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reta3.gif (762 bytes) Show do Kid em Taubaté - 2001
reta3.gif (762 bytes) Lançamento do Surf - 2001
reta3.gif (762 bytes) Crítica do disco Surf - 2001
reta3.gif (762 bytes) Show no Rock In Rio 3 - 2001
reta3.gif (762 bytes) Estréia do show Coleção no Palace - 2000
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reta3.gif (762 bytes) Sites favoritos da Paula - 99
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reta3.gif (762 bytes) Crítica do discos Kid - 89
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reta3.gif (762 bytes) Crítica do disco Tomate - 87
reta3.gif (762 bytes) Crítica do disco Educação Sentimental - 85
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Free-lance para a Folha Vale

        Em sua estréia pela Universal Music, o Kid Abelha vem com o CD "Surf", que apresenta no Sesc, em Taubaté, hoje, às 22h. As novas músicas foram inspiradas em sentimentos comuns relacionados à vida de quem é surfista e músico.

        O trabalho é o primeiro do grupo pela gravadora, que terminou uma parceria de 18 anos com a Warner, o que significa toda a sua carreira. A banda está tentando recuperar o ritmo dos shows ao vivo, o que não conseguiu com o CD de músicas eletrônicas "Autolove".

        A banda saiu da gravadora deixando como últimos produtos o disco "Coleção", do ano passado, e a coletânea "E-Collection", para a qual gravou três faixas adicionais.

        O CD "Meio Desligado", de 95, pela Warner, atingiu a marca de 600 mil cópias vendidas e foi o maior sucesso da banda, mantendo a média de 100 mil cópias por ano, mesmo sem ser divulgado.

        A banda espera um trabalho mais eficiente de promoção da Universal Music que, principalmente, faça seus discos venderem mais.

        Considerado pela banda um recomeço para a carreira, o novo trabalho faz uma metáfora entre a vida dos surfistas, que buscam a onda perfeita, e os músicos, que buscam a canção perfeita. Nesse recomeço, o trio também renovou sua lista de colaboradores. Quem estréia em trabalhos com a banda no CD "Surf" é Max de Castro.

        A maioria das músicas do álbum foi composta na segunda metade do ano 2000, num momento em que a vocalista Paula Toller abandonou tudo que havia escrito por considerar ultrapassado. Só foram salvas as canções "Solidão, Bom Dia!" e "Eu não Esqueço Nada".

        A música "Pelas Ruas da Cidade (A Vida Continua)" é a tradução de uma inspiração da cantora, que compôs a canção após uma série de "passeios", em que observou pessoas e ouviu vários estilos de música.

        "Eu contra a Noite" abre o CD. A faixa, com seis minutos de duração, foi produzida por Memê, que fez a mixagem. Além de descrever um trajeto comum num dia incomum, a letra revela o hábito da vocalista de ouvir rádio, especialmente no carro, como uma companhia para horas solitárias.

        As demais músicas de "Surf" foram produzidas por George Israel e Kadu Menezes. É um show que vai conquistar e cativar não só os fãs da banda, mas todos aqueles que reconhecem e respeitam o trio, que tem quase 20 anos de estrada dedicados ao pop rock nacional.

Sobe


HelpSurfe domina novo CD do Kid Abelha

        Os quarentões (ou quase) do Kid Abelha iniciam nova etapa de sua carreira (mudaram de gravadora pela primeira vez em 19 anos de trabalho) fazendo do surfe o tema circular de seu novo álbum. Não é adolescência tardia, dizem. "Surf" fala de aventuras praieiras cariocas, mas as letras de Paula Toller, 38, vêm impregnadas de melancolia.

        A cantora e compositora do grupo explica: ""Eu contra a Noite" e "Da Lama à Pista", por exemplo, são opostas uma da outra. Uma é alegre, a outra é amarga, é "dia de gente" versus "dia de cão". É tudo muito pessoal, veio de um período recente em que passei por muita coisa complicada, por perdas na família. Tive que me dividir para fazer essas canções".

Ela adota o surfista como símbolo da divisão: "O surfista é um ser que passa a impressão de estar sempre alegre. E é solitário, passa a impressão ilusória de ser feliz sozinho, da qual sinto inveja". ""O Rei do Salão" é sobre surfe, mas é uma música introspectiva. O que se espera de surf music é o contrário dessa música, que é surfe em preto-e-branco. A ressaca também é um tema, em "Ressaca 99'", completa o saxofonista e compositor George Israel, 40.

        "É quando a paisagem, que é tão bonita, passa a ameaçar você, o mar e as montanhas parecem ameaçadores", divaga Paula, negando qualquer relação com o acidente do amigo e ex-marido Herbert Vianna. "Não, o acidente foi bem depois", diz. Alguém no trio ainda pega onda? "Eu até pego onda de brincadeira, meio devagarzinho. Tenho um filho pequeno que está aprendendo. Bruno (Fortunato, 42, o guitarrista) pegou onda na adolescência", diz George.

        Há aí um quê de saudosismo? "Não, porque ao longo da nossa vida sempre houve isso. Os caras do rock estão fazendo 60 anos e ainda tocando guitarra, rock é um estilo de vida", compara.

        Em "Surf", os produtores habituais do Kid (George e Kadu Menezes, espécie de coringa do grupo) deram lambuja a Memê e a Max de Castro, em duas faixas cada um. Diz George: "Temos certa resistência em colocar alguém de fora, medo de sermos enquadrados em produção de série. Somos caóticos e de certa forma artesanais. Para a geração do Max, estúdio é natural, para nós, no começo era meio uma nave espacial".

        Paula fala sobre o convite a Max: "Queríamos ter alguém novo, e sua presença nos ajudou no departamento soul, que sempre gostamos". Bruno ajuda a explicar: "Contornamos uma coisa mais acomodada. Se dizemos "vamos levar um funk" sai algo óbvio, comum, clichê do clichê. Com Max pudemos aprofundar nosso contato com esse lado".

