GT
4 - Educação Física/Esporte e Processo Ensino-Aprendizagem
A
MANIPULAÇÃO DO CONHECIMENTO DE RESULTADO NA AQUISIÇÃO DE HABILIDADES MOTORAS
(ANAIS) 1
Kátia de Araújo - Acadêmica em Educação Física
UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
RESUMO
O
feedback é toda informação sobre a resposta produzida sobre o movimento
durante ou após a execução, e este pode ser divididos em outras duas
classes (feedback intrínseco e extrínseco). Neste trabalho foi estudado os
efeitos da manipulação do feedback extrínseco através de revisão da
literatura, dando ênfase a informação fornecida pelo instrutor de
habilidade (CR). O conhecimento de resultado exerce três funções
principais na aprendizagem, informação, motivação e reforço,
que serão parte integrada no processo ensino aprendizagem, possibilitando
o aprendiz através da prática e das informações contidas no CR formar o padrão
de referência interno adequado. Para tanto é preciso levar em consideração o
estágio em que o aprendiz se encontra, que pode variar do cognitivo até
o autônomo, onde vários
fatores tais como quantidade e qualidade de erros cometidos, consistência
de desempenho, automatização dos componentes da habilidade e capacidade
de detectar e corrigir os próprios erros se alteram. A sub-disciplina
aprendizagem motora, dentro destas considerações é uma área de estudo
preocupada com a investigação dos mecanismos variáveis responsáveis pela
mudança do comportamento motor. Considerando que pessoas podem estar aprendendo
habilidades motoras, é de suma importância que esta aprendizagem seja
otimizada, para que a mesma não seja um processo aleatório de tentativa
e erro.(MAGILL, 1984). Essas são algumas
das preocupações que os estudiosos da área tentam solucionar e melhor
compreender, através de pesquisas com o intuito de auxiliar os
profissionais que ensinam habilidades motoras a planejarem com maior eficiência
e melhores estratégias de ensino e aplicação.
O
homem vem passando por várias transformações
desde sua existência, possibilitando sua evolução para a melhor adaptação
ao meio em que vive. Atualmente, na maior parte do mundo civilizado,
o desenvolvimento da capacidade de mover-se
não representa uma condição tão indispensável à sobrevivência,
entretanto é através do movimento que as pessoas interagem com o meio em que
vive e com as pessoas que vivem ao
seu redor, resolvem seus problemas, e manifestam suas emoções e
pensamentos. Por fim, é através de movimentos que as pessoas
relacionam-se com o mundo.
O
desenvolvimento da capacidade de mover–se de acordo com a demanda do meio
ambiente e assim responder aos desafios crescentes impostos, é chamado de
aquisição de habilidade motora.
Os
pesquisadores da área de aprendizagem motora procuram desvendar como as pessoas
aprendem e através de estudos tentam identificar as variáveis que influenciam
o melhor aproveitamento nas experiências de aprendizagem.
Muitas
pesquisas foram realizadas para analisar a importância da variável no processo
de ensino aprendizagem, e através dos resultados constatou-se que o
feedback extrínseco é uma variável muito importante na aprendizagem,
inferior apenas à prática propriamente dita
Segundo
SCHMIDT (1993), o termo feedback extrínseco significa toda a informação
sobre a resposta produzida que é recebida durante ou após o movimento,
informada por meios artificiais, o autor ainda relata que o feedback extrínseco
é fornecido após o feedback intrínseco, que é o responsável por
realimentar o sistema perceptivo acerca das informações, sobre o
movimento realizado.
O
feedback extrínseco é um tipo de informação que pode tomar muitas formas no
ambiente de aprendizagem capaz de informar o aprendiz sobre o resultado ou eficiência
de um movimento, durante ou após a
sua execução. E esse fator pode ser manipulado pelos profissionais que lidam
com o ensino de habilidades motoras na situação real de prática. Facilitando
o aprendiz através da prática a formar o seu padrão de referência interno,
devido as informações fornecidas pelo instrutor, aos poucos estas
informações são retiradas, para que o aprendiz não fique dependente e
utilize somente de seu feedback intrínseco (MAGILL, 1984).
