Os kata são seqüências predeterminadas
de movimentos que foram criadas com o fim de
se preservar certas técnicas sem o concurso
da palavra escrita.
São a alma do karate-do,
por permitir ao seu praticante o contato com
técnicas ancestrais e dar a ele uma visão
da tradição que existe na arte.
Os iniciantes da arte
aprendem desde cedo que o kata é uma luta
imaginária contra 2 ou mais adversários,
mas não imaginam que a coluna dorsal da arte
está fundamentada neles.
Muitos professores podem não
ter sido informados, mas na mais pura tradição
do karate, as aulas eram todas fundamentadas
na repetição dos movimentos dos kata
sozinho ou com adversário (bunkai) e, junto
com os exercícios físicos, isto era o
treino do karate.
Chato? Não sei, mas foi
esta a escola dos grandes mestres que venciam
as lutas a que eram expostos tanto em
combates reais como nas lutas da vida, e, tal
era a mentalidade que a maioria dos karatecas
sabia, no máximo, 3 katas, pois se entendia
que saber e fazer eram uma coisa só...
Certamente que nenhum
destes Grandes Mestres iniciara os seus
treinamentos porque o pai quis, porque
era moda ou porque queriam bater em alguém,
todos foram selecionados e sua vontade foi
colocada à prova duramente para que
provassem que realmente queriam trilhar o
caminho das mãos vazias.
Quem já treinou
exaustivamente uma técnica sabe que o
desafio é mais espiritual que físico:
quando o corpo cansa ele simplesmente relaxa
e os movimentos não saem com a mesma força
e velocidade, mas ele obedece a ordem e é na
determinação em continuar fazendo que
reside o maior desafio.
Os movimentos
executados dão força e resistência ao
corpo, mas só quando se enfrenta o desânimo
é que se fortalece a mente, se cria a
disciplina e se pode conseguir algum benefício
real da prática.