        Sobre Memê: "Ele tem essa idéia eletrônica, que nos interessa, mas não queríamos colocar no disco inteiro". Ela despista o dado de Memê vir da recente produção do disco de "funk" do É o Tchan: "É um serviço que ele faz. A gente puxa a orelha dele".

Sobe


Trio faz pop com "p" maiúsculo, mas deve um tantinho

      Se é para falar em estrelinhas, "Surf" engasga como um disco que é mais que regular, mas não chega a ser classificável como um "bom" disco. Duas estrelas e meia, ou algo assim. Bem, a vida é mais complicada que estrelinhas, no que o Kid Abelha até sai ganhando. O trio pop certeiro faz de "Surf" mais um CD agradável, macio, cheio de levadas gostosinhas, manso como um mar sem onda.

        De cara, os três demarcam território: "Eu contra a Noite" pode até começar tortuosa e pontuda, mas o sax de George Israel logo avisa que Kid Abelha é Kid Abelha e pronto. Vem "As Garotas na Calçada", de divertida letra feminista/"rockista". Paula Toller fisga a Rita Lee dos anos 70 no verso "mas uma coisa eu não posso negar", empacota a homenagem e queima, bem cedo, o melhor cartucho do álbum.

        Alternam-se fofas baladas ("Gávea-Posto 6"), surf music propriamente dita ("O Rei do Salão") e o habitual alfinete sexy de Paula Toller ("Quando Eu te Amo"). Max de Castro produz as duas faixas que beliscam certa atmosfera black -"Dez Minutos" e "Solidãão,, Bom-Dia!"- já constante na carreira do Kid. São plácidas como o geral do álbum, mas nem a interferência de Max fica tão evidente, nem o Kid soa tão porreta quanto em incursões anteriores por soul e funk. O trio não parece, até hoje, disposto a apostar de fato em vôos alienígenas de produção.

        Tudo redondinho, "Surf" parece ficar devendo um tantinho por um bocado de razões. A estréia em gravadora nova não parece vir pisada no acelerador, nem na crista da onda. Sendo o primeiro álbum de inéditas após o inspirado (e ousado) "Autolove" (98), vai na calmaria e não dissipa a impressão de freio puxado.

        Surfe como tema recorrente é legal, principalmente adaptado a "surfe com solidão", mas não deixa de ser antiquado, saudosista. Enfim, o Kid Abelha é daquelas bandas que fazem pop com "p" maiúsculo, mas um reforço de ousadia não faz mal a ninguém. Duas ou três estrelinhas? Ah, tanto faz, né?

Sobe


 Paula Toller e Kid Abelha "revivem" anos 80 no Rock in Rio

        Entre o público que veio hoje à Cidade do Rock há pessoas de todas as idades, mas os que estão na casa dos trinta certamente tiveram um motivo especial para dançar junto com Paula Toller e o Kid Abelha.

        Paula Toller subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio com um vestido dourado curtíssimo e botas que iam até os joelhos. No alto de seus 36 anos ela mostrou estar em forma e fez questão de dividir isso com o público. Ela brincou no palco e cantou músicas da época em que o Kid Abelha também era Abóboras Selvagens. Lembra disso? Pois os que eram teens no primeiro Rock in Rio, em 1985, não esqueceram.

        Paula Toller e o Kid Abelha "reviveram" o primeiro festival com músicas como "Fixação", "Como Eu Quero" e "Pintura Íntima". Mas o Kid Abelha também foi Rita Lee. Paula Toller cantou uma música de Rita e aproveitou para render homenagens à "avó" do rock brasileiro. "Viva Rita Lee, deusa do rock brasileiro e mundial". O show também teve o momento jovem guarda quando Paula Toller cantou "Pare o Casamento".

        Com ares de moleca, Paula Toller escorregou no palco, mas não no show. No final, um telão mostrou imagens de vários momentos da carreira do grupo. "Obrigada por esses 18 anos", disse Paula. Os teens dos anos 80 certamente também agradeceram por ela ter feito eles reviverem o rock despretensioso e brincalhão daquela época.

Sobe


Kid Abelha exibe sua "Coleção" em SP

        Depois de apresentar-se no Rio de Janeiro, em Natal e em Recife, o Kid Abelha pousa em São Paulo para apresentar seu mais novo show, que é baseado no último CD do grupo, "Coleção".

        "Coleção" traz canções antigas, "As curvas da estrada de Santos" (de Roberto e Erasmo), "Quem tem medo de brincar de amor" (Mutantes), "Esotérico" (Gilberto Gil) e "Mamãe natureza" (Rita Lee). Todas já gravadas pelo grupo, mas que estavam espalhadas por discos diferentes.

        Além dessas canções, o show deve contar ainda com as inéditas "Pare o casamento" (sucesso de Wnderléa na Jovem Guarda) e o "Telefone tocou novamente" (Jorge Benjor), entre outras. Os hits originais do Kid Abelha, como "Eu tive um sonho", "Fixação" e "Te amo pra sempre", também não poderão faltar.

        O CD marca a despedida da gravadora WEA - o grupo carioca já assinou contrato com a Universal. "Ficamos descontentes com o trabalho de divulgação de nosso último CD", diz Paula Toller, 37m vocalista e líder da banda. De acordo com a cantora, "Autolove" nem chegou a ser apresentado oficialmente na capital paulista. "Apesar de ser nosso melhor disco, a divulgação foi fraca", diz.

        Além das novas músicas, as principais novidades do espetáculo são um cenário que inclui 17 km de tubos plásticos transparentes (como efeito luminoso) e uma espécie de "buquê interativo" que, ao fim do show dá direito 'a pessoa que o pegar escolher uma música. Mas não pode ser qualquer música, apenas uma das dez de uma lista distribuída na entrada. "Era pra ser uma roleta de programa de auditório, mas não foi possível devido a problemas técnicos", diz George Israel, 39, um dos integrantes do trio.

