A TÁRTARA HUMILHADA


PERSONAGENS

1) PATRICK BOUCHER – Filho adotivo do ourives parisiense Guillaume Boucher. Ambos vivem há muitos anos em Karakorum, que, até 1267, foi a capital do Império Mongol, porém Kublai Khan, neto de Genghis Khan que reinou na China de 1260 a 1294, decidiu transferir a capital do Império para Khanbalik, que corresponde à atual Pequim. O jovem Patrick era, na verdade, um agente dos Cavaleiros Templários e fora encarregado de vigiar de perto Marai-Khatun, hábil guerreira e muito voluntariosa.

2) MARAI-KHATUN – Sobrinha de uma das esposas de Mangu Khan ou Mongka, eleito Grande Khan em 1251. Jovem de apenas 17 anos, é muito bonita, ambiciosa e completamente sem escrúpulos. Logo no início, quando vê Patrick Boucher pela primeira vez, se sente atraída por ele.

3) RICHARD CHASE – Valoroso e impetuoso cavaleiro inglês, aliado de Patrick.

4) CONRAD HEFNER – Jovem cavaleiro austríaco, amigo de Patrick e Richard.

5) ANDREAS, O HOSPITALÁRIO – Experiente e sábio cavaleiro austríaco, fiel amigo de Patrick, que fez dele seu confidente.

6) GENERAL QUTUZ – Comandante de mil homens e bravo guerreiro, é tio de Marai-Khatun.

7) BOLYA – Esposa de Mangu Khan, tia de Marai-Khatun e irmã mais velha de Qutuz.

8) PAQUETTE – Nativa de Metz que vive em Karakorum, foi a primeira namorada de Patrick Boucher.


O que vou agora lhes contar é a história de uma jovem aluna tártara que ousou o caminho de seu experiente professor francês Patrick Boucher cruzar, porém ele a porta com toda a força lhe fechou e não a deixou ultrapassar. Patrick dava socos e pontapés, sem cerimônia, na cara de mongol. Por tamanha bravura e, principalmente, por combater criaturas das trevas, foi apelidado de “Caçador do Sol”.

O que vou a seguir lhes relatar é o duelo entre dois predadores vorazes: uma serpente píton e um lagarto monitor, que são estrategistas bastante sagazes, cada um, à sua maneira, feito para matar.

X X X

Enquanto se apagava a estrela de Saladino, surgia uma outra, se cumpria, assim, o destino. Em 1196, foi aclamado senhor de todos os mongóis Temudjin. Eleito Imperador em 1206, logo percebeu que sua ambição não tinha fim. Dizem que seu verdadeiro nome significava “ferreiro”; já na adolescência, se tornou um temível guerreiro. Seu pai, que se chamava Yesugai, matou um chefe tártaro. A fim de vingar seu líder assassinado, foi então por essa tribo envenenado.

Genghis Khan queria todo o mundo conquistar, a segurança dos outros povos abalar. Muito cedo, disse a que veio. Sua crueldade não possuía freio. Os nômades, há muito tempo, a sedentária China desejavam subjugar e todas as suas riquezas pilhar. Em 1215, a China do Norte, que era pelos kin dominada, pelo exército de Genghis Khan foi finalmente conquistada. Quanto à China do Sul, se tornou da dinastia Song o último reduto, mas o Senhor dos Tronos e das Coroas, não conformado, sentenciou que ela tinha que ser conquistada por seus descendentes. Kublai Khan, em 1279, fundou a dinastia Yuan e, como seu avô, era um governante bastante resoluto.

Ainda não completamente satisfeito, Genghis Khan aos turcos kwarezmianos se dirigiu e, assim, o mundo muçulmano invadiu. Com o pretexto de o assassinato de seus embaixadores vingar, prometeu o Império Kwarezm saquear. Nem gatos e cachorros sobraram. Os guerreiros mongóis toda a população massacraram.

Posteriormente, pela localização, na Rússia entrou e mais uma vitória dos hábeis mongóis se concretizou.

Em 18 de agosto de 1227, Genghis Khan, já idoso, durante uma caçada, em conseqüência de uma queda de cavalo morreu, mas vocês pensam que isso foi um grande alívio? Pois vou lhes contar então o que após a morte do Conquistador exatamente ocorreu. A propósito, o Império Mongol na cidade de Karakorum nasceu.

Karakorum, em mongol, “areias negras” quer dizer. O terceiro filho de Genghis Khan, Ogodai, foi eleito o seu sucessor através de um kuriltai e fez a cidade florescer. Bem diferente do que acontecia no Ocidente, o primogênito o trono não herdava. Sempre que o líder falecia, em qualquer circunstância os mongóis tudo paravam e, então, uma grande assembléia se realizava. Tendo já conquistado parte da China e o mundo muçulmano, agora os mongóis pretendiam invadir o Ocidente cristão e romano. De fato, às portas de Viena chegaram e os europeus muito sobressaltados ficaram. Embora tivessem os ocidentais ameaçado, estes aliviados respiraram porque Ogodai foi morrer no momento errado. O terceiro filho de Genghis Khan e seu sucessor, na verdade, vivia embriagado.

Embora com os mongóis apavorados, os cristãos queriam fazer com eles uma aliança, imaginando que veriam, assim, os muçulmanos subjugados. Para os europeus, essa era a sua única esperança, mas, no fundo, jamais deixaram de se olhar com bastante estranhamento e desconfiança.


KARAKORUM, 1254


Com o objetivo de com os mongóis uma aliança estabelecer, os ocidentais para Karakorum enviaram comerciantes, embaixadores e, principalmente, missionários. A cidade idealizada por Genghis Khan começou, cada vez mais, em importância crescer. Um dos ocidentais que vivia em Karakorum era o ourives parisiense Guillaume Boucher. Este tinha um filho adotivo, Patrick, que aos mongóis nem um pouco temia. Os filhos do Lobo Malhado e da Corça Branca, em breve tempo, perceberam a grande ameaça que, em seu meio, surgia.


