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Crítica ao Acústico MTV - 2002
Lançamento do Acústico MTV - 2002
Lançamento do Surf - 2001
Show do Kid Abelha em Fortaleza - 99
Show Autolove em Fortaleza - 99
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Para cantar de novo
Ninguém toma o trono de Paulinha Toller como musa do pop brasileiro

        Nenhuma novidade no front kidabelhudo. Quando andavam meio em baixa, na primeira metade dos anos 90, eles conseguiram dar up-grade com o projeto Meio Desligado e, desde então, conseguiram renovar sua platéia, hoje uma mistura de trintões saudosistas e uma garotada ávida por pop honesto para cantar junto. Naquela época não conseguiram sequer o aval da já poderosa emissora MTV Brasil e fizeram apenas o CD. Agora o momento é outro. O grupo está revigorado e comemora 20 anos de carreira com este Acústico MTV.

        O repertório é um tanto óbvio. E o fã mais afoito pode até reclamar a ausência de outra dezena de hits obrigatórios. O que é natural para um artista que tem tantos sucessos em sua coleção. Não se pode negar que ''Eu contra a noite'' ficou melhor aqui do que na sua versão eletrônica na produção de Memê no CD Surf. Ponto também para as boas composições inéditas: ''Nada sei'' é a melhor, na linha que o trio vem fazendo nos últimos discos; ''GilMarley Song'' não é um reggae, como se poderia presumir, mas sim rockinho new wave bem alto astral; e ''Meu vício agora'' é uma balada romântica no melhor estilo da banda.

        ''Brasil'' e ''Mudança de comportamento'' ganharam um charme especial na voz de Paula Toller, com arranjo despretensioso da banda. Mas dos hits da banda mesmo, só ''Lágrimas e chuva'' reaparece num arranjo bacaninha, bem diferente do original funkeado, e direito a introdução com um 'lalaralaiá' cativante. Mas o restante é meio chover no molhado, revisionismo a que os participantes do projeto Acústico MTV estão se obrigando a fazer. Melhor seria se inovassem e apostassem na ousadia.

Sobe


20 anos de pop
Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato comemoram os 20 anos do Kid Abelha com o Acústico MTV

        Na semana passada, o departamento de imprensa da gravadora Universal Music promoveu um encontro de Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato com jornalistas. Motivo: o lançamento de Acústico MTV, projeto agendado desde o ano passado pelo Kid Abelha para marcar os 20 anos de estrada... Isso mesmo, já fazem duas décadas que aquela bandinha formada por pós-adolescentes, tendo à frente a bela ninfeta Paulinha, de voz pequena e cativante, conquistou o público do então emergente rock nacional dos anos 80 com suas musiquinhas leves, como ''Pintura Íntima'' e ''Como eu quero''.

        O encontro estava marcado para uma tarde chuvosa no Rio de Janeiro - como a cidade fica menos maravilhosa com o tempo cinzento! Antes da chegada do trio remanescente do antigo Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens na sala Caetano Veloso, na sede da gravadora na Barra da Tijuca, os convidados puderam conferir em primeira mão o programa da MTV que estreou sexta-feira passada. A chegada de Paula, George e Bruno foi bem amistosa. Ela parece ficar mais bonita com o tempo, George é sempre o mais falante e Bruno, geralmente mais caladão, surpreendeu falando bastante.

        De cara, foram explicando as diferenças entre este Acústico MTV e o projeto Meio Desligado, de 1995, cuja a essência acústica é a mesma. Disseram que naquele trabalho a meta era fazer arranjos mais rebuscados para seus principais sucessos. No novo CD, eles afirmaram buscar a simplicidade. ''A gente está mostrando as músicas da forma mais parecida que elas foram escritas, no violão mesmo'', aponta George Israel.

        Para montar o repertório, eles explicaram que a tentativa era equilibrar todas as fases desses 20 anos de carreira, contando para isso com ajuda dos fãs via Internet - ''A música mais votada foi 'Grand' Hotel'', revelou Paula. Houve sim um maior apuro na hora de escolher as composições inéditas. ''A gente se sentiu na obrigação de botar músicas novas quase tão boas quanto as consagradas'', apontou Bruno. Ficaram ''Nada Sei'' e ''GilMarley Song''.

        Bruno explica também a inclusão de ''Brasil'', sucesso de Cazuza: ''Há tempos a gente achava que tinha que gravar esta música, até porque o George é um dos autores. Tentamos várias vezes e agora achamos o arranjo correto.' Paula afirma que é fã de sucessos populares, por isso a inclusão de ''Quero te encontrar'', sucesso da dupla Claudinho & Buchecha. ''A princípio, nós tínhamos desistido da idéia, porque a primeira vez que a gente experimentou esta música num show, quando a gente chegou no hotel, soubemos da morte do Claudinho. Depois vimos que a música estava acima de tudo'', explicou.

