A prática, muito comum entre levantadores de peso e fisioculturistas, de consumir
proteínas sob a forma líquida, de pós ou pílulas "pré-digeridas"
(quimicamente) a aminoácidos simples em laboratório, constitui uma perda de tempo e
dinheiro, podendo na realidade ser contraproducente quanto aos resultados esperados. Os
vendedores defendem que a molécula de aminoácido simples é mais facilmente digerida
pelo organismo e que de alguma forma mágica torna-se rapidamente útil para facilitar o
crescimento muscular esperado, trazido pelo treinamento. Mas o que acontece é exatamente
o contrário. As proteínas da dieta são absorvidas pelo organismo quando fazem parte de
moléculas complexas de di ou tripeptídeos (componentes dos alimentos que ingerimos). O
trato intestinal está mais apto a absorver proteínas sob a forma mais complexa, enquanto
que os produtos artificiais com aminoácidos levam água aos intestinos, podendo este
processo causar irritação, dores e diarréia. Além disso, o consumo destes chamados
"aminoácidos purificados" não é forma de se adquirir massa muscular.
A massa muscular não aumenta através da simples ingestão de alimentos com alto teor
proteico. As calorias adicionais sob a forma de proteínas são utilizadas para energia ou
são convertidas em lipídeo e armazenadas nos depósitos subcutâneos. Uma pessoa pode
perfeitamente tornar-se obesa através da ingestão exagerada de proteínas. Além do
mais, o consumo excessivo de proteínas pode ser prejudicial ao organismo, pois o
metabolismo de grandes quantidades deste nutriente pode dar lugar a uma desordenada
sobrecarga às funções hepáticas e renais. Qualquer forma de suplementaçãp alimentar
deve ser prescrita pelo medico ou nutricionista, para proporcionar segurança em seu uso.
Fonte: Katch, Frank I e McArdle, William D. - Nutrição, Controle de Peso e Exercício,
Medsi Editora, 1990