Trechos do livro de M.M
INFÂNCIA
Brian Warner (Marilyn Manson) nasceu em Canton, capital de Ohio, nos EUA e viveu
uma infância bastante conturbada e "cristianizada". Seu avô, Jack
Angus Warner foi a pessoa mais má que Manson conheceu em toda sua vida, ele próprio
afirma hoje. Jack era um pervertido sexual, um doente. Manson viveu sua infância
inteira olhando revistas pornô que seu avô colecionava. Ele também
colecionava acessórios eróticos, tinha vários filmes pornôs, e um lugar
especial pra tudo isso: o porão. Lá era o lugar onde passava a maior parte do
tempo, se masturbando com seus acessórios e bonecas infláveis, ou coisas do gênero.
Ele ligava um trenzinho de brinquedo, que ficava andando e apitando, enquanto se
masturbava. [Nota da autora: a música Kinderfeld, de Antichrist Superstar,
menciona Jack, o avô de Manson, na letra da música, e faz menção, ou alusão,
a essa fase da vida de Manson].
Manson
tinha apenas 2 amigos em sua infância: seu primo Chad e uma cachorra (de uma raça
do Alasca) que poderia ser facilmente identificada, pela cor de seus olhos:
tinha um olho verde e o outro azul. E se chamava Aleusha. Fora Chad, ela era sua
única e verdadeira amiga. Chad e Brian, então, viviam tentando entrar no porão
para ver o que tinha lá; e quando Jack ia se masturbar, eles ficavam atrás da
porta ouvindo os ruídos do trem e morrendo de medo que Jack os achasse.
Até
que um dia, eles conseguiram ver nitidamente o que Jack Warner fazia, e saíram
correndo, assustados, para contar aos pais de Manson (Barb e Hugh Warner), que,
por vez, contaram uma história a eles: Jack Warner havia sofrido um acidente
quando era caminhoneiro, e quando estava no hospital, os médicos acharam roupas
de mulheres, etc. sobre ele, e isso havia sido um escândalo na família de
Brian, que ninguém queria nem quis nunca comentar... e fizeram Chad e Manson
jurar que manteriam sigilo sobre o que tinham acabado de ver. "Chad deve
ter contado `a sua mãe sobre o que nós vimos, pois foi proibido de sair comigo
durante anos" - nas palavras de Manson, pág. 16.
Então, o pequeno Brian foi brincar com sua cachorra Aleusha, o que sempre fazia quando Chad não podia estar ao seu lado. Só que Aleusha estava deitada na grama, vomitando e tendo convulsões. Quando o veterinário chegou, ela já havia morrido e Brian chorava muito. O veterinário disse que Aleusha tinha sido envenenada e Manson teve um pressentimento de que sabia quem havia feito tal coisa... (Seria supostamente seu avô.)
Este
é o resumo da parte 1 (The Man that You fear ) da 1ª parte (When I was a worm
) do livro auto-biográfico de Marilyn Manson: THE LONG HARD ROAD OUT OF HELL.
Adolescência
Capítulo 2: FOR THOSE ABOUT TO ROCK, WE SUSPEND YOU da parte 1: WHEN I WAS A
WORM
Na
adolescência, Marilyn pôde mesmo observar o lixo que era (e que é) o
cristianismo: estudou em um colégio cristão, daqueles bem tradicionais, (meias
azuis nas segundas, quartas e sextas; camiseta amarela ou branca nas terças e
quintas...) Era
o Heritage Christian School. "Meus
professores explicavam as coisas não como se fossem opiniões abertas para
outros tipos de interpretação, mas sim como irrefutáveis fatos ordenados pela
Bíblia.", Manson confessa, pág. 19. A partir daí, Marilyn começa a ter
pesadelos, e a ficar assustado com as idéias do fim do mundo e do Anticristo
(isso era muito proferido por seus professores).