Sobe


Kid Abelha tenta o "novo" mais uma vez

        Se você der uma olhadela debaixo do tapete, certamente vai perceber. "Coleção", o "novo" disco do trio carioca Kid Abelha, com 16 anos de estrada, conta um pouco sobre os meandros de bastidor da indústria fonográfica. As aspas no "novo" vão por conta de "Coleção" não ser, na maior parte de sua duração, um disco inédito. Mesmo assim, veste a fantasia do ineditismo, ao reunir interpretações anos 90 dos kids para canções de Roberto e Erasmo ("As Curvas da Estrada de Santos"), Mutantes ("Quem Tem Medo de Brincar de Amor"), Gilberto Gil ("Esotérico"), Rita Lee ("Mamãe Natureza") e outros, que andavam perdidas por discos mais ou menos obscuros. Dando uma olhadela debaixo do tapete, vê-se que "Coleção" é um disco de encerramento de contrato.

        Com ele os kids fecham mais uma jornada com a Warner, e por enquanto eles não dizem se vão ou se ficam ("nós estamos realmente solteiros, não renovamos contrato nem trocamos de gravadora ainda"). Dizem-se sondados por várias gravadoras, e lá de dentro já se ouve dizer que estão na Universal - o que negam com veemência, mas não sem deixar claro o desapontamento com a divulgação do CD anterior, "Autolove", pela Warner, que julgaram insuficiente ("ficou um pouco secreto, foi considerado um disco sofisticado demais"). São os trâmites, não há que culpar ninguém. A banda não gasta suas fichas inéditas num disco que pode ser visto com desinteresse pela gravadora (se optar por ir embora), a gravadora fica desconfiada sobre o amor que a banda anda lhe devotando...

        Fichas  - É assim mesmo. O que é bom saber é que &"Coleção" é um discos desses, e que discos desses há aos montes no mercado - alguém está sempre encerrando contrato com alguém, e guardando fichas para o próximo degrau. Dentro do normal, o Kid se esmera e se dedica, como lhe cabe, a defender "Coleção" como se fosse um disco novinho em folha. "Havia essas músicas espalhadas por vários discos, queríamos fazer uma homenagem a esses autores todos, que conta a história das nossas influências", martela George Israel, 39, sax e vários outros instrumentos.

        Unidade - "No começo achamos que ia ser uma ssalada, mas depois vimos que tudo tinha uma unidade", pinga Paula Toller, 37, voz e co-composição nas três inéditas interpoladas às releituras de, entre os já citados, Antônio Adolfo e Tibério Gaspar ("Teletema"), Jorge Ben (o clássico

        "Mas Que Nada"), Paulo Diniz e Odibar ("Pingos de Amor"). "Vimos que seria legal reunir essas músicas num disco de material de fã-clube, como se fossem lados B, discos fora de catálogo", pontua Bruno Fortunato, 40, guitarras e alguns violões.

        Desfiam mais razões de ser para "Coleção". "Eles queriam fazer uma coletânea, daquelas séries de vários artistas, com a mesma capa. Estamos escaldados com esse tipo de coisa, tivemos essa idéia de reunir coisas que já havíamos gravado por aí e eles gostaram. Fica como um piloto, que pode continuar", diz Paula.

        "Outra coisa legal foi que pudemos dar uma mexidinha em algumas dessas músicas, Paula gravou algumas vozes novas", completa Bruno. Nessa brincadeira -que, segundo eles, consumiu quatro meses de trabalho - apenas "Teletema" e "Esotérico" permaneceram como eram, sem modificações.

        Inéditas e recém-gravadas são, também, duas das releituras, a de "O Telefone Tocou Novamente", de Jorge Ben, e "Pare o Casamento", o hit-versão de Wanderléa no auge da jovem guarda, em 1966. "É o que gostaríamos de ter gravado num tributo a Wanderléa. É nosso tributo imaginário a ela", explica Paula. Ela se inflama: "Todo mundo fala de Roberto e Erasmo, são os compositores, os homens, e se esquecem muito da importância e da graça de a Wanderléa estar com eles na jovem guarda. Como ela não foi aceita pela intelectualidade, ficou como se não houvesse existido e não tivesse sido muito legal. Pô, eu também venho dali", afirma.

        Quanto à de Jorge Ben (Jor), já havia "Mas Que Nada" -que fora abortada do disco de duetos do autor, "Músicas para Tocar em Elevador" (97)-, mas resolveram colocar "O Telefone Tocou Novamente" mesmo assim. "Foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no violão. Essa é o nosso xodozinho no disco", fecha a questão o saxofonista George.

        O que ia entrar e não entrou? Uma versão de "A Noite do Meu Bem", de Dolores Duran, que Paula pensava em gravar e não gravou. Bem, essa ia ficar à parte no projeto, que Paula define como "um mapinha sobre quem influenciou a gente".

Sobe


Crítica
Um tapa-buraco com unidade

        Disco tapa-buraco é disco tapa-buraco, não há conversa. Mas, como de praxe, o Kid Abelha é bem mais descarado que seus pares na admissão da picaretagem.

        Enquanto dez entre dez pop-roqueiros nacionais dos 80 compensam as esquinas criativas com discos "conceituais" de releituras (nove entre dez criativamente malsucedidos), o Kid mais uma vez bate o taco na despretensão: faz a pescaria, a colagem, a colcha de retalhos, o tapa-buraco.

        O pior (o melhor?) é que, como eles mesmos remendam em justificativa, "Coleção" (atenção para as sensacionais artes de capa e encarte) é pleno de sentido e unidade. O mapa de influências (não completo, já que faltam Tim Maia, Cassiano e Hyldon, Celly Campello, entre tantos muitos outros) dá de fato um close no rosto do Kid Abelha, e o rosto mantém-se viçoso.

