Le Cauchemar, de Henry Fuseli


Parte sete
O INCUBO




He is a giant, he is huge As well as strong and sensitive He is stunning and electric Why doesn't he see? He is perfect and grand He is capable of anything He is charming and old-fashioned Why is he loyal like her?
(verso de música de Dana, travesti e sexy-simbol israelense)


Meus olhos arregalaram, aterrorizados de pânico gritei! Já no primeiro grito, lancinante, a coisa saltou com um salamale zombeteiro, não sem antes dar um rosnido baixo e terrível, felino. E ficou agarrada à parede, como uma mosca imensa. Era um parasita rosa-acastanhado. Um falsete humano insaciado. Um sarcástico abordo embebido de astúcia primária. Uma amálgama de imbecilizante terror. Suas feições tinham a avidez morta e brilhosa de um alce empalhado. Uma careta seca de medo, uma lúgubre espécie de inexpressividade. Tinha o olhar estúpido de um ouvinte dos pregões do missionário R. R. Saores; os olhos de um sapo tomando sol numa pedra. E, quando sua boca deformada abriu-se, exibiu um mal-feito círculo oral de presas protuberantes. Dali, saía um hálito esverdeado, como gavinhas de teleplasma. Senti uma baforada de carniças. Senti ondas longas e lentas de malevolência, mas Aquilo me odeia! aquilo não foi o pior. O pior foi aquele riso imenso e bobo, como o que o turistas vêem nas caveiras de vacas no deserto.


	Senti uma repugnância desarrazoada e atávica. O asco instintivo de uma mulher que 
percebe que a coisa que se debate presa em seus cabelos é um morcego, 'companheiros de 
corpo quente e coriáceo, de ossos cobertos por carne escassa!', como dizia Lester, com seu 
antiquado sotaque magiar, provando, com um estalo, um cálice de cristal de Golden 
Mediasch, um vinho que produz sensação picante na língua, envenenado com absinto (como 
Lester chamava o ópio). 
	Mas não era um morcego. Era um íncubo.




	Íncubo. O nome já é dEfinitivamente feio. Estes parasitas sexuais, tão 
frequentemente lembrados na literatura fantástica, são, na verdade, uma das raças menos 
conhecida de grandes predadores europeus (aqui em Interzone também conhecidos como 
Preachers). A maneira mais comum de se alimentarem é tendo relações com suas vítimas, 
deixando-as exaustas e, depois, alimentando-se da energia dispersada no ato sexual. Eles podem 
entrar numa casa sem serem convidados, e tomar a aparência de qualquer pessoa. Geralmente 
visitarão suas vítimas mais de uma vez. A vítima de um incubus interpretará as visitas como 
sonhos. A versão feminina do Incubus são os abjetos Succubus. 



Kubin,Alfred (Austrian, 1877-1959)-The Bat



Mais tarde, eu descobriria que estas criaturas inconvenientes não são inteiramente inofensivas, mas também não são tão perigosas. Não tem, digamos, existência própria. À medida que ele me visitou mais vezes, intermitentemente, com insistência insidiosa, eu fui percebendo que ele não era o pior que estava reservado para mim. Na verdade, ele apenas precedeu o Mestre, assim como os chacais precedem os leões sobre as caracaças das savanas africanas. De novo, Alien3: 'Ele é como o leão: gosta de estar próximo das zebras'.


	A seguir, aquela coisa pegajosa e morta ganiu profundamente. Depois começou a dar um 
latido extremamente feio, basicamente grave, mas que se decompunha em frases agudas nos 
registros superiores (como se estivesse mastigando vidro). Uns guinchos compridos e altos, de 
pôr cubos de gelo no coração. Uma punhalada de pavor feriu meu peito como um ferro em brasas. 
Naturalmente, desta vez, eu gritei para valer. Gritei até sentir o coração tentando se desprender 
das artérias, entalar na garganta e sufocar-me. Mas o grito soluçante parecia não vir do meu peito. 
Um grito mais próximo que o vento lá fora. Nas notas finais, decompunha-se num uivo. Era um 
som que parecia vir de um sanatório. O som de uma louca. 

Le Cauchemar, de Henry Fuseli





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