Roger Silva Voltar
Quando ao contornar as ilhas que te escondem da baía maior, em teus
olhos de espelhos d’águas, cor da terra-da-mata, pude ver-te. E teus
cílios por trás das cortinas da chuva da tardinha morna se abriram de
todo, e teu rosto moreno e faceiro apareceu. Desde o furo que te
separa de caratateua até os igara-âpés do Paracurí, és de toda uma
fluência constante e serena deste teu sorriso caboclo. És de toda Mata
e rio. És do canto do uirapuru a melodia anunciada em tuas manhãs de
doce cheiro e doce sabor do tucumã. És dentre todas as ilhas que te
circundam, a terra-mãe. Que de lá, do Maguary, te despertas em meio a
um sorriso vespertino sob Aracy, e do Guajará, te despedes com um
olhar triste, mas esperançoso, em adeus nos reflexos de tuas águas,
cor de terra-da-mata - teus olhos molhados – e um desejo que nunca lhe
saiu. Voltados ao horizonte, de frente para o sol, como a dizer
“tekay, tutera amokaryu!”.
(*) tekay tutera amokariu - (tupy): "adeus para sempre, vou partir"