GT 4 - Educação Física/Esporte e Processo Ensino-Aprendizagem

 

A MANIPULAÇÃO DO CONHECIMENTO DE RESULTADO NA AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS (ANAIS) 1        

 

Kátia de Araújo - Acadêmica em Educação Física

UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL

 

RESUMO

 

O feedback é toda informação sobre a resposta produzida sobre o movimento durante ou após a execução,  e este pode ser divididos em outras duas classes (feedback intrínseco e extrínseco). Neste trabalho foi estudado os efeitos da manipulação do feedback extrínseco através de revisão da literatura,  dando ênfase a informação fornecida pelo instrutor de habilidade (CR). O conhecimento de resultado exerce três funções  principais na aprendizagem,  informação,  motivação e reforço,  que serão parte integrada no processo ensino aprendizagem,  possibilitando o aprendiz através da prática e das informações contidas no CR formar o padrão de referência interno adequado. Para tanto é preciso levar em consideração o estágio em que o aprendiz se encontra,  que pode variar do cognitivo até o autônomo,  onde  vários fatores tais como quantidade e qualidade de erros cometidos,  consistência de desempenho,  automatização dos componentes da habilidade e capacidade de detectar e corrigir os próprios erros se alteram. A sub-disciplina aprendizagem motora,  dentro destas considerações é uma área de estudo preocupada com a investigação dos mecanismos variáveis responsáveis pela mudança do comportamento motor. Considerando que pessoas podem estar aprendendo habilidades motoras,  é de suma importância que esta aprendizagem seja otimizada,  para que a mesma não seja um processo aleatório de tentativa e erro.(MAGILL,  1984). Essas são  algumas das preocupações que os estudiosos da área tentam solucionar e melhor compreender,  através de pesquisas com o intuito de auxiliar os profissionais que ensinam habilidades motoras a planejarem com maior eficiência e melhores estratégias de ensino e aplicação.

 

1.  INTRODUÇÃO

 O homem vem passando por várias  transformações desde sua existência,  possibilitando sua evolução para a melhor adaptação ao meio em que vive. Atualmente,  na maior parte do mundo civilizado,  o desenvolvimento da capacidade de  mover-se não representa uma condição tão indispensável à sobrevivência,  entretanto é através do movimento que as pessoas interagem com o meio em que vive e com as pessoas  que vivem ao seu redor,  resolvem seus problemas,  e manifestam suas emoções e pensamentos. Por fim,  é através de movimentos que as pessoas relacionam-se com o mundo. 

O desenvolvimento da capacidade de mover–se de acordo com a demanda do meio ambiente e assim responder aos desafios crescentes impostos,  é chamado de aquisição de habilidade motora. 

Os pesquisadores da área de aprendizagem motora procuram desvendar como as pessoas aprendem e através de estudos tentam identificar as variáveis que influenciam o melhor aproveitamento nas experiências de aprendizagem.

Muitas pesquisas foram realizadas para analisar a importância da variável no processo de ensino aprendizagem,  e através dos resultados constatou-se que o feedback extrínseco é uma variável muito importante na aprendizagem,  inferior apenas à prática propriamente dita

Segundo SCHMIDT (1993),  o termo feedback extrínseco significa toda a informação sobre a resposta produzida que é recebida durante ou após o movimento,  informada por meios artificiais,  o autor ainda relata que o feedback extrínseco é fornecido após o feedback intrínseco,  que é o responsável por  realimentar o sistema perceptivo acerca das informações,  sobre o movimento realizado.

O feedback extrínseco é um tipo de informação que pode tomar muitas formas no ambiente de aprendizagem capaz de informar o aprendiz sobre o resultado ou eficiência de um movimento,  durante ou após a sua execução. E esse fator pode ser manipulado pelos profissionais que lidam com o ensino de habilidades motoras na situação real de prática. Facilitando o aprendiz através da prática a formar o seu padrão de referência interno,  devido as informações fornecidas pelo instrutor,  aos poucos estas informações são retiradas,  para que o aprendiz não fique dependente e utilize somente de seu feedback intrínseco (MAGILL,  1984).