NA YURT DE UM DOS GENERAIS


Bolya: Caro irmão Qutuz, comandante de mil homens, você pode os nossos maiores inimigos descrever?

Qutuz: Naturalmente. Eles se dizem cristãos e contra os sarracenos sempre se puseram a combater. O outrora rei franco Carlos Magno fez o mundo árabe com sua coragem estremecer. Nós ouvimos falar que, em Karakorum, habita um certo inglês chamado Richard.

Bolya: “Coração de Leão” como o seu antigo soberano? Aquele que enfrentou Saladino em combate mano a mano?

Qutuz: Bem, “Leão” todos nós sabemos que ele é com certeza, pois esse sim foi talhado para guerrear! Mas acaba fazendo do extremo arrojo a sua maior fraqueza. Sabemos que o jovem Conrad Hefner também há muitos anos vive na cidade. Este guerreiro é, numa luta, muito valente, porém não é assim tão inteligente.

Bolya: Qual dos ocidentais deveremos então mais de perto vigiar?

Qutuz: Com esse, realmente, precisamos mais nos preocupar. Seu nome é Patrick Boucher e ele diz bem claro a nós não temer. Sua grande ousadia acabou transformando o outrora aluno aplicado num astucioso professor. Dele, estrategicamente, devemos, de fato, nos defender, pois tem muita fé em seu Senhor e, por isso, luta com ardor. Eu já ouvi, nas ruas, desse tal Patrick falar. Dizem que ele frequentemente desfere socos e pontapés sem a menor cerimônia na cara de mongol e foi até apelidado pelos ocidentais de “Caçador do Sol”. É melhor com esse jovem cuidado tomar!

Bolya: Acho que já sei como devo o filho do ourives parisiense Guillaume deter! Pelas mãos de uma mulher ele vai perecer! Mandem chamar Marai-Khatun à minha presença imediatamente! Digam-lhe que a quero em minha yurt urgente!


ALGUNS MINUTOS DEPOIS...


Bolya: Estimada sobrinha Marai, temos para você uma missão muito importante. Serei direta: use todo o seu poder feminino para seduzir Patrick Boucher!

Marai-Khatun: Tia Bolya, por acaso a senhora está falando daquele baixinho arrogante que se destaca dos demais europeus em batalha por sua bravura impressionante? Já andei com ele antes numa praça cruzando, mas acabou nem a minha presença notando! Talvez estivesse com seus amigos algo contra nós tramando! Aliás, acho que Patrick vive o tempo todo pensando e frequentemente nos observando! Entre os seus companheiros, pude perceber que era o único que não estava embriagado.

Bolya: Ele compensa a sua pouca altura com um raciocínio bastante adiantado.

Marai-Khatun: Será que ultrapassá-lo conseguirei? Essa meta alcançada algum dia terei?

Bolya: Nós, mongóis, somos invencíveis! Derrubamos quase todas as barreiras que, antes de Genghis Khan, eram instransponíveis! Querida sobrinha, já percebi que Patrick Boucher muito a fascina! Você ainda nem o conhece pessoalmente, menina! Ele não se destaca exatamente por sua beleza! A propósito, você já está há muito tempo prometida a seu primo Bekter. Esqueça esse francês! Trate de usar a sua esperteza!


NO CENTRO DA CIDADE...


Enquanto sozinho pela cidade caminhava, Patrick logo percebeu que alguém de longe o observava. Na verdade, de um enorme salteador se tratava. Ameaçou-o com um grande punhal, contudo o jovem francês demonstrou uma bravura fenomenal, segurando o seu braço com força total.

Salteador: Amaldiçoado anão! Entregue-me todos os seus pertences de valor ou morrerá!

Patrick: Acha que, por ser fisicamente mais forte do que eu, irei o seu trabalho facilitar? Pois jamais irá, em hipótese alguma, me ultrapassar!

Patrick finalmente desarmou o salteador, mostrando a sua astúcia de professor. Um pontapé girado no rosto com toda a força lhe desferiu e ele estendido no chão caiu. Enquanto eles lutavam, uma grande multidão em torno dos dois se reuniu. Entre eles, a jovem Marai e seu primo Bekter estavam a tudo assistindo. Richard e Conrad, os amigos de Patrick, estavam da confusão na praça rindo.

Richard: Acho que esse homem não sabia exatamente com quem estava se metendo!

Conrad: Você tem razão, inglês! Quando Patrick acaba com alguém de verdade se enfurecendo...

Richard: Eu, a quem muitos chamam de “Leão”, do baixinho sairia correndo!

Conrad: O nosso líder nos ordenou que nos juntássemos a ele sem demora. É melhor irmos o quanto antes daqui embora!

Após o incidente, a grande multidão se afastou e tudo ao normal novamente retornou. Marai-Khatun cada vez mais com Patrick fascinada ficou, para o desespero de Bekter, que de nada disso gostou. No caminho, enciumado e, ao mesmo tempo muito intrigado, lhe perguntou:

Bekter: Prima, o que nesse homem você viu afinal?

Marai-Khatun: Quer que eu seja sincera? Ele pode não ser bonito, mas é um guerreiro cerebral! Isso faz de Patrick Boucher uma pessoa especial!

Bekter: Lembre-se de que o nosso casamento está para o quanto antes se consumar. Terá que com o seu destino se conformar!