        Se nada é mais óbvio que esses neo-jovem-guardistas regravarem "Pare o Casamento", o bombom mais doce de Wanderléa, nem assim a versão deixa de ser deliciosa. Muito jovem guarda, cheia de sax anos 80 e de fundo entre Mutantes e B-52's, "Pare o Casamento" 2000 é uma declaração de amor a quem merece muito amor. Dez.

        É o mesmo com "O Telefone Tocou Novamente" (Jorge Ben), regravação de uma das colossais obras-primas de um cara que, merecedor de muito amor, coleciona dezenas de obras-primas. À parte o fundo meio reggae, ficou muito bonitinha. Nove.

        "Quem Tem Medo de Brincar de Amor" aparece aqui, adorável, em contexto mais macio que o do tributo aos Mutantes, lançado em 96. Quem já ouviu Kid Abelha retomar Roberto soul Carlos e Hyldon não pode perdê-los reempacotando o rascante Paulo Diniz ("Pingos de Amor") e a dupla d'ouro da pilantragem (alô, Simonal!) Antônio Adolfo & Tibério Gaspar ("Teletema"). Mas essas todas existiam por aí. Oito.

        Que mais? As inéditas do Kid são daquelas médias, de quem não quer queimar cartucho em produto incerto. Sete.

        Essas nem fazem jus ao que o Kid Abelha prova ser nesta reunião de gatos pingados que deixara desmamados por aí: o último dos moicanos no belíssimo panorama do "popsambalanço" nacional, ou, para ser mais claro (ou não), da soul music (ainda que branquinha) à brasileira. São Tim Maia deve abençoá-los lá do céu.

Sobe


Paula Toller busca informações e páginas de turismo na rede

        Para Paula Toller, do grupo carioca Kid Abelha, o grande barato da Internet é a possibilidade de buscar informações com apenas alguns cliques de mouse.

        Os jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo são paradas obrigatórias. A cantora também costuma visitar sites de agências de notícias, em www.agestado.com.br e www.reuters.com. Mas, para se manter informada sobre as oscilações no mercado financeiro, Paula prefere o site Arras Online (www.arras.com.br/e/índice), que, na sua opinião, consegue ser mais ágil que as páginas especializadas dos jornais.

        A cantora também usa a rede mundial para planejar viagens, entrando em páginas de companhias aéreas e de hotéis. Uma de suas últimas descobertas foi uma pousada no Pantanal, onde passou uma semana pescando. O endereço www.geocities.com/RainForest/1820/acomoda.htm apresenta várias opções pra quem deseja visitar a região.

        Já a sua experiência com o comércio eletrônico foi frustrante. "Uma vez tentei fazer supermercado, mas demorou mais do que se eu tivesse ido de carro até lá", diz. Os papos virtuais também não a atraem. "Nunca entrei num chat."

        Outro dos seus favoritos, o www.lyrics.ch, usado para buscar letras de músicas, está sendo acusado de violação de direitos autorais. Apesar de não poder pesquisar no banco de dados do site, o internauta encontra informações sobre o processo e links para outras páginas com letras de músicas.

Sobe


  Embora possua a voz mais "virtuosa" entre os seus, também ela vinha sendo displicente nas técnicas de interpretação.

        "Paula Toller" dissolve em parte esse clichê. Sua voz está mais grave, modulada, lânguida, melodiosa -"Fly Me to the Moon" é exemplo de morna despretensão.

        Dona de timbre que ronda perigosamente o irritante, afasta mais que sempre o perigo não se pode compará-la à sósia Vanessa Rangel, que atormenta ouvidos "com saudade de você debaixo do meu cobertor".

        Bem, mas a baladeira pop despreocupada agora tem que escolher repertório e aí se faz mais desastrada.

        Há acertos em sua seleção -a doce leitura de "1.800 Colinas" é antológica. A de "E o Mundo Não Se Acabou" não faz vexame (tem a presença de espírito de atualizar a letra, trocando "peguei na mão de quem não conhecia" por "peguei no pau de quem não conhecia").

        Há erros, também. "Eu Só Quero um Xodó" é, como ela diz, muito manjada -a versão, mais ainda. Mas nada se compara a "Patience".

        Ela não dispõe de sutileza capaz de apagar o ranço reacionário dos Guns n'Roses - era lixo, continua sendo.

        Acostumada à inconsequência pop, Paula parece ainda não saber bem o que fazer com material "adulto" -mas disso a produção padrão de Guto Graça Mello é também bem culpada.

        Ganham nessa as canções próprias -a hiperexplícita "Derretendo Satélites" ("abro com as mãos, te deixo olhar/ te levo pra dentro devagar", diz, falando você sabe bem de quê) e "Oito Anos". Contextualizada, a letra boba dessa vira um achado: é um relatório de perguntas feitas por seu filho Gabriel, 8 ("por que a lua é branca?", "por que a gente espirra?", ao que ela responde, parva: "Well, well, well, Gabriel...").

        Paula Toller continua hábil no que passou década e meia aprendendo a fazer e titubeante diante do novo. É, seja como for, mais uma a enfrentar o novo. A história segue seu curso.

Sobe


Kid volta a tocar em São Paulo

        Há quatro anos afastado dos palcos paulistas, o Kid Abelha prepara sua volta à São Paulo em grande estilo. O grupo armou uma superprodução para a estréia nacional da turnê (hoje, às 22 horas, no Palace) de lançamento do novo disco, Meu Mundo (Gira em Torno de Você), com direito a desenho animado antes do show, figurino inspirado na Jovem Guarda e coreografia de Débora Colker. "Já fizemos shows em Belo Horizonte e algumas cidades do interior de São Paulo, mas esse na Capital será o mais completo em termos de produção", avisa George Israel. "Será um reencontro com o público paulista que deve ter mudado bastante nos últimos anos", afirma Paula Toller.