Embora
pesquisadores como BILODEAU & BILODEAU
(1959), THOENIDKE, (1953) e outros mais recentes como PROENÇA
(1990). TEIXEIRA (1993) , PÚBLIO, GO TANI & MANOEL (1995),
realizaram estudos que comprovassem a importância do conhecimento de resultado
na aquisição de habilidades motoras, faz-se ainda necessário estudos
que complementem a confirmação obtida pelos diversos autores.
A
minha intenção ao escolher este tema, foi fazer deste estudo uma reflexão
perante o real, reflexão essa que possibilite a assimilação crítica do
produzido e assimilação de um conhecimento cuja finalidade contribua para a ação
transformadora do real. É por isto que se torna imprescindível no uso da
aprendizagem, uma produção teórica elaborada no processo histórico,
que já é fruto de uma reflexão nesse mesmo sentido e que desvenda a exploração
e dominação dos estudos pesquisados e o uso de sua metodologia aplicada nessa
dominação.
Este
não é um estudo metodológico acabado mas um ser feito, fazendo,
produto e produtor, cujos agentes, ainda que não totalmente
conscientes, indicam os caminhos a serem percorridos. É por isso
que assumo a possibilidade de trabalhar, pesquisar essas contradições na
especificidade no âmbito da metodologia científica voltada para o aprendizado
no sentido de contribuir em conjunto com o todo social rumo a transformação da
sociedade.
Quando
nos voltamos para qualquer estudo, quer seja prático ou teórico,
temos que ter em mente o quanto cada parte integrará ou estará voltada ao
nosso cotidiano. Para tanto este trabalho tem como objetivo
discutir os efeitos do feedback extrínseco na aprendizagem motora, através
de revisão e análise da literatura referente ao assunto.
2.
DESENVOLVIMENTO
2.1
Aprendizagem Motora
Para
que se possa compreender melhor o termo Aprendizagem Motora algumas definições
serão aqui explicitadas.
Para
FALCÃO (1995), “...a aprendizagem se trata de uma mudança
relativamente duradoura do comportamento, um fenômeno do dia a dia,
que ocorre desde o início de vida, decorrentes de treinos, experiências
e observações”.(p. 18).
MAGILL
(1984), “...a aprendizagem pode ser definidas como uma mudança interna
no indivíduo, inferida de uma melhora de desempenho como resultado da prática”.
(p. 12)
SCHMIDT
(1993), “ ...Durante a aprendizagem ocorre a modificação do
comportamento decorrido de processos associativos dos exercícios ou experiências”.(p.
50)
Tendo
em base os relatos dos autores citados, nota-se que a aprendizagem ocorre
através da prática que ocasiona uma mudança interna no indivíduo, essa
mudança pode envolver os comportamentos cognitivo, afetivo e motor,
quando o mesmo estiver executando uma habilidade ou até mesmo observando. Mas
para se dizer que aprendizagem ocorreu é preciso que haja uma mudança do
comportamento relativamente duradoura.
A
aprendizagem é inferida com bases de medidas de desempenho, e através da
prática as mudanças do desempenho devem ser menos variadas. Pressupõe que
quando um profissional está ensinando uma determinada habilidade motora,
ele queira saber se aquele indivíduo está aprendendo, se houve mudança
no comportamento, e isso será identificado através do desempenho,
e este é um comportamento observável portanto essencial para determinar se
aprendizagem ocorreu ou não. Aprendizagem também é inferida através do teste
de retenção.
2.