        Os três lembraram os primeiros tempos, principalmente quando faziam o circuito dos clubes da periferia do Rio de Janeiro em apresentações com playback. ''Era cada buraco que, às vezes, o camarim era na casa de um vizinho ou numa borracharia suja. Mas era bem engraçado. A gente chegava a fazer de três a quatro apresentações numa noite'', ri-se Paula. ''Era a única oportunidade desta galera de periferia poder ver os artistas. A gente teve com Seu Jorge (cantor, compositor e ator do filme Cidade de Deus) recentemente e ele disse que viu a gente num desses clubes'', lembra-se George.

        Apesar do projeto comemorativo dos 20 anos, Paula Toller foi seca ao responder com um sonoro ''não'' a um jornalista que perguntou se eles pensaram em convidar Leoni - membro-fundador da banda e principal compositor da primeira fase da banda - para participar do disco. O convite ficou com Edgard Scandurra que deu canja recentemente em shows do grupo e foi chamado para consolidar a parceria - ele toca em ''Como eu quero'' e juntos fazem ''Mudança de comportamento'', música que deu título ao disco de estréia do Ira!. Outro convidado foi Lenine, um freqüentador assíduo do palco do Circo Voador nos primórdios. Juntos fizeram nova releitura de ''Na rua, na chuva, na fazenda'', do soulman Hyldon.

Sobe


Na onda do Kid Abelha
De casa nova, Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato dão uma guaribada no seu som mas mantém sua fórmula pop intacta no CD Surf. Memê e Max de Castro colaboram na produção.

        Aoram 17 anos de um casamento, aparentemente bem sólido. Foi lá na Warner que o Kid Abelha & os Abóboras Selvagens lançou seu primeiro compacto (saudades do velho disquinho tão útil!), que o tirou do circuito carioca em torno do Circo Voador para apresentar a banda ao Brasil. Lá cresceu, passou por crises graves, amadureceu e se consolidou como uma das principais bandas do pop nacional dos últimos anos. Mas veio o divórcio inevitável. Agora o Kid Abelha está em outra companhia, a Universal, e estréiam na casa nova com garantia de veteranos no lançamento do CD Surf.

        Como toda banda pop que se preza, Paula Toller e seus amigos mantém o mesmo padrão mas dão um up-grade no seu som com o novo trabalho. Além dos produtores ``da casa'', leia-se George Israel e Kadu Menezes, o Kid Abelha contou com as colaborações de Memê e Max de Castro. Memê já vem metendo a mão nos últimos trabalhos da banda, como o CD de remixes e Autolove, o último de material inédito. Agora, ele assina a produção de duas faixas: ``Eu contra a noite'' e ``Gávea-Posto 6''. Já Max de Castro é o atual darling da cena pop brasileira e deu seu toque personalíssimo em outras duas faixas de Surf: ``10 Minutos'' e ``Solidão, Bom Dia!''.

        Crise braba mesmo o Kid Abelha enfrentou em dois momentos distintos. A primeira com a saída de Leoni, fundador e principal compositor dos primeiros hits. Mas isso foi durante a turnê do segundo LP. Desta saíram praticamente ilesos no quesito popularidade. Mas foi no início dos anos 90, quando um bando de urubus pousou na árvore do rock nacional, a banda fez discos deploráveis e a popularidade caiu pelas tabelas. A recuperação foi surpreendente e o Kid Abelha retomou mais forte fazendo bons discos, sem perder a mão de fazer um pop assobiável.

        É neste caminho que Surf, o novo CD, se enquadra perfeitamente. O disco é uma verdadeira coleção de canções deliciosas, prontinhas para entrar no nosso cotidiano pelos próximos meses. São rocks e baladas com o frescor que o Kid Abelha soube lapidar nesses anos todos. Um trabalho ensolarado como deixa claro o título. Um disco de verão para ser ouvido em qualquer estação. Revelam influência da titia Rita Lee - confira ``3 Garotas na Calçada'' - e dão uma verdadeira lição de fazer pop bem feito, sem ser cabeça nem descartável demais. Nem genial, nem banal, o equilíbrio no ponto certo do pop. A onda exata. É só mergulhar e se deliciar.

Sobe


Amor ao pop
O trio carioca Kid Abelha retorna para mostrar mais uma vez o show Autolove hoje no Náutico. Duas bandas cearenses completam a festa: Matutaia e Zippy.

        Eles já foram os vilões do pop-rock brasileiro nos tempos que só valia o rock politizado. Passou o tempo, o engajamento virou coisa do passado e o Kid Abelha continua fazendo seu pop assobiável do jeito que a garotada gosta. Seu público original se mantém fiel e a banda continua fazendo novos fãs junto a galera que nasceu quando "Como eu quero" e "Pintura Íntima" estavam no topo das paradas.

        Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato retornam a Fortaleza para mostrar novamente o show Autolove hoje no Náutico Atlético Cearense - no Meireles. No show, a banda toca os principais sucessos de 17 anos de carreira, dando especial atenção às músicas dos dois últimos discos. A noitada promete ser quente para a galera que curte rock e pop. A produção local teve o bom senso de contratar duas bandas de pop e rock locais para garantir uma festa das boas.

        A ótima Matutaia abre a noite com seu show que mistura músicas próprias com covers de rock - de Rolling Stones a Nirvana - e soul clássicos de James Brown, entre outros. A nova formação da banda ganhou o reforço luxuoso de um trio de metais que deu novo gás ao trabalho da moçada prometendo botar todo mundo para dançar. Depois entra a banda

      Zippy que já tem no currículo a abertura de shows do Jota Quest, Ivete Sangalo e Jorge Vercilo - este último deu a composição "Convite" para a banda. "Nossa influência vem da disco-music que a gente coloca com umas guitarras distorcidas e dá uma mistura bem legal", adianta Kléber Dias, radialista e um dos três vocalistas da Zippy.

Sobe


Autolove
George Israel, Paula Toller e Bruno Fortunato apresentam o show "Autolove", baseado no décimo terceiro disco do grupo.

        Abelhas, não tão kids assim, o trio formado por Paula Toller, George Israel, o saxofonista, e o guitarrista Bruno Fortunato continuam azeitando o seu pop alto astral por todo o país. Pela terceira vez esse ano, o Kid Abelha vem a Fortaleza mostrar o show Autolove, baseado no décimo terceiro disco dessa turma que parece que entrou no freezer, de tão conservada. De bem com a vida, o Kid Abelha se apresenta hoje, no Náutico, numa noitada de muito pop aberta pelo pessoal da banda Matutaia.

        O disco foi o primeiro produzido depois que Paula Toller iniciou sua trajetória solo. Uma aventura pessoal por sambas de Assis Valente e Noel Rosa, aliados a duas composições de La Toller, a eterna musa do pop-rock nacional e versões de standards como "Fly to the moon" e "Patience", aquela mesmo, do Guns’ n’ Roses. Coube ao produtor Guto Graça Mello segurar os retoques. Ninguém sabe se a cantora apresenta estas canções no show de hoje, já que a produção do Kid inviabilizou qualquer contato com o grupo, durante toda a semana.

        A fábrica de hits da banda carioca se mantém bem afinada, 17 anos depois do tempo em que Paula e seus "abóboras selvagens" saíam por aí, pelo Circo Voador e pelas FMs, se misturando com uma geração que fazia rock com o compromisso da originalidade. "Autolove" traz alguns novos emblemas do pop do Kid, mesmo que sendo respaldados pela maestria musical de ninguém menos do que Egberto Gismonti, na harmonia de duas faixas: "Minas-São Paulo" e "3 Taças", uma balada em homenagem a Renato Russo.

        Tem ainda participações de Roberto de Carvalho e do Dj Memê, responsável pelas faixas mais dançantes do disco: "Tanta gente", "Eu só penso em você" e "Somdeday". Uma preocupação natural já que o disco ousou enveredar por uma diversidade maior de ritmos, em comparação com a trajetória histórica do trio, que já teve o compositor e cantor Leoni no seu cast original.

        Tempo de "Educação Sentimental", "Como Eu Quero", "Pintura Íntima", "Alice", "Fixação", "Por que Não Eu?", "Seu Espião", etc, pops e tal, que depois continuou rendendo bem, entre "Amanhã é 23", "Eu Tive um Sonho", "Grand' Hotel", sem esquecer até uma paulatina aproximação com a Música Popular Brasileira, enfim, material de sobra para shows e mais shows.

        Paula Toller, sempre ela, dimensiona o trabalho à frente do grupo como um proposta de músicas não açucaradas, ao contrário do que muita gente apregoa, para todas as idades. E ressalta que não quer ficar cantando como se parecesse música de Igreja ou qualquer coisa parecida, sem sal, nem sensualidade. Se Paula se preocupa em valorizar a história do grupo, na mesma medida de sua individualidade como intérprete, não esquece também de salientar que "Autolove" é o melhor álbum da banda. Para terminar com toda e qualquer resistência à banda, Paula Toller considera que as bandas que procedem do "BRock", ainda em atuação, são simplesmente as melhores do rock nacional de fins de século. Longevidade, para Toller e para uma multidão de fãs do Kid Abelha, combina muito bem com um trabalho equilibrado, fiel às suas origens, mesmo que fora dos modismos e de toda a agressividade do velho rock’n’roll.

Sobe

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