Por um momento, a jovem pensou em com Bekter se atracar, mas dessa vez conseguiu a sua fúria tártara controlar. De cabeça baixa, à sua yurt voltou e a respeito de diversas coisas a pensar começou. Na manhã seguinte, cedo acordou e a sua bela yurt temporariamente deixou. Estava imaginando como iria Patrick abordar para um encontro proposital forjar. Ela viu o francês sendo por um antigo desafeto sarraceno abordado. Tendo finalmente mais perto dele chegado, percebeu que este, na realidade, queria Patrick matar, mas rapidamente pelas costas o conseguiu apunhalar.

Patrick: Obrigado por salvar a minha vida! Se não fosse você, minha situação agora estaria perdida! Eu a estou reconhecendo! Você não é a Marai-Khatun, a seu primo Bekter em casamento prometida?

Quando Patrick essas palavras pronunciou, um profundo desgosto na jovem causou. Completamente sem jeito, Marai retrucou:

- Vou com um homem que eu não amo em breve me casar! Adoraria o meu destino poder mudar, mas dizem que eu preciso com a situação me habituar!

Patrick: Os homens possuem o que nós chamamos de livre-arbítrio, você sabia?

Marai: Como assim livre-arbítrio? Explique-me melhor essa filosofia!

Patrick: Bem, eu lhe peço para ficar bastante atenta então. Veja se aprende a lição! Não somos apenas um mero joguete nas mãos do Criador!

Marai: Isso significa que somos por nossos próprios atos responsáveis? Não dependemos apenas de um Ser Superior?

Enquanto o jovem casal conversava, Marai um grande interesse pelos ensinamentos de Cristo demonstrava. Seu tio Qutuz, comandante de mil homens, era, na verdade, um cristão nestoriano. Essa seita, fundada pelo heresiarca Nestório há vários anos, se disseminou pelo Extremo Oriente e não estava diretamente ligada ao cristianismo romano. Segundo o nestorianismo, duas naturezas em Cristo havia: uma divina e a outra humana. Não era isso o que a Igreja defendia. Qualquer idéia contrária à sua era combatida com toda a gana.


TRÊS MESES DEPOIS, NA “YURT” DE GUILLAUME BOUCHER...


Patrick: Pai, por que você se submete tanto a esses mongóis?

Guillaume: Eles sempre me pagaram muito bem pelo meu trabalho. Caso contrário, estaríamos agora em maus lençóis!

Patrick: Soube, através de alguns informantes que, em novembro de 1252, a rainha Blanche morreu e, por causa disso, o rei Louis retornou à França. Infelizmente, a guerra contra os sarracenos o nosso grande soberano perdeu. Há quatro anos, ele, em Damieta, foi pelos árabes capturado e para uma prisão na cidade levado. Algum tempo depois, finalmente foi libertado. O rei Louis um frade franciscano flamengo para Karakorum enviou recentemente. Mas continuo achando que essa aliança entre os cristãos e os mongóis não é nada inteligente.

Guillaume: Porém, temos um inimigo comum.

Patrick: Eu sei, contudo ainda assim penso que essa aliança não nos levará a lugar algum!

Guillaume: Hulagu, um dos netos de Genghis Khan, pretende avançar contra os persas. Andei ouvindo, na praça central entre os mercadores, algumas conversas. E seu irmão Kublai quer com os Song acabar para, assim, toda a China unificar.

Patrick: Verei o que mais descubro sobre os mongóis em Marai-Khatun colando.

Guillaume: Filho, já percebi que, quando você pronuncia o nome dessa jovem, os seus olhos ficam brilhando!

Patrick: Está certo, pai, eu admito! De fato, Marai-Khatun é bastante atraente! Por outro lado, jamais permitirei que ela me atraia para uma cilada como uma presa inocente! Os mongóis tornaram-se temíveis, mas não são invencíveis. E é justamente isso que eu a todos em Karakorum vou mostrar! A seu Grande Khan, nunca iremos nos prostrar!

Patrick e seu pai sobre os mongóis até quase a madrugada falaram, quando finalmente no sono pegaram.

No dia seguinte, Patrick de Guillaume se despediu e a seus velhos companheiros de armas Richard e Conrad se uniu. Contudo, dessa vez, não exatamente para as criaturas das trevas exterminar. Como todo jovem, queriam apenas mais uma noite aproveitar. Para a surpresa do francês, este se deparou, por acaso, no caminho, com o seu melhor amigo Henri, que andava pela rua sozinho. Henri sobre tudo o que estava ocorrendo na ocasião lhe contou e Patrick para a sua yurt logo o levou. A partir do momento em que Patrick para Karakorum havia partido em missão, não via o estimado amigo Henri desde então. Ambos muito se emocionaram e fortemente se abraçaram. Guillaume, em sua yurt, mais um trabalho de ourivesaria para os mongóis fazendo estava e, por isso, bastante ocupado para ouvir o que Henri e Patrick diziam se encontrava.


NA TARDE SEGUINTE...


Bolya: Não! Não pode ser! O que aconteceu? Alguém, por favor, quer me dizer?

Guarda: Bekter foi envenenado.

O general Qutuz ficou pela fúria inicialmente tomado, mas logo teve o seu ânimo aplacado.

Qutuz: Nossa sobrinha, dessa vez, de todos os limites passou! Seu próprio primo assassinou!

Bolya: Mas como você descobriu? Alguém mais próximo a nós por acaso isso viu?

Qutuz: Enke, um dos nossos maiores guardas de confiança, me afirmou que Marai colocar veneno de rato na comida de Bekter secretamente observou. A sua atitude muito suspeita achou. Com ela, não mais conviver poderemos!

Bolya: Então, a partir de agora, o que faremos?

Qutuz: Nossa sobrinha tem somente dezessete anos. Bem lá no fundo, não passa de uma criança. Faz com que todos percebam às claras que andou se entusiasmando demais com aquele cavaleiro da França.

