LEONE

No quarto de janelas abertas e cortinas de fino tecido branco, que a brisa balançava trazendo do jardim o olor dos jasmins, e o sol por ela penetrava, banhando com a luz daquela manhã de Domingo, deitada sobre a cama, estava Leone.


 Ao seu lado, tinha um livro aberto, e sua mão branca adormecida, pousava sobre o verso escrito pelo  velho poeta já há muito tempo esquecido nas mentes e desabrigado dos corações dos que, outrora, diziam tê-lo amado: “como é triste, minha querida mãe, como é triste morrer e ser sepultado sob a fria lápide do esquecimento...”

e uma mão carinhosa, juntou chorando, seus dedos sobre o peito inerte. Leone já abraçava o despertar dos seus sonhos. No seu rosto, um sorriso final, que parecia trazer certa expressão de alívio de todas as dores e sofrimentos sentidos. A mão carinhosa fechou sob lágrimas cadentes, seus olhos negros.


 

A menina de cabelos brancos morreu como sempre viveu - em silêncio. Procurando não despertar para o mundo exterior, a menina que sempre levou dentro de sua alma...


Roger Silva

 

 

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