        Quem for ao Palace pode esperar um show cheio de novidades. As roupas que o trio vestirá, criadas pela estilista Yamê Reis, serão em tons azuis, inspiradas no filme Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, de Roberto Farias. "É uma homenagem à Jovem Guarda, foi nessa época que a gente se apaixonou por música", conta Paula Toller.

        Além de estar acompanhados por uma superbanda, Paula, George e Bruno prometem muita desenvoltura no palco. A banda ensaiou durante um mês com a coreógrafa Débora Colker. "A coreografia é engraçada e divertida, o público vai gostar", garante a vocalista.

        Mas nem tudo é novo no show da banda. Só quatro músicas de Meu Mundo (Gira em Torno de Você) estão incluídas no repertório, que é baseado nos sucessos do grupo nos últimos anos, como No Seu Lugar, Grand' Hotel e Não Vou Ficar.

        A banda promete um set acústico durante o espetáculo. As músicas Alice, Seu Espião, Fixação e Gosto de Ser Cruel ganharam novas versões. "Nós fizemos um show acústico no Rio que acabou não indo para São Paulo porque não conseguimos arrumar um teatro", lembra Paula Toller, que não descarta a hipótese de cantar As Curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos, que a banda gravou no ano passado.

        Bruno Fortunato confessa que o grupo se surpreendeu com o sucesso de Na Rua, na Chuva, na Fazenda em São Paulo. "Essa música tem a cara do Rio, mas está tocando muito mais nas rádios paulistanas.

Sobe


Kid Abelha recupera alquimia dos primeiros trabalhos do grupo

        A mais pop das bandas pop brasileiras está de volta. Kid, quinto LP em sete anos de carreira do Kid Abelha, remete a seus primeiros trabalhos, Seu Espião e Educação Sentimental. A alquimia que garantiu 11 hits radiofônicos extraídos desses dois álbuns foi retomada pelo grupo.

        A tentativa de um trabalho mais "elaborado" feita no disco Tomate esbarrou na pretensão de elevar as letras da banda acima do dia-a-dia adolescente. O que era engraçado acabou ficando chato. Dessa vez, a textura musical de sax, violões e guitarras continua tentando apontar uma nova dimensão instrumental para o grupo, mas deixou de ser o foco principal do trabalho. Serve apenas de discreta moldura para as boas letras, simples e diretas.

        Oficialmente um trio - Paula Toller, vocais, Bruno Fortunato, guitarra, e George Israel, sax, teclados e guitarras -, o grupo utiliza uma batelada de músicos no estúdio, numa lista que inclui os paralamas Barone e Herbert Vianna. Bruno Fortunato continua tímido - só consegue destaque em "Todo meu ouro" - e Paula Toller canta cada vez melhor. A locomotiva musical da banda é assumida por George Israel, que escreveu todas as musicas e produziu o LP.

        "De quem é o poder?", com letra de Cazuza, abre o disco. A mistura da poesia literária que marca o trabalho mais recente do compositor casa de modo surpreendente com o estilo pop da banda. Tem toda a cara de um futuro hit. "A história única de todo amor", swingada, segura o pique ajudada por uma boa intervenção de metais. O melhor do Kid Abelha só vai aparecer mesmo na faixa seguinte, "Dizer não é dizer sim", pequena pérola pop que gruda no ouvido na primeira audição.

        "Sexo e dólares" é o bom funk que o grupo fez para o filme Lili, a Estrela do Crime, de Lui Farias. Vestígios de som negro americano pós-Prince são detectáveis em toda a faixa. Depois desse momento dançante o pique cai completamente com "Paris, Paris". Não dá para entender a presença dessa musica. Soa falsa a tentativa de clima "cool jazz" através de pianinho e voz rouca. Não funciona nem como contraponto das demais musicas, parecendo um elemento estranho dentro do álbum. "Todo meu ouro" e "Promessas de ganhar" são boas canções de instrumental pesado.

        Duas musicas são impecáveis: "Agora sei", que já está sendo executada nas rádios - e gerando comentários por causa dos pudicos versos "eu já nem me lembro bem/ da primeira vez que eu dei" - e "Cantar em inglês", uma brincadeira com o sonho do sucesso no exterior. Sem dúvida, os melhores momentos de um disco no qual o Kid Abelha deixa de lado pretensões audaciosas.

Sobe


Paula Toller detesta imagem de Sex Symbol

        Nunca uma calcinha havia provocado tanta comoção no Show Biz nacional. Trajada por Paula Toller, 25, vocalista do Kid Abelha e os Abóboras Selvagem, ela foi vista em fevereiro último, num Show para 20 mil pessoas no Maracanãzinho, no Rio. Com o cabelo descolorido, à Madonna, sutiã à mostra, a minúscula minissaia branca que Paula vestia — de "uns 27 centímetros", segundo a própria — foi insuficiente para encobrir a calcinha de mesma cor. "Não foi proposital", explica Paula Toller. Para os shows que começam hoje e vão até domingo no Palace, ela prefere fazer mistério:

"Quem sabe eu apareço com uma cueca samba-canção". Contrariando sua performance de palco ela diz "detestar" a imagem sex symbol.

        Deixando o ar de mistério de lado, Paula diz que não aceitaria posar nua para a revista "Playboy". "Não gosto do trabalho que se faz na Playboy e me incomodaria a idéia de que estou passando na rua e as pessoas estão me vendo pelada". Junto ao saxofonista do Kid Abelha, George Israel, 27, Paula Toller falou à Folha, anteontem, até sobre as músicas que gosta de cantar no banheiro.