Apesar
de tudo, Manson ainda conseguiu encontrar algo "sexy" em sua
professora, a sra. Price, a mesma que lhe fazia ter pesadelos à noite... O único
lugar que Manson se sobressaía era na pista de patinação. Sim, Marilyn Manson
patinava ! O sonho dele era ser campeão de patinação, e ele até tinha um
par, Lisa, uma garota de uma família muito, muito religiosa; mas ela acabou
sendo uma das primeiras garotas de quem gostou. Manson ia à igreja com Lisa e a
mãe dela (que não simpatizava muito com ele), porque essa era realmente a única
forma de estar ao lado de Lisa, sem ser na pista de patinação. Mas ela o
decepcionou, mostrando seu "lado-monstro" que todo cristão tem,
infelizmente. E ele não retornou a falar com ela.
Manson,
um dia, pegou uma foto que sua vó havia tirado em um vôo de avião na qual
aparecia, aparentemente, um anjo no meio das nuvens, e levou para seus
professores da escola olharem. Marilyn estava entusiamado pois "eu ainda
acreditava em todas as coisas que eles tinham me ensinado sobre o céu e queria
mostrar a eles que a minha vó tinha visto aquilo [na foto]"(pág. 22). Mas
a desilusão veio à tona: chegaram a mandar Manson pra casa por dizer blasfêmias.
Manson tinha sido punido por tentar encaixar-se nas idéias do cristianismo.
Ele
ficou morrendo de medo de não ir para o céu por ter feito aquilo e não ser
"salvo", como tanto ouvia de seus professores. Mas gradualmente,
Marilyn Manson começou a ficar ressentido mesmo, com sua escola cristã, e começou
a duvidar de tudo que ouvia dos professores sobre o cristianismo. Manson chegou
até a falar com seus pais para ir para uma escola pública, pois "tudo que
gosto, eles são contra" - Manson argumentava com seus pais. Mas eles não
deram muita bola.
Na
escola, eram proibidos doces, balas e coisas do gênero (a não ser em ocasiões
raras) por isso a maioria dessas coisas era contrabandeada. Havia uma loja na
vizinhança de Manson que vendia esses doces, balas e guloseimas e algumas até
produziam alguma reação química no organismo (como estourar na boca -balinhas
cheias de gás, parecendo coca-cola- ou deixar seus dentes pretos, etc.) e
Manson começou a vender esses doces (que eram quase drogas) na escola, pois
ninguém tinha acesso àquilo lá dentro. Marilyn ganhou uns bons trocados com
isso, até ser suspenso das aulas (mas não expulso do colégio).
Seu
segundo "projeto" foi a criação de uma revistinha de besteiras,
chamada Stupid, que ele vendia na escola (na verdade era pura sacanagem porque
ele havia copiado aquilo de algum lugar), como quando fazia com as guloseimas. O
mascote da revista tinha um bigote, um narigão, uma coleira de cachorro no
pescoço, um chicote na mão e usava meia-calça, cinta-liga e botas, etc.. Então,
um dia, a diretora do colégio, a sra. Carolyn Cole pegou Manson vendendo sua
revista e o levou para seu escritório, furiosa, e mandou que explicasse tudo
aquilo, que ela não conseguia imaginar que fosse arte, entretenimento ou uma
simples comédia. Manson se enfureceu, e jogou os papéis da revista pro alto. A
diretora ficou exacerbada e ordenou que Manson segurasse nos tornozelos, de pé.
Ela pegou então, tipo uma raquete e Manson apanhou na bunda, três vezes!
Mais
tarde (nem tanto), Marilyn começou a gostar de rock: KISS, Black Sabbath, Alice
Cooper, AC/DC, David Bowie, Queen, etc., e a se interessar por satanismo. Nas músicas
era muito comum encontrar mensagens satânicas rodadas de trás para frente, um
absurdo no colégio cristão onde ele estudava.
Podemos
chamar de "3º projeto de Manson" quando ele começou a vender, desta
vez, fitas cassette em seu colégio, com músicas (rock) que falavam de masturbação,
entre outras coisas. Desta vez, Manson levou bilhete na agenda, entre outros, e
inclusive seus pais foram chamados no colégio.
Mas...
Resumindo, ninguém gostava muito daquele cara, o Brian Warner, que vendia
coisas "impróprias" em sua escola e escutava heavy metal. Eles só não
expulsavam Brian da escola porque ele podia pagar. Metade dos alunos que
estudavam lá eram de baixa renda e a escola recebia uma ninharia do Estado para
matriculá-los. Imagina se eles iam expulsar o garoto...