2. 1 Estágio de aprendizagem
Durante
a aprendizagem o indivíduo vai passando por modificações que estão
relacionadas com o não saber fazer para o saber fazer durante a aprendizagem de
uma determinada habilidade motora, dentro disso é de grande importância
que o professor através de avaliações da performance, possa avaliar
qual estágio de aprendizagem seu aluno se encontra e depois elaborar
estratégias e técnicas apropriadas para o melhor desempenho do mesmo.
Existem
sistemas de classificação distintos, que enfatizam a mudança de
aspectos diferentes durante a aprendizagem.
Segundo
o modelo de FITTS & POSNER in MAGILL (1984),
os estágios são divididos em cognitivo, associativo e autônomo.
No modelo de ADAMS, estes estágios são divididos em verbal-motor
e motor, e no modelo de GENTILE ela os divide em aquisição da idéia do
movimento e fixação / diversificação.
O
modelo de FITTS & POSNER, in MAGILL
(1984), será discutido dentro deste trabalho
em maior detalhe, pois será base para boa parte da discussão de
conceitos de aprendizagem motora, a serem estudados neste trabalho.
No
cognitivo o aprendiz não sabe o que deve ser feito, os movimentos não
estão automatizados e sua atenção está voltada para o movimento e para os
componentes que compõem a habilidade, ocasionando uma quantidade de erro
muito grande, com grande inconsistência de desempenho. Neste estágio o
indivíduo não consegue detectar e corrigir seu erros, embora saiba que
está errando. Sendo fundamental informações de uma fonte externa sobre a
performance.
Durante
o estágio associativo também há uma preocupação com o movimento, mas
os erros são menos freqüentes e grosseiros, neste estágio algumas
partes do movimento já adquiriram um certo grau de automatização, o
aprendiz está refinando a habilidade, e é capaz de corrigir e detectar
alguns movimentos globais, ficando menos dependente de fontes externas.
Após
muita prática e experiência, o aprendiz entra no estágio autônomo,
tornando a habilidade quase automática, pois o aprendiz consegue executar
a habilidade sem se preocupar com a movimentação da mesma, a sua
preocupação é externa, ou seja, refere-se por exemplo como vai
ultrapassar a marcação de um adversário, ao executar o drible do
basquetebol. Isso por que já desenvolveu um padrão de referência interno,
o qual permite detectar seus erros e corrigi-los. MAGILL (1984), "o
estágio autônomo é resultado de uma quantidade enorme de treinamento e
permite ao indivíduo produzir uma resposta, sem ter que se concentrar no
movimento inteiro. Portanto ele estará livre para dar atenção para outros
aspectos, que lhe permitirão desempenho ótimo". (p. 43)
Sabendo
que o processo de aprendizagem de
habilidades motoras é caracterizado por diferentes estágios e que dentro
destes ocorrem fatores como,
quantidade e qualidade de erros, consistência de desempenho,
capacidade de detectar e corrigir os erros, automatização dos
componentes da habilidade e que estes vão se alterando desde o estágio
cognitivo até o autônomo. “ É importante compreender esses estágios,
uma vez que são parte integrante da determinação das estratégias
instrucionais mais apropriadas, que devem ser usadas ao ensinar
habilidades motoras”. (MAGILL, 1984. p. 44)
2.3
Considerações Sobre Feedback
O
feedback é dividido em duas categorias: Feedback intrínseco e Feedback extrínseco,
segue-se abaixo a explicação de cada termo.
Normalmente
a informação de retroalimentação é captada
e decodificada diretamente pelo executante (feedback intrínseco),
porém existem situações que uma fonte externa torna primordial para captar e
posteriormente transmitir ao aprendiz informações sobre a resposta produzida
(feedback extrínseca), que sejam úteis para a correção e aprendizagem,
(TEIXEIRA, 1993).
Segundo
MAGILL (1984), o
feedback intrínseco é responsável por realimentar o sistema perceptivo acerca
das informações, sobre o movimento realizado, com SCHIMDT (1993), o feedback intrínseco também chamado de
feedback inato, é a informação fornecida como conseqüência natural da
realização de uma ação.