Bolya: O que você sugere? Que Marai seja condenada à morte? Meu irmão, sei que, no fundo, você não lhe deseja essa sorte. Vamos fazer como Hoelun, a valorosa mãe de Chinggis, o nosso Conquistador, que, com o seu filho na infância bastante esbravejou, porém sua extrema raiva controlou e, finalmente, o perdoou!

Qutuz: Vocês, mulheres, são sempre quando querem muito convincentes! Inventam os argumentos mais surpreendentes! Está bem, Bolya. Nossa sobrinha uma severa punição pelo crime sofrerá, mas uma segunda chance terá. Será que o intrépido cavaleiro francês Marai ultrapassará? Quanto a se envolver seriamente com Patrick Boucher, o “Caçador do Sol”, o próprio destino dela se encarregará!

Qutuz a seus guardas ordenou que aplicassem em sua sobrinha nas mãos trinta palmadas. Durante mais de um mês, Marai permaneceu em uma fortaleza trancada. Qualquer comida lhe era sempre negada, para que nunca tivesse a lembrança do crime apagada.


SEIS SEMANAS DEPOIS...


Em uma bela manhã ensolarada em Karakorum, Patrick e seu melhor amigo Henri pela praça central passaram quando, de repente, de longe, uma formosa jovem lutando com um sarraceno encontraram.

Patrick: Henri, veja! É a Paquette! Ela combate com bravura! Com minha primeira namorada, nenhum infiel se mete! É apenas aparente a sua ternura!

Enquanto Patrick dizia isso a Henri, o duelo entre Paquette e o sarraceno continuava. Era a formosa jovem que vantagem levava.

Henri: Vai me dizer que ela, com você, aprendeu bem a lição?

Patrick: Como adivinhou? Por acaso, faz algum tipo de previsão?

Tendo o sarraceno finalmente dominado e uma espada em seu peito cravado, esta, enfim, novamente guardou. Patrick ficou bastante admirado e, então, à antiga namorada perguntou:

Patrick: O que, afinal, a trouxe à Cidade Infernal?

Paquette: Vivo em Karakorum há alguns anos. Para falar a verdade, não há um motivo especial.

Paquette e Patrick, na yurt bastante se abraçaram até, que, finalmente, para matar a saudade, intensamente se amaram. Mas o casal não desconfiava de que alguém fora da tenda fielmente os observava.


AO ANOITECER...


Marai: Do que está me dizendo você tem a mais absoluta certeza?

Guarda: Eu lhe garanto de que não me enganei, minha princesa! Patrick e seus amigos mais próximos costumam num lugar chamado Cholotei frequentemente se encontrar.

“Preciso uma estratégia usar para Patrick à minha yurt levar! Retardatária eu não quero ser! Como ele, também fui feita para matar!” – pensou Marai-Khatun a noite inteira.


NO DIA SEGUINTE...


Marai: Guarda Jelme, diga a Patrick Boucher que eu o quero em minha yurt sem demora!

Jelme: Pois não, minha senhora!


ALGUNS MOMENTOS DEPOIS...


Fingindo humildade, Patrick a Marai-Khatun fez uma reverência. Bem diferente de seu primo Bekter, a jovem percebeu que o francês não gostava de nenhum tipo de subserviência.

Patrick: Você deve ter um motivo muito especial para ter à sua yurt a essa hora da noite me chamado!

Marai: Certamente. Eu não me esqueci daquela nossa conversa sobre o cristianismo. Gostaria muitíssimo de que você me falasse sobre o seu Iluminado.

Patrick: Diferente de vocês, mongóis, não adoramos os elementos da natureza. Isto, para os ocidentais, é um grande pecado.

Marai: Não consigo entender como um Iluminado do porte de Cristo se deixou morrer numa cruz!

Patrick: A cruz, para nós, é motivo de orgulho e sabedoria, pois foi justamente através dela que Ele nos libertou das trevas e nos trouxe a luz!

Nesse momento, Marai de ombros deu. “Ela está usando a conversa sobre religião como uma desculpa para me atraiçoar, mas não posso a essa tártara me entregar”, Patrick espertamente isso percebeu.

Marai: Cristo a violência não pregou. A paz foi o que Ele ao mundo anunciou. Você não acha que matar em Seu nome na verdade não é uma enorme contradição?

Patrick não sabia mais o que responder. Embora já estivesse há muitas horas sentado ao lado de Marai-Khatun, não queria aos seus impulsos ceder, porém tinha pela jovem mongol muita atração, embora a sua primeira namorada Paquette amasse de todo o coração.

Marai repentinamente se levantou e nos ombros de Patrick sensualmente tocou. Ele, das carícias que se seguiram em todo o seu corpo, não se esquivou, porém, num momento de dúvida, logo lhe perguntou:

Patrick: Seja brutalmente honesta, tártara: essa é a sua primeira vez?

Marai: Por Tengri! Você vai mesmo direto ao assunto! Por acaso é, sim, meu “súdito” francês! A propósito, Patrick, acabo de criar uma alcunha para você: 85 86 89 93. São, na verdade, os números do antigo deus Nial’a.

Patrick: 85 86 89 93? Nial’a? Quem é, afinal, essa divindade da qual você me fala?

Marai: Serão, eternamente, os seus números da sorte. Você sempre terá em sua mente, até morrer, essa lembrança bastante forte! Assim como o grande Chinggis, Nial’a tinha um irmão jurado que, posteriormente, acabou se tornando o seu maior rival, com quem se meter não ousava. O bravo cavaleiro que há vários anos viveu e cuja fama por todo o mundo se espalhou se chamava...

Quando Marai essas palavras mal pronunciou, ela logo notou que Patrick, com isso, muito se perturbou, como se, de fato, ele, em outra vida, tivesse sido o tal antigo deus de quem a jovem mongol lhe falou.

Como se quisesse que ela se calasse, propositalmente Patrick colocou levemente os dedos sobre seus lábios para que não mais com esse assunto continuasse.