Capítulo
3: (Teen Dabbler) da parte 1 (When I was a worm)
Era
a última noite de Manson em Canton, Ohio. Estava tudo arrumado: os pôsteres,
camisetas, fotografias, etc. Tudo relativo a rock, sexo, drogas e o
"oculto". Ele iria com seus pais para Fort Lauderdale, na Florida.
"Nessa última noite em Canton, eu sabia que o Brian Warner estava
morrendo", ele conta na pág. 32. E o objetivo dele era mesmo renascer,
melhor ou pior... Ele estava na sua cama em Canton, refletindo sobre tudo que
havia passado até então...
Ele já
tinha até alguns amigos formados na sua nova escola em Fort Lauderdale, mas no
seu recém oitavo dia foi forçado a ficar duas semanas no hospital, por causa
de uma reação alérgica causada por um antibiótico para gripe. As suas mãos
e pés incharam, uma erupção cutânea [uma espinha ou algo ainda pior] havia
estourado em seu pescoço e ele tinha problemas com a respiração pois seus
pulmões estavam muito inchados. Inclusive os médicos que o analisaram disseram
que ele poderia morrer. Mas até aí, ele já tinha feito uma amiga: Jannifer,
que acabou sendo sua primeira namoradinha, e também tinha feito um inimigo:
John Crowell. Ele usava camisetas do Iron Maiden e calças jeans, era grande
(metido à machão), e todos os pirralhos saíam da frente pra ele passar. John
era o ex-namorado de Jannifer; obviamente, ele passou a ODIAR Manson por seu
envolvimento com sua ex-namorada.
Durante
sua primeira semana no hospital, Jannifer ia visitá-lo todos os dias. Marilyn
estava determinado a perder sua virgindade com ela, mas ela não deixava que ele
a tocasse nunca. Ele até tentou, mas na sua segunda semana no hospital ela já
havia o deixado. Nem apareceu mais.
Hospitais,
más experiências com mulheres e sexualidade foram completamente familiares a
Manson nessa época de sua vida. Nessa parte do livro ele relembra de quando
tinha 4 anos e teve que ir ao médico para aumentar a uretra, pois seu canal
urinário não estava do tamanho normal. E o médico teve que fazer um exame
horroroso em seu pobre pinto, que parecia urinar gasolina, por meses depois do
fato. Manson sempre ia pro hospital, seja por pneumonia ou outros motivos...
Um
belo dia (nem tão belo assim), Marilyn foi à pista de patinação do colégio
[disto não tenho certeza] e uma garota pediu para fazer um par com ele na pista
e ele foi. Quando eles pararam de patinar, chegou um cara negro, conhecido como
"Frog", que puxou a garota para seu lado, sem dizer uma palavra e
depois disso ainda deu um soco no rosto de Manson, que chegou a cair no chão
com a boca sangrando. Então o cara disse, cuspindo saliva: "Você dançou/patinou
com a minha namorada" e, nas palavras de Manson: "eu nem gostava
daquela garota, mas ela quase estragou minha carreira como cantor. Na sala de
emergências, eles me disseram que o dano [no caso, um problema nas juntas
mandibulares - um deslocamento] era permanente; um distúrbio que me deu fortes
dores maxilares.", pág. 35.
Bom,
depois de duas semanas no hospital, MM voltou à escola, sozinho e humilhado.
Ninguém queria fazer amizade com um cara com um cabelão (Manson já tinha os
cabelos compridos) e que usava umas camisetas do Judas Priest, ou coisas do gênero.
Foi daí que Manson começou a falar com John Crowell (seu antigo inimigo) pois
eles tinham agora algo em comum: ódio da Jannifer (a garota que havia deixado
Manson no hospital) e então eles fizeram uma aliança contra ela, e começaram
a pensar em formas de atormentá-la. Um dia eles, mais o Chad, primo do Marilyn,
decidiram entrar no pátio da casa de Jannifer, com o escopo de desenhar algo
bem obsceno no banheiro da casa dela. Mas enquanto Manson estava pensando em
algo bem ofensivo para desenhar, alguém acendeu a luz e o plano foi por água
abaixo.