Embora pesquisadores como BILODEAU & BILODEAU  (1959),  THOENIDKE,  (1953) e outros mais recentes como PROENÇA (1990). TEIXEIRA (1993) ,  PÚBLIO,  GO TANI & MANOEL (1995),  realizaram estudos que comprovassem a importância do conhecimento de resultado na aquisição de habilidades motoras,  faz-se ainda necessário estudos que complementem a confirmação obtida pelos diversos autores.

A minha intenção ao escolher este tema,  foi fazer deste estudo uma reflexão perante o real,  reflexão essa que possibilite a assimilação crítica do produzido e assimilação de um conhecimento cuja finalidade contribua para a ação transformadora do real. É por isto que se torna imprescindível no uso da aprendizagem,  uma produção teórica elaborada no processo histórico,  que já é fruto de uma reflexão nesse mesmo sentido e que desvenda a exploração e dominação dos estudos pesquisados e o uso de sua metodologia aplicada nessa dominação.

Este não é um estudo metodológico acabado mas um ser feito,   fazendo,   produto e produtor,  cujos agentes,  ainda que não totalmente conscientes,   indicam os caminhos a serem percorridos. É por isso que assumo a possibilidade de trabalhar,  pesquisar essas contradições na especificidade no âmbito da metodologia científica voltada para o aprendizado no sentido de contribuir em conjunto com o todo social rumo a transformação da sociedade.

Quando nos voltamos para qualquer estudo,  quer seja prático ou teórico,  temos que ter em mente o quanto cada parte integrará ou estará voltada ao nosso cotidiano. Para tanto este trabalho tem como objetivo discutir os efeitos do feedback extrínseco na aprendizagem motora,  através de revisão e análise da literatura referente ao assunto.

 

2. DESENVOLVIMENTO

 2.1 Aprendizagem Motora

 

Para que se possa compreender melhor o termo Aprendizagem Motora algumas definições serão aqui explicitadas.

Para FALCÃO (1995),  “...a aprendizagem se trata de uma mudança relativamente duradoura do comportamento,  um fenômeno do dia a dia,  que ocorre desde o início de vida,  decorrentes de treinos,  experiências e observações”.(p. 18).

MAGILL (1984),  “...a aprendizagem pode ser definidas como uma mudança interna no indivíduo,  inferida de uma melhora de desempenho como resultado da prática”. (p. 12)

 SCHMIDT (1993),  “ ...Durante a aprendizagem ocorre a modificação do comportamento decorrido de processos associativos dos exercícios ou experiências”.(p. 50)

Tendo em base os relatos dos autores citados,  nota-se que a aprendizagem ocorre através da prática que ocasiona uma mudança interna no indivíduo,  essa mudança pode envolver os comportamentos cognitivo,  afetivo e motor,  quando o mesmo estiver executando uma habilidade ou até mesmo observando. Mas para se dizer que aprendizagem ocorreu é preciso que haja uma mudança do comportamento relativamente duradoura.

A aprendizagem é inferida com bases de medidas de desempenho,  e através da prática as mudanças do desempenho devem ser menos variadas. Pressupõe que quando um profissional está ensinando uma determinada habilidade motora,  ele queira saber se aquele indivíduo está aprendendo,  se houve mudança no comportamento,  e isso será identificado através do desempenho,  e este é um comportamento observável portanto essencial para determinar se aprendizagem ocorreu ou não. Aprendizagem também é inferida através do teste de retenção.

 

2. 2. 1 Estágio de aprendizagem

Durante a aprendizagem o indivíduo vai passando por modificações que estão relacionadas com o não saber fazer para o saber fazer durante a aprendizagem de uma determinada habilidade motora,  dentro disso é de grande importância que o professor através de avaliações da performance,  possa avaliar qual estágio de aprendizagem seu aluno se encontra e depois elaborar  estratégias e técnicas apropriadas para o melhor desempenho do mesmo. 

Existem sistemas de classificação distintos,  que enfatizam a mudança de aspectos diferentes durante a aprendizagem. 

 Segundo o modelo de FITTS & POSNER in MAGILL  (1984),  os estágios são divididos em cognitivo,  associativo e autônomo.   No modelo de ADAMS,  estes estágios são divididos em verbal-motor e motor,  e no modelo de GENTILE ela os divide em aquisição da idéia do movimento e fixação / diversificação. 