Patrick: Essa é a sua primeira vez! Então, é bom se preparar porque uma maravilhosa noite de amor para você irei proporcionar! A seu coração inquieto finalmente vou domar!

No que, pelo menos, diz respeito à primeira noite de amor de Marai-Khatun, Patrick, fitando firmemente seus olhos, com a sua vivência, sabia que a jovem estava sendo realmente sincera. Enfim, ainda que na condição de retardatária, ela conseguiu a sua meta atingir após uma longa espera.

No momento que se seguiu, dois corações um só se tornaram. Finalmente, Marai e Patrick se amaram. Desse duelo encarniçado, os dois predadores vorazes não escaparam. O airag à champagne se misturou e, quando Patrick, como um amante experiente todo o corpo de Marai acariciou, até que, por fim, a penetrou, a jovem mongol, em pensamento, essa inesquecível noite secretamente comemorou.

Invocando um espírito ancestral, Marai-Khatun fez Karakorum no tempo parar para, por nove noites consecutivas, o seu encontro amoroso com Patrick prolongar, até que, satisfeita, pediu ao espírito ancestral para que tudo voltasse ao normal.

Na manhã seguinte à nona noite de amor, Marai atraiu para o lago Torula o seu astuto professor. Pretendia fazer com ele uma grande brincadeira, pois recentemente soubera, através de uma velha viúva, que, desde criança, Patrick Boucher tem muito medo de chuva.

Mergulhando no lago, mais uma vez Marai e Patrick à volúpia se entregaram. O airag e a champagne novamente se misturaram. Alguns minutos depois, Patrick, se vestindo e do lago Torula em seguida saindo, adormeceu. Marai rapidamente atrás de uma pedra se escondeu. Um conceituado xamã o tempo mudou e a linda manhã de sol em enorme chuva transformou. Logo todos dela escaparam e em suas yurts se abrigaram. Quando Patrick finalmente acordou e percebeu que o tempo se alterou, estranhando a ausência de Marai, por ela chamando ficou. O francês com a forte chuva a se apavorar cada vez mais começou, até que, desesperado, um certo nome gritou:

Patrick: Ytoran Nasen! Ytoran Nasen! Posso a sua presença perceber! Não vai diante de mim aparecer?

Ytoran: Você não passa de um bebê chorão! Cismou que é professor, mas acho que ainda não aprendeu a lição!

Patrick: De joelhos, eu lhe peço: faça essa chuva parar e o sol novamente brilhar!

Ytoran: Quer apostar uma corrida comigo? Que tal?

Patrick: Não acha a sua sugestão fora do normal? Apostar uma corrida nesse temporal?

Ytoran: Vamos fazer de conta que, por um momento, Karakorum é o Principado?

Patrick: Bem, a idéia é bastante tentadora, embora eu ainda esteja muito assustado.

Ytoran: Vamos acelerar? Está pronto para tentar me ultrapassar?


E NA “YURT” DE MARAI-KHATUN...


Xamã: Patrick invocou um tal de Ytoran Nasen, minha senhora.

Marai: Meu caro xamã Nayan, aproxime-se sem demora. Ytoran Nasen? Nunca antes ouvi falar dessa divindade!

Xamã: Ele não é exatamente uma divindade, porém se trata de um espírito muito poderoso, capaz de acalmar até mesmo uma grande tempestade! Sua fama até já se espalhou pela Terra do Sol Nascente. Era um formidável guerreiro e a Deus temente. Parece que Patrick Boucher e Ytoran Nasen estão uma corrida por toda a planície apostando.

Marai: É mesmo? E por acaso você pode me dizer quem está ganhando?


ENQUANTO ISSO, NA PLANÍCIE...


Patrick: Na Batalha de Amokon, 984 A.D, o deus Nial’a sobre você quase conquistou a vitória. Para você, enfim, representou o início da glória.

Ytoran: Graças a Deus, a justiça prevaleceu e, nesse dia, muito choveu.

Patrick: E o que você me diz da Batalha de Selitor?

Ytoran: Aquela ocorrida em 985 A.D, quando o ousado aluno superou o astuto professor?

Patrick: E, nesse dia, também bastante choveu e você, mais uma vez, o deus Nial’a venceu.

Ytoran: Difícil mesmo foi lutar contra Nial’a na famosa Batalha de Asukuz.

Patrick: Aquela de 990 A.D, em que ele não fez jus?

Ytoran: Patrick Boucher, sou o verdadeiro Senhor da Chuva! Acabo de uma arriscada ultrapassagem fazer!

Patrick: Por tudo o que é mais sagrado, encerre a corrida! Estou muito cansado!

Ytoran: De maneira alguma, francês! O diretor de prova ainda não autorizou!

Patrick: Diretor de prova? Como assim? Será que você louco de vez ficou?

Antes de Patrick cair no chão desmaiado, tendo sido por Ytoran amparado, ele lhe fez uma pergunta que deixou o espírito ancestral um pouco embaraçado:

Patrick: Ytoran, você, que já passou para o lado de Lá, me diga uma coisa: o Paraíso é, afinal, um bom lugar?

Ytoran: Bem, para quem Nele realmente acredita, com certeza de que sim!

Patrick: Você, com essa resposta, acabou gerando mais dúvidas em mim!

Eles para o lago Torula haviam retornado. Na verdade, fizeram o mesmo traçado.

Ytoran: Eu ia de qualquer maneira essa corrida ganhar porque, afinal de contas, ao contrário de você, não preciso respirar! Quando novamente acordar, você e também todos os outros esse mesmo dia de forma diferente reviverão e desse momento não mais se lembrarão! A propósito, os meus números da sorte são 88 90 91. Todos sabem que, igual a mim, não há nenhum!