Folha - A própria Paula Toller afirmou que o último LP do Kid Abelha é o mais fraco dos quatro que o grupo gravou até agora. Que tipo de problema vocês vêm no disco?
Paula Toller - Foi uma declaração que não foi compreendida. Talvez eu não tenha conseguido explicar direito. Eu não quis dizer que era o mais fraco ou o pior. Eu disse que era o disco que incorporava mais defeitos. Como a gente tinha produzido esse disco praticamente entre nós e o Paulo Junqueiro, que é o co-produtor junto com o Liminha, esse disco não tinha muito aquela mão do Liminha de perfeição, porque o Liminha participou mais da mixagem . Nos outros discos, a gente fez junto com o Liminha, como se ele fosse um Kid Abelha. Neste último ele estava mais ausente e a gente teve que aprender a fazer. As formas de algumas músicas do último LP são meio caóticas, sem aquela forma normal de música pop, que é primeira estrofe, segundo estrofe, refrão, solo, de novo segunda estrofe, refrão de novo.

Isso, significa que vocês abandonaram uma certa fórmula de fazer hit?
Paula
- Não. Significa que a gente resolveu ver como fica sem uma forma tão organizada, que era muito uma característica do Leoni, de fechar a música já no víolão.

O Leoni tinha a fórmula de fazer hlts?
Paula
- Não, não há essa fórmula. Esse disco a gente fez de todas as formas que iam aparecendo. Fazendo primeiro a música, depois botava a letra; fazia primeiro a letra, depois botava a música. "Tomate" é uma música que a gente fez no estúdio, a Ia Talking Heads. Fizemos assim: vamos lá, um, dois, três... que é a música mais esquisita.

Você concorda, George Israel, que é o disco mais imperfeito do Kid Abelha?
George Israel
- Os dois primeiros discos a gente fez sem saber o que era estúdio. Fomos muito pela mão do produtor, que era o Liminha. Depois, entre o segundo e o quarto disco, que o terceiro é ao vivo, a gente tocou muito, teve muita idéia, fez experimentos em estudios de quatro e oito canais. Com isso, a gente assumiu o lado de produtor. Tinha o Liminha, tinha o Paulo, mas a gente estava superparticipando. Quando a Paula falou que era o disco mais imperfeito, era isso que ela queria dizer: a participação de todos.

Incomoda a vocês a banda ter um prestigio de público e, em contrapartida, ser desprezada por boa parcela dos críticos?
George
- Incomodou mais. Na época de transição a gente tinha uma certa insegurança e estava muito exposto a esse tipo de critica. Depois desse último show, que teve uma receptividade ótima, a gente ficou mais relax. A gente esta acostumado a levar porrada. Não que a gente goste, mas o trabalho está sendo mais importante que isso. A gente abriu uma expectativa mais tranquila para o próximo disco.

Agora, vocês não tem mais obrigação de fazer hits? Seria isso?
George
- O tipo de música que a gente faz não tem a preocupação de vender ou tocar. Desde o começo não tivemos nenhuma Imposição de gravadora ou de produtor. Não são fórmulas de fazer sucesso, é o acaso.

Como é que vocês fazem para criar músicas que começam a ser executadas e as pessoas já saem assoviando? É casual?
Paula
- Casual é uma palavra perigosa. Vejo isso como uma consequência de quem ouve muito rádio. Eu gosto muito de rádio. Hoje em dia eu não ouço muito, mas cresci muito ouvindo rádio. Talvez essas melodias que entram sem você saber, porque eu estava estudando, são as coisas que ficaram. Eu não sou capaz de fazer uma melodia pensando: Essa fica, essa não. Eu não sei isso. É uma coisa simples. Não são melodias de bossa nova, que tem uma coisa de melodia, sem falar no resto, que é muito difícil para quem cantarola no banheiro.

Você faz músicas para as pessoas cantarolarem no banheiro?
Paula
- Eu não, mas eu adoro cantarolar no banheiro. Eu faço muita música no banheiro.

Que música você criou no banheiro?
Paula - "Me Deixa Falar" foi uma música de banheiro. Eu me lembro que estava tomando banho e comecei a pensar algumas frases e cantar e cantar e cantar. Eu estou seduzida pela idéia de um dia fazer um disco de músicas de banheiro, aquelas imortais do seu banheiro. É uma idéia que eu tenho vontade de fazer nem que seja em casa, em quatro canais, um disco doméstico.

Quais são as Imortais do seu banheiro?
Paula
- Vai desde Carmen Miranda até ária de ópera.

Você canta ária de ópera? Você tem planos de aprender a cantar?
Paula
- Sua pergunta foi genial. Faz quatro anos que venho tomando aulas de canto. No começo, eu nem sabia pra que servia. Disseram para mim que era legal e tal. Quatro anos depois eu começo a entender, mais ou menos, o que é isso, que é super a minha cara, de ser lenta pras coisas, pra aprender as coisas, pra mastigar. Estou fazendo coisas nas minhas aulas que são completamente fora desse tempo. Parece que estou em outro século. Vou para uma casa com a professora tocando piano, me ensinando Schumann. E eu que nem sei falar alemão, tendo que entender, a falar, a interpretar, ler música. É uma loucura, mas me tira dessa coisinha de sempre, que é fazer músicas.

Você acha que sabe cantar?
Paula
- Eu sei cantar.

Você percebe que desafina em algumas músicas?
Paula
- Percebo totalmente. O problema de desafinar é o seguinte: você está no palco com um cara que toca atrás de você uma bateria, que é um trator, uma britadeira; tem quatro amplificadores de guitarra do seu lado, mais metais, é um problema de retorno. Eu não consigo me escutar na maioria dos shows. Vira uma coisa perdida. Pra mim, afinação é eu me escutar. Se não me escutar, fica um pouco difícil. Isso prejudica o show. Dá para corrigir, mas a acústica dos lugares em que a gente toca é infame.

O Chuck Berry declarou numa entrevista que sempre compôs para ganhar dinheiro e que todo músico faz isso só que não tem coragem de dizer. Vocês têm coragem?
Paula
- Ele diz isso porque ganha dinheiro. Aqui, a gente não ganha. Quando, a Gente começou havia poucos indícios de que aquilo seria uma coisa viável. A gente era uma banda pop e ninguém conhecia a gente. Essa coisa de ganhar dinheiro é hilário. Se fosse para ganhar dinheiro, então eu queria mais.