O modelo de FITTS & POSNER,  in MAGILL  (1984),  será discutido dentro deste trabalho  em maior detalhe,  pois será base para boa parte da discussão de conceitos de aprendizagem motora,  a serem estudados neste trabalho.

No cognitivo o aprendiz não sabe o que deve ser feito,  os movimentos não estão automatizados e sua atenção está voltada para o movimento e para os componentes que compõem a habilidade,  ocasionando uma quantidade de erro muito grande,  com grande inconsistência de desempenho. Neste estágio o indivíduo não consegue detectar e corrigir seu erros,  embora saiba que está errando. Sendo fundamental informações de uma fonte externa sobre a performance.

Durante o estágio associativo também há uma preocupação com o movimento,  mas os erros são menos freqüentes e grosseiros,  neste estágio algumas partes do movimento já adquiriram um certo grau de automatização,  o aprendiz está refinando a habilidade,  e é capaz de corrigir e detectar alguns movimentos globais,  ficando menos dependente de fontes externas. 

Após muita prática e experiência,  o aprendiz entra no estágio autônomo,  tornando a habilidade quase automática,  pois o aprendiz consegue executar a habilidade sem se preocupar com a movimentação da mesma,  a sua preocupação é externa,  ou seja,  refere-se por exemplo como vai ultrapassar a marcação de um adversário,  ao executar o drible do basquetebol. Isso por que já desenvolveu um padrão de referência interno,  o qual permite detectar seus erros e corrigi-los. MAGILL (1984),  "o estágio autônomo é resultado de uma quantidade enorme de treinamento e permite ao indivíduo produzir uma resposta,  sem ter que se concentrar no movimento inteiro. Portanto ele estará livre para dar atenção para outros aspectos,  que lhe permitirão desempenho ótimo". (p. 43)

Sabendo que o  processo de aprendizagem de habilidades motoras é caracterizado por diferentes estágios e que dentro destes  ocorrem fatores como,  quantidade e qualidade de erros,  consistência de desempenho,  capacidade de detectar e corrigir os erros,  automatização dos componentes da habilidade e que estes vão se alterando desde o estágio cognitivo até o autônomo. “ É importante compreender esses estágios,  uma vez que são parte integrante da determinação das estratégias instrucionais mais apropriadas,  que devem ser usadas ao ensinar habilidades motoras”. (MAGILL,  1984. p. 44)

 

2.3 Considerações Sobre Feedback

 O feedback é dividido em duas categorias: Feedback intrínseco e Feedback extrínseco,  segue-se abaixo a explicação de cada termo.

Normalmente a informação de retroalimentação é captada  e decodificada diretamente pelo executante (feedback intrínseco),  porém existem situações que uma fonte externa torna primordial para captar e posteriormente transmitir ao aprendiz informações sobre a resposta produzida (feedback extrínseca),  que sejam úteis para a correção e aprendizagem,  (TEIXEIRA,  1993).

Segundo  MAGILL  (1984),  o feedback intrínseco é responsável por realimentar o sistema perceptivo acerca das informações,  sobre o movimento realizado,  com SCHIMDT  (1993),  o feedback intrínseco também chamado de feedback inato,  é a informação fornecida como conseqüência natural da realização de uma ação.

O feedback extrínseco fornece ao indivíduo informações externas sobre o resultado do movimento,  após este ter executado o mesmo completamente e tendo estas informações o indivíduo opta em escolher estratégias para serem utilizadas nas próximas execuções,  sendo desta forma escolhido um novo plano motor para ser executado e novamente avaliado. Para SCHMIGT  (1993),  o feedback extrínseco é constituído da informação do resultado da performance,  informada ao indivíduo por meios artificiais,  como a voz do professor que faz correções,  um cronômetro,  um juiz,  filmes de jogos,  videoteipes,  o autor ainda conclui que o feedback extrínseco é fornecido após o intrínseco.

De acordo com AMMONS  (1956 in  ANDREOTTI,  1992),  quanto mais específico o FE,  mais rápido a melhora ocorre e um nível mais alto de performance é alcançado. Quanto maior a precisão com o qual o sujeito sabe como executou,  mais apto está para fazer correções apropriadas.