O
feedback extrínseco fornece ao indivíduo informações externas sobre o
resultado do movimento, após este ter executado o mesmo completamente e
tendo estas informações o indivíduo opta em escolher estratégias para serem
utilizadas nas próximas execuções, sendo desta forma escolhido um novo
plano motor para ser executado e novamente avaliado. Para SCHMIGT
(1993), o feedback extrínseco é constituído da informação do
resultado da performance, informada ao indivíduo por meios artificiais,
como a voz do professor que faz correções, um cronômetro, um juiz,
filmes de jogos, videoteipes, o autor ainda conclui que o feedback
extrínseco é fornecido após o intrínseco.
De
acordo com AMMONS (1956 in
ANDREOTTI, 1992), quanto mais específico o FE, mais rápido
a melhora ocorre e um nível mais alto de performance é alcançado. Quanto
maior a precisão com o qual o sujeito sabe como executou, mais apto está
para fazer correções apropriadas.
De
acordo com MAGILL (1984) e SCHMIDT (1993),
o conhecimento de resultado é uma das variáveis mais importante, ela é
a informação que o instrutor proporciona ao aprendiz no seu estágio inicial,
após ou durante a execução, sobre o resultado ou eficiência de um
movimento.
O
CR é uma poderosa informação extrínseca afirma TEIXEIRA (1993), que
esta informação é geralmente mais precisa do que a informação da
retroalimentação intrínseca. Induzindo o aprendiz a orientar e corrigir suas
respostas.
Para
MAGILL, o aprendiz precisa sentir que está melhorando para persistir no
treinamento, com isso o instrutor se torna fonte vital de informação.
Esta informação parece ser o uso principal do CR, servindo para reforçar
uma resposta correta, a corrigir seu erro, e motivá-lo a persistir
nas tentativas.
TEIXEIRA
(1990), “...o professor é uma importante fonte de CR para o aprendiz,
auxiliando-o não apenas na detecção de erros mas também na decisão de quais
modificações introduzir na próxima resposta, para que o resultado real
aproxime-se cada vez mais do resultado pretendido, até que a diferença
seja nula“(p. 36)
Na
situação de aprendizagem de habilidades motoras, é necessário que a
informação sobre a resposta seja fornecida de modo que auxilie o aprendiz a
realizar ajustes antes de novamente executar o movimento. Segundo MAGILL (1984),
o feedback extrínseco atua como sendo uma fonte primária de informação que
deve ser usada para correção de erros de desempenho cometidos durante a execução
de uma dada habilidade.
Para
que ocorra aprendizagem, o sujeito precisa usar a informação de feedback
para produzir a próxima resposta diferentemente da anterior, ou melhor
necessita utilizar o traço perceptivo em relação ao feedback ajustando a
resposta em conformidade na próxima tentativa.
Sabendo
que informações auxiliam na aprendizagem, é preciso que o instrutor
saiba quando e quanto de informações deve ser fornecida ao aprendiz.
De
acordo com MAGILL (1984), o feedback extrínseco deve ser suficientemente
preciso para que o aprendiz dele se beneficie, mas não tão preciso a
ponto de confundi-lo.
A
velocidade na apresentação de informação é outro fator que denota a ineficiência
na aprendizagem, isso porque o aprendiz não consegue assimilar muitas
informações, devido a quantidade de incertezas que contém a
mensagem.