Depois
de um tempo, John Crowell veio apresentar Tina Potts a Manson e eles começaram
a se falar, quando não havia ninguém por perto. Um dia eles macaram um
encontro num parque, e foram. Lá, foram a um lugar meio escondido, e em um
instante Manson estava com a mão dentro da calcinha de Tina. (!) A primeira
coisa que surgiu em sua mente foi o quão "cabeluda" ela era, e a
segunda foi que ele estava simplesmente tocando, "apalpando" uma
garota e apertando seus seios, e Marilyn estava realmente muito excitado, achou
melhor eles darem uma voltinha. Depois desse fato Manson quase transou com Tina,
mas na hora H acabou não rolando. Depois ele não falou muito mais com ela, ele
sabia que para ela eles realmente não tinham feito sexo, mas para ele e seus
amigos, Manson não era mais um garoto desesperado, e sim um homem desesperado.
Depois
disso, Manson se interessou por uma garota (do colégio) chamada Beth Kroger: a
mais rica e popular garota de todo colégio. MM passou 3 anos
"sondando" a garota, até que tomou coragem e a convidou para uma
festa. E ela aceitou. E eles encerraram a festa bebendo cerveja, com Marilyn
sentado ao lado dela desconfortavelmente, assustado para se manifestar pois ela
parecia completamente pudica. É, parecia... Mas essa idéia que Manson fazia
dela se desintegrou na hora em que ela rasgou suas roupas e subiu pra cima dele,
sem se importar com camisinha, e transou com ele como "um animal selvagem
montado em uma máquina de alta velocidade", nas palavras de Manson, pág.
37. [Tradução aproximada].
Mas...
E finalmente Manson conheceu em um jogo de futebol a primeira garota que lhe fez
sexo oral (e muitas outras coisa, é claro). O nome dela era Louise e eles
ficavam transando o escutando Rush e David Bowie no quarto do Marilyn, quando os
pais dele saíam para trabalhar. Mas depois de uma semana, Louise parou de
responder às chamadas de Manson. Ele estava assustado, não sabia o que fazer,
ficava imaginando que a garota poderia estar grávida (porque nem sempre eles
haviam usado camisinha) ou que ela tivesse morrido ou coisa assim. Então MM
decidiu telefonar pra casa dela, mas disfarçando a voz com uma roupa, caso os
pais da garota atendessem ao telefone. Mas ela própria acabou atendendo, pediu
desculpas por não ter mais falado com Manson e disse que estava doente, mas não
quis especificar nada. Marilyn ficou achando que ela estava o evitando pois
deveria ter um outro namorado ou coisa assim.
Depois
disso, Manson teve um problema na região pubiana: piolhos (contraídos de
Louise) e, ademais, Manson estava com a cara CHEIA de espinhas.
Um
dia Marilyn foi à casa de John Crowell, que começou a lhe mostrar "locais
proibidos" da casa, onde seu irmao fazia um tipo (vários tipos) de magia
negra e coisas assim. Havia fotos de professores e ex-namoradas cheias de sangue
e com obscenidades desenhadas sobre si, ou em volta. E John ainda mostrou a
Manson uma outra parte da casa, onde seu irmão teria vendido sua alma ao Diabo.