De acordo com MAGILL (1984) e SCHMIDT  (1993),  o conhecimento de resultado é uma das variáveis mais importante,  ela é a informação que o instrutor proporciona ao aprendiz no seu estágio inicial,  após ou durante a execução,  sobre o resultado ou eficiência de um movimento.

O CR é uma poderosa informação extrínseca afirma TEIXEIRA (1993),  que esta informação é geralmente mais precisa do que a informação da retroalimentação intrínseca. Induzindo o aprendiz a orientar e corrigir suas respostas. 

Para MAGILL,  o aprendiz precisa sentir que está melhorando para persistir no treinamento,  com isso o instrutor se torna fonte vital de informação. Esta informação parece ser o uso principal do CR,  servindo para reforçar uma resposta correta,  a corrigir seu erro,  e motivá-lo a persistir nas tentativas. 

TEIXEIRA (1990),  “...o professor é uma importante fonte de CR para o aprendiz,  auxiliando-o não apenas na detecção de erros mas também na decisão de quais modificações introduzir na próxima resposta,  para que o resultado real aproxime-se cada vez mais do resultado pretendido,  até que a diferença  seja nula“(p. 36)

Na situação de aprendizagem de habilidades motoras,  é necessário que a informação sobre a resposta seja fornecida de modo que auxilie o aprendiz a realizar ajustes antes de novamente executar o movimento. Segundo MAGILL (1984),  o feedback extrínseco atua como sendo uma fonte primária de informação que deve ser usada para correção de erros de desempenho cometidos durante a execução de uma dada habilidade.

Para que ocorra aprendizagem,  o sujeito precisa usar a informação de feedback para produzir a próxima resposta diferentemente da anterior,  ou melhor necessita utilizar o traço perceptivo em relação ao feedback ajustando a resposta em conformidade na próxima tentativa.

Sabendo que informações auxiliam na aprendizagem,  é preciso que o instrutor saiba quando e quanto de informações deve ser fornecida ao aprendiz.

De acordo com MAGILL (1984),  o feedback extrínseco deve ser suficientemente preciso para que o aprendiz dele se beneficie,  mas não tão preciso a ponto de confundi-lo.

A velocidade na apresentação de informação é outro fator que denota a ineficiência na aprendizagem,  isso porque o aprendiz não consegue assimilar muitas  informações,  devido a quantidade de incertezas que contém a mensagem.

No entanto o professor pode estruturar uma seqüência de tarefas,  antes de chegar a situações mais complexas,  de forma que a complexidade seja graduada progressivamente. Para tanto é necessário que o professor  detecte o estágio que o aluno dele se encontra e então selecionar tarefas que não fique aquém de suas reais potencialidades,  pois se isso ocorrer acarretara  na ineficiência do processo   ensino-aprendizagem e falta de  motivação dos alunos (TEIXEIRA,  1990)

Quando o executante recebe informações com freqüência,  ele obtém maior  eficiência considerando a relação entre a quantidade de tentativas de prática e o nível de desempenho imediato,  conseguindo atingir um estado de estabilização com menor número de tentativas em relação a um executante praticando com freqüência menor de CR. Apesar desta diferença o grupo que recebeu menos quantidade de CR,  terá melhor desempenho na fase de retenção pois o mesmo pode estar processando as informações no período que não recebeu o CR. Além disso o grupo que recebeu CR com freqüência pode possivelmente ficar dependente de CR e este quando retirado causará dependência por parte do aprendiz,  por que não  terá armazenado as informações,  contudo terá dificuldade em utilizar as  informações da retroalimentação (SCHIMIDT,  1988).

Alguns  experimentadores têm falhado em não reconhecer a importância dos possíveis efeitos temporários ou  passageiros de performance. Efeitos temporários é relativo por exemplo à função motivacional do feedback extrínseco,  pode-se dizer que quando FE está presente,  os sujeitos  tendem a se sentir mais motivados e interessados pela tarefa,  persistindo por mais tempo,  tal função pode ser vista como fenômeno temporário,  então o sujeito sente-se motivado quando lhe é fornecido o FE,  porém quando o mesmo for retirado pode levar a performance a se deteriorar rapidamente  (SCHMIDT,  1988 in  ANDREOTTI,  1992). 

 

2.4 Pesquisa  Experimental

 As pesquisas realizadas em aprendizagem motora são muitas vezes realizadas em laboratórios,  pois as variáveis  podem ser mais controladas (SCHMIDT,  1993).