No
entanto o professor pode estruturar uma seqüência de tarefas, antes de
chegar a situações mais complexas, de forma que a complexidade seja
graduada progressivamente. Para tanto é necessário que o professor
detecte o estágio que o aluno dele se encontra e então selecionar
tarefas que não fique aquém de suas reais potencialidades, pois se isso
ocorrer acarretara na ineficiência do processo
ensino-aprendizagem e falta de motivação
dos alunos (TEIXEIRA, 1990)
Quando
o executante recebe informações com freqüência, ele obtém maior
eficiência considerando a relação entre a quantidade de tentativas de
prática e o nível de desempenho imediato, conseguindo atingir um estado
de estabilização com menor número de tentativas em relação a um executante
praticando com freqüência menor de CR. Apesar desta diferença o grupo que
recebeu menos quantidade de CR, terá melhor desempenho na fase de retenção
pois o mesmo pode estar processando as informações no período que não
recebeu o CR. Além disso o grupo que recebeu CR com freqüência pode
possivelmente ficar dependente de CR e este quando retirado causará dependência
por parte do aprendiz, por que não terá
armazenado as informações, contudo terá dificuldade em utilizar as
informações da retroalimentação (SCHIMIDT, 1988).
Alguns
experimentadores têm falhado em não reconhecer a importância dos possíveis
efeitos temporários ou passageiros
de performance. Efeitos temporários é relativo por exemplo à função
motivacional do feedback extrínseco, pode-se dizer que quando FE está
presente, os sujeitos tendem
a se sentir mais motivados e interessados pela tarefa, persistindo por
mais tempo, tal função pode ser vista como fenômeno temporário,
então o sujeito sente-se motivado quando lhe é fornecido o FE, porém
quando o mesmo for retirado pode levar a performance a se deteriorar rapidamente (SCHMIDT, 1988 in
ANDREOTTI, 1992).
2.4
Pesquisa Experimental
As
pesquisas realizadas em aprendizagem motora são muitas vezes realizadas em
laboratórios, pois as variáveis podem
ser mais controladas (SCHMIDT, 1993).
TEIXEIRA
(1989) e DARIDO (1994), concordam que os estudos feitos em laboratórios
pode-se controlar com mais eficiência as variáveis, embora se distancie
do contexto real, pois são realizadas em situações artificiais,
ocorrendo uma distância do que acontece nas condições em que normalmente
ocorre a aquisição de habilidades motoras.
TEIXEIRA
(1989), em seu trabalho sugere que “...condições experimentais de
aprendizagem se distancie dos extremos de artificialidade e naturalidade,
e se coloque num ponto mais próximo ao intermediário... ”
(p. 12).
2.5
O que as pesquisas revelam
Um
estudo considerado clássico para demonstrar a importância do CR na
aprendizagem, foi realizado por BILODEAU
& BILODEAU e SCHUMKY (1959, citado em MAGILL, 1984), onde
o intuito do mesmo foi provar a
importância do CR na aprendizagem, e que privar o aprendiz do CR poderia
acusar diferentes níveis de melhoria.
BILODEAU
& BILODEAU (1958 apud TEIXEIRA
1993), investigaram também a freqüência absoluta e relativa da
aprendizagem, e constataram através
dos resultados deste estudo que as tentativas sem CR não tiveram importância,
e assim, somente a freqüência relativa de 100% seria importante para a
aprendizagem.
Segundo
CHIVIACOWAKY & GO TANI (1993), relatam que trabalhos como o de
BILODEAU & BILODEAU (1958), têm sido criticados por não utilizarem
um delineamento de transferência ou teste de retenção para separar
os efeitos passageiros de “ performance “
(fase de aquisição) dos
efeitos mais permanentes e aprendizagem (fase de transferência).
Estudos
como os de BAIRD & HUGHES
(1972), HO & SHEA (1978), (citado em CHIVIACOWSKY & TANI
(1993), utilizaram de um delineamento similar com o de BILODEAU &
BILODEAU (1958), mas
utilizaram teste transferência. Os
resultados mostraram que os grupos que tiveram
freqüência relativa menor de CR, obtiveram melhor performance ou
seja mais precisa, contrariando os estudos anteriores realizados por
BILODEAU & BILODEAU (1958), quando afirmam que as tentativas sem CR são
insignificantes, ou seja quanto
maior a freqüência relativa maior seria a aprendizagem, outros mais
recentes como PROENÇA (1990); CASTRO (1990) e TEIXEIRA (1993), confirmam
que as freqüências menores que 100% são melhores para a aprendizagem,
para que o aprendiz possa durante as tentativas em branco, processar as
informações anteriores, para formular um novo plano motor, baseado
nas informações do instrutor e à proprioceptivas.