Ytoran na testa de Patrick com a mão direita tocou e, enquanto eles pela planície corriam como um guepardo, o sol aos poucos a se manifestar voltou. Ytoran o quanto antes de desaparecer tratou e uma cortina de fumaça sobre os habitantes de Karakorum lançou. A noite finalmente caiu e toda a população profundamente dormiu. Ao amanhecer do dia seguinte, as pessoas naturalmente despertaram e, de fato, de nada se recordaram. Marai e Patrick na beira do lago Torula sobre o que estavam fazendo ali se perguntaram e ao seu acampamento rapidamente regressaram.


POR VOLTA DO MEIO-DIA, NO CHOLOTEI...


Richard: E aí? Sua relação com a Tártara foi boa?

Patrick: Não deixem Paquette saber disso! Prometem que não vão ficar rindo à toa? Descobri que a Marai é insaciável. Seu apetite sexual é, de fato, inacreditável!

Richard: Como o de uma égua selvagem?

Patrick: O que você disse não passa de bobagem! Eu diria que Marai-Khatun é um megalodon!

Richard: Mega... o que? Diga isso de novo em alto e bom som!

Patrick: Foi o maior tubarão predador de que se tem notícia na história. Desde criança, essa palavra não sai da minha memória.

Quando Patrick, Richard e Conrad deixaram Cholotei, o seu ponto de encontro favorito, surgiu um momento de intenso conflito. Richard e Conrad conseguiram escapar, porém dez robustos guardas mongóis acabaram por Patrick capturar para a yurt do general Qutuz em seguida levar.


NA PRISÃO


A jovem Marai, diante da cela de Patrick, aparece de repente. O cavaleiro francês achou a sua atitude surpreendente.

Marai: Bonjour, Messire Patrick! Gostaria de tomar uma taça de champagne?

Patrick: Não vou querer que esse duelo de mim você ganhe!

Marai: Você possuiu a Paquette antes de como sua mulher me tomar! Acha que poderei com isso facilmente me conformar?

Patrick: Você? Minha mulher? O fato de nós termos tido uma noite de amor interminável não significa necessariamente que o nosso relacionamento seja estável! Eu isso não lhe prometi. Tamanha loucura, de sua parte, jamais antes vi!

Marai: Sabe de uma coisa, Patrick? Você é franco demais para o meu gosto!

Patrick: A ouvir suas queixas não estou disposto!

Marai: Chega! Guardas, eu lhes ordeno que dêem em nosso ilustre prisioneiro um bom castigo! Esse professor vai, de uma vez por todas, aprender a não se meter a besta comigo!

E assim se sucedeu. Por vários dias, Patrick na prisão da yurt de Qutuz permaneceu até que, finalmente, o inesperado ocorreu. Richard, Conrad, Henri e Paquette um ataque surpresa à yurt do tio de Marai prepararam e os guardas, que estavam distraídos, atacaram. Assim, Patrick, para o desespero de Qutuz e Marai, foi libertado, mas não antes de causar ao francês uma terrível surpresa, como havia para si mesma jurado.

Logo após terem da yurt escapado, pensando que já estavam a salvo, indo cada grupo para todos os lados, os guardas mongóis os cercaram e várias flechas em sua direção dispararam, sendo que uma delas Paquette em cheio atingiu. Patrick, então, em desespero caiu. Abatida no chão, nos braços do antigo namorado amparada, as últimas palavras pronunciou:

Paquette: Marai-Khatun! Foi ela que me tocaiou!

Tendo dito isso, por fim, a jovem francesa expirou.

Patrick: Não! A minha Paquette não pode assim ter morrido!

Patrick estava desolado e ao mesmo tempo enfurecido. Ele, em pensamento, a si mesmo prometeu: “Marai-Khatun, pode esperar que a sua hora vai chegar! Você se arrependerá de ter nascido! Não sabe com quem se envolveu!”


UM DIA DEPOIS


Quando Marai, com alguns primos, em um mercado parou, percebeu que de uma certa distância estava sendo observada. Foi então atraída propositalmente para uma rua mais isolada. Ela, corajosamente, os homens de Patrick com golpes de artes marciais enfrentou, mas como estes em maior número estavam, vendo que era inútil continuar reagindo, por fim se entregou.


EM ALGUM LUGAR PERTO DA “YURT” DE PATRICK...


Patrick: Acho que a corda já está bem apertada. Podem se retirar.

Marai-Khatun foi a uma enorme pedra, por ordem do cavaleiro francês, amarrada. Pelas mãos de Richard, a jovem havia sido levada. Estranhamente, para o espanto de Patrick, não conseguiu nenhuma palavra pronunciar.

Patrick: Essa não é a Marai que eu um dia conheci! Tão segura, sempre cheia de si! Como tentou me ultrapassar? Você eternamente uma retardatária será! Nunca em meu coração Paquette superará!

E o suplício de Marai-Khatun finalmente começou. Do jovem cavaleiro Patrick Boucher cinqüenta tapas levou. Quando percebeu que ela desmaiou, ele imediatamente com a surra parou e o local abandonou.


ALGUMAS HORAS DEPOIS DA SURRA...


Guarda: General Qutuz, veja! É Marai-Khatun naquela pedra amarrada e parece que ela está toda ensangüentada!

Qutuz: Vamos carregá-la para a sua yurt depressa! Salvar sua vida agora é o que mais interessa!


PERTO DA “YURT” DE MARAI-KHATUN...


Qutuz: Então quer dizer que Patrick Boucher é um agente dos Templários na verdade! Marai deve ter descoberto isso e resolveu se vingar dele sem dó nem piedade!

Guarda: Quem são esses tais Templários?

Qutuz: É uma longa história. Vou lhe contar tudo com os pormenores necessários. A Ordem dos Templários em 1118 por Hugues de Payns foi fundada. Sua função principal é deixar Jerusalém para os cristãos libertada.