TEIXEIRA (1989) e DARIDO (1994),  concordam que os estudos feitos em laboratórios pode-se controlar com mais eficiência as variáveis,  embora se distancie do contexto real,  pois são realizadas em situações artificiais,  ocorrendo uma distância do que acontece nas condições em que normalmente ocorre a aquisição de habilidades motoras.

TEIXEIRA (1989),  em seu trabalho sugere que “...condições experimentais de aprendizagem se distancie dos extremos de artificialidade e naturalidade,  e se coloque num ponto mais próximo ao intermediário... ”  (p. 12).

 

 

2.5 O que as pesquisas revelam

 Um estudo considerado clássico para demonstrar a importância do CR na aprendizagem,  foi realizado por  BILODEAU & BILODEAU e SCHUMKY (1959,  citado em MAGILL,  1984),  onde o intuito do mesmo foi  provar a importância do CR na aprendizagem,  e que privar o aprendiz do CR poderia acusar diferentes níveis de melhoria. 

BILODEAU & BILODEAU  (1958 apud TEIXEIRA 1993),  investigaram também a freqüência absoluta e relativa da aprendizagem,  e constataram através  dos resultados deste estudo que as tentativas sem CR não tiveram importância,  e assim,  somente a freqüência relativa de 100% seria importante para a aprendizagem.

Segundo CHIVIACOWAKY & GO TANI (1993),  relatam que trabalhos como o de BILODEAU & BILODEAU (1958),  têm sido criticados por não utilizarem um delineamento de transferência ou teste de retenção para separar  os efeitos passageiros de “ performance “  (fase de aquisição)  dos efeitos mais permanentes e aprendizagem (fase de transferência). 

Estudos como os de BAIRD &  HUGHES (1972),  HO & SHEA (1978),  (citado em CHIVIACOWSKY & TANI (1993),  utilizaram de um delineamento similar com o de BILODEAU & BILODEAU  (1958),  mas utilizaram  teste transferência. Os resultados mostraram que os grupos que tiveram  freqüência relativa menor de CR,  obtiveram melhor performance ou seja mais precisa,  contrariando os estudos anteriores realizados por BILODEAU & BILODEAU (1958),  quando afirmam que as tentativas sem CR são insignificantes,  ou seja  quanto maior a freqüência relativa maior seria a aprendizagem,  outros mais recentes como PROENÇA (1990); CASTRO (1990) e TEIXEIRA (1993),  confirmam que as freqüências menores que 100% são melhores para a aprendizagem,  para que o aprendiz possa durante as tentativas em branco,  processar as informações anteriores,  para formular um novo plano motor,  baseado nas informações do instrutor e à proprioceptivas.

 

3. METODOLOGIA

 Para a realização deste trabalho foi realizado uma pesquisa de revisão bibliográficas,  que contou com análise textual,  análise temática,  análise interpretativa,  discussão e síntese (SEVERINO,  1996).

 

4.CONCLUSÃO

 Ao relatar sobre os efeitos da manipulação do feedback extrínseco é preciso ressaltar alguns pontos principais a partir desta revisão. Primeiramente preciso ressaltar que o feedback extrínseco é uma variável cujas as funções principais na aprendizagem,  informação,  motivação e reforço,  devam estar presente no processo de ensino aprendizagem,  e através da análise do estágio e um que o aprendiz se encontra,  o profissional poderá  transmitir as informações adequadas. O instrutor de habilidade deve conhecer a habilidade por um todo,  para poder colher informações acerca de erros que poderão ser cometidos pelo aprendiz,  estando ele no seu estágio inicial de aprendizagem,  isso porque a variável FE pode ser manipulado diretamente pelo instrutor,  então cabe a ele saber o que realmente esta ensinando,  para que possa contribuir de forma efetiva para o progresso de seu aluno.