3.
METODOLOGIA
Para
a realização deste trabalho foi realizado uma pesquisa de revisão bibliográficas,
que contou com análise textual, análise temática, análise
interpretativa, discussão e síntese (SEVERINO, 1996).
4.CONCLUSÃO
Ao
relatar sobre os efeitos da manipulação do feedback extrínseco é preciso
ressaltar alguns pontos principais a partir desta revisão. Primeiramente
preciso ressaltar que o feedback extrínseco é uma variável cujas as funções
principais na aprendizagem, informação, motivação e reforço,
devam estar presente no processo de ensino aprendizagem, e através da análise
do estágio e um que o aprendiz se encontra, o profissional poderá
transmitir as informações adequadas. O instrutor de habilidade deve
conhecer a habilidade por um todo, para poder colher informações acerca
de erros que poderão ser cometidos pelo aprendiz, estando ele no seu estágio
inicial de aprendizagem, isso porque a variável FE pode ser manipulado
diretamente pelo instrutor, então cabe a ele saber o que realmente esta
ensinando, para que possa contribuir de forma efetiva para o progresso de
seu aluno.
Outro
ponto importante a ser enfatizado é a da importância da utilização do teste
de transferência com fase de retenção para se avaliar os efeitos de
aprendizagem relativamente permanentes, e não apenas os efeitos temporários.
Através de estudos realizados por vários autores, que utilizaram
delineamento experimental com fase de retenção encontram resultados contraditórios
em questão da freqüência de feedback extrínseco em termos de
performance e aprendizagem motora (Freqüência
relativa (100% e 50%), pois pode-se dizer
que com uma menor freqüência de FE, os indivíduos prestam maior
atenção a outros aspectos relativos à própria
tarefa e podem neste tempo processar as informações, ficando
assim mais independente das informações contidas no FE. Contudo o indivíduo
poderá fazer uso do seu próprio
feedback intrínseco, formando assim seu padrão de referência interno
adequado (mecanismo de detecção e correção de erros).
A
aprendizagem deve ser decrescente, ou seja no início a freqüência
relativa é de 100% para direcionar o aprendiz para o objetivo, sendo
diminuída gradativamente, até que as informações sejam retiradas por
completo.
O
feedback extrínseco deve ser verbal, já que o instrutor pode manipular
diretamente, terminal após a finalização da habilidade para não
antecipar a informação do aprendiz, quantitativa pois direciona ao erro
e utiliza de medidas de precisão, atrasado por segundos, não
esquecendo que não deve ser muito longo por motivos de motivação, e nem
muito curto para que o aprendiz possa estar utilizando de
informações sensóriais e deve ser separado pois deve estar relacionado
a uma performance só.
Outro
ponto importante a ser estudado diz respeito às
pesquisas realizadas em laboratório, onde as variáveis são mais
controladas, mas fogem do contexto real em que normalmente ocorre aquisição
de habilidades motoras, sugerimos então a realizações de novas
pesquisas de campo, a fim de que os resultados possam contribuir de forma
mais efetiva nos problemas
enfrentados pela prática educacional.
>ANDRADE,
Alexandro. Teoria e Prática da aprendizagem motora em Educação Física
Revista Brasileira de Ciência do Esporte, v.
13, n. 3,
p. 327-333, dez. 1992.
>ANDREOTTI,
C.. M. Feedback extrínseco na aquisição de habilidades motoras: Efeitos de
performance e de aprendizagem. SãoPaulo, 1992.
37p. Monografia-Escola
de Educação Física, Universidade de São Paulo.
>CASTRO, I.
J. Efeitos da freqüência relativa do feedback
extrínseco na aprendizagem de uma habilidade motora discreta simples. Revista
Paulista de Educação Física, v.
