Parauaçú - O Grande Rio Amazonas

 

 

 

 

 

 

 

 


“O caos é a origem da harmonia”

O sol lança sua energia luminosa em descomunais explosões plasmáticas pelo espaço. Sua luz viaja em todas as direções do universo na velocidade de um átimo. Os raios penetrantes compostos de todos os espectros, atravessam a atmosfera terrestre queimando seus gases das camadas mais elevadas e se dispersando por toda a cúpula iluminada de azul. Os raios filtrados chegam por fim até o topo da cordilheira nevada. Sua luz monocromática atinge os cristais sólidos da água congelada fazendo a fusão aparecer em gotículas minúsculas e escorregadias. Agora a luz penetra por essas gotículas, se decompondo em inúmeros matizes e concentrando energia em um único pontinho que com maior calor, cria mais pontinhos de descongelamentos. Várias gotinhas descem a encosta numa luta constante contra o recongelamento, mas como encontram com outras gotinhas precipitantes, somam-se e transformam-se em um pequeno veio de água fria que continuam descendo ajudado pela gravidade.
Seguindo seu percurso, mais abaixo se encontra com outros pequenos veios e unem-se em um veio maior e mais intenso. Quando atingem a base da montanha, um córrego está formado e suas águas encontram caminhos por entre as pedras do sopé, e se infiltram através delas em busca dos vales.
No vale corre um riacho que recebe as águas dos pequenos córregos das montanhas e segue descendo com grande velocidade em direção da planície levando toneladas de detritos sólidos. Na planície está formado o pequeno rio de águas ainda agitadas e que se espalham por declive mais suave. Mais na frente, o pequeno rio deságua abundantemente no grande rio que cresce cada vez mais ao passar por toda a extensão da grande bacia, recebendo grandes volumes de águas de grandes rios originados em distâncias enormes de regiões remotas, e que arrastam no seu leito as terras dos lugares por onde passou. A grande massa líquida barrenta se apressa rumo a seu destino, que ao se aproximar, lança de encontro, o seu abraço poderoso que resulta em grande agitação de marolas – a pororoca - que invade e alaga as terras baixas. O fim está próximo. Em uma confusão de rios, canais, furos e ilhas, uma guerra entre água e terra é travada. O descomunal rio, como um pelotão de um exército poderoso e destemido, chega até às portas do gigante anfitrião que o recebe e o abraça, e se rende em muitos quilômetros dentro do seu território salgado, à força esmagadora do exército do reino doce, onde mais profundamente se unem para formar o grande mar que envolve todo o planeta em uma esfera líquida de um azul-turquesa que brilha como uma pedra preciosa iluminada na escuridão do universo profundo, pela luz de sua estrela mãe.
 

 

 

 Roger Silva

 

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