MAPA DA ÁREA ORIGINAL DA MATA ATLÂNTICA

 

  Em estado crítico, acha-se reduzida a cerca de 7,3%, ou seja, aproximadamente 94.000 km² de sua cobertura florestal original, que perfazia em sua extensão original pelo menos 1.290.692,46 km². Mesmo esse percentual não está distribuído uniformemente para todos os conjuntos florestais que compõem o bioma. Vários deles estão mal conservados, quase extintos, ou ainda, sub-representados nas unidades de conservação.

Mesmo com a devastação acentuada, a Mata Atlântica ainda abriga uma parcela significativa da diversidade biológica do Brasil, com altíssimos níveis de endemismo. A densidade de ocorrência de espécies por unidade de área para alguns grupos indicadores, como por exemplo, os roedores, pode ser superior à da Amazônia. A riqueza pontual é tão significativa que os dois maiores recordes mundiais de diversidade botânica para plantas lenhosas foram registrados nessa região (454 espécies em um único hectare do sul da Bahia e 476 espécies em amostra de mesmo tamanho no norte do Espírito Santo). As estimativas indicam ainda que a região abriga 261 mamíferos (73 deles endêmicos), 620 espécies de pássaros (160 endêmicas), 260 anfíbios (128 endêmicos). Para alguns grupos, como os primatas, mais de 2/3 das formas são endêmicas. A vasta maioria dos animais e plantas ameaçados de extinção do Brasil são formas representadas nesse bioma, e das sete espécies brasileiras consideradas extintas em tempos recentes, todas se encontravam distribuídas na Mata Atlântica, além de outras exterminadas localmente. Das 202 espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil, 171 são da Mata Atlântica.

Das cerca de 10.000 espécies de plantas, 50% são endêmicas, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro local. O nível de endemismo cresce significativamente quando separamos as espécies da flora em grupos, atingindo 53,5% para espécies arbóreas, 64% para as palmeiras e 74,4%para as bromélias.

A Mata Atlântica preserva também importante conjunto de plantas medicinais, muitas das quais ainda não devidamente estudadas, que são importante patrimônio para a medicina. Mesmo reduzida e muito fragmentada, a Mata Atlântica significa também abrigo para várias populações tradicionais e garantia de abastecimento de água e qualidade de vida para mais de 70% (mais de 100 milhões) de brasileiros que vivem em seu domínio.

Nas cidades, áreas rurais, comunidades caiçaras e indígenas ela regula o fluxo dos mananciais hídricos, assegura a fertilidade do solo, controla o clima e protege escarpas e encostas de serras. Os principais rios que nascem e/ou cortam a Mata Atlântica são o Rio Paraná, o Tietê, o São Francisco, o Doce, o Paraíba do Sul, o Paranapanema, o Uruguai, o Itajaí-Açu, e o Ribeira de Iguape, além de milhares de pequenos afluentes, importantíssimos na agricultura, pecuária e em todo o processo de urbanização.

Apesar da importância deste patrimônio, o ritmo de sua destruição mantêm-se extremamente alto, tendo sido, proporcionalmente duas vezes e meio superior ao verificado na Floresta Amazônica nos anos de 1990 a 1995. Nestes 5 anos foram devastados 500.317 ha de Mata Atlântica. A persistir este ritmo, em 50 anos a Mata Atlântica desaparecerá completamente das propriedades privadas. O estado brasileiro que mais desmatou no período de 1990 a 2995, foi o Rio de Janeiro com 140.372 ha, ou seja, destruiu 13,13% de suas florestas em apenas 5 anos.

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