Em seus 20 anos de Kid Abelha, Paula Toller j� viu muita coisa acontecer no mercado musical. A invas�o do pop e do rock nos anos 80, a queda vertiginosa dos dois g�neros no in�cio dos 90, o estouro sertanejo, depois do pagode e a recent�ssima avalanche techno, s� para citar alguns acontecimentos marcantes. E a bela loura manteve-se fiel �s suas origens musicais, imp�s-se pelo talento e permaneceu no topo.

          Como toda menina levada, resolveu fazer das suas: sem se desligar do Kid Abelha, decidiu gravar um disco solo, com repert�rio dominado por sambas antigos e outras regrava��es. "Quis fazer um disco para me divertir, sem responsabilidade de carreira, turn� e shows. Acho que senti a necessidade de ser apenas uma cantora por alguns momentos", fala Paula.

          Seu CD, Paula Toller, � totalmente ecl�tico, refletindo toda a bagagem musical adquirida em sua vida. "Eu ouvia muita m�sica cl�ssica na minha inf�ncia, pois meu av� tinha muitos discos. Ele tamb�m gostava de Carmem Miranda, Elis Regina e The Beatles. Na adolesc�ncia eu s� escutava Rita Lee, Janis Joplin e o funk de James Brown e Tim Maia. E tamb�m sempre ouvi muito r�dio", explica Paula.

          A princ�pio, o �lbum seria somente de regrava��es, mas o produtor do trabalho, Guto Gra�a Mello, convenceu a mo�a a compor algumas can��es pr�prias. Duas entraram no disco: "Derretendo sat�lites" (em parceria com Hebert Vianna) e "Oito anos". "S�o duas can��es que se completam. A primeira � er�tica e a segunda � infantil, feita em homenagem ao meu filho Gabriel", conta, acrescentando que "as duas grava��es, apesar de n�o terem sido planejadas, casaram perfeitamente no CD".

          Mas os pontos altos do disco s�o, sem sombra de d�vida, as releituras de sambas como "E o mundo n�o se acabou" e Onde est� a honestidade" (Noel Rosa), que ganharam letras "atualizadas". A primeira can��o, por exemplo, passou de peguei na m�o de quem n�o conhecia para peguei no pau de quem n�o conhecia. "Foi uma maneira que encontrei de traduzir a mal�cia e a malandragem daquele tempo para a �poca atual", diz Paula Toller.

Fonte: Jornal Estado de S�o Paulo

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