O nome samurai é
associado no ocidente à imagem do guerreiro,
do lutador, mas pouca gente sabe que foi a
classe dominante no Japão no seu período de
maior calmaria social e que os verdadeiros
samurais cultivava a busca do equilíbrio
entre o caminho da espada e da pena.
Pelo caminho da
espada se entenda: a habilidade na esgrima
propriamente dita como também habilidade em
todos tipos de armas e o entendimento das
estratégias de combate, que era o que mais
freqüentemente decidia o resultado da
batalha; e pelo caminho da pena, que nenhum
samurai verdadeiro se descuidava.
O curioso é que o
ocidente mitifica o oriente (decerto para
torná-lo apenas admirável e não alcançável)
e o samurai, de administrador sagaz e lutador
completo é transformado aos olhos nossos em
soldado fiel e truculento, imagem que nem de
longe faz juz às suas (muitas) habilidades não
combativas que dominava por força de sua própria
formação.
Os japoneses crescem
aprendendo que são um povo especial, amando
a terra em que nasceram e aprendendo desde
cedo a importância da introspecção, uma
defesa clara contra o choque psicológico de
morar em ilhas superpovoadas assolada por
tempestades e terremotos constantes, os
samurais não fugiam desta regra, antes, por
fazerem parte da classe dominante e, pelo
menos inicialmente não tendo as
responsabilidades do poder propriamente dito,
ajuntavam a este sentimento uma erudição de
monta.
Sob forte influência
das religiões (Budismo zen, Xintoísmo e
Confuncionismo) que proliferavam no Japão de
então, eles criaram seu código de honra e
viviam por ele: o Bushido, que literalmente
se traduz por "Caminho do Guerreiro"
e surgiu no Japão entre as eras Heian e
Tokugawa (séculos IX-XII).
"Não tenho pais, faço do Céu e da
Terra meus pais;
Não tenho lar, faço do saika tanden meu
lar;
Não tenho poder divino, faço da honestidade
meu poder;
Não tenho meios, faço da docilidade meus
meios;
Não tenho poder mágico, faço da
personalidade minha magia;
Não tenho vida nem morte, faço do eterno
minha vida e minha morte;
Não tenho corpo, faço da força meu corpo;
Não tenho olhos, faço do relâmpago meus
olhos;
Não tenho ouvidos, faço da sensibilidade
meus ouvidos;
Não tenho membros, faço da prontidão meus
membros;
Não tenho leis, faço da auto-proteção
minha lei;
Não tenho estratégias, faço da liberdade
de matar e ressuscitar minha estratégia;
Não tenho forma, faço da astúcia minha
forma;
Não tenho milagres, faço da justiça meus
milagres;
Não tenho princípios, faço da
adaptabilidade meu princípio;
Não tenho táticas, faço da rapidez minha tática;
Não tenho amigos, faço da minha mente meu
amigo;
Não tenho inimigos, faço da imprudência
meu inimigo;
Não tenho armadura, faço da benevolência e
da retidão minha armadura;
Não tenho castelo, faço da mente inamovível
meu castelo;
Não tenho espada, faço do sonho de minha
mente minha espada."
Os samurais não
tinham medo da morte e a noção de
honra inspirava-os uma lealdade como se viu
poucas vezes na história. Quando um samurai
perdia o seu Daymio (título do senhor
feudal, chefe de um distrito) ele se tornava
um RONIN, o que era um problema, pois não
conseguindo ser contratado por outro e não
tendo quem provesse o seu sustento, freqüentemente
tinha que vender sua espada ou para poder
sobreviver ou se entregar ao banditismo.
O ocaso dos
samurais iniciou quando as táticas de
guerra incluiram as armas de fogo, o que
exigia maior número de soldados que a
qualidade destes soldados, e a honra e a
habilidade pessoal de combate perderam espaço
para o volume,mas o valor destes guerreiros não
se perdeu, pois mesmo depois de serem
extintos oficialmente seu espírito
permaneceu e norteou a reconstrução do país
quando foi desmantelado após a Segunda
Guerra mundial...