Guarda: Ao mesmo tempo monges e cavaleiros? É verdade que eles são poderosos guerreiros?

Qutuz: Sim, eles combatem os muçulmanos, também nossos inimigos, com enorme ferocidade. Porém, seu exército nem se compara ao do Imperador da Humanidade!


AO ANOITECER...


Diante da porta da tenda de Marai, um estranho cavaleiro apareceu. Não era de traço oriental e, sim, europeu.

Cavaleiro: Como a Tártara está?

Guarda: Ainda em coma, mas acho que, brevemente, se recuperará!

Tendo rapidamente se identificado, os guardas deixaram-no entrar para cumprir o que lhe fora destinado. Ele um demônio na tenda vê, porém o cavaleiro ainda não sabia o que este viera, na verdade, fazer.

Demônio: Meu nome é Tsukai e vim buscar a guerreira Marai. O que tem na mão? Você é cavaleiro e não anda armado?

Cavaleiro: Respondendo à sua pergunta, carrego a Bíblia, que narra a saga do povo de Abraão e é o nosso Livro Sagrado.

Demônio: Sempre gostei muito de ler. Posso esse tal Livro Sagrado de perto ver?

Cavaleiro: Pois não, pode a Bíblia pegar! Direto para o Inferno você irá!

Tendo essas palavras pronunciado, ele, em seguida, pensou bastante aliviado: “menos um para incomodar!”

Ao perceber que a jovem finalmente do coma despertou e, ao vê-lo, apreensiva ficou, o cavaleiro logo a ela se apresentou.

Cavaleiro: Meu nome é Andreas e sou um Hospitalário. Para ajudá-la, farei todo o necessário.

Marai: Você é, por acaso, mais um amigo de Patrick Boucher?

O Hospitalário: Sim, eu o conheço há muito tempo. Por que lhe interessa tanto disso saber? Ele ignora que estou aqui. Vim, apenas, a minha missão cumprir. Cabe a um Cavaleiro Hospitalário uma alma salvar em vez de ao Inferno condenar. Agora, você me deixa em suas lesões tocar?

Marai, acenando com a cabeça, consentiu. Um pequeno milagre a jovem permitiu. Então, ela, no espelho, se olhou e, da maravilhosa surpresa, muito gostou, pois nenhuma marca em seu rosto ficou. Sobre o encontro com Andreas, o Hospitalário, segredo guardou, conforme ele mesmo lhe aconselhou.

X X X

Com a ajuda de Richard, depois de ter dois guardas dominado, Patrick entra na yurt de Marai acompanhado.

Patrick: Sain bainuu, Marai-Khatun! Eu lhe trouxe um steak tartare e um copo de airag. A propósito, meu amigo austríaco Conrad veio lhe desejar Guten Tag!

Segundos depois de Patrick e Conrad terem virado as costas e ido embora, Marai-Khatun, ainda enfrquecida, porém muito irritada, chama os guardas sem demora.

Marai: Quem deixou esse mignonzinho entrar em minha tenda? O responsável por tal desleixo sofrerá uma seriíssima reprimenda!


O VIDENTE


Qutuz, por um mendigo que dizia ser vidente, foi na rua abordado e, com sua previsão, deixou o general bastante preocupado.

Vidente: A Serpente! Eu vi um homem se transformando numa enorme serpente e destruindo impiedosamente tudo o que via pela frente!

Qutuz: Você, por acaso, está se referindo ao ocidental Patrick? Quero que isso agora mesmo me explique.

Vidente: Karakorum, em breve, será sacudida por um jovem agitador, chamado, tanto por seus amigos quanto pelos rivais, de Professor.

Qutuz: Por que Patrick Boucher recebeu, afinal de contas, esse apelido?

Vidente: Ele sempre possuiu a mesma astúcia do grego Ulisses, isso por todos é sabido.


KARAKORUM, 1255: A REVOLTA DO “CAÇADOR DO SOL”


Patrick, à frente de um exército de Templários, dirigiu-se para a praça principal com o objetivo de, propositalmente, causar nos mongóis indignação geral.

Patrick: Mangu Khan, ouça com toda atenção: nós, em nome do Rei Louis e representando o Ocidente cristão, à aliança franco-mongol contra os sarracenos dizemos NÃO!

Qutuz: Guardas, o que vocês estão esperando? Eles estão contra o nosso povo se sublevando. Vamos atacar!

Entre os mongóis, ninguém estava tão contente quanto Marai por ter, agora, publicamente, a real oportunidade de Patrick Boucher se vingar.

Após vários mongóis em praça pública ter com sua espada subjugado, Patrick, com toda satisfação, queria ver um deles cruelmente exterminado: Yelu, o guarda gigante, de quem, por ordem de Marai-Khatun, havia na prisão apanhado. Patrick, direto para a sua yurt o atraiu e iria usar contra ele um poderoso ardil, já que era impossível vencê-lo pela força física praticamente. Deixou, em sua mesa, um copo d’água propositalmente. Não era à toa que o chamavam de Serpente. Ele permitiu que Yelu bastante o surrasse para que logo à intensa exaustão chegasse.

Yelu: Não vai reagir? Está fácil demais! Deu-me até uma grande sede. Eis o que um desgaste físico faz!


SEGUNDOS DEPOIS...


Yelu: O que é isso? Por que todo o meu corpo está incendiando?

Patrick: Deve ser Tengri à sua presença você chamando! Eu já esperava raciocínio lento para alguém de 1,90m.

Yelu: Então o que havia no copo era na verdade...

Patrick: Exatamente! Água benta!

Dois outros guardas mongóis da tenda de Patrick perigosamente se aproximaram. Richard, Conrad e Henri contra eles se lançaram, mas suas espadas para longe os guardas atiraram. O melhor amigo de Patrick foi pelas costas por uma flecha atingido. Agora, mais do que nunca, o filho adotivo do ourives parisiense ficou enfurecido.

