O povo brasileiro começa voltar toda a sua atenção para as eleições de outubro.
Mas, seguramente, poucos brasileiros tem noção dos interesses que estão em desputa.
Recentemente, o governo sancionou uma lei para o esporte. A chamada lei Pelé, cujo
processo político-legislativo foi feito a "toque de caixa. Houve uma negociação
entre os dirigentes políticos e o projeto foi aprovado com algumas modificações
subastanciais do que foi encaminhada pelo Ministro Pelé. Este projeto teve como objetivo
básico regulamentar questões do futebol, como a lei do passe e o jogo do bingo.
Os interesses em disputa eram muito claros. Entretanto, o que a sociedade, como um todo,
esperava do Ministro Pelé, do governo FHC e do Congresso era uma legislação que
normatizasse as relações do mercado esportivo brasileiro em toda a sua dimenção.
Mercado esse que conta com a participação cotidiana de milhões de brasileiros, mas que
não tem força político-organizacional para mobilizar-se a pressionar o governo e o
Congresso a tomar atitudes gerenciais que permitam seu desenvolvimento. É sabido que o
mercado do esporte, do lazer e do entretenimento tende a apresentar crescimento
vertiginoso nos próximos anos, que poderá gerar empregos e distribuir renda, minimizando
as desigualdades sociais e a crise que assola a todas as economias, principalmente as dos
países emergentes.
Todavia, a estratégia de marketing político adotada pelo Ministro Pelé e seus aliados
foi muito estreita, pois beneficiou apenas o ministro e a seu grupo, embora o ministro
tivesse como missão defender o esporte como um todo e não apenas um segmento específico
do futebol. O Brasil perdeu uma grande opurtunidade histórica de aprimorar a Lei Zico,
que foi uma lei liberalizadora em muitos sentidos, pois viabilizou a prática e a
organização esportiva para todos, independentemente dos poderes imperiais das
federações e confederações. Contudo, apesar dos avanços liberalizadores não
conseguiu regulamentar várias pendências e nem canalizar institucionalmente recursos
para desenvolver o mercado esportivo como um todo.
Essa missão caberia ao "rei, que sempre preconizou uma política social voltada para
as criancinhas, para os desfavorecidos. Mas, na prática, lutou apenas por interesses
comerciais específicos. O Brasil, com a nova Lei Pelé avançou muito pouco. Apenas
trouxe a atenção dos dirigentes para a lei do passe e para o bingo.
Esqueceu de considerar o esporte amador como um todo. Deixou de criar condições
concretas para a capacitação profissional dos agentes sociais que atuam
amadoristicamente num dos mercados mais promissores e que, seguramente, poderia alavancar
a economia brasileira a novos patamares de desenvolvimento.
Em relação às artes marciais especificamente, tanto diz a Lei Zico como a Lei Pelé
simplesmente ignoram os interesses e nas necessidades do setor marcial. Setor que
mobiliza, direta e indiretamente, alguns milhões de brasileiros, mas que vivem à margem
da economia, no sentido da produção formal. Apesar de todo potencial, é mais um setor
de consumo de produtos e serviços, que produz eventos e gera novas atividades vinculadas
ao turismo, ao lazer e ao entretenimento e que pode gerar empregos, renda e contribuir
para que o Brasil saia deste marasmo.
No entanto, o setor, além de desorganizado enquanto estrutura política, não é
merecedor de nenhuma atenção oficial, ao contrário, geralmente é encarado com
desconfiança e preconceito, apesar de ter muita aceitação social.
A atividade social dos profissionais de artes marciais é das mais relevantes, porque
investe na formação do homem, na consolidação de um caráter combativo e resistente.
Desenvolve a autoconfiança e a solidariedade. Valores que o mundo da globalização e a
cultura neoliberal tanto carecem. O processo de globalização tem induzido as pessoas a
uma competitividade individualista exagerada.
As artes marciais podem contribuir muito para minimizar esses problemas sociais, pois a
ética marcial é soledária e participativa, valoriza o trabalho em equipe para o
crescimento individual.
Emfim, na prática, os professores de artes marciais, BEM QUALIFICADOS, são parceiros dos
pais na complementação da educação de seus filhos e, como técnicos, tambem BEM
QUALIFICADOS, formam campeões, divulgam nosso país, nossa cultura e contribuem para a
inserção de brasileiros numa nova sociedade que vem se formando com rapidez e que requer
atitudes proativas e corajosas, valores esses, igualmente, próprios das artes marciais.
Seria de muito bom alvitre que os formuladores de programas de governo de todos os
candidatos ouvissem as licenças marciais com o mesmo interesse que os candidatos pedem
votos para se elegerem. Nós queremos participar tambem.