4, n. 1/2, p.
108, 1990.
>__________. Efeitos
da freqüência relativa do feedback extrínseco na aprendizagem de uma
habilidade motora simples.
São Paulo, 1988 Dissertação
(mestrado)- Escola de Educação Física, Universidade de São
Paulo.
>DARIDO, S.
C. Teoria, Prática e Reflexão na formação
profissional em Educação Física.
Editora Motriz. V. 1,
n. 2, p. 124 – 127, 1995.
>FALCÃO, G. M. Psicologia
da aprendizagem. 8º ed.
São Paulo Editora Ática, 1995.
>JESUS, J. F. O efeito do Feedback extrínseco fornecido através do
Videoteipe na aprendizagem de uma habilidade motora do voleibol.
Revista Paulista de Educação Física, v.
4, n. ½, p.
85, 1990.
>MAGILL, R. A. Aprendizagem
Motora: Conceitos e aplicações.
São Paulo, Edgard Blücher, 1984.
>PROENÇA, J. E. Efeitos da variação temporal do conhecimento de
resultado na aprendizagem de uma habilidade motora discreta simples.
Revista Paulista de Educação Física. , v. 4, n. ½,
p. 120-121, 1990.
>PÚBLIO, N. S. ; TANI
G. ; MANOEL, E. de J. Efeitos
da demonstração e instrução verbal na aprendizagem de habilidade motoras da
ginástica olímpica.
Revista Paulista de Educação Física.
São Paulo, v. 9, n. 2, p.
111 – 124, 1995.
RESENDE, H. G H V. ;
SEBASTIÃO, J. (coords).
Ensaio em Educação Física, Esporte e Lazer: Tendências e
Perspectivas.
In. DARIDO, Suraya Cristina.
Aprendizagem motora: Algumas característica que dificultam
a relação com a prática.
Rio de Janeiro: SBDEF: UGF, 1994.
>SCHMIDT, R. A. Aprendizagem
e Performance: dos princípios à prática, Feedback para Aprendizagem
de habilidade. Editora
Movimento, São Paulo 1993.
>SEVERINO, A.
J. Metodologia do trabalho científico.
São Paulo, Cortez, 1996.
>TANI, G. ; CHIVIACOWSKY, S. Efeitos da freqüência do
conhecimento de resultado na aprendizagem de uma habilidade motora em crianças.
Revista Paulista de Educação Física, v.
7, n. 1,
p. 45 – 57, 1993.
> TANI. G.
Significado, detecção e correção do erro de performance no
processo ensino – aprendizagem de habilidades motoras.
Revista Brasileira de Ciência e Movimento,
v. 3, n.
4, p. 50-57,
1989.
>TEIXEIRA,
Luiz Augusto: Um aparelho para pesquisa em aprendizagem
motora, Instrumentação de laboratório. Revista paulista de
Educação Física. , v. 3,
n. 4, p.
9-16, 1989.
______________.
Freqüência de conhecimento de resultado na aquisição de habilidades motoras:
Efeitos transitórios e de aprendizagem. Revista Paulista de Educação Física.
São Paulo, v. 7, n. 2, p. 8-16, 1993.
>______________ Estágio
de aprendizagem motora e o processo de interação professor-aluno. Kinesis, v.
6, n. 1, p. 23-42, 1990.
>
___________________________________
1 TRABALHO DE MONOGRAFIA PARA CONCLUSÃO DE CURSO - UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU EM 1998 - SOBRE ORIENTAÇÃO DO PROFESSOR MAURÍCIO CAGNO - APRESENTADO NO I CONGRESSO REGIONAL SUDESTE DO " COLÉGIO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE - JORNADA PRÉ-CONBRACE - EDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIA DO ESPORTE: INTERVENÇÃO E CONHECIMENTO/ 09 A 11 DE ABRIL DE 1999/FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA/UNICAMP