Patrick: Não! Esses guerreiros infernais atingiram Henri! Pelas mãos dos mongóis, um grande amigo perdi! Pela cólera de Deus, todos os Seus inimigos pereceram. Vocês não sabem com quem se meteram!

O cavaleiro francês contra eles uma arma extra usou. E, esbravejando, em voz alta essas palavras pronunciou:

Patrick: Vocês Filhos do Inferno não são? Então, é para lá que nesse momento irão!

Richard: Patrick, para matá-los, por que você lançou mão de uma estaca?

Patrick: Bem, na ausência de uma espada, lança, flecha ou faca...

Richard: Contra os mongóis, ela também funciona afinal! Assim como os vampiros, demônios e sarracenos, eles não são, igualmente, criaturas do Mal?

Patrick: Vamos depressa atrás de Marai-Khatun agora! Sinto que, dos cinqüenta tapas, a Tártara ainda não se recuperou completamente. Quero vê-la me desafiando como outrora!

No campo de batalha, Patrick Boucher e Marai-Khatun se encontraram. Tanto os ocidentais quanto os mongóis um enorme círculo em torno deles elaboraram. Cada um ciente estava da encarniçada luta que os aguardava. Eles partiram um para cima do outro numa disputa feroz.

Porém, antes desta, se lançaram um olhar atroz. Marai e Patrick eram grandes peritos em artes marciais e sempre procuravam se atingir com golpes mortais. Tendo já se passado meia-hora e sem dar sinais de cansaço, nenhum dos dois desiste. Dessa maneira, em meio ao total silêncio, o duelo persiste. O lagarto monitor mantém a pegada forte na cobra, que tenta, então, uma estratégica manobra. O lagarto não consegue resistir a seu oponente cerebral até que, finalmente, ele lhe desfere um girado chute fatal. Um dos guardas de Marai se aproximou e logo o general Qutuz chamou.

Patrick não queria que Andreas perto do corpo chegasse. Pretendia que ele, da fúria dos mongóis, escapasse.

Qutuz: Marai-Khatun está morta!

Patrick: Não, Andreas! Salvar a nossa vida agora é o que mais nos importa!

Andreas, o Hospitalário, foi solicitado e, após o corpo da jovem ter examinado, disse em tom de voz pausado:

Andreas: Sinto muito, general Qutuz, infelizmente por sua sobrinha não posso fazer mais nada! Sua missão neste mundo está terminada!

Qutuz: Hospitalário, além de curar doentes, é sabido que você também tem fama de ressuscitador. Mas já que não quer prestar ao povo mongol este grande favor...

E o seu tom de voz logo se alterou. Raivoso o tio de Marai ficou.

Qutuz: Não vamos esperar nem um minuto mais! Morte aos ocidentais! Morte aos ocidentais!

Andreas: Estamos todos cercados! Tentar agora uma ultrapassagem sobre esses mongóis será um trabalho dos mais arriscados!

Patrick: Mas não podemos de modo algum ficar aqui parados! Eles cada vez mais avançam por todos os lados!

De repente, em Karakorum, um forte temporal começou a cair. Patrick, como era de se esperar, enorme medo passou a sentir. Seria alguma ajuda de Ytoran Nasen, o Senhor da Chuva? Isso permitiu ao exército de Patrick dos mongóis fugir. Rapidamente, Patrick e seu exército em seus cavalos montaram e da cidade em seguida escaparam.

Patrick: Para onde iremos afinal?

Richard: Acho que uma boa dica seria Portugal.

Patrick: Uma vez, num dia de chuva, não me dei muito bem em Estoril. Que tal irmos para a Terra de Encantos Mil?

Conrad: Vamos a decisão com Andreas deixar. Ele, com sua sabedoria, o lugar certo para nós indicará.

Andreas: Não foi nada fácil ter com vida dos mongóis escapado. Para a nossa próxima parada, eu escolho o Principado.

Patrick: O lugar mais charmoso do mundo. Totalmente aprovado!

Já fora das muralhas da cidade, eles viram um sarraceno. O infiel lhes causaria um desgosto pleno?

Sarraceno: Sou mercador e o meu nome é Hassan. Pode me dizer onde Karakorum situada está?

Richard: O senhor quer mesmo ir para lá? A cidade do Céu Eterno? Não sabe que lá habitam os Filhos do Inferno?

Patrick: Não dê importância a ele! O inglês, como sempre, é muito afobado e, igualmente, amedrontado!

Richard: Como você ousou me interromper? Agora, sentirá a força do Leão, Patrick Boucher!

Patrick: Contra a força do Leão, eu invoco o poder da Serpente! Você sofrerá uma derrota surpreendente!

Enquanto Patrick e Richard calorosamente começaram a discutir, Andreas achou que ao sarraceno tinha que advertir:

Andreas: França e Inglaterra são países rivais e, às vezes, discutindo, eles lembram a própria fúria de Genghis Khan! Por favor, não repare nos meus amigos, senhor Hassan!

Hassan: Sir Richard afirmou que em Karakorum vivem os Filhos do Inferno.

Andreas: O cavaleiro inglês tem razão, pois os mongóis fazem culto ao Céu Eterno. Todo cuidado com eles é pouco. Para não temê-los, só mesmo sendo um louco. Siga a próxima estrada à direita. Cuidado com quem pelo caminho o espreita. Não há muitos pontos de ultrapassagem. Que Alá o proteja! É o que Andreas, o Hospitalário, lhe deseja. Tenha uma boa viagem!

Marai-Khatun provou que, na verdade, para enfrentar Patrick Boucher não estava preparada e, assim, acabou derrotada, sendo por um estrangeiro em sua própria terra humilhada.

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