tinha me afectado, mas ela ia estar comigo, foi ela que me fez... querer viver... e de repente... nem ela estava mais comigo. – uma única lágrima desceu o rosto do ruivo. Yohji instintivamente levou uma mão ao rosto de Aya e limpou a lágrima. Os dois ficaram a olhar um para o outro, por um lado espantados e por outro lado apenas a observar o outro.

Ken e Omi começaram a rir de novo, desta vez Aya e Yohji olharam seriamente para eles. Ken riu-se e saltando da cama fugiu do quarto. Omi tentou fazer o mesmo, mas Yohji teve a oportunidade de lhe fazer uma rasteira e apanha-lo antes de ele conseguir fugir pela porta.

- Serás tu capaz de explicar, onde está a graça?! – perguntou Yohji.

- Em ti! tu es tão tapado às vezes, Yohji. – disse Omi com um sorriso. os olhos azuis safira desviaram-se para Aya durante algum tempo.

O loirinho levantou-se e aproximou-se do ruivo.

- Obrigado Aya... – ele abraçou o ruivo. – Acho que chegou a hora de deixares o teu coração guiar-te, não achas Aya.. – sussurrou finalmente Omi ao ouvido do ruivo.

Yohji observava de longe, tentando entender aquilo que Omi lhe tinha dito. Ele sabia que naquele momento aquilo que o guiava era ciúmes, mas o que o confundia era que ele não sabia de quem ele tinha ciúmes....!

Ele olhava para os dois abraços e tentava decidir se aquilo que Omi lhe tinha dito era possível. Será que ele podia ter confundido amor fraternal, uma necessidade de proteger Omi, com um amor que se tem para com um amante? Era possível. Omi e Ken sempre foram aqueles que mais o faziam querer proteger, Aya sempre tinha se mostrado demasiado forte para precisar de outra pessoa na sua vida.

Yohji chegou à conclusão que talvez Omi tivesse certo. Pois o mais velho nunca teve pensamentos sexuais ou mesmo necessidades sexuais ao pensar em Omi. O rapaz sempre apenas foi algo como um irmão mais novo.. agora com Aya..

Tudo no ruivo o levava à loucura. Yohji sabia que Aya era lindo. A sua aparência era sem dúvida algo que chamava atenção a qualquer um. O corpo era mais do que uma fantasia erótica, o próprio Yohji tinha já tinha tido sonhos com o ruivo e certamente que esses sonhos eram tudo menos puros e inocentes.

Sem dúvida que a personalidade deixava muito a desejar, mas o resto compensava. E talvez Omi até tivesse razão... quem sabe se Yohji não conseguiria domar a fera. Muitas vezes o loiro já se tinha perdido naqueles olhos, muitas vezes... vezes demais..

Quando raios é que eu meti na minha cabeça que eu amava o Omi?!

Yohji deu alguns passos na direcção deles e fixou seriamente Aya. O ruivo levou ligeiramente a cabeça e os dois olhares cruzaram-se. Omi desviou-se para o lado e sorriu para Yohji, minutos depois o quarto estava vazio com excepção a eles os dois.

- Então? – tentou Yohji.

- Então o quê, Kudoh?

- Ah! Aya!! Pensei que já tivesses percebido que o meu nome é Yohji! Kudoh é o meu pai, que deus o queira bem longe daqui.. – Yohji decidiu que pensar no doentio senhor Kudoh não era algo para se fazer agora. – É Yohji... e já agora... o teu nome?

- O meu nome?! ... Ran.

- Ran?! – Yohji sentou-se ao lado do ruivo novamente. A sua expressão era pensativa e o outro pensava no que iria sair dali. – Orquídea...? Tem tudo haver contigo. – disse o loiro com um sorriso.

- Que queres dizer com isso, Kud--Yohji? – Yohji sorriu e apenas deu o seu melhor sorriso malicioso. Algo que por segundos pareceu assustar Ran.