Outro ponto importante a ser enfatizado é a da importância da utilização do teste de transferência com fase de retenção para se avaliar os efeitos de aprendizagem relativamente permanentes,  e não apenas os efeitos temporários. Através de estudos realizados por vários autores,  que utilizaram delineamento experimental com fase de retenção encontram resultados contraditórios  em questão da freqüência de feedback extrínseco em termos de performance e aprendizagem motora  (Freqüência relativa (100% e 50%),  pois pode-se dizer  que com uma menor freqüência de FE,  os indivíduos prestam maior atenção a outros aspectos relativos à própria  tarefa e podem neste tempo processar as informações,  ficando assim mais independente das informações contidas no FE. Contudo o indivíduo poderá fazer uso do seu  próprio feedback intrínseco,  formando assim seu padrão de referência interno adequado (mecanismo de detecção e correção de erros).

A aprendizagem deve ser decrescente,  ou seja no início a freqüência relativa é de 100% para direcionar o aprendiz para o objetivo,  sendo diminuída gradativamente,  até que as informações sejam retiradas por completo.

O feedback extrínseco deve ser verbal,  já que o instrutor pode manipular diretamente,  terminal após a finalização da habilidade para não antecipar a informação do aprendiz,  quantitativa pois direciona ao erro e utiliza de medidas de precisão,  atrasado por segundos,  não esquecendo que não deve ser muito longo por motivos de motivação,  e nem muito curto para que o aprendiz possa estar utilizando de  informações sensóriais e deve ser separado pois deve estar relacionado a uma performance só. 

Outro ponto importante a ser estudado diz respeito às  pesquisas realizadas em laboratório,  onde as variáveis são mais controladas,  mas fogem do contexto real em que normalmente ocorre aquisição de habilidades motoras,  sugerimos então a realizações de novas pesquisas de campo,  a fim de que os resultados possam contribuir de forma mais efetiva  nos problemas enfrentados pela prática educacional.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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>__________.  Efeitos da freqüência relativa do feedback extrínseco na aprendizagem de uma habilidade motora simples.    São Paulo,  1988 Dissertação   (mestrado)- Escola de Educação Física,  Universidade de São Paulo. 

>DARIDO,  S. C.   Teoria,  Prática e Reflexão na formação profissional em Educação Física.   Editora Motriz. V.  1,  n.   2,  p.   124 – 127,  1995. 

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>PÚBLIO,  N.   S.  ; TANI G.  ; MANOEL,  E.   de J.   Efeitos da demonstração e instrução verbal na aprendizagem de habilidade motoras da ginástica olímpica.  Revista Paulista de Educação Física.  São Paulo,  v.   9,  n. 2,  p.   111 – 124,  1995. 

RESENDE,  H.   G H V.  ; SEBASTIÃO,  J.    (coords).   Ensaio em Educação Física,  Esporte e Lazer: Tendências e Perspectivas.   In. DARIDO,  Suraya Cristina.  Aprendizagem motora: Algumas característica que dificultam  a relação com a prática.    Rio de Janeiro: SBDEF: UGF,  1994. 

>SCHMIDT,  R.   A.   Aprendizagem e Performance: dos princípios à prática,  Feedback para Aprendizagem de habilidade.   Editora Movimento,  São Paulo 1993. 

>SEVERINO,  A. J.  Metodologia do trabalho científico.   São Paulo,  Cortez,  1996.  

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>TEIXEIRA,  Luiz Augusto: Um aparelho para pesquisa em aprendizagem  motora,  Instrumentação de laboratório. Revista paulista de Educação Física. ,  v.  3,  n.  4,  p.   9-16,  1989. 

______________. Freqüência de conhecimento de resultado na aquisição de habilidades motoras: Efeitos transitórios e de aprendizagem. Revista Paulista de Educação Física.  São Paulo,  v. 7,  n. 2,  p. 8-16,  1993. 

>______________ Estágio de aprendizagem motora e o processo de interação professor-aluno.  Kinesis,  v.   6,  n. 1,  p. 23-42,  1990. 

> 

 

 

___________________________________

1 TRABALHO DE MONOGRAFIA PARA CONCLUSÃO DE CURSO - UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU EM 1998 - SOBRE ORIENTAÇÃO DO PROFESSOR MAURÍCIO CAGNO -   APRESENTADO NO  I CONGRESSO REGIONAL SUDESTE DO " COLÉGIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE - JORNADA PRÉ-CONBRACE - EDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIA DO ESPORTE: INTERVENÇÃO E CONHECIMENTO/ 09 A 11 DE ABRIL DE 1999/FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA/UNICAMP

 

 

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