KATILENE NUNES
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Proprietário de bingo diz que Lula é amigo de Servo


Jamil Name afirma em depoimento à Operação Xeque-Mate que suposto chefe
da máfia dos caça-níqueis se gabava por ter amizade com o presidente
João Naves


CAMPO GRANDE - O pecuarista Jamil Name, um dos maiores proprietários de casas de bingo em Mato Grosso do Sul, afirmou nesta quarta-feira, 6, que Nilton Cezar Servo, tido como chefão da máfia dos caça-níqueis, "é amigo do presidente Lula". Segundo Jamil, "Servo dizia para todo mundo que tinha o beneplácito do presidente Lula, e se gabava muito dessa condição".

Servo é ex-deputado pelo Paraná e foi preso na terça-feira pela Operação Xeque-Mate suspeito de ser o chefe de cinco grupos de “empresários” donos de bingos e máquinas de caça-níqueis em quatro Estados. Ele é amigo do irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá.

O filho de Jamil Name, Jamil Name Filho, foi preso na segunda-feira. Jamil foi intimado a depor nesta manhã para explicar sua suposta participação na máfia dos caça-níqueis. Ele explicou que o filho foi preso com base em escuta feita pela PF. "Em uma das escutas, meu filho estava cobrando duas dívidas do ex-deputado federal Gandi Jamil George, uma de R$ 15 mil e outra de R$ 60 mil".

Jamil confessou que inclusive já ajudou Nilton Servo com aquisições de máquinas de caça-níqueis, colocando à disposição do ex-deputado uma máquina. O pecuarista defendeu as casas de bingo, afirmando que "o bingo é legal, muito prazeroso, uma higiene mental".

A casa de Vavá foi alvo de busca e apreensão, na segunda-feira. Ele não foi preso, mas está entre os indiciados pela PF, sob acusação de “tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio na Justiça”. Lula garantiu reiteradamente acreditar na sua inocência: “Não acredito que Vavá tenha algum envolvimento. Não acredito, não acredito. Mas não acredito mesmo. De verdade.”

Outro investigado pela operação também tem relação com o presidente. Lula é padrinho do filho de Dario Morelli Filho, assessor técnico da Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), preso na segunda-feira. Em depoimento em Campo Grande (MS), o compadre de Lula, que tem ampla circulação no Campo Majoritário do PT e é dono de uma empresa de eventos em São Bernardo, garantiu que não tem ligação com o crime.

A direção da Saned, ligada à Prefeitura de Diadema, comandada pelo PT, resolveu afastar Morelli, sem pagamento de salários, até que seja esclarecida a situação de seu suposto envolvimento com quadrilha de caça-níqueis.

 

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