Quanto custa um show do Kid Abelha, anunciado como superperprodução e quantos vocês ganham por apresentação?
George
- É difícil calcular porque a gente vai fazendo sbows e tendo gastos. Até hoje estamos pagando para o diretor, parcelado. Não sei o quanto sobra.

Paula - Não tenho idéia porque as coisas vão se acumulando. Mas, para se ter uma idéia, nós fizemos três dias no Canecão e não ganhamos um tostão. Foi deficitário. Aqui no Palace a gente não ganha um tostão. Show em cidade grande é deficitário, por princípio. É um show que serve para divulgação.n

Vocês dizem que não compôem para ganhar dinheiro. Então, para que vocês fazem música?
Paula
- Pra se divertir.

George - Arrecadação no Brasil é totalmente imoral, indecente. Não quero nem pensar muito que você fica irritado. No caso da gente, a composição é a forma de expressar tudo que a sente tá sentindo. Tem também a criaçao.

Paula - Não é uma coisa tão solene assim. As vezes é diversão, a coisa que dá prazer só. Não é uma coisa que você acha que vai mudar o mundo, vai falar coisas impressionantes.

Não Incomoda ao grupo o fato de a Paula ser a imagem pública do Kid Abelha, a sex symbol dos adolescentes?
George
- É lógico que existe ciúme. E não é só da Paula; tenho dos outros membros também. Acho que é uma coisa natural, compreensível. É ela que canta, leva a palavra. E nos grupos do Brasil não tem muita mulher.

Você concorda, Paula, em explorar sua imagem de menina bonita?
Paula
- Eu tenho muita noção do que eu quero fazer. Até o ponto em que eu posso influir nisso, eu influo para ter o resultado que eu quero. Se me disserem para tirar foto na capa da "Manchete" com o bonitão do momento, eu não vou fazer, mesmo que isso signifique menos pessoas no nosso show, menos titití, Tenho meus princípios. Por exemplo: não faço propaganda com a minha vida particular.

A idéia de encurtar suas roupas no último show acabou redundando num aumento de venda de discos?
Paula
- Ah! Ah! Ah! Ah! (rindo) Não sei se acabou. Não acredito nisso, não. Acho que deu mais o que falar.

Foi planejado o encurtamento de suas roupas?
Paula
- Não, não foi proposital, não. Foi parte de um show inteiro em que eu quis ficar mais à vontade. O que eu uso não é nenhum strip-tease. Até um amigo meu tava comentando que ele ia ver o show pensando que eu ia tirar a roupa. Viu e falou assim: "Achei tão recatado". Eu achei interessante. A maioria das roupas que as pessoas usam no verão é menor do que a roupa que eu uso no show. Talvez porque antes eu usava roupas grandes, agora as pessoas fiquem achando, uau!, olha como ela é, e tal. Porque se eu me cobria antes, eu era terrível, péssima, um bagulho. Acho que as pessoas achavam isso.

Você quer se tornar sex symbol?
Paula
- Acontecem tantos acasos que estou começando a duvidar deles. Essa coisa do cabelo. Eu fui cortar meu cabelo em Londres, que tava enorme, e estragaram meu cabelo. AI eu resolvi descolorir meu cabelo.

Você gosta do cabelo da Madonna?
Paula
- Eu acho ótimo o cabelo dela. Todo mundo fica achando que é a Madonna, como se isso não fosse supercomum na Europa. Não teve nenhum tipo de planejamento.

Mas você quer ser sex symbol?
Paula
- Eu detesto isso. Esse tipo de visão que as pessoas têm, fica todo mundo olhando assim... É legal no show as pessoas gostarem, dá um certo prazer. Mas não tenho vontade de ficar investindo nisso.

É planejado o momento em que você mostra a calcinha no show?
Paula
- Você vai achar que eu estou de sacanagem, mas foi uma bobagem. Aquilo aconteceu no Maracanãzinho e de repente eu falei: caramba, estou de calcinha aqui, no Maracanãzinho, 20 mil pessoas. Vou fazer o quê? Me esconder? Não dá...

Você vai mostrar a calcinha nos sbows de São Paulo?
Paula
- Ah! Ah! Ah! Tem coisas que você incorpora e tem coisas que não.

Você incorporou esse momento do show?
Paula
- Assim, como a gente fez um disco ao vivo, que ia incorporando improvisos no dia-a-dia, de repente, quem sabe... quem sabe eu apareço com uma cueca samba-canção.

Você vai posar nua para a "Playboy"?
Paula
- São eles que falam isso. Uma vez saiu até publicado que eu já tava contratada. Eu falei: puxa, legal. Depois houve até uma retratação deles.

Você já conversou com alguém da "Playboy" sobre esse assunto?
Paula
- Já, mas nunca cheguei a entrar em detalhes. Recebi propostas a esmo, mas não levei adiante porque não tenho vontade de fazer.

Você não quer posar?
Paula
- Não. Não tenho vontado,e não gosto do tipo de trabalho que se faz na "Playboy". Não é nada contra os fotógrafos, em particular. Eu acho que a linha da revista, que não depende muito do fotógrafo, é uma linha de igualar. Os próprios corpos das mulheres ficam todos parecidos. Não gosto disso. Fora raras exceções, é champanhe, lençol de seda, camisola, salto alto, que é isso que é a sensualidade.

Como você gostaria de posar nua?
Paula
- Eu não gostaria de posar nua porque me incomodaria a idéia de que eu estou passando na rua e as pessoas estão me vendo pelada. Eu gosto de manter um certo mistério. As pessoas com que estou merecem isso com exclusividade. E acho o nível muito pequeno, muito padrão. Não é uma coisa que diferencia as pessoas.