Havia imagens de pessoas mortas, entre outras coisas e Marilyn estava
terrificado pois nunca tinha visto aquilo antes. Depois eles foram andando
sorrateiramente pela casa, e John ia mostando outras coisas de seu irmão, como
pentagramas, mensagens ou coisas que representavam Satã, logos de bandas de
heavy metal, e palavras ou frases como "cocksucker" e "fuck your
mother". O lugar era como uma floresta obscura, havia luzes esquisitas,
velas e todos esses objetos e imagens. MM estava assustado, mas era curioso. Então
John o levou a uma outra sala, que era completamente vazia, a não ser por um
pentagrama e mensagens indecifráveis na parede. Daí John abriu um livro e
disse que iria abrir as portas do inferno para chamar os espíritos que haviam
vivido naquela casa, e ambos ficaram escutando o nada na escuridão... (a não
ser pelo coração de Manson, que pulsava quase saltando pela boca). Depois,
decidiram "retornar à casa de John" (onde eles estavam era um lugar
secreto do irmão do cara), mais silenciosamente possível, pois o irmão de
John Crowell estava na casa. E eles acabaram encontrando-no, com os olhos
vermelhos, parecendo sedado. Havia um gato branco em seus braços, que ele
acariciava. E John explicou a Manson que o gato era como um demônio em forma de
animal que o ajudava com suas mágicas. Aquele gato, que parecia tão inocente e
puro, agora havia se tornado uma perigosa e malevolente criatura na mente de
Marilyn. "Este gato irá te matar" disse John Crowell para assustar
Manson. "Quando você for dormir, ele irá arranhar seus olhos e morder sua
língua quando você tentar gritar.", John insistiu. Então o irmão de
Crowell disse: "vamos lá em cima" [referia-se ao andar de cima da
casa, o "quarto proibido"]. E foram os três. Lá havia um coelho
sacrificado, velas vermelhas, entre outras coisas. Daí perguntaram se Manson
queria fumar uma droga, como maconha. Na verdade era uma mistura. MM
"teve" que aceitar, estava com medo e parecia que eles iam obrigá-lo
a fazer aquilo ou iam bater nele se não fizesse... Manson estava atônito.
Tomou as drogas, sentou-se tonto no chão e o irmão de John então começou a
arengar, sem mais nem menos; pronunciava nomes de espíritos e demônios que
planejava conjurar e ordenar que matassem pessoas como: professores que o tinham
reprovado, namoradas que o tinham largado, empregadores que o tinham despedido,
etc., etc.
"Minutos
ou horas transcorridas. (...) A música do Black Sabbath 'Paranoid' estava
tocando no aparelho de som, ou na minha cabeça, o gato estava silvando para
mim, o quarto estava rodando, o irmão de John estava me desafiando a beber um líquido
[uma droga] e John estava cantando ou falando algumas palavras.", fala
Marilyn na pág. 45. [Tradução aproximada] Do resto, MM não se lembra. Só se
lembra que acordou 5 da tarde e o gato estava o observando. Manson vomitou.
Vomitou bastante. "Mas eu percebi que eu tinha aprendido alguma coisa na
noite passada: que eu posso usar magia negra para mudar a modesta vida que eu
tinha em minha volta - a fim de alcançar a posição de poder que outras
pessoas invejam e realizar coisas que outras pessoas não podem" disse
Manson na pág. 45. .
"Embora
eu tivesse muitas coisas em comum com meu pai, eu nunca admiti isso. A maior
parte da minha infância e adolescência eu passei com medo dele. Ele
constantemente me ameaçava mandar pra fora de casa e nunca deixou de
relembrar-me que eu era um imprestável e não ia nunca ser nada." (pág.
46) "Então eu cresci como um garotinho da mamãe, mimado por ela e ingrato
por isso. (...) Ela queria que eu fosse só como ela, que dependesse dela, que
nunca a deixasse. (...) Na primeira série do 2º grau, eu comecei a me sentir
mais e mais isolado, sem amigos e frustrado sexualmente. Eu sentava na minha
mesa da escola com meu canivete e ficava fazendo cortes no meu antebraço. Eu não
me preocupava tanto em me sobressair na escola. A maior parte da minha educação
eu aprendia fora da escola, quando eu escapava para um mundo de fantasia --
brincando com jogos, lendo livros como a biografia do Jim Morrison (No one here
gets out alive), escrevendo poemas macabros e historinhas , e escutando música.
Eu comecei a apreciar a música como um cicatrizante universal, uma entrada para
um lugar onde eu poderia ser aceito, um lugar sem regras nem juízos.",
conta Marilyn na página 47. (...)
Os pais de Marilyn Manson às vezes brigavam e gritavam um com o outro, por isso "ódio e raiva são contagiosos de qualquer modo, e eu logo comecei a me ressentir com a minha mãe porque eu pensava que ela estava acabando com o casamento. Eu sentava na minha cama e chorava, pensando sobre o que iria acontecer se meus pais se separassem. Eu estava com medo de que eu tivesse que escolher entre os dois, e como eu vivia assustado com meu pai, eu acabaria morando na miséria com a minha mãe. (...) Eu estava amargurado e zangado -- não só por causa dos meus pais, mas por causa do mundo." [Manson referindo-se à toda infância e adolescência], pág 48.