- Bem.. os teus olhos são ametistas... cheiras a Lavanda... sem dúvida que uma cor que te fica a matar é purpura... sem dúvida que Orquídea é algo que eu posso associar contigo. – Yohji riu-se. – Engraçado que a minha flor preferida é a Orquídea, não achas? – desta vez o sorriso foi 100 % sedutor. – Só falta teres uma tatuagem ou algo do tipo. – Ran abaixou a cabeça corando um bocado. – Tens?!

Em instantes Ran estava deitado na cama com o loiro em cima dele. O ruivo tentou mexer-se para fugir, mas Yohji prendeu Ran com o seu corpo. Novamente passou pela cabeça de Yohji como poderia alguma vez pensado que amava Omi. A coisa mais bonita de se ver era sem dúvida Ran a corar.. 

- Tens uma tatuagem com uma orquídea?! – perguntou Yohji inclinando-se sobre o rosto de Ran, os seus lábios a centímetros de distancia dos de Ran.

- Si-sim... qual é o interesse?..

- Onde? – perguntou simplesmente Yohji.

Ran levou uma mão à camisola e levantou ligeiramente a parte esquerda. Yohji em vez de olhar para o que o ruivo indicava, apenas continuou debruçado sobre Ran, atento aos olhos de Ran ainda que os seus olhos muitas vezes se desviassem para os lábios que pareciam pedir ser provados.

- Yoh-Yohji...

O loiro apenas pressionou suavemente os seus lábios com os de Ran. A sensação foi incrível, a coisa mais fantástica que alguma vez sentiu na sua vida. O sabor de Ran era intoxicável, uma droga a que Yohji nunca ia deixar de recorrer. O loiro quebrou o beijo para olhar para Ran, colocando a sua cabeça no espaço entre o pescoço e o ombro do ruivo. O cheiro de lavanda imediatamente chegou ao seu nariz.

Yohji deu um pequeno beijo molhado ao pescoço de Ran antes de se afastar minimamente para verificar a tal tatuagem. Ele traçou com os dedos a imagem da flor, uma orquídea purpura linda marcava o espaço ao lado do umbigo. O loiro inesperadamente encontrou outra coisa que o surpreendeu, um piercing no umbigo..

- Uma esmeralda, Ran?

A pedra esverdeada fez Yohji sorrir. Ao olhar novamente para cima, Yohji viu Ran a olhar para todos os lados menos para ele, o rosto embaraçado estava ainda mais vermelho se isso era possível.

- Porque dormiste com o Omi? – perguntou Yohji de repente. Os seus dedos brincavam com o piercing sem o loiro perceber.

- Ele teve um pesadelo e veio ter comigo. E não leves a situação para lados pervertidos! Nós só dormimos juntos, nada de toques e tal!

- Vocês estavam nus. Eu vi.

- Eu estava de boxers e ele também! Se não viste, estavas de certeza a olhar para outros lados! – Yohji riu-se e voltou a erguer-se para ficar frente a frente com Ran.

- Talvez. Mas tu estavas bem em cima dele e ele não parecia se importar muito com isso na realidade. Nunca pensei encontrar o meu querido líder na cama com o membro mais novo da Weiß.. tenho de admitir que fiquei escandalizado!

Ran tentou levantar-se mas Yohji não permitiu prendendo novamente o ruivo à cama com o seu corpo. Agora que Yohji sabia bem o que queria e estava mais perto do que nunca de o alcançar, ele não ia deixar Ran escapar tão facilmente.

O ruivo parou de se mexer para olhar para Yohji.

- Apenas tentamos dar conforto um ao outro! Tu é que vês sexo em todo o lado! E ficaste escandalizado porque encontraste o teu amorzinho agarrado ao líder mau e gelado da Weiß. – disse Ran desviando o olhar do loiro.

- Ran... eu adoro o Omi, mas não o amo. Eu... acho que posso dizer que... Eu amo outra pessoa.