Sobe


Sem Leoni, o Kid Abelha derrapa no ‘Tomate’

        Quem gosta de jogar tomates no Kid Abelha não vai ter trabalho desta vez. Merecidamente, o tomate já está na capa do novo disco da banda. O baixista Leoni, que fundou o grupo e criou os seus maiores sucessos, saiu fora no ano passado para formar a banda Heróis da Resistência. No primeiro LP de estúdio sem o seu principal compositor, o Kid Abelha abandonou seu estilo, partiu para uma incursão no funk e perdeu o rumo por completo.

        Desde 83 o Kid Abelha cantou sempre "abobrinhas" adolescentes e parecia não ter pretensão de ir além disso. Se não foi responsável por nenhum grande momento da música brasileira, pelo menos produziu algumas tolices simpáticas, como as músicas "Nada Tanto Assim", de 84, ou "Uniformes" e "Garotos", de 85. Mas essas canções simplórias com refrões que grudavam no ouvido foram quase totalmente descartadas em "Tomate", um LP mixado em Londres. O disco deixa claro que o grupo tentou uma maior sofisticação sonora. Ficou na tentativa. É mais fácil tirar leite de pedra.

        "Tomate" tem apenas oito faixas, sete delas escritas pela vocalista Paula Toller e o saxofonista George Israel - uma dupla preocupada em fazer as pessoas dançarem, mesmo que para isso tenha de apelar para todos os clichês do funk. O saxofonista praticamente domina o disco, mas suas intervenções soam chatas e repetitivas.

        O resto do grupo também não ajuda. Não há nada que destaque a participação do guitarrista Bruno Fortunato; e o baterista Cláudio Infante já mostrou melhor serviço acompanhando Lulu Santos. Quanto a Paula Toller, não há muito o que dizer. Ela tem voz pequena e desafina, é verdade, mas a garota parece ter fãs e depreciadores na mesma proporção.

        Duas faixas lembram o pop inicial do grupo. "No Meio da Rua" e "Amanhã é 23". Essa última, que está na trilha da novela global "O Outro", já é sucesso radiofônico, apesar de ser um pouco arrastada. "Eu Preciso", "Dança" e "Mais Louco" são músicas dançantes que até servem para animar uma festa. Quer dizer, se os convidados não forem exigentes. "Me Deixa Falar" e "Leão" não têm atenuantes, são chatices sem remédio. Já a faixa-título é um capítulo à parte. Paula Toller disse que escreveu a música inspirada num poema de Murilo Mendes. Pois a letra mais parece de um garoto de ginásio que tenta imitar o Caetano Veloso do disco "Velô". É pretensão demais.

        Se a sonoridade funk do Kid Abelha não convence, é nas letras que o Kid Abelha realmente sente a falta de Leoni. Longe de ser um ótimo trabalho, suas letras conseguem ter graça (pouca, é verdade). Agora, nem isso o Kid Abelha tem. Versos tão débeis quanto "a solidão é meu passatempo e o sol despertador/ eu moro mesmo no meio da rua/ prá mim a vida é dura" (da faixa "No Meio da Rua") estão espalhadas por todas as letras. No final das contas, um disco bem fraco. Tomate que não serve para fazer bom molho.

Sobe


A consagração de um imaginário careta

        O Kid Abelha está de volta com suas abobrinhas domesticadas. A formação é a mesma que começou a fazer sucesso debaixo de um edredon, há dois anos, com o compacto "Pintura Íntima", e estourou tirando a bermuda, ano passado, com o LP "Seu Espião": nas guitarras, Bruno Fortunato, 28; no sax, George Israel, 25; no baixo e vocal, Leoni, 24; e no vocal, Paula Toller, 22. Em "Educação Sentimental", a bateria é de Cláudio Infante. E há as já rotineiras "participações especiais": um piano de Roberto de Carvalho na faixa "Garotos" e dois vocais de Léo Jaime em "Um dia em cem" e "Conspiração internacional" são as mais fortes – em apelo para o mercado. Em termos de concepção de som, contudo, a presença de Jorjão Barreto nos teclados é a mais notável, pela marca que imprime. Outra participação, até certo ponto surpreendente, é a de Caetano Veloso, no realise. Com a generosidade de seu coração "velho, forte, infantil", diz que o fato do som do grupo ser interpretado como "neocareta é um engano muito fácil para não ser suspeito".

        Poderia dizer que a observação de Caetano é de uma inteligência muito esperta para não ser suspeita. É claro que não há nada mais fácil do que dizer de qualquer coisa aquilo que o senso-comum "bem informado" já decidiu. Assim, dizer do Kid Abelha que suas canções são descartáveis, embaladas para o gosto médio da adolescência, limpinhas e ingênuas, seria o óbvio desnecessário, o óbvio burro, uma espécie de idiotice da objetividade. Mas como acho que este despudor como o descartável, esta apropriação alegre da bobagem já está virando fetiche, prefiro ver no Kid Abelha – entre tantas coisas possíveis – a consagração de um imaginário docinho e careta, sem força semântica, sem ousadia sintática, onde os sinais da inadaptação só confirmam um cotidiano adaptado e meloso. Não gosto das entrevistas de Roger, mas não troco o seu "Mim quer tocar" por dez "Fórmulas do amor". Da mesma forma o "Massacre" dos Titãs – que representa a vertente mais radical do grupo – mostra que, sem forçar o pé nunca atitude mais "selvagem", será difícil ao rock brasileiro escapar do mero abastecimento do circuito indiferenciado dos Chacrinhas, Barros de Alencar e FMs da vida.

        Quem gosta, contudo, não precisa se preocupar: o Kid Abelha continua o mesmo. O tema do namoro-que-não-vai-bem ou eu-não-entendo-nada-da-vida continuam ocupando as letras. O som pasteurizado, meio Fleetwood Big Mac, também está em forma. E Paulinha, a musa da geração PUC da periferia, não pega fogo. Continua cantando com um ar muito aristocraticamente despreocupado para não ser suspeito.

Sobe

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