- O Ken?! Ele está mais do que interessado no Omi se queres saber!

- A sério?!?! – desta vez Yohji foi apanhado de surpresa. Depois de se recuperar do choque, o loiro voltou a por o seu sorriso sedutor e malicioso. – E tu?

- Eu?.. não tens nada haver com isso.. Yohji.. – o loiro beijou os lábios de Ran, uma felicidade arrebatadora encheu a sua alma quando o ruivo começou a responder ao beijo. Yohji afastou-se um bocado com um sorriso nos lábios. – Porquê isto, Yohji?

- Eu quero-te.. porque te amo.

- Faz de conta! – Ran tentou levantar-se e desta vez fez força suficiente para se soltar, mas Yohji impediu todos os movimentos do ruivo, e quando Ran pensou em tentar gritar com Yohji, o loiro apenas o calou com outro beijo.

- Eu sei que sentes alguma coisa por mim, Ran.. porque não admites? Porque nunca me deste sequer uma pista? – Yohji levou uma mão aos cabelos vermelhos acariciando-os. Ele deu um pequeno beijo no rosto de Ran e sorriu.

- E ia facilitar a tua vida Yohji? Eu gosto de desafios.. sempre pensei que tu também. – o sorriso de Ran era perigoso, uma junção do desafio que ele punha naquele momento ao loiro e ao mesmo tempo malicioso por querer realmente render-se a Yohji.

O loiro apenas sorriu e sem conseguir resistir voltou a beijar Ran. Desta vez o ruivo não mostrou nenhum medo, ele respondeu o máximo que podia, tocando Yohji da mesma forma sensual que o loiro o tocava. Os dois tiveram de se separar para respirar e acalmar. Yohji sorriu ao ver o rosto corado do outro. Percorrendo o corpo de Ran com as mãos o loiro sorriu ainda mais, ao perceber que o ruivo ao contrário de tudo o que ele pensava, era quente. Ran gemeu levando uma mão aos cabelos de Yohji trazendo Yohji para outro beijo.

- Eu amo-te Ran e eu espero que acredites nisso! – disse Yohji finalmente com um sorriso. – Ou terei de te provar que não vejo mais ninguém à minha frente sem ser tu?! Terei de te mostrar que apenas tu consegues completar-me e fazer-me querer viver mais um dia?!

Ran riu-se. – Acho que terás de me fazer acreditar.. – o sorriso de Ran era malicioso.

Yohji sorriu e voltou a beijar Ran. Ele iria provar ao ruivo teimoso que mais ninguém o conseguia deixar tão louco quanto ele, Yohji ia mostrar a Ran que o amava e não planeava deixar o ruivo sair daquele quarto enquanto ele não percebesse isso..

Uma promessa para uma noite incrível... não é?

 

Fim

 

Mais um fic de Weiß... digam-me se devo me dedicar a outro anime ou par!

Não sei porquê mas wk e aqueles dois assassinos.....!!!

O titulo é estranho não é? Mas estava à procura de um e por acaso encontrei um poema com este nome, depois de pensar muito até achei que era adequado! Afinal existe um abandono e muita negação! ^^

Depois de alguns comentários decidi separar os meus fics, agora tenho dois registos na ff.net e neste de KittyBlue só irão encontrar os meus fics yaoi. Se quiserem os meus non-yaoi.. mandei-me um email...!

De qualquer forma... Espero que tenham gostado e me digam alguma coisa!!

Espero receber as vossas criticas boas e até más!! Aqui está o meu mail... [email protected]

Caso queiram podem dar-me ideias para continuar uma sequela para este fic ou algo do tipo, todo o tipo de ideias são aceites!

Caso queiram falar comigo sem ser através de e-mail...

O meu nr no icq é o 145672919 e o nickname que uso é KittyBlue (tb no mirc, apesar de eu usar muito mais o icq)     

Obrigado a todos! Muitos Beijinhos!! ^-^

 

 

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